segunda-feira, 30 de março de 2009

À SOMBRA ODIOSA DA ODIOSA COLUNA DE FERRO EMPARAFUSADA

Por Janer Cristaldo

Os jornais de hoje me lembram que, nesta terça-feira próxima, a Dame de Fer está completando 120 anos. Idade respeitável para uma senhora que, centenária, mantém-se rija, esbelta e charmosa. Vivi quatro anos ao lado dela e jamais a visitei. Durante mais de duas décadas, fui e vim de Paris, sempre me contentando em olhá-la de perto, mas sem penetrar sua intimidade. Nutria até um certo orgulho: moro aqui e jamais subi na torre Eiffel. Parecia-me um tremendo lugar-comum ir a Paris e subir até seu cume. Como abomino lugares-comuns, dela sempre mantive uma respeitosa distância. No entanto, a considero simpática. Depois de existir, passou a simbolizar Paris e nada mais que isso. Não celebra nenhum combate ou vitória, não evoca nenhum massacre ou fato histórico. Não homenageia nenhum tirano ou estadista, nenhum mártir ou herói, nenhum santo ou deus. É neutra. Cada vez que a vejo, me vem à mente um velho dito francês: soit belle et tais-toi! Seja bela e cale a boca! Muda e silente, não emite mensagem alguma, nem religiosa nem política, nem filosófica nem ideológica. Contenta-se apenas em lembrar que foi erigida para inaugurar a Exposição Universal de 1889. Discreta e ao mesmo tempo escandalosa, é como se apenas dissesse, com suas luzes cintilantes: estou aqui, estou aqui, estou aqui.
Leia mais no Blog do Cristaldo. Beba na fonte.

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