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sábado, 1 de agosto de 2009

O Google e o Monteiro Lobato


Recebi hoje a visita de uma grande amigo e colega de profissão. O Chuvisco, Luiz Fonseca, é amigo de longa data. Trabalhamos juntos no DC, logo no começo. Turma boa: Gaguinho, Armando Burd, Belmiro, Diabão, Zuba e por aí vai.
O Chuva, hoje, trabalha em Brasília como assessor do senador Pedro Simon. Uma visita destas num sábado chuvoso e plumbeo é um privilégio. Tentamos botar os assuntos em dia. Impossível. Até acredito que não existe essa de botar assunto em dia. Sempre fica um saldo e conforme a amizade parece que o saldo cresce mais ainda.
Ao redor da mesa da cozinha, adoro receber amigos na cozinha, conversamos e viajamos pelo mundo, pelo mundo virtual e por países da Europa. Claro, o leptop aberto sobre a mesa era acessado a todo o momento e por incrível que pareça não representava uma falta de atenção com as visitas. Pelo contrário, recorríamos todos ao mundo virtual para tirar dúvidas, mostrar trabalhos, fotos de viagens e, inclusive, para tirar dúvidas sobre o autor de um certo livro...ih! não lembro o nome do cara!
Pronto, vai no google e resolve. É isso aí, está tudo lá.
De repente a companheira do Chuva começou a contar sobre uma viagem que fez às ilhas gregas. Falou de uma amiga que estava trabalhando em escavações arqueológicas em uma das ilhas. Lembrei de Creta e imediatamente me veio à cabeça a figura de Teseu enfrentando o Minotauro.
Não tinha certeza se o labirinto onde o Minotauro estava preso era em Creta e rapidamente levantei, fui até a sala e peguei Os doze trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato.
Não entendi porque não recorri ao Google. Foi muito legal o "choque de ferramentas". As Obras Completas de Monteiro Lobato foram a minha primeira leitura. Meu pai, o "guarda" Rubim, não tinha o primário completo mas sabia que o segredo da formação dos filhos estava nos livros.
Certo dia, em plena ditadura, apareceu em casa um grande amigo do Pai que estava sendo perseguido pelos milicos e, sem emprego, começou a vender livros. O seu Lacy Osório, poeta comunista, nascido em Alegrete, morava em Porto Alegre. Eu tinha meus 12 anos e lembro do "seu" Lacy, na sala, mostrando aqueles prospectos coloridos de coleções de livros. Tinha Life, Delta Larousse e mais um monte de janelas mágicas para o mundo que surgiram de repente na minha vida e me deslumbraram.
Lembro que em um determinado momento da negociação dos livros o "seu" Lacy começou a declamar uma poesia que exaltava uma "Ilha". Pegou "vento na camisa", a voz aumentou de volume e a mãe imediatamente fechou a porta de frente e a janela. Não entendi direito aquela ação. Mais tarde descobri que a poesia exaltava a revolução cubana.
A coleção tem vários livros, desde Emília no país da Matemática até Reinações de Narizinho. O "Sítio" é pinto, eu bebi na fonte. Lia diariamente escutando Ray Coniff. Colocava até quatro long plays na eletrola Telefunk e mandava ver. Tenho a coleção dos livros verdes até hoje. Hoje recorri a eles. Foi uma experiência fantástica.
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Amigo salva Tijoladas

Canga.

Muita gente deve estar pensando que isso é grupo do Amilton, mas posso afirmar com toda segurança que é a mais cristalina VERDADE.
Para aqueles que torcem pelo PIOR, e também para os que querem de volta o TIJOLADAS completinho, esclareço que todo o conteúdo do site do Mosquito já foi enviado para um servidor que mantenho na internet.
O que está faltando é a ativação do banco de dados (que não é pequeno) e mais alguns ajustes necessários para que a página volte a funcionar sem qualquer problema.
Minha previsão (otimista) é que o site completo esteja no ar a partir da próxima terça-feira.

Um abraço.

Jorge Oliveira
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Fenaj diz que ABJ deve escolher Gilmar Mendes como patrono

O presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, afirmou que a Associação Brasileira dos Jornalistas (ABJ), que reúne jornalistas com ou sem diploma, deve escolher o ministro Gilmar Mendes, relator do processo que determinou o fim da exigência de curso superior para o exercício do jornalismo, como patrono da entidade. Saiba mais. Beba na fonte.


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Nei Duclós comenta

sobre "FOLHA CONTINUA DANDO ESPAÇO A IMORTAL IMORAL":

A Folha deixou de ser esse jornal quando houve a intervenção na época do Claudio Abramo, que tinha feito uma revolução editorial. Abramo transformou um veículo provinciano num jornal de nível nacional. Com a derrubada de Abramo pelo ministro da guerra Sylvio Frota, no final dos anos 70, o velho Frias (que contratou Abramo pressionado pelas mudanças que ele tinha feito no Estadão) se retirou e assumiu o Frias Filho, que usou a casca, a imagem de credibilidade para trair o que tinha sido feito por Abramo. Veja que as páginas dois e três são idênticas às dois e três da época de Abramo, só que com outro tipo de, digamos, articulistas.

Friasinho fechou o Folhetim, o jornal alternativo dominical e sucesso absoluto, criado por Tarso de Castro (que foi defenestrado pela nova direção) e o substituiu pelo execrável Folhateen (título que é um deboche), o tautológico encarte promotor da idiotia consumista da adolescência. Transformou a Ilustrada, que era um caderno de reportagens culturais (trabalhei nela na época de Abramo e Tarso) numa vitrina do show biss e numa sucessão de textinhos recorrentes sobre algumas obsessões da nova redação (como o tal conjunto Smiths, que sumiu do mapa). A equipe original de Abramo foi expurgada dos seus talentos com a greve de jornalistas fracassada de 1979 (eu tinha sido convidado pela IstoÉ e saí antes que viesse o massacre). Ao mesmo tempo, jogou pesado no marketing do jornal, elevando à categoria de gênios da cocada preta o pequeno grupo de energúmenos que fizeram pose de os verdadeiros revolucionários do jornal (que até lançaram um livro sobre seus feitos, com título usando a expressão “mil dias”, clonado da obra de "Arthur M Schlesinger Jr, Mil Dias John F Kennedy na Casa Branca – o que dá bem a idéia da pretensão da turma).

Assim, foi mais uma traição do Brasil varonil. Os leitores achavam que estavam lendo um jornal de verdade, modificado e ele já tinha sido sucateado, mas enganou porque manteve a pose (e alguns talentos que sobreviveram, como Jânio de Freitas, Clovis Rossi, Angeli, o que mantinha a aparência de que a Folha continuava no combate).

Hoje, toda essa falcatrua foi desmascarada. O que a Folha é não pode negar desde que essa nova direção assumiu há 30 anos. Não devemos nos iludir. Eles merecem o Sarney, com quem estão abraçados, pois fazem parte da grande traição de 1985, quando o regime de 64 foi apelidado de democracia e continuou em vigor.

Mas vai dizer isso nas mesas de luxo dos neo-democratas. Eles não são pessoas comuns.
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