segunda-feira, 29 de março de 2010

DIÁRIO DA PROVYNCIA XI



QUEM COPIOU DE QUEM?


Por Olsen Jr. (olsenjr@matrix.com.br)


Não se deve acreditar em tudo o que está na internet ou que é repassado por pessoas que, desavisadamente, crêem nela como informação fidedigna ou “fonte” confiável.

Aqueles que deveriam ter “espírito crítico”, jornalistas principalmente, precisam “checar” determinados conhecimentos dados como definitivo.

Sei que ninguém faz nada “por mal”, mas aí reside o “mal”... A ingenuidade é mãe da imprudência, filha da ignorância e neta do desatino, todos aparentados do equívoco.

Recebi ontem por e-mail um vídeo com o Frank Sinatra interpretando “My Way” e afirmando que o compositor e cantor norte-americano Paul Anka (autor da versão inglesa) havia ganhado “milhões” de dólares com a música e a ação que lhe movera o compositor e cantor francês Claude François que morreu sem ver o término do processo.

A pessoa que me enviou o material é sensível, amante das boas coisas da vida e a ideia era compartilhar o “achado” e trazer algumas “informações” adicionais.

Agradeço esse compartilhamento global, mas vamos aos fatos. Em 1967, o compositor francês Claude François junto com Jacques Revaux fizeram a música “Comme d’habitude” (Como de Costume) e que foi gravada pelo primeiro. O também compositor e cantor norte-americano, Paul Anka fez uma versão para o inglês que chamou de “My Way” (Meu Caminho) e cuja letra não tem nada a ver com a “original” francesa, mas a música é exatamente a mesma (basta acessar no Google: Comme d’habitude/Claude François) e que foi gravada em 1968 por Frank Sinatra, uma maravilha. Só outro dado, este sim, adicional, tudo correu bem até o Elvis Presley, em 1971 gravar a mesma música (diz a lenda que the old Frank Sinatra jamais o perdoou) porque a versão do Elvis “matou a pau”... Gostos à parte, desconheço o tal processo, mas não é difícil imaginar a interpretação do juiz. Digo isso pensando no grupo “Renato e Seus Blue Caps (cujo nome foi “chupado” de Gene Vincent & The Blue Caps) um dos papas do rockabilly, autor de “Be-Bo-A-Lula”, 1956 junto com Carl Perkins (“Blue Suede Shoes”, 1956) e Eddie Cochran (“Summertime blues”, 1958) de quem os Beatles eram “fãs”... O “nosso” Renato e Seus Blue Caps devem grande parte do sucesso aos Beatles, eles se apropriavam das músicas, mas faziam “versões” que não tinham nada a ver com a letra original. As músicas eram apresentadas assim: “Até o Fim” (You Won’t See Me – Lennon/McCartney - Vers.: Lillian Knapp) ou “Dona do Meu Coração” (Run For Your Love – John Lennon/Paul McCartney – Vers.: Renato Barros).

Mas a má fé fica caracterizada quando você lê, por exemplo, na apresentação de um disco: “músicas e letras” de Roberto Carlos... Vejam e escutem essa “Forget Him”, de Bobby Rydell (1963) para conhecer de onde saiu a música “Esqueça” ou então, “Road Hog”, de John D. Loudermilk (1960) e o “Calhambeque”, ambas foram sucesso do “Rei”, na mesma batida...

A canção “Auld Lang Syne”, do Reino Unido (que foi construída em cima de um poema de Robert Burns em 1788) e se tornou popular nas “despedidas” ou para celebrar o ano novo. Foi transplantada para todos os países. No Brasil ganhou uma versão de Alberto Ribeiro e Carlos Alberto Ferreira Braga (o “Braguinha”) conhecida como a “Valsa da Despedida” e nesse caso se justifica uma “versão” adaptando-a as circunstâncias de cada região o que não impede e se exige é o (re)conhecimento de “sua” origem e popularidade ou a consciência disso.

Na condição de autor sou avesso a essa permissividade que admite a recriação de um trabalho alheio individual e personalíssimo, portanto por terceiros. Salvo por algo ligado ao folclore em que tal adaptação quase sempre é necessária. Uma boa música sustenta e carrega qualquer letra medíocre, se isso não fosse verdade, os Beatles (do começo da carreira, em 1962) não existiriam. Recentemente Rita Lee fez um CD só com músicas dos Beatles. Na canção “Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar” (Here There and Everywhere – Lennon – McCartney) ela diz lá pelas tantas: “ I love you pra chuchu /Se você não está perto eu fico jururú/ Tudo azul, mas sem você eu fico blue”...

O amigo e escritor Mário Prata “adorou”... Com todo o respeito, duvido que John Lennon e Paul McCartney concordassem, fica a dúvida, mas qualquer um pode entender essa preocupação... Ah! Quase esqueço, qualquer um não significa um qualquer!

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