sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Intervenção

Emanuel Medeiros Vieira


Tendo mais de 20 anos, a representação política no Distrito Federal (para a qual lutei e me arrependo), não trouxe qualquer benefício para Brasília.

Pelo contrário.

Escândalos, corrupção, cobiça, trapaças.

Tem sido um verdadeiro faroeste caboclo, espécie de gangsterismo do cerrado.

São tantas as tramóias, que consumiria muito papel citar exemplos do constante desrespeito ao cidadão honrado (que ainda paga pela péssima imagem dos políticos da capital) que aqui vive.

Apenas uma: pela denúncia de Durval Barbosa, parlamentares da base aliada (ligados a José Roberto Arruda) receberam cada um R$420 mil pelo voto favorável à aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial de Brasília (PDOT).

Como o PDOT foi aprovado por 18 votos a favor, essa conta fecha em R$7,5 milhões.

Segundo o delator do esquema de corrupção em Brasília, apenas um deputado distrital, evangélico poderoso de Taguatinga, teria recebido R$6 milhões para apoiar a eleição de Arruda.

(Como o barco afundou, os seguidores deste senhor o abandonaram.)

Ele deveria aceitar a delação premiada e contar tudo o que sabe. E tudo o que fez.

Agora, todo mundo se manifesta contra intervenção.

O maior jornal da capital vive fazendo editoriais contra, falando em golpe.

Porque recebe muito (mas muito mesmo!) dinheiro em verbas de publicidade.

A Câmara Legislativa (conhecida como a Casa dos Horrores), o Clube de Diretores Lojistas, a OAB daqui (cujo presidente pertence a um escritório de advocacia que defende Arruda), os empresários, a CUT, também o PT, o deputado Geraldo Magela, do PT, (que quer ser governador), os sindicatos, o senador Cristovam Buarque (que ficou mudo durante toda a crise): todos são contra.

Agnelo Queiroz, ex-deputado federal do PT (que saiu do PCdoB), que foi ministro dos Esportes e também aspira ser governador do DF, assistiu aos vídeos antes da sua divulgação.

E ficou caladinho.

Ele também é contra.

E Joaquim Roriz também é contra.

Ah, o Lula também não quer a intervenção.

(Que turma boa, hein?)

É estranho.

Todos unidos contra a intervenção.

Como tanta gente assim sendo contra a intervenção, o bom senso indica: ela deve ser o melhor caminho.

Por que a mamata iria parar?

Por que os cofres públicos parariam de sangrar?

Por que, no fundo, um interventor idôneo faria uma auditoria rigorosa nas contas do GDF.

Disso todo mundo tem medo.

A intervenção é a única saída.

Todos os poderes estão contaminados: é um processo de metástase.

Talvez ela não saia, porque a pressão é fortíssima – e de gente muito poderosa que, a rigor, manda no Brasil desde 1500.

(EMANUEL MEDEIROS VIEIRA*

*Escritor, morador de Brasília há 31 anos)


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Nota, cartaz e placa




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Auditor Fiscal da Receita Estadual

Recebi do leitor Paulo Soares:

A divulgação do Concurso Público para o cargo de Auditor Fiscal da Receita Estadual - Secretaria de Estado da Fazenda não retrata a verdadeira remuneração para este cargo, como é comum em todo concurso público do Governo do Estado de Santa Catarina, sempre existem aqueles benefícios ocultos como gratificações e outros que não são divulgados.
A remuneração bruta incial para este cargo é mais de R$ 15.000,00, contando com a nova gratificação (estímulo para aumento da arrecadação) de R$ 2.996,00 e auxílio combustível de R$ 3.000,00, além de outras vantagens
Site da promotora e de divulgação oficial do concurso público: http://afresef.fepese.ufsc.br/
O certo é corrigirem a remuneração, de acordo com o real.
Concurso Público é assim, não tem regra legal (falta um legislação clara e objetiva), estipulam um número de vagas aquém do necessário para espantar candidatos e depois chamam muito mais que estava previsto em Edital, e sempre é a FEPESE que faz por Dispensa de Licitação os concursos. Alguém vai mexer nisto ou os interesses são maiores?
Grato!

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