quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sobre a Ponta do Coral

Por Anselmo Döll
   
    Florianópolis já foi conhecida como a cidade com melhor qualidade de vida do Brasil. Na época em que a imprensa comentava sobre isso, os argumentos mais fortes eram  as belezas naturais da ilha, os costumes  do seu povo, a tranqüilidade e a qualidade de vida que nós tínhamos.
     Atualmente, Florianópolis tem a pior mobilidade urbana do Brasil, cresce em violência e está cada vez mais poluída. O trânsito está parado, a Lagoa da Conceição e diversas praias estão poluídas, a violência tomou conta da cidade e perdemos muito em qualidade de vida.
     Com certeza, ninguém imaginou que um dia viveríamos de forma tão estressada e que até o manézinho mais ilustre de nossa ilha, o Guga, já anunciou o desejo de abandonar a cidade.
     Será que estamos no caminho certo? Concretar os patrimônios naturais é melhor que preservar?
     Eu consigo observar que o crescimento é inevitável, porém, em alguns lugares, como no Hawaii, local que recebe o maior número de turistas do mundo, os projetos estão sempre associados à preservação ambiental e não na destruição que possa poluir ou afugentar os turistas.
     A beleza natural do arquipélago hawaiano é e sempre será para eles, o maior atrativo para fomentar o turismo.
     Sabem que nenhuma obra por mais bonita e moderna que possa ser, poderá substituir a beleza natural, motivo de maior atração turística.
     O North Shore, em Honolulu, está intacto desde a primeira vez que visitei, em 1984 e cada ano recebe mais turistas, justamente pela política de preservação ambiental. É a beleza natural que continua atraindo os turistas, na qual me incluo e estou visitando ano após ano.

     Observando atentamente o projeto da Hantei, apresentado na TV, posso até  dizer que é muito bonito em termos de projeto, mas jamais poderia dizer que estou de acordo que seja construído ali na Ponta do Coral.

     Nenhum projeto poderá ser mais bonito e apreciável, que o projeto natural de Deus ou seja:  o desenho maravilhoso que Deus criou para aquele lugar que hoje chamamos de Ponta do Coral. Jamais alguma grande obra de homens poderá ser mais contemplativa que esta obra  do Criador. Só por este aspecto, já devemos pensar em não errar.
    Por outro lado, tem se falado sobre a venda irregular daquela área, assim como, sobre a situação de abandono e o mau uso da Ponta do Coral.
    Na questão da venda, espero que os órgãos competentes possam apurar e caso tenha havido fraude no processo, que este já seja um dos motivos que possam impedir qualquer tipo de construção por aquele que se diz dono, mas não é.
    O fato de o local estar abandonado ou estar sendo usada por vândalos ou drogados, a culpa é da prefeitura que deveria exigir daqueles que se dizem proprietários, que cuidassem daquele lugar, mantendo limpo e seguro, pois todo lugar abandonado, acaba tendo seu uso inadequado.
    Certamente que se a mesma área estivesse em algum país europeu, estaria tão bonito e bem cuidado, que o povo jamais teria o desejo de trocar a beleza natural e o canto dos pássaros, por torres de concreto e ronco de motores das lanchas poluidoras.
    Jamais eu poderia ser favorável à construção de um Hotel e uma Marina na Ponta do Coral, pois estaria sendo um criminoso ambiental e meus filhos e netos, jamais me perdoariam.
     Sei que o aterro de 30 mil metros quadrados, mais o fluxo intenso de embarcações na marina, comprometerá toda vida marinha, não só da Ponta do Coral, mas de todo entorno, incluindo todo manguezal e nunca mais conseguiremos reverter a situação.
    Lamento profundamente, que os investidores que só pensam em lucros momentâneos, não consigam ver que estão destruindo e matando a galinha de ovos de ouro, que é a ilha com suas belezas naturais.
    Ninguém pode impedir o crescimento ou desenvolvimento de um lugar, mas precisamos fixar nossos metas em projetos voltados para a sustentabilidade e desta forma, resgatar o título que um dia  já tivemos:
Florianópolis ? O melhor lugar para se viver.

5 comentários:

Döll disse...

Logo depois da leitura do meu texto, fui indagado por um dos sócios, que ouviu atentamente que conhecí o Hawaii em 1984 e o mesmo me fez as seguintes perguntas: Quanto tempo faz que não vai mais para o Hawaii? Sabia que de 84 para cá, muita coisa mudou? Para surpresa do questionador, respondí que viajo com frequência para lá e a última vez foi pouco tempo atrás e tudo continua igual no North Shore. Quem conhece o Hawaii, sabe o que estou falando....

Anônimo disse...

Döll, parabéns pelo seu artigo. Perfeito. Este deve ser, acredito, o entendimento da maioria da população de Florianópolis, exceção dos inescrupulosos, que lucrarão com o projeto - mídia, construção civil e políticos -, e dos atuais governantes e vereadores de Florianópolis que, quase sem exceção, não enxergam além dos próprios bolsos.

Carlos disse...

Acho que esse projeto da Ponta do Coral é um absurdo, aquele local não comporta um empreendimento que vai impactar a mobilidadade de quem usa a avenida Beiramar. É só ver como aquilo fica todos os dias, de manhã e à tarde, trânsito devagar, quase parando, para entender que não é viável do ponto de vista da mobilidade da cidade, criar mais entradas/saídas nessa via. De qualquer forma, provavelmente esse projeto não se cria, pois está fundado em uma ilegalidade: a lei complementar 180/2005, que autorizou as alterações, é flagrantemente inconstitucional. Se dependesse só do município ou estado, até passava, mas mexe como área da União, o negócio é mais complicado.

Anônimo disse...

O que estao esquecendo é que o nosso famoso manezinho guga, era (?) até bem pouco tempo socio da Hantei, uma das canstrutoras que mais degradou nossa ilha. E a alguns dias atras , antes da apresentaçao do projeto da ponta do coral, ele se afastou da hante. Estrategia para nao estar ligado a uma projeto que sera com certeza muito polemico e que fara muito mal a cidade? Dai é facil, depois de sugar tudo da cidade, mudar pra qualquer paraiso preservado no mundo. Dinheiro nao lhe faltara...

Döll disse...
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