quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

FELLINI & BERLUSCONI

Por Janer Cristaldo
Nas postrimerias do século passado, comentei este estranho poder da arte, que absolve todas as transgressões. Falava de Lolita. Meio século depois de publicado, o romance conserva seu potencial subversivo. Este vigor não decorre da obra em si. Mas da oposição a uma época que, de repente, parece ter optado pela hipocrisia e conservadorismo. Com seu romance, Nabokov imortalizou a personagem da adolescente sensual, que desde há muito tem perturbado homens maduros.

Para começar, foram as prediletas de Lewis Carrol, não por acaso um escritor que cultivou o gênero infanto-juvenil. Thomas Mann, por sua vez, criou uma versão masculina da adolescência erótica, com Tadzio, em Morte em Veneza, novela levada ao cinema por Visconti. Tadzio tem quatorze anos e espicaça o desejo do senil Aschenbach. Lolita tem doze. Wilhelm von Gloenden, em Taormina, fotografa adolescentes nus com um realismo que Visconti jamais ousaria. Segundo as más línguas, a fama dos meninos de Von Gloenden teriam feito até mesmo Nietzsche tomar o rumo da Sicília. Leia mais. Beba na fonte.

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