sábado, 21 de janeiro de 2012

Trampolins políticos

    Canga:
 
    Um assunto me tira o sono. Trata-se destas famosas reformas de colegiado que Governadores e Presidentes da República fazem antes dos processos eleitorais. A Dilma está iniciando e o Governador Raimundo Colombo também.
    Se você tivesse uma empresa, contrataria um profissional para gerir os negócios sabendo que ele sairia ao final de um ano de atuação? Mesmo considerando que estes ministros, secretários e dirigentes sejam realmente profissionais, o que não é verdade, não me parece muito sensato interromper um processso recém iniciado.
    Na verdade, considero estas tais reformas de colegiado uma verdadeira irresponsabilidade dos Presidentes e Governadores, sem esquecer dos Prefeitos, é claro. Isto deveria ser erradicado do modelo político Brasileiro.
 
    Nomear pessoas para um cargo na administração, sabendo de suas intenções de concorrer nas eleições seguintes, importa nas seguintes consequencias, ao meu ver terríveis para a democracia e para a administração pública:
1 - concede vantagem ao dirigente candidato, que os candidatos comuns jamais terão, especialmente pelo tempo de exposição na mídia;
2 - assegura ao dirigente candidato, pela força de seu cargo e pela pressão sobre empresas particulares vinculadas a sua gestão, a formação de caixa para campanha, mais uma vez auferindo vantagem sobre o candidato comum;
3 - ao ser nomeado sem ter conhecimento sobre a área, o dirigente candidato perderá algum tempo até se adaptar e entender os objetivos a serem alcançados e a forma de conseguir isso;
4 - ao administrar com foco na eleição, o dirigente candidato provoca um processo de estaganação no órgão, uma vez que o corpo de funcionários não acredita em eventuais projetos propostos (Em resumo: - Se Ele vai sair, será que o próximo vai dar continuidade a isso?);
5 - ao administrar com foco na eleição, o dirigente candidato não tem tempo para o órgão e comparece ao serviço de terça a quinta feira (semana Brasiliense), usa os recursos materias e financeiros do órgão (telefone, carro e diárias) e ainda se beneficia de toda a infraestrutura de apoio, como secretárias, telefonistas, demais cargos em comissão auxiliares, cartões de apresentação, fotocópias e outras, mais uma vez auferindo vantagem sobre o candidato comum;
 
    Poderia ficar falando horas sobre isso, mas acredito que o mais importante era passar a idéia.
    Acho que apesar de legal, devido aos atuais prazos de desincompatibilização estabelecidos, esta prática é nojenta.
    Os nossos dirigentes maiores, Presidentes e Governadores, deveriam saber o mal que estão causando ao País e usar o poder dos votos que obtiveram para corrigir esta prática. Só para que tenhas uma idéia,  na administração Luiz Henrique, tivemos no DETER seis Presidentes. Como uma administração pode ter continuidade desta forma?
    Veja a incoerência. A reeleição de prefeitos, governadores e presidentes da república foi aprovada sob a alegação de que quatro anos era pouco tempo para implantar políticas e concluir programas. No DETER, no período 2003-2010, em média, cada um dos seis Presidentes ficou um ano e quatro meses o poder. Fazer o que desta forma? É obvio que o objetivo principal não é administrar e nem isso é a preocupação de nossos dirigentes maiores.
 
    Essa é sem dúvida uma das maiores irresponsabilidades que se pratica na nossa combalida democracia.
    Pena que o Ministério Público esteja tão ausente disso tudo...
 
Abraço 
Roberto Scalabrin

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