segunda-feira, 5 de março de 2012

Anunciação de demissão

    Muito interessante a entrevista do recém empossado Secretário da Casa civil, Derly Massaud de Anunciação, para a repórter Maiara Rinaldi no DC de hoje (5). Dely exerce na entrevista toda a sua vocação de genio na arte de fazer política. 
    Só para lembrar, em 2005, em outra entrevista para o DC, Derly fez afirmações de que a propaganda do governo seria mais agressiva na imprensa. As afirmações fazem parte do processo que quase cassou Luiz Henrique da Silveira por abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
    
A primeira pérola:
"Então eu tenho muito claro isso. Se em seis meses não conseguir colocar pelo menos um norte ao que ele (governador) deseja, tem que botar alguém que consiga".

    Bem, se Raimundo Colombo que já tem mais de um ano de governo ainda não achou um norte provavelmente não será Derly Massaud que o achará. 
    Segundo Derly a sua função é colocar ordem na casa o que se presupõe que existe desordem no governo. Se deduz que a Casa Civil, presidida anteriormente pelo deputado Antonio Ceron, estava uma esculhambação.
    
A outra frase do novo secretário é uma temeridade:  
   "Eu trabalhei 35 anos na iniciativa privada (...). Vou tenta, pelo menos, colocar essa dinâmica da área privada na área pública. Assim como fiz na comunicação".

    Para que tem boa memória não é dificil lembrar que foi exatamente na área de comunicação que Derly, colocando em prática essa técnica que aprendeu em 35 anos na iniciativa privada, quase conseguiu que a justiça cassasse o ex-governador Luiz Henrique da Silveira. Salvo apenas pela mediúnica intervenção do finado Ulysses e da visita de uma semana na Praia Brava de um dos julgadores do TSE. E - parafrasenado o finado Manoel de Menezes, "o que dizem eu não afirmo" - mais uma caixinha de exatos R$ 10.750 milhões.

   Derly  responde hoje a diversos processos na esfera judicial, por utilização do site do governo com propaganda partidária, troca inconstitucional da marca do governo, condenado por utilizaçãpo de advogado da sua secretaria para defendê-lo em ação popular, sem falar no famoso escândalo da relação pra lá de incestuosa entre o governo e a Revista Metrópole, cujo livro contando tudo está até hoje censurada pela justiça.

    Como diria o Tio Bruda, mazá guri inzibido!

Um comentário:

Anônimo disse...

05/03/2012

Código Florestal deve anistiar 75% das multas milionárias


O novo Código Florestal deve levar à suspensão de três em cada quatro multas acima de R$1 milhão por desmatamento ilegal.

A Câmara voltará o projeto nesta semana. Se mantido o texto aprovado no Senado, 103 multas aplicadas até 2008 serão suspensas. Elas somam R$492 milhões e se referem à destruição de uma área equivalente a duas cidades de São Paulo

Código Florestal deve anistiar 75% das multas milionárias

Texto, pronto para votação final, prevê perdão a punição anterior a julho de 2008

Valor total perdoado com a nova regra será de R$ 492 milhões, somados apenas os maiores desmatadores

LÚCIO VAZ
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DE BRASÍLIA
A aprovação do novo Código Florestal, prevista para esta semana, deve levar à suspensão de três em cada quatro multas acima de R$ 1 milhão impostas pelo Ibama por desmatamento ilegal.

A Folha obteve a lista sigilosa e atualizada das 150 maiores multas do tipo expedidas pelo órgão ambiental e separou as 139 que superam R$ 1 milhão. Dessas, 103 (ou pouco menos que 75%) serão suspensas se mantido na Câmara o texto do código aprovado no Senado. Depois, ele segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff.

Pelo texto, serão perdoadas todas as multas aplicadas até 22 de julho de 2008, desde que seus responsáveis se cadastrem num programa de regularização ambiental. As punições aplicadas depois disso continuarão a valer.

Para conseguir o perdão, o produtor terá três alternativas: recompor a reserva legal (metade da área pode ser com espécies exóticas), permitir a regeneração natural ou comprar área de vegetação nativa de mesmo tamanho e bioma do terreno desmatado.

As multas milionárias que devem ser anistiadas somam R$ 492 milhões (60% do total das multas acima de R$ 1 milhão) e se referem à destruição de 333 mil hectares de vegetação -equivalente a duas cidades de São Paulo.

Quando contadas as multas de todos os valores, a anistia chega a R$ 8,4 bilhões.

A maioria das infrações milionárias foi aplicada pelo Ibama entre 2006 e 2008. Nenhuma foi paga até hoje.

Ao menos 48 desses produtores também respondem a processos judiciais por crimes contra o ambiente. A punição a esses crimes deverá ser extinta. Dez foram processados também por manter trabalhadores em condições análogas à de escravo.

A maior parte dos infratores é dona de fazendas e de empresas agropecuárias, mas há também ligados a madeireira, agroindústria, frigorifico, curtume, imobiliária e posto de gasolina.

Só os dez maiores desmatadores destruíram 98 mil hectares e receberam multas no valor de R$ 166 milhões.

O maior, Léo Andrade Gomes, do Pará, sofreu infrações que somam R$ 32,2 milhões. Derrubou 15 mil hectares de florestas, ou 150 km².

O ex-deputado federal Ernandes Amorim (PTB-RO) foi multado em R$ 2,4 milhões por danos ambientais numa área de 1.600 hectares.

A infração de maior valor da lista de 150, R$ 23,3 milhões, foi aplicada à agropecuária Santa Bárbara Xinguara, em São Félix do Xingu (PA), que tem o empresário Daniel Dantas como acionista e investidor. Mas essa não poderá ser perdoada porque a autuação ocorreu em 2010.

Auditores do Ibama e procuradores federais avaliam que a anistia vai atrasar ainda mais os processos administrativos e judiciais, além de sinalizar a impunidade, estimulando novos crimes.

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirma que o novo código "promove a anistia dos grandes desmatadores, reduz a proteção do meio ambiente e vai aumentar o desmatamento". "Quem desmatou mais será favorecido porque suas propriedades estão mais valorizadas."

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Moreira Mendes (PPS-RO), defende o modelo de anistia proposto.

"Há 20 anos, não havia preocupação com o ambiente. Seguíamos a tradição dos nossos pais. Essa preocupação evoluiu muito. Mas temos que considerar a situação de fato e fazer a transição. O que está feito, está feito."