terça-feira, 13 de março de 2012

TIJOLADAS DO MOSQUITO

O triste fim do irreverente terrorista da internet

Por Renan Antunes/Jornal Já 

    A porta já estava aberta quando o padre Elizandro procurou pelo blogueiro Mosquito na rua dos Maracanãs. Ele entrou e deu de cara com o corpo dele pendurado na escada, enforcado num lençol. A cena parecia de suicídio.
    Eram quase cinco da tarde da terça 13 de dezembro. Em minutos a notícia da morte do destemido e temido jornalista catarinense de 52 anos caiu na blogosfera. Tornou-se trending topic no Twitter antes das 10 da noite. A suspeita de assassinato bombou na internet.
    A morte dele encerrou a era do “terror midiático” imposta pelo blog ‘Tijoladas do Mosquito’ à política catarinense desde 2008.
    As tijoladas eram críticas irreverentes e desbocadas disparadas contra tudo e todos por qualquer motivo e até sem motivo – Mosquito gostava de se apresentar como sendo “o primeiro terrorista midiático” da internet.
    Nesta semana, 87 dias depois da morte de Amilton Alexandre, apelidado Mosquito, o Instituto de Perícias de SC confirmou a tese inicial de suicídio. Amigos e familiares acreditam que ele se matou por temer a prisão depois da segunda condenação por difamação.
    O Tijoladas conduzia uma feroz campanha moralista contra autoridades, políticos e empresários. Muitas das denúncias eram frias, mas os textos tinham irreverência, humor e bastantes palavrões. Ofendeu gaúchos, negros, judeus – e até os vizinhos da rua Maracanãs, no condomínio onde foi encontrado morto, o Pedra Branca, na pacata Palhoça, Grande Floripa.
    Seus maiores alvos foram a hoje ministra das Relações Institucionais Ideli Salvatti, o ex-governador Leonel Pavan, o prefeito de Floripa Dário Berger e Fernando Marcondes de Mattos, dono do resort Costão do Santinho. Na política nacional deu uns pitacos, agredindo a presidente Dilma com baixarias impublicáveis – Brasília fez vista grossa.
    “Ele acertava na dimensão universal de seus ataques contra poderosos, privilegiados e sacanas”, diz o sociólogo Remy Fontana, professor da UFSC, amigo dele por 33 anos. “Mas, algumas vezes foi inconsequente e injusto, expondo reputações à execração pública”.
    O blog tinha como lema “jamais se calar”. A operação toda era apenas Mosquito, um netbook Asus e um modem da Claro. Não tinha anunciantes. Ele postava de uma mesa do bar Kibelândia, a central de fofocas da Ilha, onde garimpava notícias entre bebuns e barnabés fora do expediente.
    Pela distribuição das tijoladas Mosquito enfrentou 22 processos e a invasão de hackers. O delegado Hudson Queiroz lhe deu uns sopapos e ameaçou matá-lo. Os demais preferiram processos por calúnia, com pedidos de indenização em dinheiro.

    MANEZINHO
    Amilton Alexandre era nativo, descendente dos colonizadores açorianos. O pai, seu Amadeu, tinha índole mansa. Criou quatro filhos consertando refrigeradores. Mosquito, agitado desde pequeno, foi o primeiro dos Alexandre com diploma universitário. Fez Administração na UFSC.
    Em 1979, no episódio conhecido por “Novembrada”, virou herói dos manezinhos: imagens dele liderando a passeata de estudantes de Floripa contra a ditadura militar apareceram no Jornal Nacional.
    Ele e mais seis foram presos pela Polícia Federal. Dez dias de cana, um ano de processo na Auditoria Militar de Curitiba e a apoteótica absolvição dos sete estudantes catarinenses o transformaram numa celebridade local.
    No episódio, o papel dele foi de mero agitador, sob ordens dos comunistas do Partidão.  Um dirigente queria sua participação reexaminada por psicólogos. Alguns companheiros o acusaram de ter colaborado com a polícia, mas o ex-senador Nelson Wedekin, advogado no histórico processo, garante que não.
    A redemocratização tirou um pouco do brilho popular dele. Magrinho e elétrico na juventude, daí o “Mosquito”, virou obeso na vida adulta. Conseguiu seu primeiro emprego público na prefeitura do PMDB, gestão Edson Andrino. Cuidava de um projeto de cinema na periferia, com expediente nos findis – fosse outro, na certa seria chamado de funcionário fantasma pelo blog Tijoladas.

FAVORECIDO
    Em 1987 Mosquito obteve do então senador Jaison Barreto (do Partidão, no PMDB) uma ajudinha pra comprar uma casa de três andares no Centro Histórico.
    A bancada do PMDB-SC em Brasília intermediou o pedido à Caixa de financiamento habitacional fora das regras para o herói da luta contra a ditadura. Foi maracutaia. Fosse outro o beneficiado e teria levado uma tijolada daquelas.
    Com o dinheiro Mosquito montou o bar Havana – point dos anos 80 e 90 com pouca política, boa música, excelentes feijoadas e carnavais memoráveis. Lá, rompeu com os amigos do PMDB.
    O diploma de administrador não lhe serviu para muita coisa. Todos os negócios em que se meteu fracassaram. Transformou a casa da Caixa num sebo de livros. Depois restaurante, loja de informática, mais tarde em loja temática do time do Avaí – no fim, era só um cafofo para as namoradas.
    Bolava promoções avançadas demais para Floripa, como vender computadores na feira livre. Fazia bicos. Durante eleições usava as suas capacidades de agitador profissional – chegava nas cidades do interior antes dos candidatos, armava o palanque e esquentava o eleitorado.
    Ele era um solteirão convicto. Seu relacionamento mais duradouro foi com Elaine, 17 anos mais nova. Em 2000, tiveram Júlia. Ele sumiu por seis meses, até reaparecer e se dizer pronto para uma família.
    Não estava. Sumiu de novo. Foi e voltou por 11 anos. Elaine disse que era louca por ele, mas que não poderia esperar tanto tempo. Meses antes de morrer, Mosquito pedia para juntarem os trapinhos outra vez. Aí ela não quis mais: “Não era homem para família, gostava de viver isolado”.
    Ela conta que os dois se mantiveram bons amigos a vida toda. “Mosquito era generoso, quando tinha, tudo era de todos”. Não pagava a pensão de Júlia, mas a mãe não cobrava “porque ele mal podia se sustentar”. Os três almoçavam juntos quase todos os domingos na casa de Palhoça.

NEOPETISTA
    Quando começou a Era Lula, Mosquito se filiou ao PT. O Havana já não existia mais. Vapt vupt e ele passou seis meses no Nordeste. Tinha avisado aos amigos que trabalharia num dos novos governos petistas – mas voltou de lá duro, desempregado e mais gordo, quase 130 quilos para 1m78.
    Começou então a cavar embaixo dos pés: durante o caso do Mensalão foi num debate com José Dirceu na Assembleia Legislativa/SC e botou a boca nele. O PT viu no neopetista o mesmo Mosquito errático dos tempos do PMDB.
    Endividado, vendeu a casa da Caixa. No Kibelândia, adotado como segundo lar, anunciou planos grandiosos com a grana. Iria abrir um jornal em Palhoça. Primeiro passo: comprou na cidade a casa onde morreria.
    Ele disse que o plano furou porque os vizinhos do condomínio seriam uns “burgueses egoístas” – isto por não apoiarem seu natimorto jornal.
    Logo o dinheiro acabou. De volta ao ócio no Kibelândia, pediu emprego ao PT, então já coligado com o PMDB. Ganhou um, para fiscalizar o programa Luz Para Todos, numa empresa terceirizada pela estatal Eletrosul – se fosse um adversário o beneficiado com o emprego teria sido chamado de aproveitador pelo blog.
    Ali ele deu uma tijolada no próprio pé. Denunciou maracutaia na Eletrosul. Como ainda não tinha o blog, enviou para jornais um dossiê com fotos de propriedades rurais de dirigentes do PMDB que supostamente estariam se beneficiando de ligações de energia ilegais. Batendo no aliado, mordeu a mão dos petistas que o nomearam.
    Ele foi demitido da Eletrosul. Estava convencido que sua cabeça foi pedida pela então senadora Ideli Salvatti. Recorreu à Justiça do Trabalho para reintegração, dizendo-se perseguido político “por ter feito a coisa certa”.
    O juiz trabalhista mandou as denúncias de corrupção para o Ministério Público apurar, mas deram em nada. Mosquito levou só uma indenização de R$ 30 mil. Ele achou pouco e por isto brigou feio com a advogada, fechando uma era: Rosângela “Lelê” de Souza era amiga da primeira hora, uma dos sete da Novembrada.
    Fora da Eletrosul e da política, recolheu-se de vez ao Kibelândia. Foi ali, no final de 2008, que ele criou seu Tijoladas. Se achou. E se fechou: “Vinha visitar a mãe e não saia da droga do notebook”, diz o irmão Ênio, eletricista. “Não via mais nada, só aquele blog”.

IRREVERENTE
    Mosquito adorava o papel de jornalista blogueiro que criara para si mesmo. De sorriso aberto, gestos largos e em voz alta, dominava os ambientes recontando as tijoladas que dava e as que daria nos ‘inimigos’ – seu discurso público era do tipo “quem não está comigo está contra mim”.
    Uma das primeira tijoladas foi sucesso de audiência no blog e reproduzida pela mídia tradicional. Mosquito postou o vídeo da desembargadora Rejane Anderson, do TJSC, gravado por um policial de trânsito. Ela aparecia dando carteiraço para evitar que o carro do filho fosse apreendido.
    Os advogados dele acreditam que ali ele fez inimigos poderosos no Judiciário: “As ações contra Mosquito tramitavam mais rápido do que as outras”, garante Edson Silva Jardim, que vê no cliente um herói.
    Mosquito bateu tanto em Ideli Salvatti que ela conseguiu uma ordem judicial para impedir que ele citasse seu nome. A mesma decisão ordenou ao Google que suprimisse tudo dele.
    Aí ele foi para cima do vereador Marcos Souza, aliado de Ideli. Negro, brindado com o clássico “não faz na entrada faz na saída”. E disparou a tijolada mentirosa de que Souza empregava filha e genro em seu gabinete na Câmara de Floripa.
    “Eu o conhecia desde os oito anos e por isso nunca lhe respondi. Ele era um provocador, desbocado e racista. Para crescer, precisava de alguém para bater”, disse o vereador. Souza ganhou na Justiça e Mosquito fez acordo para um pedido público de desculpas – mas morreu antes de se retratar.
    Ele também bateu pesado no ex-governador Leonal Pavan. Denunciado pelo MP às vésperas de tentar reeleição em 2010, desistiu da candidatura. No dia em que Mosquito morreu, Pavan obteve uma vitória tardia: a Justiça rejeitou as denúncias.
    Quem ele pegou para Cristo foi o empresário Fernando Marcondes de Mattos, do Costão do Santinho. Mattos foi preso pela PF na Operação Moeda Verde, acusado de subornar vereadores e órgãos ambientais para favorecer seu hotel.
    Mosquito só chamava o empresário de “meliante”. Processado, pegou dois anos de cadeia por difamação – pena substituída por serviços comunitários.
    A juíza admitiu que Mattos poderia ser condenado. Mas isto não daria a ninguém “o direito de se arvorar em salvador da pátria”. Ela sentenciou: “O blogueiro confunde liberdade de expressão com ofender a honra alheia”.

PERSEGUIDO
    Mosquito fez a mesma coisa com o prefeito de Florianópolis Dário Berger. Cheio de processos, mas sem nunca ter sido condenado, Berger se considerava ficha limpa. Os dois se enfrentaram na Justiça.
    Audiência, 18 dias antes da morte: juíza, promotor e advogado viram o blogueiro no banco dos réus quase prostrado. Respirava com dificuldades depois de sobreviver a quatro enfartes. Estava pressionado pela condenação anterior, financeiramente quebrado, com o blog esfacelado por hackers.
    O queixoso viu ali uma oportunidade de ouro para dobrar seu algoz. Aí lhe perguntaram candidamente se ele confirmava as afirmações contidas no blog de que o senhor prefeito era corrupto. O velho Mosquito voltou lá do fundo como um vulcão. Apontou o dedo para o rosto de Dário Berger, manteve o escrito e ainda berrou: “Corrupto”!
    Bafafá na sala de audiências. Mosquito foi preso na hora. Pagou fiança e saiu gritando da audiência, dizendo-se vítima de um complô legal. Seria “retaliação pelo que publico” – seus advogados ajudaram na piração descrevendo a cena como prova de que o Judiciário era contra ele.
    O ponto alto da carreira de Mosquito foi uma baixaria e uma maldade. Ele jogou no blog todos os detalhes sórdidos de um estupro cometido por dois adolescentes de Floripa – naquele dia obteve 75 mil acessos e se tornou ícone do jornalismo blogueiro independente.
    O Tijoladas escancarou o nome dos estupradores, entre eles o filho de um dos donos da RBS, e o da vítima, afrontado a lei que protege menores.
    No episódio da RBS Mosquito ganhou o apoio do programa Domingo Espetacular da Rede Record. O jornalista Paulo Henrique ficou alguns dias no Kibelândia para repercutir as denúncias dele contra a afiliada da Globo. Elogiava seu entrevistado como “um Quixote” – Mosquito se sentia supervalorizado e ia mais fundo na briga dos cachorros grandes.

SONHADOR
    Em algum momento Mosquito acreditou que seria convidado para ser diretor da Rede Record no Espírito Santo. Estaria na etapa de discutir salários e a contratação de duas secretárias, tudo testemunhado por dona Cristina, garçonete do Kibe. Até que ele confidenciou ao compadre João Vianney ter demorado demais para acertar. Lamentou-se: “Perdi a chance”.
    Em 2010 ele entrou noutra briga sonhando grande. Estudantes x polícia, no protesto contra o aumento de passagens de ônibus. Mosquito correu para o terminal e quis assumir a liderança do movimento.
    Seria uma novembrada em maio. Os estudantes não entenderam nada. Então enxotaram do caixote aquele velhinho agitador, barbudo, gordo e careca – muitos nem sabiam quem era. Ele se achava vereador sem mandato, já sondava o PSOL para concorrer este ano.
    Para se sustentar Mosquito passou a vender camisetas do Tijoladas. Ficava furioso quando os amigos não compravam. Achava que era obrigação deles manter a “mídia alternativa democrática” e ajudá-lo na luta contra a “corrup-i-ção”, como dizia com seu sotaque ilhéu.
    “Menos”, diz o ex-presidente da Fenaj Sérgio Murillo de Andrade, amigo dele por 30 anos. “Mosquito não era jornalista, foi só um agitador”.
    Ele passou então a viver de achaques. Aos amigos pedia que lhe pagassem contas de luz, telefone, o rango no bar. Às vezes, não tinha nem o dinheiro da passagem para Palhoça – mas, teimoso, recusava-se a vender a casa.
    Queixou-se uma vez que “o blog fez sucesso, ficou famoso, e eu ia levando, sem lastro econômico, minhas roupas acabando”.
    Um certo Jairo Viana postou na internet o extrato da dependência dele em 2011: “…pude dar a ele uma cordinha de varal, grampos pra varal, comprei uma camiseta e paguei uma diária de hotel quando ele esteve em Criciúma. Dias depois depositei uns créditos no telefone dele”.  E Viana ainda ficou feliz de ter ajudado aquele “maluco beleza que queria reformar o mundo”.

ATOLADO
    Aqui vão trechos da última correspondência de Mosquito com um amigo, onde admitiu que “a ficha demorou a cair… outro dia fui ver e tinha passado meses com 500 pila (reais)”. Logo ele descobriu o que todo mundo sabe: “Não dava para viver apenas pagando água, luz e comida”.
    No fim: “Sou um cara que atolou o pé na lama e não sabe como sair”. A turma de fofoqueiros que o conhecia do bar espalhou que o atolado estava sendo sustentado pelo deputado federal Esperidião Amin (PP). Parecia verdade porque Mosquito já tinha declarado voto nele para prefeito.
    “Nunca lhe dei um tostão”, disse Amin. “Me deve três úlceras que deu na minha mulher (a ex-prefeita Ângela) de tanto bater por causa dos ônibus”.
    No Kibelândia, passou a ser levemente hostilizado. O psiquiatra Heitor Bráulio de Freitas, que bebe por lá todos os dias, disse que viu nele o perfil suicida: “O ego dele era grande demais, não poderia viver sem o blog”.
   Desesperado em busca de emprego pediu ao compadre para trabalhar como consultor de educação à distância, mas ouviu um não: “Ele nunca tinha feito isto. As tijoladas assustavam todo mundo e ninguém o empregaria”.
    Mosquito então apelou para o amigaço de infância Paulinho Carreirão, sócio da Brognoli PrestServ, a maior do ramo na cidade. Ele não lhe faltou. Ofereceu vaga de pintor de paredes ou fiscal de obras, oferta rejeitada.

ENCURRALADO
    Mosquito anunciou o fim da carreira em 9 de dezembro. Fechou o blog e deletou suas 1298 postagens: “Não tenho mais como enfrentar as ameaças e retaliações pelo que publico” – fiel ao personagem vítima de poderosos.
    Em seguida, num gesto teatral, destruiu o HD do laptop a marretadas, sumindo com as “provas de corrupção de vários casos” – quem viu sabe que era uma pilha de recortes digitalizados, alguns documentos apócrifos e sua coleção particular de fofocas recolhidas no Kibelândia.
    Quatro dias depois ele estava morto. Por todos os relatos de amigos ele se sentia sem perspectivas. “Mosquito parecia transtornado quando o encontrei na quarta (7 de dezembro) na esquina da rua Osmar Cunha”, conta a amigaTatiana Lino, dona do café Trajano. “Conversamos bastante, tentei acalmá-lo, mas ele se despediu de mim dizendo que iria se suicidar”.
    Na manhã do sábado, 10 de dezembro, ele iniciou a jornada sem volta. Encheu a banheira no andar superior de casa e tentou afogar-se nela.
Às 16h, chorando, chamou a ex-mulher. No telefonema de uma hora explicou para Elaine que fracassou “por covardia”.
    Ele avisou que tentaria se matar com outro método. Mosquito ainda disse para Elaine ter destruído o HD do computador com o qual erguera seu reino de quase 1200 dias na internet.
    Aquele telefonema choroso era o lado do Mosquito que poucos conheciam. Elaine fez o de sempre nas deprês dele: ouviu, confortou, incentivou. No fim do papo, desligou o telefone: “Achei que seria como das outras vezes”.
    A menina também falou com ele. Apesar da pouca idade, deu conselho de gente grande: “Pai, sai dessa, parte pra outra”.

TRAÍDO
    Mas, Mosquito estava sem perspectivas. “Ele fez muitas escolhas erradas na vida, inclusive a última”, analisa o ex-senador Wedekin, decepcionado com o cliente que tanto ajudou.
    O professor Fontana vê uma trágica coerência na trajetória dele. Em gravação de 50 minutos do jovem estudante para o livro Novembrada, em 1980, recolheu a bravata de que Mosquito nunca iria “integrar-se ou entregar-se” ao sistema: “Foi se inviabilizando como pessoa, mas atacava alguns caras que mereciam. Fez mais bem do que mal à sociedade”.
    Mosquito tentou explicar suas atividades num dos últimos posts. Eram quase como abraçar o mundo com as pernas: “O blog foi construído com o objetivo de denunciar corrupção, tratar de assuntos ligados à cidadania e versar sobre os mais diversos temas da blogosfera”.  E postou sua prestação de contas: “Contribui para tentar sanear a política catarinense”.
    De Brasília, o poeta Emanuel Medeiros Vieira botou o cara nas alturas. Eis trechos de “Mosquitadas”, para “os amigos dos sonhos de antigamente”, criticando o sistema – sistema que teria provocado a morte dele:
Em silêncio, eu sei, muitos se rejubilam com a tua morte.
Eram inimigos fortíssimos, de vários matizes – fortes não pelo humanismo (são carecedores dele), mas pelo poder mesquinho e pela pecúnia.
Mais do que os processos, a falta de dinheiro, era insuportável enxergar quase todos fechados em si mesmos, a mídia imbecilizante, o egoísmo velhaco, o mundo dirigido pelos financistas, o país dos nossos sonhos na lata de lixo.
Mosquito: não conseguiste conviver com a traição.

CARENTE
    Cacau Menezes, colunista mais popular do Estado, escreveu no Diário Catarinense que reconhecia o direito dele de se indignar com tudo e todos.
Os dois foram amigos na juventude, mas adversários na web. Ele viu Mosquito dizendo “coisas que a grande mídia não tem coragem… mídia e política estão cada vez mais juntos no que eles querem”.
    O colunista deu a entender que Mosquito cometeu suicídio como sua última tijolada, de um jeito que deixaria os desafetos como suspeitos de crime – crime que não aconteceu, de acordo com o perito policial Milton Silva, autor do laudo de suicídio.
    As dúvidas surgiram porque vizinhos invadiram a cena antes da chegada da polícia, logo depois que o padre Elizandro descobriu o corpo. A simples presença do padre na casa do ateu confesso já provocara especulações entre os que acreditavam em assassinato.
    O padre chegou lá por acaso. Um amigo comum, o blogueiro religioso Nahor Lopes, distante 100 km, pediu para Elizandro, da paróquia do Aririu, a dois quilômetros da Pedra Branca, para dar uma checada em Mosquito, já quando ele não atendia mais o telefone nem emails.
    Depois do susto de ver Mosquito morto o padre correu para a rua pedindo socorro aos vizinhos. Um psicólogo e um funcionário da Brasil Telecom que consertava fones no pedaço entraram na casa. Deram uma de CSI. Notaram que um dos pés do morto estava no chão. Foi o psicólogo que espalhou na vizinhança a teoria do assassinato.
    Depois deles, um delegado aposentado da polícia gaúcha deu seu pitaco: “O lençol estava amarrado como quem tem caxumba, apenas no queixo”, portanto, seria crime. Mais: “A panturrilha esquerda dele tocava num banquinho, se fosse suicídio teria esperneado e o derrubaria”. Segundo a perícia, as teorias do psicólogo e do delegado são furadas.

SEM SAÍDA
    Antes de morrer, Mosquito também falou com o irmão. Ênio fez mais do que Elaine: o convidou para voltar à casa da mãe, onde nada lhe faltaria: “A gente tinha diferenças, mas eu o amava”, disse, com os olhos marejados, sentindo-se culpado por não ter notado que daquela vez era sério.
    Os últimos contatos dele foram com o blogueiro Canga. Pediu emprego, numa mensagem desesperada. Queria que o amigo encontrasse a oportunidade entre gente que ele teria ajudado com suas tijoladas, a quem “nunca pedira nada em troca” – enfim o blog apresentava sua fatura.
    Canga não tem dúvida de que o amigo se suicidou. Levou sua opinião ao delegado Attilio Guaspari – encarregado do inquérito e autor da singular tese de suicídio porque o homem estava muito pesado: “Precisamos de cinco para baixá-lo do lençol, logo, teriam que ser cinco ou mais para pendurá-lo”.
    Depois que a polícia retirou o corpo da casa dona Elaine foi lá e queimou os arquivos do blog. “Ele era muito organizado com papéis, tinha até o manual de uma batedeira que não existia mais”.
    Num momento de ternura e fraqueza, ela balança a cabeça e tenta negar o suicídio. Pergunta ao repórter se não teria sido possível alguém ter forçado Mosquito a se matar mediante ameaças à filha – ela lembra que meses atrás a menina foi seguida por um desconhecido que se dizia fotógrafo.
    Ela mesma responde “possível, mas improvável”. Elaine pareceu levemente paranoica com a segurança da filha: “Tenho medo que alguém queira vingar-se nela”.
    Elaine não quer mais voltar na rua Maracanãs. Deu o dog Ventania para uma amiga e botou a casa para alugar na Imobiliária Brognoli.
    Amilton Alexandre foi sepultado no cemitério do Itacorubi. E ali deu a prova definitiva de nunca ter se integrado no sistema: os amigos tiveram que fazer uma vaquinha pelos R$ 2.600 devidos à funerária São Joaquim.
    Um videomaker gravou o enterro para um documentário. O corpo do filho inquieto foi entregue ao infinito na mesma carneira do pacato seu Amadeu.
    A viúva e a filha jogaram flores na cova. Amigos fizeram discursos emocionados. A última a falar foi Lelê, enfim reconciliada. Ela o descreveu como sendo “do bem”.
    E alguém fez a homenagem símbolo do personagem: jogou um tijolo no caixão.

Por Renan Antunes de Oliveira
Ilustração de Ênio Squeff /Fotos de Celso Martins e J.L.Cibils

Gantha deixou um novo comentário sobre a sua postagem "TIJOLADAS DO MOSQUITO": Lamentável o que escreveu o jornalista Renan (tão famoso (!?), creio que não em SC... Nem o conhecia...) E, concordo tb com a Deise Brandão (e olha que ela nem era amiga, ou conhecia pessoalmente o Mosquito!: Por tanta "experiência jornalística", o caro Renan deveria saber o que é ÉTICA! E, não apenas ética profissional, mas, principalmente "ÉTICA DE VIDA"... Onde se aprende, (ou deveria), desde muito cedo, a respeitar a memória de quem não tem mais condições e ou não está mais aqui pra se defender... Nem vou entrar no mérito da questão: suicídio ou não? (Embora tenha elementos - muitos- pra crer que foi mesmo uma "emboscada", facilitada, ironicamente, pelo próprio Muska, qdo deixou "vazar" na rede e para alguns amigos o seu desencanto e a vontade de "acabar com tudo"... Deu aos inimigos a chance que tanto esperavam!)...
Quero me ater "a finalidade" desta matéria "jornalística", que levou o Sr. Renan, a "esquadrinhar" a vida do Amilton "Mosquito" Alexandre e, a publicar, unicamente (parcialmente) os supostos deslizes e fracassos do Muska e, cujo único "mérito pessoal" seria o de ter feito "um dos mais animados carnavais em seu famoso Bar Havana" (Observem os tópicos!)...
Será que se ele buscasse (e quisesse!)não encontraria, entre as fontes, ninguém que lhe informasse nada de bom, proveitoso, ético, justo, dentre os muitos feitos do Mosquito??? (Hein, cara jornalista e amiga Elaine Tavares... Caros advogados e amigos Edson Jardim e Izidoro Azevedo dos Santos (Herbert)... Caros amigos e blogueiros: Nahor Jr, Jairo viana, Celso Martins, Deise Brandão, Jorge Oliveira, Zé e Sarita, Gonzaga,Mário, Albertina Rosso e muitos outros...??? Estes sim, tinham muito o que dizer, contar da trajetória de vida do polêmico, porém "valoroso" Muska)!!!
Aproveitando-se da "fragilidade" e, talvez, inocência dos familiares e de "suas fontes"(que pelo que sei, nenhum interesse têm em desmoralizar, publicamente o Amilton Alexandre da forma como este texto o faz)... Usou informações, parciais (digo isto, por que de muitas destas passagens, eu conhecia o "outro lado", o que se passou, de fato, com o Muska, contado pelo próprio!), da vida privada dele e que nada tem a ver com sua trajetória de ativista/ATIVO, das causas ambientais, políticas, sociais...
Sei que o Mosquito teria preferido ver seus despojos materiais servindo de alimento aos urubus ou mesmo ter sido enterrado como "indigente", a saber que a tal "vaquinha", pro seu enterro... Bem como outros "auxílios prestados pelos amigos (!?)", seria divulgada publicamente e lhe custaria tão "caro" ... À sua memória e decência de um cidadão de bem que era! Que viveu, lutou e morreu defendendo a cidade que amava, (por vezes de forma "feroz demais"), mas sendo a "voz" dos que não tinham condições e ou não sabiam usá-la... Assim, como também daqueles que "não tinham a coragem" que ele teve de "dar a cara à tapa", sacrificando muito de sua vida pessoal, profissional, financeira... Contavam pra ele os fatos, não ousavam publicar, mas o incitavam a fazê-lo, muitas vezes "maldosamente"!
Acaso algumas destas suas fontes e ou "amigos, parceiros" enfrentam algum processo na justiça e ou "partilham" da condição de "réu" como Muska nos muitos processos que ele enfrentou???
Qual a finalidade e, especialmente os interesses, por trás da matéria de um jornal de Porto Alegre (!?)... (que embora eu sendo gaúcha, não conhecia...)???
E, por que foi publicado aqui, num blog em que o Mosquito contribuía, colaborava, participava, divulgava e admirava??? ESTA É PARA MIM A QUESTÃO CENTRAL... TODO O RESTO, FICOU MENOR!!!
Ah, em tempo... POR QUE NÃO FIZERAM UMA MATÉRIA DESTAS, ENQUANTO O AMILTON ALEXANDRE, "MOSQUITO", ESTAVA VIVO???
Certamente voariam "TIJOLADAS CERTEIRAS"...!!! 


Velho Mamute -Jornalistico??? No minimo ANACRÔNICO. Atrasado. Tao extemporâneo que, se nao se presta a uma homenagem, deserve aa memoria do celebrado. O tal Renan rodou e rodou o mundo e perdeu nao soh o prumo como a veia jornalistica. Texto mixuruca, abastecido por um proselitismo subliminar que serviria bem a um jornaleco chapa branca editado por aqueles que o Musquito 'picou'. Nao defendo o Muska, o que disse ou a forma com que disse muitas verdades. Mas, t~ao atrasado o texto 'eh quase covarde quando opina, primeiro discretamente, depois desveladamente sobre um cara que, gostem ou nao, nunca escondeu seus propósitos. O texto de teu amigo Canguita, eh ao contrario do que o Musquito fazia, do que tu fazes e do que o Renan imaginava engabelar com pinceladas de entrevistados, um morde e assopra despropositado na linha do tempo, uma babaquice que nao traz nenhuma novidade. Portanto, desnecessario.

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "TIJOLADAS DO MOSQUITO": Mosquito reacendendo paixões. Realmente foi um quixotesco. Sorte a nossa de termos sido contemporâneos e, conterrâneos.
O que é melhor? Um Mosquito ou cem Renans? Mas, não esqueçam, em cem Renans não encontrarão um Mosquito.
BV 


Cosmonauta deixou um novo comentário sobre a sua postagem "TIJOLADAS DO MOSQUITO": Um texto que só se consegue ler até a metade, pois todo o seu estilo é o de retratar alguém que lutou, a sua maneira, por alguma coisa sem medo do tamanho da luta como se um fosse um descontrolado que não sabe o seu lugar. Textos assim podem, tranquilamente, serem enviados ao Grupo RBS para que publique em suas mídias. 


Deise Branndão deixou um novo comentário sobre a sua postagem "TIJOLADAS DO MOSQUITO": Me desculpe Canga, mas achei de ultima publicares coisas particulares e da vida intima do Mosquito. Sempre entendi que eras UM DOS POUCOS AMIGOS dele. Perdoe agora minha asertividade: amigos nao fazem isso com amigos. Prtincipalmente MORTOS.
Jamais vou entender isso como livre expressao. Muito mais, o desejo e a iulusão de estar informando e ter mais visitantes no teu blog, usando novamente o nome a triste historia do Mosquito. Nao via o trablho dele como o prototipo do jornalista, porem foi alguem com coragem, a mesma que eu tenho e que me dissestes que eu nao deveria ter, de nao temer policiais e autoridades corruptas. Teu trabalho se limitou a copiar como eu as materias dele. Tu, muito mais do que eu. jamais peguei carona nele. Divulgava o que achava COMEDIDO. Sempre fizestes um estardalhaço no teu blog com o que ele publicava. e ainda mandavas beber na fonte, Sempre imaginei que eram parceiros. E se me permites, quando te conheci na kiblkenadia, eu disse a minha amiga: Nao confie. Com certa Canga, eu nao estava errada. É de ultima caro colega, publicares apos 87 dias da morte dele, coisas intimas e que nao interssam a ninguem. A nao ser a ti para ter mais acessos no teu blog. O mosquito nao se suicidou. E farejo gente do bem ou nao. Infelzmente mais uma decepção: estás longe de ser quem eu pensava. E embora isso nao importe para ti, importa para os blogueiros que fazem por amor seu trabalho. que exercem sua cidadania. Sei que jamais vais publicar isso, nao importa. Estou indo a floripa. E te digo pessoamente o que acabei de postar. Estou de cara Canga. E muito, mas muito decepcionada. embora jamais surpresa. Falas na julia, que tem 12 anos. Tu nao tens filhos? nao te importa com eles? ja parastes para pensar que esta menina pode ler isso? Achas direito falar no nome de uma menor, quandosabemos qwue ISSO É PROIBIDO POR LEI CANGA?
Melhor seria, ao inves de publicar esta grande porcaria, que alguem escreveu, nao sei com qual inteção, quando sabemos que NAO FOI SUICIDIO.
 

Canga: Cara Deise, tudo que o Renan Antunes escreveu ele apurou jornalisticamente, entrevistou as pessoas, inclusive a filha e a mãe, e colocou ali o que as pessoas disseram. 
    Quanto a te enganar comigo é problema teu. Quem manda criar imagens antes de conhecer as pessoas. Fui parceiro do Mosquito nos últimos tempos e um dos poucos em quem ele confiava. Nunca trai a sua confiança e sempre ajudei-o embora discordasse da forma que ele fazia as coisas. Cansei de avisar que estava fechando todas as portas. Mas ele era grande e vacinado para optar por esse caminho. Eu e mais alguns amigos como o Jorge, o Zé, o Edison Jardim e outros estivemos junto dele até o final. Éramos as únicas pessoas em quem ele podia confiar e se apoiar. Sou ponta firme com todos e não só com o Muska, mas sem essa de clubinho de blogueiros. Sou independente, inclusive dessa raça. Respeito a tua opinião mas estas enganada quando dizes que me resumo a copiar as matérias dele. Jogávamos como um time, um levantava e o outro rebatia. Todas as denúncias que publicamos tivemos acesso prévio os dois. Ninguém publicava nada sem antes mostrar para o outro. Não disputávamos furo. O nosso interesse era detonar essa brugada.
    Sobre eu acreditar que foi suicídio é porque todos os antecedentes que eu tinha, dezenas de e-mails, conversas, os três dias que ficou na casa do Zé, no Mariscal, quando disse que estava há dias sem dormir porque não conseguia tirar a idéia de suicídio da cabeça, me levam a acreditar nisso.
    Se tens indícios de que ele foi assassinado coloque na mesa. De teorias de conspiração a minha caixa de e-mails está atrolhada. Tem gente que me disse que ele foi assassinado pelo Mossad!
    Quanto a sua intenção de me dizer isso tudo que escrevestes aí acima pessoalmente, me poupe. De chatice estou até os tubos.

 Luiz Fonseca deixou um novo comentário sobre a sua postagem "TIJOLADAS DO MOSQUITO": O Mosquito é uma daquelas presonagens trágicas que conhecemos na vida, e sua história foi muito bem contada, com sensibilidade e respeito, por Renan Antunes que, mais uma vez, comprova que é um excelente repórter.
Luiz Fonseca


J.L.Cibils deixou um novo comentário sobre a sua postagem "TIJOLADAS DO MOSQUITO": Amigo Canga, segue uma correção:
Quem lhe escreve é o Fotojornalista “J.L.Cibils”, que quem realmente fotografou o nobre Amigo Muska no hospital Florianópolis quando ele teve uma crise hipertensiva, outra dele quando da denuncia da famosa “Arvore de Natal” é de minha autoria tambem, ñ tem problema algum utilizar arquivos fotograficos que mostram meu Amigo Muska, mas peço o favor de fazer a correção no quesito “credito fotografico”,observação justa, a fotografia do enterro do Amigo Muska realmente é de outro grande Amigo, o Celso Martins, mas no restante são minhas.
Conheci o Muska durante uma campanha politica e dali em diante ficamos Amigos, de lá para cá, vinha fotografando suas “peripécias” pelo mundo mundano da politicalha Catarinense.
Qualquer duvida, procure no Google:J.L.Cibils
Peço que repasse este recado ao autor do texto, creio que ele não soube de que realmente pertencia as imagens contidas no texto dele.
Obrigado 

13 comentários:

Anônimo disse...

Acho que nunca mais vamos conhecer alguém tão maravilhosamente louco como o Muska !!

Cosmonauta disse...

Um texto que só se consegue ler até a metade, pois todo o seu estilo é o de retratar alguém que lutou, a sua maneira, por alguma coisa sem medo do tamanho da luta como se um fosse um descontrolado que não sabe o seu lugar. Textos assim podem, tranquilamente, serem enviados ao Grupo RBS para que publique em suas mídias.

Anônimo disse...

Mosquito reacendendo paixões. Realmente foi um quixotesco. Sorte a nossa de termos sido contemporâneos e, conterrâneos.
O que é melhor? Um Mosquito ou cem Renans? Mas, não esqueçam, em cem Renans não encontrarão um Mosquito.

BV

Anônimo disse...

Não conheço a Deise, mas concordo com ela em relação ao texto do Renan, achei de muito mal gosto. Devemos preservar o que de melhor o Mosquito significou.

Anônimo disse...

Parabéns canga!! A isenção desta abordagem reforça o seu crédito junto aos leitores. Cumprimentos também aos autores da matéria.

Anônimo disse...

Boa tarde Canga,
O mosquito, nunca o vi de perto; apenas acompanhava o blog dele, o qual achava massa pra caramba.
Eu ficava impressionado como um cara tinha a coragem de botar lenha em fogueiras de pessoas fortemente armadas (politicamente, judiciariamente.... dinheiramente.. hehe).
Lendo este texto aí, deu para ter uma ideia de como era o Mosquito... achei bacana que tu publicou, mesmo que o texto as vezes mostre uma imagem que o pessoal não tá acostumado, do mosquito... achei q isso mostra imparcialidade tua... até mesmo porque sempre o vi defendendo o mosquito.
O mosquito me lembra um pouco o Nietsche... incompreendido, batendo contra valores (desvalores) estabelecidos....
O problema é que qdo se bate no sistema, o sistema se volta contra você... isso já aconteceu comigo... já bati no sistema, apontei problemas e o sistema fez o que ?? ajeitou o problema, botou uma maquiagem no problema... o problema deixou de existir...
Naqueles socos q dei no sistema vi q o sistema ainda se aproveita dos socos, para ajeitar a podridão e ficar mais bonitinho aos olhos dos q não dão soco e não sabiam o que tinha antes do soco.
Foi o q aconteceu com o mosquito, o sistema se voltou contra ele... acabou ficando sem grana, os amigos se distanciaram....
Poxa, uma pena que o cara tenha se matado (ou mataram ele)... foi-se uma voz e tanto... embora a voz/blog, estavam calando-na, dia a dia...
É difícil manter força e serenidade quando se vê tantas "m" nos órgãos públicos... confesso que já me caiu a vontade de dar socos... muitas vezes são socos em ponta de faca... a luta contra o sistema desanima.... sem contar q muitos são engolidos pelo sistema, fazendo parte e tirando seus lucros com isso. Isto sem falar nos momentos em que estar ao lado do sistema te beneficia... e aí tu fica do lado do sistema.... é algo muito complicado...
Abraço canga... continue a saga do mosquito... botando lenha na fogueira... e, paliativamente alguma coisa muda.

Anônimo disse...

O Mosquito, de tão irreverente, impetuoso e crítico, tornou-se uma das figuras mais sensacionais de Florianópolis nas últimas três décadas. Chega a ser folclórico. Caso não fosse contemporâneo a ele, acreditaria tratar-se de uma lenda. Pelo menos uma vez por semana, dava uma conferida no blog. O blogueiro sempre teve a coragem de dizer aquilo que todo mundo pensa, mas sem o atrevimento de expressar publicamente. E com muita criatividade. Ele é parte da alma da cidade, o patrono dos blogueiros de Florianópolis. Amilton, esteja em paz!

Márcia disse...

Caro Canga, a intenção de fazer uma homenagem para o nosso
insubstituível Muscka, foi boa, mas tenho que concordar
com a Deise,houve muito exagero e que a ética deve ser respeitada em todas as profissões.
Fazia tempo que o teu Blog, não tinha uma notícia interessante.

Gantha disse...

Ah, permitam-me trazer um trecho, muito "elucidativo" e "respeitoso" sobre o Mosquito, da publicação do caro Celso Martins, disponível em: http://sambaquinarede.blogspot.com.br/search?q=mosquito

E QUEM FOI O MOSQUITO???

"... E quem foi o Mosquito? Bem, o Mosquito esteve envolvido nos protestos contra o ditador João Batista Figueiredo em novembro de 1979, tendo sido preso e processado com base na Lei de Segurança Nacional, junto com outros seis estudantes. E que uma vez restabelecida a democracia no Brasil, acabou sendo processado por danos morais etc. E quem o processou? Aqueles que estavam até bem pouco tempo na mesma trincheira. Mas como? É isso mesmo! Será essa a reação da posteridade às tentativas de fazer calar o boca-grande e linguarudo. Nesse caso o Mosquito será a vítima e os antigos combatentes pela democracia, os algozes. Pensem nisso. E reflitam um pouco nas colocações do grande Ulysses Guimarães reproduzidas abaixo...

ADVERTÊNCIAS DO PASSADO
"A história do Brasil contemporâneo é uma crônica de autoritarismo, ineficácia governamental, de exclusão e injustiça sociais insuportáveis. Mas é, também, o despertar de um povo, em meio a enganos e decepções, para uma exigência de cidadania, de igualdade e de justiça". (Programa do PMDB)


A liberdade de expressão,
segundo Ulysses Guimarães

"O poder absoluto, erigido em infalível pela censura, corrompe e fracassa absolutamente."

"A liberdade de expressão é apanágio da condição humana e socorre as demais liberdades ameaçadas, feridas ou banidas. É a rainha das liberdades, disse Rui Barbosa."

"A grande força da democracia é confessar-se falível de imperfeição e impureza, o que não acontece com os sistemas totalitários, que se autopromovem em perfeitos e oniscientes para que sejam irresponsáveis e onipotentes."

"A verdade não desaparece quando é eliminada a opinião dos que divergem. A verdade não mereceria esse nome se morresse quando censurada."

"A verdade não tem proprietário exclusivo e infalível." (22.9.1973)

"A censura é a inimiga feroz da verdade. É o horror à inteligência, à pesquisa, ao debate, ao diálogo. Decreta a revogação do dogma da falibilidade humana e proclama os proprietários da verdade." (18.7.1967)

RELAÇÃO DOS PROCESSOS CONTRA O BLOGUEIRO MOSQUITO:

023.09.028726-9
26.3.2009
Ação Ordinária
2ª Vara Cível
Réu : Amilton Alexandre e Ademir dos Santos (funcionário da Fundação Frankin Cascaes)

023.09.006224-0
21.1.2009
Ação Penal 3ª Vara Crime e Juizado Violência contra a Mulher
Crimes contra a Honra
Réu : Amilton Alexandre

023.09.006222-4
21.1.2009
Indenização por Danos Morais
1ª Vara Cível
Réu : Amilton Alexandre

023.08.078148-1
9.12.2008
Ação Penal Crimes contra a Honra
2ª Vara Criminal
Represdo: Amilton Alexandre

023.08.077179-6
3.12.2008
Ação Penal Crimes contra a Honra
Juizado Especial Criminal
Réu : Amilton Alexandre

023.08.077256-3
2.12.2008
Ação Penal Crimes contra a Honra
Juizado Especial Criminal
Réu : Amilton Alexandre

023.08.077463-9
1.12.2008
Ação Penal Crimes contra a Honra
1ª Vara Criminal
Represado: Amilton Alexandre

023.08.072075-0
4.11.2008
Indenização por Danos Morais
5ª Vara Cível
Réu : Amilton Alexandre

023.08.072067-9
4.11.2008
Representação Criminal
1ª Vara Criminal
Represado: Amilton Alexandre

023.08.070543-2
27.10.2008
Cominatória
3ª Vara Cível
Réu: Amilton Alexandre

023.08.069446-5
17.10.2008
Indenização por Danos Morais
2ª Vara Cível
Réu: Amilton Alexandre
POSTADO POR CELSO MARTINS ÀS 11:07 4 COMENTÁRIOS LINKS PARA ESTA POSTAGEM
18/12/2008

Gantha disse...

Mosquito mostra que não se cala...

"RESPOSTA AO SUPLENTE DE DEPUTADO (SEM VOTO) E FUNCIONÁRIO DO GOVERNADOR LUIZ HENRIQUE

ANDRINO - SE SOU LOUCO VOCÊ É MENTIROSO E CARA DE PAU !

Andrino você não vale nada. É lixo, deputado sem voto.

Você é um covarde. Não teve coragem de assumir candidato no 2º turno nas eleições municipais. Deixou teus eleitores na mão.

Ficou encima do muro. Tentasse enfiar teu filho numa aliança com a Angela Albino. Te achas muito esperto.

Queres tirar meu blog do ar? Não vais conseguir. Depois de velho virasse censor. Cara de pau!

Sabes que não tenho o dnheiro para te dar. Ai fechas o blog. Tás que nem o Sarney do teu partido, perseguindo jornalistas e blogueiros no Amapá.

Andrino estás a serviço do teu governador que pode ser cassado a qualquer momento. Teu PMDB está envolvido em corrupção até o pescoço. Tua turma tem centenas de ações no MP, TCU, TSE etc.

Pilantra, queres fazer caridade com chapéu alheio. Além de tudo é burro. Não pode fazer proposta de doação de salário de funcionário para qualquer coisa. Por que não tira donativo do seu gordo salário de suplente.

Só vi no teu site na ALESC esse gesto de bom samaritano.

Nunca te chamei de ladrão. Agora picareta tu és mesmo.

Na coluna do Paulo Alceu é que li que querias uma boquinha no Tribunal de Contas. Processaste ele?

Andrino, sempre botasse gente para trabalhar para ti. És um malandro. Fazes política para ganhar dinheiro.

Ainda vou saber se é verdade que botasse rede elétrica em tua fazenda em Bom Retiro com dinheiro do Programa Luz para Todos.

Só queres vento a favor. Não posso agora falar que você foi omisso nas eleições? A cidade inteira sabe disso e não foi a primeira vez. Na outra eleição fugisse para Buenos Aires.

Mentiroso - Não recebi nenhum recado via amigos em comum para 'maneirar' no blog. Queres o que? Só elogio? Meus não terás.

Andrino. Eu vou resistir !

Uma pergunta? Quanto te custou botar um oficial de justiça me seguindo pela cidade?

Amilton Alexandre Mosquito".

Gantha disse...

PS - A publicação do desabafo de Amilton Alexandre, onde são levantadas algumas suspeitas sem provas, não significa o endosso da manifestação. Ao contrário. O faço tão somente no sentido de estimular o debate sobre liberdade de expressão e censura, expedientes cada vez mais presentes em nosso cotidiano. Voltarei a esse tema, mas antecipo um artigo de Edilsom Farias, intitulado "Democracia, censura e liberdade de expressão e informação na Constituição Federal de 1988".
O autor é doutorando em Direito Constitucional pela UFSC, professor da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e Promotor de Justiça.
Diz: "Destarte, conquanto a Constituição Federal em vigor proíba qualquer forma de censura, o cidadão e especialmente os veículos de comunicação social, no exercício da liberdade de expressão e informação, não devem olvidar os direitos dos outros cidadãos ou ainda os direitos da coletividade, sob pena de ocorrer abuso da liberdade de expressão e informação".


POSTADO POR CELSO MARTINS ÀS 13:01 0 COMENTÁRIOS LINKS PARA ESTA POSTAGEM
17/12/2008

Deixa o Mosquito falar deputado!

Amilton Alexandre, titular do blog Tijoladas do Mosquito, está sendo calado aos poucos. Ontem à noite mais um passo foi dado: citado e intimado judicialmente, foi obrigado a retirar de seu blog três postagens consideradas ofensivas pelo deputado estadual Edson Andrino (PMDB). Posso até não concordar com o linguajar adotado pelo blogueiro, mas acho que ele tem o todo o direito de se expressar.

Ao pedir R$ 25 mil de indenização o deputado Andrino estaleceu o preço de seu patrimônio moral. Sinceramente eu achava que esse patrimônio tinha mais valor, bem maior que o de um carro popular. O parlamentar que se destacou na luta pela redemocratização e teve a coragem de ir à tribuna da Câmara Municipal denunciar as prisões da Operação Barriga Verde em 1975, jogou pelo ralo a sua história. E com ele o patrimônio heróico do antigo MDB, o da resistência democrática, o da denúncia da ditadura.

É uma pena que um homem público do quilate do Andrino se evapore dessa maneira. Talvez ele esteja mesmo querendo trocar o papel de político e homem público pelo de empresário do ramo hoteleiro. Nesse caso, nenhuma utilidade terá o seu patrimônio moral. Talvez por isso mesmo ele o esteja descartando.

POSTADO POR CELSO MARTINS ÀS 07:49 - 22/04/2009.

Anônimo disse...

Excelente texto. Interessante como me identifico com a personalidade desse sujeito. quem sou eu para julg'a-lo. Penso que deixou uma licao de como nao devemos ir ao extremo das coisas...nem todos conseguem se vergar como o bambu...

Edison da Silva Jardim Filho disse...

Eu nunca conversei com o autor desse texto; tendo o mesmo simplesmente inventado as palavras que colocou entre aspas como se eu as tivesse proferido.
EDISON DA SILVA JARDIM FILHO
Advogado da maior parte das ações civis e criminais de que o Mosquito era réu