sexta-feira, 6 de abril de 2012

RELEVÂNCIA DA PÁSCOA


    Por Emanuel Medeiros Vieira
    
    O Cristianismo é uma ideia que sai dos limites dos dogmas estabelecidos pelas igrejas que o adotam. Poucos são os hierarcas e fiéis que têm a consciência das reais da dimensão da mensagem cristã.
    “A Encarnação em Cristo, para muitos pensadores, é a assunção da grandeza do homem enquanto homem”.
    Na interpretação dos humanistas, o jovem Cristo foi um dos muitos judeus daquele tempo, que, inquietos com a situação política de seu povo, procuravam uma saída para a liberdade.
    A Palestina estava sob domínio do Império romano e era tempo de Tibério, representado por Pilatos. O território se dividia em cinco pequenos reinos, depois da morte de Herodes.
    Como analisou alguém, como outros fundadores de religiões, a ele se atribui origem divina, correspondendo à necessidade humana de lidar com a finitude, o desaparecimento e a Morte.
    “Era necessária a reafirmação da antiga aliança, com a Encarnação, a renovação da promessa mediante um homem de carne e osso, enviado do Absoluto, para pregar o amor – ou seja, a solidariedade essencial entre os homens como pressuposto de sua salvação”.
    Sim: Ele é tanto mais o filho de Deus quanto é amigo e irmão de todos os homens.
    “O irmão e o amigo a que recorremos, nos rincões de nossa alma, onde se recolhe o sofrimento, porque n’Ele – que é parte de nós mesmos – podemos confessar as humilhações sofridas, o nosso desespero, a nossa desesperança do futuro, o nosso desamor para com o próximo, e contar com o seu consolo e perdão”, como analisa sabiamente Mauro Santayana.
    Isso não absolve os erros da Igreja desde Constantino.
    Mas Cristo é maior que a Igreja.,
    Páscoa é Ressurreição.
    Cristo está além dos super-mercados da fé, que usam o seu nome para ludibriar e enganar os carentes, os humilhados e ofendidos deste mundo.
    A teologia deve ser da esperança, e não da mera prosperidade material.
Importa agora é o Cristo reconciliado com nós mesmos, e não o mau uso do seu nome por impérios religiosos que usam o se nome, arrecadando bilhões.
    “Nós podemos contar com Cristo, em qualquer capelinha de estrada, em todos os corações que sofrem”.
Insisto – não esqueçamos: Páscoa é Ressurreição, e nessa capelinha de estrada nos mostramos como nós somos, sem subterfúgios, sem dissimulações, sem hipocrisias.
     Nus e desamparados – em busca da verdade.
                                                                                                               (Salvador, abril de 2012)

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