terça-feira, 1 de maio de 2012

Dia do trabalho ou do trabalhador?

- Nos es el dia del trabajo. Es el dia del obrero!
       Me dizia o velho "bolche" uruguaio fazedor de cabeças.

Comício e confronto organizados pelos anarquistas de Chicago
      Eu era novo ainda mas já iniciado na literatura anticapitalista. O "bolche" me havia presenteado "A História da Riqueza do Homem". Escrito na década de 30 por Leo Huberman, o livro conta a história do surgimento do capital desde a Idade Média até o nascimento do nazi-fascismo. A história do capital com uma visão crítica analisada através do materialismo dialético. Não era pouca coisa para um guri de 17 anos.
    
    Agora me apresentava "Princípios Fundamentais de Filosofia", do Politzer e um calhamaço e folhas mimeografadas que contavam a história dos "Oito de Chicago" (que eram sete) e o surgimento do Dia del Obrero!
    
   As primeiras lutas operárias por melhores salários e condições de vida datam de 1819 na Inglaterra onde a jornada de trabalho chegava a 18 horas. além disso grandes movimentos aconteceram pela extinção das crianças-operárias. Sobre isso lembro da luta internacional da fantástica Flora Tristán, avó do pintor Paul Gauguin, e seus Círculos Operários disseminados pela Europa.

    As folhas mimeografadas que o velho "bolche" me regalou narravam as manifestações anarquistas de Chicago em 1886. Uma acabou em enfrentamento e no assassinato de vários operários pela polícia.  À época, Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente por August Spies e Michel Schwab. O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris, em memória dos mártires de Chicago. Apesar da escolha da data ter sido feita por membros da Segunda Internacional Socialista, os oito organizadores das manifestações eram militantes anarquistas.

    Após ler a história dos anarquistas enforcados pelo governo senti uma revolta tão grande que se cruzasse com um "elder" (evangélicos americanos) na rua arrancaria seu escalpo, tal minha revolta contra o capitalismo americano.

    Sensação semelhante senti anos mais tarde ao sair do Cine Baltimores, na Oswaldo Aranha, em Porto Alegre, após assistir "Corações e Mentes", documentário que denunciava as atrocidades norte-americanas no Vietnã.

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