segunda-feira, 11 de junho de 2012

Novas Cartas Baianas

POBRE BAHIA

Por Emanuel Medeiros Vieira

 
    Não, não se enganem com a visão estereotipada e midiática: a Bahia não é só Ivete Sangalo, Daniela Mercury, bandas de pagode e de axé, carnaval, “macumba para turista”, e à pasteurização dos melhores valores.
     Essa visão falsa serve ao turismo banalizado e à própria exploração sexual de crianças e de adolescentes.
    A real? A BAHIA VERDADEIRA? É a da concentração de renda. Da desigualdade. Da miséria. (Lógico, há o “sagrado” e a beleza não comercializados – que poucos enxergam.)
    Exagero?
    Dados divulgados pelo IBGE, de 2010, informam que 2,4 milhões de baianos, ou 17,7% da população do Estado, estão em situação de miséria, pois vivem com uma renda mensal per capita de até R$ 70.
    É o Estado com maior contingente de pessoas com essa faixa de renda: 14,8% dos miseráveis do País estão na Bahia, de acordo com informações do site Bahia notícias.
    A Bahia é a sétima economia brasileira. E grande parte de sua população vive abaixo da linha da pobreza. Os mais pobres temem perder o Bolsa-Família.
    Nessa época - quando se aproximam as comemorações de São João - festa tão enraizada no Nordeste - lembro do grande sanfoneiro Luiz Gonzaga: uma esmola para o homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.
     (Enquanto isso, os professores das escolas públicas estão há 50 dias em greve e o governador só quer viajar para o exterior ou para Brasília, ou circula na cidade de São Salvador em carros blindados. E no ano passado o governo assinou um acordo com o magistério – prometendo aumento – e não quer cumprir.)
    A esmola não gera dignidade.
    Não querendo ideologizar minha fala, não seria melhor para população do semi-árido baiano e de outras regiões se o governo criasse programas para facilitar o desenvolvimento?
    E quando, nos meus textos, insisto na condenação à corrupção, qualificando-a de crime contra a vida, muitos dizem que é visão de pequeno burguês ou de moralismo “udenista”.

    É que não conhecem a região.

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