domingo, 21 de outubro de 2012

Urucubaca interferônica?

   Dia 19, tomei minha terceira injeção de Interferon. Já relatei aqui os devastadores efeitos colaterais da medicação para combater a Hepatite C.   Como da segunda vez, os efeitos colterais foram bem menores, sem febre, apenas algumas dores nos músculos e juntas, descompensação motora e mental. Suportável. O meu organismo já reconhece o Interferon e dá uma liberada para o cara passar batido. Vai lá "fofocar" para as defesas que tem um corpo estranho na parada, fica avisando.
   Um dos efeitos colaterais mais relatados por pacientes é a irritação. Falta de paciência e explosões de irritabilidade. Comecei a experimentar esses efeitos. 
   Há anos pratico um processo de auto conhecimento com reflexões constantes sobre minhas atitudes, como uma forma de me tornar uma pessoa melhor. Agora, com o tratamento, fico atento a todo o tipo de reação que possa ser decorrente dos remédios e que não fazem parte do meu temperamento.
   Está funcionando! 
   Ontem à tarde, ao escuta um ruído de cerâmica quebrada tive uma explosão de irritação e subi correndo as escadas da minha casa para desabafar em cima do pedreiro que faz uma reforma no piso superior.
   No meio do caminho parei e pensei: - Não, esse não sou eu, esse é o remédio. A coisa estava superdimensionada.
   Respirei fundo, entrei no banheiro e observei o piso e o revestimento da parede que já estava quase todo colocado. Elogiei o trabalho do Aldori, o pedreiro, e percebi que a cerâmica havia sido quebrada de propósito para completar um meia parede. 

   Urucubaca interferônica?
   Na sexta à noite, minha filha amassou porta e paralamas do carro ao "roçar" no muro de entrada de casa. Estrago feio!
   Na manhã seguinte saímos para buscar um perfil de granito que havia mandado fazer para acabamento de uma parede. Coloquei o perfil entre os bancos do carro e no primeiro solcavanco a pedra se partiu ao meio. Pensei: - é muito acidente em pouco tempo. Preciso de um banho de sal para tirar essa urucubaca!
   Não acredito em sorte, maré de azar, olho gordo e outras fantasias tais, mas percebo que o Interferon nos deixa propensos à negatividade, ao pessimismo
   Cheguei em casa e fui ajudar o pedreiro a remover umas lâminas de vidro temperado (blindex) do box do banheiro. Pensava naquele banho de sal quando virei o vidro para o lado e ele se partiu em milhares de pequenas pedras...de sal! Pareciam pedras de sal, tudo aos meus pés!
   Bem, recebi este último acidente "urucubacozo" como o banho de sal que estava precisando para tirar a "maré de azar". 
   De lá para cá não quebrei mais nada!

   Tem coisa pior
   Há pouco fui fazer umas fotos da Feira do Cacareco que acontece aqui no atrio da Igrejinha de São Sebastião, no Campeche. Encontrei um grande amigo que não via há tempos. Havia comprado um barco e...velas ao vento! Andava pela Bahia se preparando para uma boa volta pelos mares do mundo. Nos falávamos, às vêzes, pelo FaceBook.
   Me contou que, antes de partir por outros mares, resolveu voltar a Florianópolis para instalar a sua máquina de lavar roupas no barco, terminar um tratamento dentário e fazer um chek-up médico. 
   Descobriu que tinha um Linfoma de Hodgkin, forma de câncer no sistema linfático. Me relatou os terríveis efeitos colaterais resultantes da sua primeira sessão de quimioterapia e rapidamente me fez mudar de assunto. 
   Estava pensando em me queixar de um mal estar que havia sentido há pouco por causa da Ribavirina que tinha tomado.

   Bobagem, tem coisas piores!

2 comentários:

gafanhoto disse...

dor não se compara canga, cada um tem a sua. e ás vezes um simples dor de cabeça tem um peso muito grande para uma pessoa mais sensível.

Anônimo disse...

Dr Sergio Jekill e Mr Canga Hyde. Fuerça mo pombo. Desce até o riozinho agora cedo, segunda quente, primaveril e sem estranhos e entra numa valinha de sal grosso desse lindo Campeche pintado por Deus. braço Paulao