domingo, 11 de novembro de 2012

Precisamos realmente de uma nova Ponte?

   Por Armando José d’Acampora *
   Creio que teremos que pensar em algo mais barato e que nos dê um retorno maior e mais rápido em relação ao atual trânsito da ilha.   Sérgio Lino escreveu um artigo sobre o contínuo sorvedouro de dinheiro público que é a Ponte Hercílio Luz.   Também falou que desde 1982 é assim.
   Ouso, respeitosamente, discordar.
   Hoje, estou com 60 anos, e desde menino a Ponte Hercílio Luz já possuía um serviço de manutenção constante.   Quando acabava em uma extremidade, já se partia imediatamente para a oposta, quando não se iniciava a manutenção nas duas extremidades em conjunto, portanto, isso ocorre há pelo menos uns 54 anos, pois antes disso eu jamais havia pisado na Ponte.   Antes eram utilizados pregões de ferro zincados e pranchões de grossa madeira, mas não parava nunca. Sempre tinha um pranchão solto ou um prego que não se dispunha a permanecer onde fora colocado.   Depois resolveram colocar ferro em lugar dos trilhos de madeira e sobre o ferro, asfalto. Dai em diante a manutenção virou diuturna.   Ainda lembro do porto comercial que havia debaixo da Ponte, pois ali era um dos nossos polos de exportação. Madeira, Mate dentre outros produtos.   Os navios, não muito grandes à época, aportavam por aqui e, devido a falta de dragagem do canal, o calado era pequeno.   Também na época da Revolução de 64, havia uma série de navios da gloriosa Marinha do Brasil, alguns ancorados nos decks do porto e outros ali fundeados na baia sul, com todos os seus canhões descobertos e brilhantes.   Também já recebemos passageiros, quando na época em que o Hoepcke era um império, e tinha até seu próprio terminal marítimo na Rita Maria.   Carl Hoepcke, era o nome do navio que ligava Desterro ao mundo e trazia notícias, insumos, máquinas, gêneros e até cerveja alemã, dentre muitas outras coisas, para a terrinha.   Os navios petroleiros de porte abasteciam a Texaco na Ponta do Leal, pois ali havia um terminal para completar os grandes tanques de gasolina e diesel da companhia.   Concordo com o Lino em não conseguir acreditar a inexistência de uma opção viável de transporte marítimo da ilha para o continente próximo, e vice-versa.   Antes da Ponte Hercílio Luz, todo o transporte entre a ilha e o continente era marítimo, acho que até precário, mas era a única alternativa.   Abandonou-se porque? Inviabilidade econômica? Falta de equipamento adequado para o transporte de passageiros? Investimento alto? Pouco retorno?   Hoje a ilha dispõe de uma população que supre esse quesito, da viabilidade econômica. O problema maior será o planejamento a longo prazo, pois certamente isto deverá ser entregue a competentes profissionais da área.   Mais uma Ponte a ser construída, mais manutenção. E se nas outras não se atrevem a realizar manutenção adequada, será que cuidarão desta?   Agora é a hora de se pensar nas necessidades que atendam uma melhora da mobilidade urbana, tão mais difícil hoje, sem um transporte coletivo eficiente, de confiança nos horários, confortável para o passageiro e totalmente integrado.   Temos a pior mobilidade urbana do país. Se o crescimento da frota de veículos continuar a ocorrer nesse nível atual, em poucos anos estaremos simplesmente parados, pois será humanamente impossível a mobilização de veículos nessa ilha, que é limitada, em espaço, pelo mar. Hoje temos um veículo para cada dois habitantes. Haja carro. E devemos perceber que, o que não é mar, é morro.   Transporte marítimo gera menos transporte individual, o que significa menor trânsito de veículos, e obriga a uma substancial melhoria do transporte coletivo, como forma de integração do sistema como um todo, além de abranger toda a área metropolitana da grande Florianópolis.   Uma ilha sem marinas e sem transporte marítimo, é simplesmente ridículo. Não há como entender.   Acredito que só a nossa ilha é capaz de tal façanha, haja vista que continua sendo a terra dos casos e ocasos raros.

* Médico, Cirurgião, Professor Universitário

Um comentário:

Anônimo disse...

Para Florianópolis, a ponte pode até ser necessária, ou não. O que falta e sempre faltou, portanto, necessário, são políticos com sinapses nervosas, a essência da inteligência. No mais, vamos atrás!!!