segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Reformular assistencia médica em aeroportos

   Prezado Sr. Rubim,
   Li em seu blog o publicado por Armando d`Acampora.
   Criei coragem em encaminhar meu grito e apelo por uma campanha nacional.
   Segue em abaixo o que realmente proponho. O fato aconteceu no meu retorno de Macapá onde participo de um grupo que desenvolve uma Ação Humanitaria- voluntária, corrigindo a seqüela de escalpe total ou parcial, produzido pro acidente com o eixo dos barcos que utilizam como unico meio de transporte na Amazonia.
Obrigado

Proposta de campanha nacional 

1°- Solicitar ao governo central uma revisão e reformulação dos serviços médicos nos aeroportos do Brasil

2°- Histórico
Relatório da viagem
   Após participar de um mutirão para corrigir seqüelas de pacientes escalpeladas por acidente com o eixo do motor das embarcações no estado do Amapá - nesta região não há estradas e a maior parte da mobilização da população é utilizando barcos.
   Cumprida a missão acompanhado de minha esposa Regina Pereira Oliveira d´Eça Neves
Viajamos de Macapá para São Luis do Maranhão com conexão em Belém do Pará em
vôos de 45 minutos cada trecho.
   Tudo corria normal lanchamos comidas leves e combinávamos as atividades para após
nossa chegada a Florianópolis.
   Desembarcamos no Maranhão sem qualquer queixa por parte dela.
   Junto à esteira para recolher as malas ela ficou atrás de mim apoiada no carrinho de
bagagem durante cerca de dez minutos. Chamou-me pelo nome com voz amena sem qualquer alteração sugestiva de angustia, parecendo querer mostrar alguma coisa.   Olhei para trás e ela estava caindo desacordada com intensa congestão cervico/oro/
facial. Tentamos elevar o queixo e lateralizar a cabeça o que foi impossível pela rigidez
do pescoço e da mandíbula. Este momento se prolongou por cerca de 7 a dez minutos
quando chegou o pessoal da assistência médica do aeroporto.
   Nada traziam nas mãos. Constatada a gravidade, por não ter maca, foi transportada
em cadeira de rodas com cabeça e braços pendentes através da beirada da área de 
estacionamento dos aviões. Distante cerca 300 metros havia uma sala acanhada com
uma maca onde foi acomodada. Nesta hora com manobras muito delicadas um bombeiro
não paramédico iniciou massagem cardíaca sem conseqüência para as costelas.
   Por solicitação minha instalaram oxigênio com mascara simples ao que insistimos na
necessidade do ambu. Este foi utilizado sem efeito porque não foi aplicada a devida
pressão de maneira que o ar saia pelos lados sem penetração até os pulmões.
   Também por solicitação minha foi achada uma cânula de Guedel que eu mesmo a
introduzi. Decorridos de 25 a 30 minutos de evolução, levantei a sua pálpebra e estava
instalada a medriase paralitica. Não foi instalado soro nem foi mantida veia cateterizada,
sugeri uso de atropina e queriam injetar adrenalina por ser melhor (sic).
   Sai da sala e fui telefonar para meus filhos, pois o pior estava consumado neste cenário
Dantesco.
   Aceito que talvez mesmo em ambiente adequado não houvesse condições de reverter o
quadro, mas, o que assisti e vivi me obriga reagir e fazer esta proposição.   Não tinha nenhuma ambulância equipada como as do SAMU, com seu corpo de paramédicos, acho que isto é lugar comum a todos os aeroportos, ainda que sejam
considerados de porte internacional.
   Iniciou então o segundo episódio para cumprir as obrigações legais, preparar e liberar o
corpo.

3° - Proposta

    Utilizar o poder dos nossos órgãos de classe para exigir urgente ação dos órgãos públicos
competentes para reavaliar e reorganizar os serviços de atendimento médico nos aeroportos do Brasil. 
   Órgãos da classe que devem participar em forma de comissões oficiais com poderes
delegados, compostas por membros Conselho Federal e Regionais de Medicina, Associação Médica Brasileira, Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Intensivistas, Sindicato dos Médicos...etc.

  Todos têm suas extensões regionais que podem cada qual realizar em sua jurisdição o seu papel e rapidamente se pode agir e definir o mapa nacional deste serviço hoje incompetente que representa perigo para todos os que ainda estão vivos.

4°- Vistoriar e analisar as condições:

a- Arquitetura , relação da posição do ambulatório e o contesto do edifício e a facilidade de mobilização para atender todos os setores e andares;
b- Dotar de portas que reduzam o caminho quando tiver divisórias;
c- Ter carro ou mala com o equipamento completo de reanimação (material e medicamentos);
d- Carrinho tipo campo de futebol em aeroportos maiores para transportar o paciente em longa distancia;
e- Múltiplos núcleos em instalações como Galeão e Garulhos, etc
f- Aparelhagem necessária para reanimação;

5° - Reavaliar o pessoal
 
a- Contratar somente após concurso rígido;
b- Coibir o uso da política para dotação de técnicos;
c- Reciclagem do pessoal atualmente respondendo pelo setor;
d- Facilitar a comunicação entre o setor e os locais de maior aglomeração;

6°- Orientação policial
 
a -Relação publica da polícia que possa orientar as pessoas com alguma dificuldade que envolva aspectos legais;
b- Apoio policial para estranhos que nada conhecem da cidade;
c- Posto policial militar e civil com poder de encaminhar os primeiros documentos como Boletim de Ocorrência etc.,

Conclusão: 
Como médicos é dever nosso zelar pela saúde da população e é direito dela receber esta proteção dos órgãos públicos.

Rodrigo d´Eça Neves
Cirurgião Plástico (Dedica-se à cirurgia estética e recuperadora)

9 comentários:

Rosa Maria Cabral dos Santos disse...

Este senhor que é médico, viaja o Brasil e o mundo nunca percebeu que o atendimento médico em aeroportos era precário?

Acredito que nunca tenha utilizado o tal serviço, mas infelizmente só foi perceber quando aconteceu com sua esposa?

Os profissionais liberais deveriam acordar e reivindicar o necessário para a melhoria de alguns segmentos de nossa sociedade.


Rosa Maria

d'Acampora, AJ disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
d'Acampora, AJ disse...

O Conselho Federal de Medicina emitiu a Resolução 1671 de 2003 que dispõe sobre o atendimento pré-hospitalar. Determina, o CFM, o treinamento de todos os envolvidos na questão das urgências e emergências ocorridas fora dos Hospitais. Como no Brasil, as autoridades de todos os níveis se negam a seguir a Legislação, inclusive com órgãos de fiscalização que se sobrepõe e que atendem a legislações diferentes, a confusão é muito grande entre eles mesmos, e consequentemente, quando se cobra alguma coisa, ninguém é responsável e a Lei Maior não é reconhecida como de direito e de dever do cidadão e das autoridades. Sempre realizam curativos nas feridas e, até hoje, ainda não vi nenhuma autoridade que exercitasse medidas preventivas. Infelizmente é o Brasil.

Anônimo disse...

Só mesmo um imbecil pode fazer um comentário como esse acima para uma pessoa que vive uma tragédia assim. Ainda mais para alguém que estava em um trabalho humanitário. Pense bem, que vergonha !!!
Sinceros sentimentos ao profissional e a família que sofre por essa desgraça, mais uma de um país macunaíma.
Rafael

Marla disse...

Dona Rosa Maria Cabral dos Santos, a senhora se superou no seu comentário! Lamentável....

cinthia disse...

senhora rosa maria, que raio de comentário é esse. este profissional, que não conheço, vem, em meio de sua dor pessoal, trazer sugestões para que fatos como estes não se repitam. a família meus sentimentos, e a sra rosa, que possa ampliar seus horizontes..

cinthia disse...

senhora rosa maria, que raio de comentário é esse. este profissional, que não conheço, vem, em meio de sua dor pessoal, trazer sugestões para que fatos como estes não se repitam. a família meus sentimentos, e a sra rosa, que possa ampliar seus horizontes..

Anônimo disse...

Prezado editor, o dr Rodrigo viajou para fazer filantropia. Por favor, retire o comentário de Rosa Maria. Ele não merece ler. É um bom homem.

Anônimo disse...

Meus sentimentos Dr Rodrigo, a dor de sua familia deve ser imensurável, lamentável passar por essa situação e ver o caos se estabelecendo sem poder ajudar. Se o Sr com conhecimentos médicos não pode fazer nada, imagine os que não tem conhecimento nenhum,, mais impotentes ainda se sentem. A dor é imensa, força ao sr e seus filhos.