terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Coadjuvantes, Pragmáticos e “Complexo de Ninguemdade”


   Por Eduardo Guerini
Pincelando sobre a realidade
 política catarinense para uma
 eleição plebiscitária...

   Nossa laboriosa mídia monopólica na província catarinense se ajusta aos interesses de ocasião. Nas últimas eleições da juvenil democracia brasileira, em todos os momentos os “colonistas de política” se prestam ao papel de percursionistas dos desejos de lideranças carcomidas, e, subliminarmente repercutem o “balão de ensaio” das alianças partidárias que são negociadas na “calada da noite”, nos bastidores do poder.
   No caso do governo catarinense, a avaliação da opinião pública nem sempre condiciona os desejos das lideranças coronelistas (ou caciques partidários) que sonham na chapa mais ampla possível. Afinal, o tempo de exposição no rádio e na televisão é o que importa para exposição dos seus produtos. Que digam, nossos engenhosos profissionais do “marketing político” – o que importa é uma propaganda eficiente, com imagens vistosas e realizações duvidosas. A máquina partidária e eleitoral tem de girar, tal como a roda da fortuna.
   Não meus caros (e)leitores, não são projetos de Estado ou Planos para os catarinenses , são projetos particularistas, pessoais, partidários com raríssimas exceções. E, nos últimos dois anos, o governante de plantão, afirma categoricamente “o desejo de colocar o pé no acelerador”. E seria possível acelerar diante de uma máquina tão emperrada nas ferrugens das indicações partidárias e interesses particulares de um dissonante condomínio político-eleitoreiro (não eleitoral).
   Nosso problema, reside no abismo político de governantes e representantes sem lastro social, sem vínculo ideológico, sem projeto de ação governamental. Tudo se transforme em obra do acaso, nos desejos e necessidades de um ou outro cacique em seus arranjos carcomidos pelo tempo, petrificando esperanças, gerando desilusões em todos os setores da vida política e social da província catarinense
   Recentemente, a conjuração de forças políticas, veiculadas na noticiosa e monopólica imprensa local, apresentadas por um pragmático político , demonstram que a equação eleitoral requer um movimento pendular que oscila entre o senil e o caquético. Afinal, as velhas forças conservadoras (PSD-PP) deverão compor com as novas forças – também conservadoras (PMDB- PT-PDT) et caterva. Tal pragmatismo político tem sido o mote das coalizões partidárias na província catarinense e no âmbito da republiqueta, conseguindo o inimaginável historicamente - inimigos históricos abraçados em seu projeto de poder.
   Entre partidos e políticos pragmáticos, oportunistas e coadjuvantes, os catarinenses terão a difícil tarefa de eleger (se isso é possível ) um governante e representante para as casas legislativas do Estado e do País. Diante do cálculo matricial e linear de um senador da província, feita a aliança, a nomeação seria automática, dada a amplitude da correlação de forças em prol do projeto eleitoreiro. Sem adversários ou pretendentes, nada impede a conquista do poder por mais um mandato.
   E os eleitores? Que façam a sua parte, entrem na cabine de votação e apertem a tecla ‘CONFIRMA” !!!
   Afinal, como todo e qualquer cidadão- médio, sofremos do “Complexo de Ninguemdade”, como afirmou Darcy Ribeiro. Sem vínculos, sem passado, sem presente e sem futuro, não nos reconhecemos como protagonistas de nossa história.

domingo, 29 de dezembro de 2013

"Venho de um inferno chamado Uruguay"

"Acabo de desembarcar em Florianópolis do voo da empresa Gol proveniente de Porto Alegre. Venho de um inferno chamado Uruguay onde sofri extorsão e terror".


   Assim começa a denúncia que o advogado catarinense Sergio Veronese Junior fez ao consul uruguaio em Florianópolis.
   Veronese afirma que foi "massacrado, roubado, extorquido e destruido psicologicamente em dezembro deste ano no Uruguai. Muinha mulher, meu filho menor e eu estamos fazendo tratamento psicológico desde sexta-feira, dia 20". 
   A sua denúncia é capa do El País, maior jornal de circulação mundial em língua espanhola.
    Leia matéria completa aqui no El País.



Leia mais sobre o crime em outra matéria do El País.

Jurerê Internacional Bumbando e Explodindo


    De Rita Lina Fluoxetina, especial para o Cangalog

   As areias e as cinzas, chepas e bimbas, muita mulher rebolando, vacas de papel marche, pouca luz, muito material orgânico in natura nas águas, farinha refinada, Cidra e Champangne, balinhas de goma, fogos de artifício e os banheirinhos de cor azul celeste do Soiza são a sensação do final do ano na Ilha da Magia.
   Gente bonita, sarada, bumbada, global e da agropecuária nacional. Muito silicone, botox e relógio dourado.
   Um paraíso sobre a vegetação nativa. La creme de la merd como dizem os franceses. Figuras de visibilidade mundial bebem, espirram e fungam no Bret Fabergè composto por cadeirinhas, bancos e cordinhas de isolamento.
Saint Tropez, Porto Fino e Ibiza ainda são suportáveis em razão de seus frequentadores. Aqui, deu pra bola...
   Registramos a presença de Paulinho Trolha, Betty Vagal, Sandra White Night, Valdirzão (jogador de futebol), Irena Klotizen (atriz pornô do cinema húngaro), Octávia Carequinha, Tião Murro (lutador de UFC), Jonas Lilás, Pedrão Mamadeira e a super modelo Sara Cura Doll.
   Os preços estão cotados em euros para facilitar o troco. Uma Coca-Cola regular com uma dose de Sminorff e gelo, por 102 euros. Se for Coca – Cola Zero, dependendo do nome, Waldirene por exemplo, custa 189 euros.
Papo cabeça zuada sobre as tendências e atitudes do mundo contemporâneo pós-moderno rítmico e tangencial.

   A mulher mais chamada é a Neuza... Neuzaldina...

Colombo: "2014 vai ser um ano de pisar no acelerador"

Foto adrede preparada pela SECOM/SC.
   Por Graham Hill Jr.* 

   Raimundo Colombo deu entrevista ao Diário Catarinense e abriu o coração.
   Disse que obras paradas prejudicam as pessoas. Que é muito grato à Dilma presidente e que por isto votará nela para receber os R$ 10 bilhões previstos na compensação das alíquotas diferenciadas do ICMS que transformaram os portos de Santa Catarina nos mais ativos do Brasil.
   Disse que o PP virá e com ele estarão os descontentes também. Disse que seu governo “deslanchou”. Não explicou se parou de fazer “lanches” ou se a lancha singrou os mares do sul.
   Disse que prefere não ter o PT como aliado, mas apenas o dinheiro do governo federal.
   E disse que em janeiro próximo, quando for aos EEUU, visitará o estado de Indiana para treinar um pouco na famosa pista de corridas. 

*Graham Hill Jr. é o responsável pela cobertura em Indiana/EEUU. Especial para o Cangablog.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Novos caminhos


   Por Jaison Barreto

   Mesmo no meio dos festejos de fim de ano, cabem algumas reflexões por entender que teremos que estar preparados para um duro ano de 14, quando da procura de novos caminhos para o nosso país.
   Duas colocações creio que mereceriam atenção de nós todos pelo profundo significado capaz de nos ensinar como o mundo é complicado.
   “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; Quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; Quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; Então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”. (Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand em 1920).
   Sem posar de academicismos, lembro trecho de pronunciamento meu, de muitos anos atrás, (1981) citando Hegel com sua frase: “A coruja do conhecimento só levanta voo quando as sombras da tarde se põem no horizonte”.
   A interpretação desse conteúdo só se realizou muito mais tarde.
   Certa vez lhe perguntaram por que não fizera da clareza o meio de transporte eficiente para cavalgar sua filosofia, e ele informou: “Eu tive de fazer-me internacionalmente obscuro, para não ser entendido pelo vulgo, em tempos de delação. Nunca se sabe se o próximo indivíduo a bater à nossa porta será o merceeiro ou o guarda do imperador”.
   E Albert Einstein, que era judeu, que era alemão e que era cosmopolita, em grande lição de tolerância e humildade, que acabou por caracterizar toda a sua existência, no momento em que sua TEORIA DA RELATIVIDADE ia passar pelo teste da prática, declarou: "Se minha TEORIA DA RELATIVIDADE for correta, minha raça se regozijará. A Alemanha ficará orgulhosa de seu filho, mas a França declarará que eu sou um cidadão do mundo. Mas se minha teoria estiver errada, a França se lembrará de que sou alemão, e a Alemanha afirmará que sou um simples judeu”.
   Será com essa compreensão que nós todos vamos ter que conviver nesse próximo ano, irmanados no bom propósito de servir.
   
   O mundo pode ser melhor!
   Um abraço fraterno,

domingo, 22 de dezembro de 2013

Na restinga do “turismo de ocasião”


   Por Eduardo Guerini

   Na faixa de areia ocupada, relendo o direito ambiental e direito econômico. Resignado, fazendo os cálculos dos lucros cessantes e os prejuízos inestimáveis causados pelo turismo de ocasião dos “beach clubs”
   Nas últimas semanas do ano cabalístico de 2013, a mídia monopólica e provinciana parece ter fixação por assuntos que acirram os ânimos da Província Catarina Virginal. As manchetes são ataques dirigidos de colunistas “chapa-branca” , e, de autoridades(sic!!) da “indústria sem chaminés” que em seu enredo tragicômico anunciam o fim do mundo das atividades turísticas devido a decisão de um magistrado para que se cumpra a Legislação Ambiental, repito, seguir o que está inscrito na letra morta da Lei.
   Confesso que, não sou um legalista, dado que, os assuntos econômicos não levam em conta um padrão moral e ético preconizado por muitos arautos do empreendedorismo. Nas sucessivas notícias das últimas décadas , nossa monopólica imprensa local, não cansa de vangloriar as belezas naturais (inegáveis) do litoral catarinense. Na velocidade da informação em tempo de globalização, fomos saudados como a “Capital Turística do Mercosul” , “Miami do Sul” , etc. Tais títulos são lastro para que a especulação de setores econômicos ative o desejo a necessidade. Toda “trade turística” e empreendimentos assemelhados animadamente sorriem em mais uma venturosa temporada de veraneio.
   Se buscarmos na Resolução do Conama (261/1999), descobriremos que restinga é um ecossistema em terrenos predominante arenosos, de origens marinha, fluvial , lagunar, eólica(...) que formam um complexo vegetacional-edáfico e pioneiro, que depende mais da natureza do solo , encontrando-se em praias , cordões arenosos, dunas e depressões associadas. A formação desses terrenos é muito afetada pela açaõ dos ventos e das águas marinas (grifo meu). Logo, a ação do homem (antrópica) é sempre um convite para degradação em todos os níveis, assim, o termo sustentabilidade e capacidade de suporte são utilizados como mecanismos preventivos tanto no direito ambiental como nos manuais de economia básica para principiantes.
   Nossos laboriosos empreendedores do turismo , intitulam sua atividade como “indústria sem chaminés”, na imagética e distorcida informação que a ação da atividade que desenvolvem , não provoca dano considerável as condições ambientais e sociais , com o distintivo e associado apoio de uma leva de “colonistas sociais , políticos e de economia”da mídia provinciana. Na proporção de apoios políticos, midiáticos, econômicos e de mercadores de ocasião, a polêmica dos “beach clubs”, é um capítulo adicional no venturoso escândalo da “Operação Moeda-Verde” que está sepultada em algum gabinete nos Tribunas do Judiciário.
   Um turismo rastaquera é resultado da sanha mercantil – que transformou a paisagem em mercadoria, com o território catarinense loteado sem freios ou pruridos. Enquanto uma parcela da mídia provinciana e colonizada vende a imagem de turistas endinheirados fazendo festa na única praia visível para a grande imprensa nacional ( e olha que temos inúmeros recantos) , a realidade é outra , as praias estão lotadas de turistas predadores . Como são esfolados sem nenhuma cerimônia, seja nos preços abusivos de hotéis, pousadas, restaurantes e serviços, a moeda de troca utilitarista é aproveitar cada segundo, sem nenhum zelo com o rastro que deixarão para os habitantes da Província Virginal.
   É o luxo dos “beach clubs” ocupando ilegalmente a restinga, e, seu resultado - o lixo, que nos convida a brindar com “um bom espumante”, mais uma temporada de horrores neste verão no Brasil Meridional. De todas as carências e necessidades, nos resta sonhar saudosamente com as velhas e surradas fotografias de um litoral de pescadores artesanais e de uso parcimonioso com os recursos disponíveis. Diante da cegueira dos mercadores da paisagem, da morosidade do judiciário, da leniência das autoridades ambientais competentes (sic!!!), da subserviência de colonistas provincianos, e embriaguez rotineira dos turistas, que os festejos nos tragam um pouco de lucidez.

sábado, 21 de dezembro de 2013

ASSALTOS A SANTA CATARINA


  Por Esperidião Amin

   “A Fazenda Pública é como o patrimônio das viúvas: muitos buscam dilapidá-lo; poucos se dispõem a depor em seu prol!” (Carlos Maximiliano)

   Notícia veiculada no site do Governo do Estado desta data (19/12) dá contas de que “Governo tenta na Justiça corrigir valor dos precatórios das Letras, o que pode representar economia de R$ 500 milhões”.
   
   Em apertada síntese, somos instados a celebrar uma redução de prejuízo em face de condenações a pagar R$ 1,2 bilhão, tidas como transitadas em julgado. Tais condenações dizem respeito a cerca de 30% do rombo resultante da fraude das letras dos precatórios, promovida pelo governo do PMDB em 1996.
   Para rememorar ou informar (depende da idade de quem lê), seguem as informações básicas sobre as Letras dos falsos precatórios – no valor de R$ 4,4 bilhões (valor pretendido pelos credores, a preços de setembro/2013). Começa a surgir uma espécie de “clamor” geral para federalizar – sem discutir a forma de cálculo - essa dívida, fruto de um crime impune, ignorando que esse valor está fraudulentamente inflado. Em síntese, o Estado de SC estaria sendo condenado a pagar esse valor por conta dos R$ 140 milhões que recebeu em 1996. O clamor em tela reúne incautos, desinformados e interessados em receber e, pior, pagar esse valor lotérico! Os esforços da Procuradoria Geral do Estado para questionar os valores merecem nosso aplauso. Contudo, vale uma reflexão: neste crime, o único punido até aqui é o POVO CATARINENSE!
    Não bastasse este caso, dois outros, com o mesmo DNA político, assombram o nosso Estado. São eles:
   Caso 2 – INVESC – no valor de 4,2 bilhões. Em 1995, o governo de SC emitiu e vendeu debêntures conversíveis em ações da CELESC, no valor R$ 100 milhões. Por conta dessa “engenhosa operação” (assim apresentada na época), o Estado está sendo condenado a pagar R$ 4 bilhões. A operação tinha como garantias as ações da CELESC, desde que não ultrapassassem o volume que viesse a comprometer o controle acionário da empresa pelo Estado. Como esse volume de ações é insuficiente,pretende-se que o Tesouro do Estado seja o responsável por ressarcir o prejuízo dos ”investidores/apostadores”. Ou seja, em vez de o apostador pagar por seu prejuízo, o cidadão catarinense passaria a ser o responsável por essa “malandragem financeira”;
   Caso 3 – SC401 – cerca de R$ 1,5 bilhão. Tramitam na Justiça ações que pretendem indenização pela obra não executadade duplicação da SC401 (Florianópolis/Itacorubi – Canasvieiras). A empresa não concluiu a obra e por isso foi impedida de cobrar pedágio. O governo do Estado promoveu, entre 1995 e 98, mudanças no contrato em desacordo com os termos da concorrência pública, as quais foram desautorizadas pelo Tribunal de Contas do Estado. A empresa reivindica, além de indenização por investimentos que efetivamente realizou, indenização por LUCROS CESSANTES pela não cobrança de pedágio.Autoridades catarinenses chegaram a anunciar que o Estado deveria pagar mais de R$ 1 bilhão à empresa.
   Estas três graves situações, cujo montante é de cerca de 10 bilhões de reais, estão sendo transformadas em “oportunidades de negócios”, nas quais a cidadania será sempre a perdedora. Uma reflexão merece ser frisada: Como os que desejam receber tanto dinheiro conseguem aliados que queiram pagar?
   Cabe-nos apoiar todas as ações que a Procuradoria Geral do Estado, Tribunal de Contas, Ministério Público, autoridades e outras instituições desenvolvam para frustrar essas vigorosas tentativas de assalto, geralmente acompanhadas de ações de intimidação a que seus oponentes estão sujeitos.

*Esperidião Amin é Deputado Federal pelo PP/SC

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Um ano cabalístico para economia brasileira.

Por Eduardo Guerini
Para os otimistas de plantão-
governistas, a economia superou as
expectativas diante da crise mundial.
Para os pessimistas, a economia
brasileira está no abismo. Finalmente,
os sensatos e realistas, observam que
de promessas e esperanças
sepultadas, nosso futuro
está comprometido.

   O final de mais um ano-calendário se aproxima, como todo e qualquer ser humano, nossos desejos e esperanças sempre são refletidos nos atos cotidianos. Os comentários econômicos deste ano, ainda que, contra corrente da maioria dos governistas e otimistas, não se concretizaram.
   Em primeiro lugar, a equipe econômica passou inúmeros vexames diante das previsões superlativas para crescimento do PIB - Produto Interno Bruto, na geração de emprego e renda, e, na ânsia de criar um clima de investimento, colheu como resultado, a desconfiança generalizada dos agentes econômicos.
   Em segundo lugar, as estatísticas pessimistas não alcançaram o fundo do poço dos prognósticos catastrofistas de uma gama de comentaristas econômicos. Porém, os recentes números apontam para deterioração e piora de uma gama de índices e indicadores. O ano de 2013 não tem sido um bom ano para o governo lulo-petista.
   Neste cenário sombrio que se projeta para o ano que chega, sejamos mais sensatos e realistas. Afinal de contas, o Brasil não consegue superar o ciclo vicioso de inflação em alta e crescimento econômico em baixa.
   Assim nesse enredo cabalístico do ano de 2013, sonhamos com o ano vindouro de 2014, onde as promessas sejam cumpridas, as anunciações midiáticas sejam realizadas, e, principalmente, o Governo apresente ao Brasil, um projeto de Nação, com toda a grandeza que os cidadãos que aqui vivem e trabalham , produzindo a riqueza nacional para que seja distribuída de forma igualitária.
   Sem roteiros, temos que construir um País melhor, comprometido com as gerações presentes e futuras, evitando a desesperança e desconfiança que estão comprometendo o potencial deste gigante que insiste em se manter adormecido.
   Na desejosa e fraterna mensagem de natal, os economistas deveriam buscar na sensatez e realismo um antídoto para superar a prática cabalística, e, se possível refletir sobre máxima keynesiana “É melhor estar aproximadamente correto, que totalmente errado”.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O fundo do poço


   Por Marcos Bayer

   Em que pese uma isonomia pretendida pelo Ministério Público catarinense, a título de abono natalino, no valor de R$ 4.000,00, e o auxílio moradia para os que moram em residência fixa na capital, auxílio que se estende aos desembargadores, deputados e conselheiros do operante Tribunal de Contas, parece que as coisas vão bem.
   O Diário Catarinense, jornal de circulação estadual apresenta matéria sobre aproximadamente meia centena de funcionários públicos, advogados, empresários, prefeitos da região oeste e um deputado, vice-presidente da Assembleia Legislativa, futuro presidente da Augusta Casa, todos aparentemente envolvidos em licitações fraudulentas na perfuração de poços artesianos.
   É possível que seja um breve engano, uma escorregadela jurídica ou até uma injustiça. O Tribunal de Justiça em breve deverá dar conhecimento da sua manifestação, tendo em vista o foro privilegiado de parte dos suspeitos. Vamos aguardar.
   Mas, se fundada a denúncia teremos chegado ao fundo do poço na política catarinense, a começar pela divisão do mandato da presidência do Legislativo Estadual em dois quinhões, demonstrando que o poder político passou a ser um negócio pecuniário na sociedade corrupta e globalizada em que vivemos.
   Houve um tempo, na casa de meus avós paternos e maternos, em que nós meninos escutávamos sobre a atividade política como manifestação honrada e solidária dos eleitos de então. Com orgulho e bravura as pessoas defendiam seus partidos políticos e seus expoentes. Homens de envergadura intelectual, profissionais de diversas áreas com respeitabilidade pública, cidadãos eloquentes em suas posturas representavam a vontade popular. Gente decente, usuários de dois ou três ternos de corte formal.
   Uns mais humildes outros mais ricos encontravam na causa pública uma boa razão para viver. Hoje, quando assistimos os telejornais no Brasil vemos que a canalha tomou conta e é majoritária.
   Restam poucos homens de bem para a atividade política nacional. Aqui em Santa Catarina estamos assistindo, com a complacência da mídia comprada e bem paga, a formação de um bloco político composto por quatro ou cinco partidos, ainda não sabemos quais, o PMDB, o PSD, o PP, o PT e o PSB. Irmãos siameses desde o nascedouro, eles trabalham para a união de uma chapa que disputará contra o povo e vencerá. Vencida a chapa dos gatos siameses, leiam gatos em todos os sentidos, o poder político será consorciado e o orçamento das verbas públicas, fatiado como muzzarela em padaria.
   Haverá para todos.
   O povo enganado continuará a trabalhar e a pagar os corvos que lutam diuturnamente por seus interesses e pelo aumento de suas fortunas.
   Imbecis, pretensamente letrados, atestam sua inutilidade e despreparo a cada vez que abrem a boca. Salvo as exceções que existem, Santa Catarina precisa resgatar seus homens de valor, e eles existem, e que estão a altura da dignidade, do empenho e da labuta do cidadão que vive neste maravilhoso estado sub-representado por uma classe política cuja categoria não se pode classificar.
   Em Maktub: Quando se está no fundo do poço, a única alternativa é subir por suas paredes e voltar à tona.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O cúmulo da pobreza


   Recebi uma denúncia do leitor Jonathan Cardoso que achei interessante divulgar aqui. O projeto de Biblioteca Comunitária implantado nos terminais urbanos dos bairro de Florianópolis é uma excelente idéia. Nele, você pode ilustrar-se e aprender absorvendo novos conteúdos além de praticar um excelente ato de cidadania. Pega de graça, usa, devolve e sugere novos títulos que poderá ajudar outra pessoa.
   Você pega os livros que não quer mais e os coloca em prateleiras que ficam em lugar bem visível nos terminais. Qualquer pessoa pode escolher a obra que lhe interessar e levá-lo para casa. Depois de ler, devolver e se possível acrescentar outro à biblioteca.
   Simples e honesto. 
   Mas educação não se acha no lixo. Em um país onde a falta de educação, a desonestidade e a malandragem vem das autoridades, dos dirigentes do país, fica difícil ensinar cidadania aos cidadãos.

   A denúncia:
   Boa tarde, Sérgio,
creio que seja do interesse da comunidade manezinha essa notícia:
   Algumas pessoas estão garimpando livros doados à biblioteca comunitária do TICEN, e vendendo aos sebos da região do terminal cidade de Florianópolis.
   Na última semana, encontrei em um dos sebos ali atrás do terminal (que gostaria de não divulgar) um livro que eu mesmo doei à biblioteca comunitária do TICEN há cerca de 3 meses. Confirmei que o livro era meu pois as pessoas para quem eu emprestei anotaram o nome e a época de leitura na primeira orelha do livro.
   Poxa, fico impressionado com as pessoas que se dão ao trabalho de "faturar" os livros em troca de uma mixaria na venda e também com os responsáveis por essa biblioteca, que poderiam simplesmente carimbar os livros, de forma a identificá-los e inibir a transação ilegal.
   Um abraço e parabéns pelo blog.
                                                                                                                                     Johnathan Cardoso

domingo, 15 de dezembro de 2013

O SÉCULO DE NETCHAIEV


   Por Janer Cristaldo

   Em 1946, Camus publicou em Combat uma série de artigos, sob o título genérico de "Ni victimes ni bourreaux", reflexões que antecipam O Homem Revoltado. Se o século XVII foi o século das matemáticas, argumenta Camus, se o XVIII foi o século das ciências físicas, se o XIX foi o da biologia, o homem contemporâneo vive o século do medo.

   "Dir-me-ão que isto não é uma ciência. Mas, primeiramente, a ciência aí está para qualquer coisa, pois seus últimos progressos teóricos a levaram a negar-se a si mesma, dado que seus aperfeiçoamentos práticos ameaçam a terra inteira de destruição. Além disso, se o medo em si mesmo não pode ser considerado como uma ciência, não resta dúvida alguma que seja uma técnica".

   Camus morreu em 1960, e quando escreveu estas linhas, o século nem havia chegado à sua metade. Muita água ainda haveria de correr pelas próximas décadas. Vivesse até nossos dias, talvez definisse o século XX como o século do terror. Pois desconheço século em que o terrorismo tenha sido tão prestigiado.
   Em meados do século XIX, surgiu na Rússia tzarista um pequeno manifesto intitulado O Catecismo do Revolucionário, escrito na Suíça e assinado por dois revolucionários russos, Serguei Guennadovich Netchaiev e Mikhail Bakunin. Este panfleto tem sido até hoje a cartilha que inspirou todo terrorismo do século seguinte, desde Lênin, Stalin, Yasser Arafat, George Habash, Wadi Haddad, Carlos, o Chacal, Che Guevara, Aloysio Nunes Ferreira, Lamarca, Marighella e Fernando Gabeira, etarras ou OLP. Entre milhares de outros, bem entendido. (Se alguém não lembra mais quem foi Aloysio Nunes Ferreira, eu ainda lembro. Foi ministro da Justiça no governo Fernando Henrique). As estratégias do catecismo influenciaram todo o século passado e foram utilizadas pela Frente de Liberação Nacional na Argélia, pelo Vietcong no Vietnã, e pelos movimentos guerrilheiros latinoamericanos, entre outros.
   Netchaiev tinha 22 anos na época da publicação do panfleto. Sem poder matar um tirano, acabou matando um estudante, Maxim Ivanov - suspeito injustamente de ser agente duplo da Ochrana, polícia política tzarista - o que lhe valeu o afastamento de Bakunin, que reprovou sua "repugnante tática". Netchaiev, condenado a 25 anos de prisão, continua conspirando mesmo entre as grades, planejando inclusive o assassinato do tzar. Morre nas masmorras da fortaleza Pedro e Paulo, em São Petersburgo, após doze anos de reclusão.
   A diferença entre Netchaiev e os terroristas do século passado é que Netchaiev morreu na prisão, com a pecha de terrorista. Os assassinos de multidões do século passado passado foram cultuados como deuses. Quando Stalin morreu, muitos não acreditaram, pois um deus não pode morrer. Mao, o assassino maior, foi o Grande Timoneiro, o libertador da China. Pol Pot, genocida menor – apenas dois milhões de cadáveres – foi preso pelo Khmer Vermelho. Não por seus crimes, mas por ter se tornado seu inimigo político. Fidel Castro, genocida medíocre – consta que míseros cem mil mortos – até hoje é reverenciado como libertador de um país que não era pobre e hoje vive à míngua. Che Guevara, assassino de gatilho fácil e responsável pela atual miséria de Cuba, é tido ainda como libertador do continente.
   Quanto aos nossos – Marighela, Lamarca, Aloysio e Gabeira – os que morreram são cultuados como mártires e os vivos aí estão, ocupando postos importantes no país.
   Mas o coroamento do século só ocorreu na semana passada, com a morte de Mandela. Condenado à prisão por seus crimes, conseguiu passar a imagem de herói na luta contra o racismo na África do Sul. Veja não teve pudores em dar-lhe a capa – com o título “o guerreiro da paz” – mais seis páginas de hosanas, que o saúdam como o “último grande homem do século XX”. Em algo a revista tem razão, é quando fala de último. Pois não sobram mais terroristas do estoque do século passado a serem cultuados.
   A imprensa toda – no Brasil e no mundo – esqueceu o terrorista e teceu loas ao homem que oficializou o racismo oficioso da África do Sul, confiscando propriedades de brancos e privilegiando negros na política e na economia.
   Ainda há pouco, citei artigo de Daniela Pinheiro: “O desemprego atinge 40% da população, mais que o dobro do registrado há duas décadas. Nas áreas rurais, 60% dos negros não têm ocupação. O número de pessoas que sobrevive com menos de 1 dólar por dia também duplicou nos últimos vinte anos. Um terço da população continua sem saber ler ou escrever. O índice de repetência aflige 70% das crianças negras. Com a maior epidemia de Aids do planeta (5,8 milhões de contaminados) e índices de criminalidade assustadores, a expectativa de vida dos sul-africanos caiu de 63 para 49 anos na última década”.
   Mesmo assim, Mandela continua sendo herói. Durante anos estrela da lista de terroristas dos Estados Unidos, seu nome dela foi retirado em 2008, não por acaso o ano da eleição de Obama. Pela primeira vez na história, um presidente dos Estados Unidos – acompanhado por uma centena de dignitários – comparece aos funerais de um terrorista.

Decididamente, o século passado foi o de Netchaiev.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Premê: Brigando na Lua

DOIS ANOS SEM O MOSQUITO

Por Emanuel Medeiros Vieira                     
                           
      “A maior fraqueza do homem é poder tão pouco por aqueles que ama”
                              (Blaise Pascal – 1623-1662)
    
   Já faz dois anos da tua partida (hoje é 13 de dezembro de 2013), Mosquito. Passou rápido.
   É preciso lembrar os nossos mortos, é preciso recordar todos aqueles que amamos.
   Serei breve, nem terei uma postura laudatória. Se  convivemos com as nossas imperfeições, por que não entender as alheias? Cometemos injustiças em nossas posturas e avaliações? Cometemos, cometestes. Amilton Alexandre (o nosso Mosquito): teu saldo foi maior. De coragem extrema e de espírito altamente combativo no meio da acomodação, do individualismo do desinteresse pelo outro e pelas mazelas do país.
   Há um travo de saudade – mais serenada. Sei, sabemos: foi muita luta,  muito processo, muita aporrinhação, muitas dívidas, muitos processos. E o coração fraco.
    Fazes falta. amigo. O que posso te contar (somos pó e memória)? O teu Avaí continua na Segunda Divisão, gente que querias que fosse punida continuou impune (é de extrato muito poderoso), a musa do socialismo generoso, a Ideli Salvatti, continua ministra e revelou uma enorme paixão por helicópteros. Os marqueteiros  continuam ganhando rios de dinheiro, a mediocridade da nossa classe política é cada vez maior, mas poderosos de plantão foram parar atrás das grades. Um deles – que conheci na luta estudantil na década de 60 (não é uma lembrança que me conforte), que queria ser presidente da República, está no cárcere. É verdade. Não sei se te lembras dele: pela sua pronúncia, é uma mistura de Mazzaropi com Stálin (pela sua prática política).
   Poderia dizer: e o amigo foi embora e ficou na terra muito velhaco, ladrão, traidor. Mas é melhor não falar nisso. É do destino, da vida, de tudo.
   Cansa? Cansa. Mas a gente não renuncia à luta. Teus bravos amigos blogueiros continuam honrando o ofício, como muitas pessoas de bem. E, humanamente, tenho saudades.
   Continuas nos nossos corações e na nossa memória afetiva. Almejo que tenhas encontrado a paz que a vida não te deu. E continuaremos.

 PS: Quem se lembra de 13 de dezembro de 1968? Foi o dia da decretação do AI-5, a maior porrada que minha geração recebeu (junto com o golpe de 64). A partir daí, a ditadura ficou tenebrosa, e todas as portas foram fechadas. E ele só foi revogado em 1978.

Mosquito: lá vai um abraço afetuoso do Emanuel Medeiros Vieira

(Brasília, 13 de dezembro de 2013)

A Festa dos Manés...


      
   Por Marcos Bayer

   Saudável a discussão na Câmara de Vereadores da Capital sobre o aumento do IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano e do ITBI – Imposto sobre Transferências de Bens Imóveis.
   Se os imóveis subiram de preço - qualquer apartamento de 80 m2 na Ilha, custa entre R$ 300 e R$ 400 mil, se localizado nas praias – é justo que subam os tributos. Quanto mais saneada a praia, maior o valor.
   Espera-se que a arrecadação tributária seja usada da melhor forma possível, de forma transparente, sem as maracutaias de percurso.
   Agora, antes da proposta de aumento, independentemente dos critérios adotados, é preciso saber de outras questões.
   Quem são os grandes devedores de IPTU? Quais deles se beneficiaram da “anistia” com propinas nas máquinas da Prefeitura Municipal?
   O prefeito eleito pelo voto universal e direto deve estas explicações aos contribuintes. Ou não?
   Trecho do DC eletrônico, edição de 12 de dezembro de 2013, salienta:
"Levantamento preliminar das investigações aponta que os débitos de mais de 150 imóveis teriam sido adulterados por meio desse esquema fraudulento. Mas as últimas informações apontam cerca de 500 operações feitas pela quadrilha no Pró-Cidadão".
   Uma dívida de R$ 190 mil poderia sumir, por exemplo, por uma comissão bem menor. Em apenas cinco imóveis, o débito cancelado passava de R$ 1 milhão à época em que foi descoberto o problema, em abril deste ano.
- Há fortes indícios de que seja alguém de dentro. Os beneficiados são empresários, empresas, grandes comércios. Não é pobre. É rico - disse Silva sobre os primeiros encaminhamentos que a CPI deve tomar. (Leia aqui)
   Para quem quer administrar a Capital Turística do Mercosul é necessário além da competência, a transparência.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Pragmatismo e Mística de Poder


   Por Eduardo Guerini

   Como nossos governantes e representantes
insistem no cinismo e na hipocrisia, fingimos
 acreditar nas suas promessas e realizações.

   No adiantado calendário re-eleitoral, em todas as unidades da Federação e no Planalto Central, os artífices de futuras e pretensas candidaturas focalizam suas análises nas chamadas pesquisas de intenção de voto, e, corriqueiramente nas pesquisas de avaliação de governo.
   No embalo dos cenários idealizados, o jogo de bastidores no poder é estranho demais para que a patuleia desavisada entenda os meandros de alianças e orquestrações em curso.
   A perplexidade de alguns militantes – ideologicamente afinados com as cartas programáticas, no âmbito das facções partidárias, ou ainda, as figuras históricas que construíram agremiações políticas , lutando diuturnamente para que suas utopias se realizassem, são soterrados por interesses particularistas de um ou outro dirigente. Faz muito tempo que nossos líderes partidários se afastaram das suas bases sociais, caso contrário, não ficaríamos escandalizados com as fotos estampadas em colunas políticas e capas de jornais.
   Na miríade de homens privilegiados que lideram nossas instituições democráticas, percebemos que o nível de corrosão ideológica está no ápice da corrupção cotidiana, seja “por gestos ou palavras, por atos e omissões”. Assim, os puritanos são sepultados pelos oportunistas e pragmáticos de plantão. No embalo do anarquismo, o poder corrompe as pessoas eruditas e informadas, enquanto escraviza as massas, mantendo-as na ignorância (Bakunin).
   Na corrida eleitoral que se antecipou, as sucessivas visitas de autoridades ministeriais , e, da própria candidata à candidata do Planalto Central, um rosário de promessas e afagos monetários foram desfiados sobre o testemunha de uma gama de espectadores de ocasião.
   O poder exerce sua mística, amalgamando forças impossíveis e interesses impensáveis, resultando na prática política degenerada que se traduz no desejo desobediente a lógica imperativa dos pragmáticos de plantão “O melhor governo é aquele que não governa”.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

To sem sinal da TIM

Ubuntu, Mandela...


   Por Marcos Bayer

   A Humanidade parou para assistir ao funeral de Nelson Mandela. Claro que a tecnologia de comunicação ajudou na difusão do espetáculo, mas a essência de Mandela foi maior.
   A África deu ao mundo o maior político da era moderna. Resistente, determinado, inteligente, negro, pobre e preso foi sempre o mestre de seu destino e capitão de sua alma, inspirado pelo poema Invictus, de William Ernest Henley.
   Uniu pessoas de todas as cores pela via política. Lutou, inclusive com armas, para garantir a paz. Fez da África do Sul uma nação de tolerância racial e ensinou a dignidade política. Elevou a atividade política aos picos mais altos da possibilidade humana. Foi um gigante risonho e firme que dizia: ”Algumas coisas sempre parecem impossíveis até que sejam realizadas”.
   Morto, encheu um estádio de esportes com mais de 90 mil pessoas dançando e celebrando sua vida, sob a chuva da África. Sua obra foi a libertação e a elevação da dignidade humana. A África do Sul continua com vários com problemas. Compete aos seus sucessores a resolução. Ele fez a obra maior.
   Teve a humildade de pedir: ”Não me julgue pelo meu sucesso, me julgue por quantas vezes eu caí e voltei de novo”.   Barack Obama, num discurso magistral, disse: Mandela nos ensinou não apenas o poder da ação, mas o poder das ideias. A força da razão, dos argumentos. A necessidade de estudar não apenas aquele com quem você concorda, mas aqueles de quem você discorda... Finalmente Mandela compreendeu os nós que unem o espírito humano... Há uma palavra na África do Sul: Ubuntu. Uma palavra que captura o maior presente de Mandela. Uma unicidade nos homens. Conquistamos a nós compartilhando com os outros, cuidando dos outros...
   Mandela é um exemplo político para estes amadores que rapam a nação brasileira, pobres corruptos que nada mais possuem a não ser dinheiro, quase todo roubado. Iletrados com diplomas, ignorantes informados, insensíveis envergonhados, imbecis desqualificados...
   ”A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, ensinava ele.
   Mandela carregava em si o espectro humano. E repetia o poeta:


Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado-a-lado
Eu agradeço aos deuses que existem
Por minha alma indomável


Ubuntu, Madiba...

MANDELA

Por Emanuel Medeiros Vieira

“Certas pessoas, raríssimas, parecem acima da condição humana. Nelson Mandela foi um desses seres inexplicáveis. Passar na prisão 27 anos, com a consciência de que só lhe acontecia assim por defender uma das mais grandiosas causas universais, e emergir desse massacre sem ressentimento, com propósitos e atos de quem fosse servido por 27 anos com o melhor da vida – isso excede o humano, O animal homem não é assim.” (...)
(Jânio de Freitas)
   Eu sei: “toneladas” de papéis já foram escritos sobre Nelson Mandela.
   Mas, brevemente, eu só queria ressaltar algo que me tocou muito na sua vida – que é a existência de um dos maiores seres do século XX (ou de todos os tempos).
   Queria tentar iluminar um caminho para a reflexão: a capacidade impressionante do Perdão. Sim. Perdão. Não o perdão facilitário das telenovelas, de “boca”, que se diz todos os dias.
   Algo profundamente enraizado no coração, internalizado durante tantos anos de privação da liberdade.
   Por um objetivo maior que ele mesmo: seu país e seu povo.
   Com muito esforço, contaremos nos dedos (de uma só mão), seres desta estirpe. Dessa grandeza.
   Saiu da prisão sem ressentimento, quando seria capaz (com uma só conclamação) de colocar fogo na África do Sul.
   São exemplos que ainda nos dão esperança na espécie humana.
   Tal esperança anda escassa, pela brutalidade dos modelos existentes, pela exclusão, pela desigualdade obscena, pela traição dos valores mais caros, pela negação do outro, pelo individualismo intenso, pela prevalência dos corações secos e duros.
   Pelo desejo constante de vingança.
   Uma luz como Mandela, é um farol: de misericórdia, de compaixão.
   E uma sensação de orfandade invade o planeta, repleto de guerras – mesmo no seu país, com tanta violência, com a Aids atingindo taxas elevadíssimas.
   Meu pai dizia que o Bem iria vencer – na batalha final, dos Anjos contra os Demônios (do racismo, do egoísmo, do preconceito, da mesquinharia, da inveja, da cobiça, enfim, dos baixos instintos).
   Há momentos em que a gente chega a duvidar. Mas é preciso acreditar E que façamos (diariamente) a nossa parte.
   Ainda assim, Mandela foi maior que o seu tempo.
   Foi maior que ele.
   Ofertou-nos, como dádiva eterna, o mais precioso presente: a esperança.
   Mostrou que o perdão mais profundo – mesmo que muito difícil – é possível.
   Alvíssaras!
   Vai, Mandela, ilumina outros espaços. Dialeticamente, seguirás em frente.
   Quem sabe, em um lugar pobre e modesto, talvez numa manjedoura, apareçam outros mandelas.
(Brasília, dezembro de 2013)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Chiliques dos petistas


   A esgotosfera transformou-se num tsunami de chiliques depois de confrontada com a reportagem de VEJA que antecipou a péssima notícia para quem tem culpa no cartório: o delegado Romeu Tuma Junior resolveu revelar, num livro de 557 páginas, boa parte do muito que sabe sobre bandalheiras produzidas, dirigidas e/ou protagonizadas por figurões do governo. Nomeado pelo então presidente Lula, Tuminha chefiou por três anos a Secretaria Nacional de Justiça. Demitido em 2010, esperou mais três para revidar com chumbo grosso. Ele conta coisas de que até Deus duvida.
   Ainda atarantada com a prisão dos mensaleiros,a seita lulopetista decidiu recorrer à safadeza mais antiga que o Dia da Criação: se faltam aos acusados álibis sustentáveis ou mesmo desculpas esfarrapadas, resta a tentativa de desqualificar o acusador. Engajados na conversa fiada, alguns blogueiros estatizados vêm republicando trechos de artigos em que, apoiado no que afirmavam autoridades federais, defendi o afastamento de Tuma Junior.    Nesta segunda-feira, ele reiterou que nenhuma das denúncias prosperou. “Não sofri uma única sanção judicial”, garantiu. 
   Leia o artigo completo. Beba na fonte.

Da série: Os bandidos no poder.

Fernando Colloor de Mello, José ribamar Sarney,
Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso

domingo, 8 de dezembro de 2013

Sartre e os pica-paus de Berlim*


   Por Janer Cristaldo   

   O sonho acabou, dizem intelectuais ditos de esquerda, ao referir-se ao fracasso total dos regimes comunistas. Digo intelectuais ditos de esquerda, porque jamais aceitei esta conceituação, afinal desde os anos 20 as tais de esquerdas vêm cultuando os vícios que atribuíram à tal de direita. Os gulags, é bom lembrar, datam de 1918. Hitler nada teve de original. Por sonho, nossos intelectuais entendem o socialismo. Estes sonhadores profissionais sempre viveram no cálido e capitalista Ocidente, é claro. Socialismo, no olho alheio, é colírio. Para quem o sofre, um pesadelo.
   O sonho pode ter acabado. Mas apenas para estes esquerdofrênicos que, degustando um scotch e pinçando castanhas ao som de Chico Buarque, louvavam o regime inumano que oprimia milhões de seres na China, União Soviética e colônias. Disse oprimia? Perdão leitor. Continua oprimindo. Se os países do Leste europeu começam a tatear um caminho de liberdade, Gorbachov ainda não está conseguindo impor a perestroika em sua própria casa. Quando os comunossauros de Moscou largarem o osso do poder, só então poderemos respirar tranqüilos. É bom lembrar que as tropas russas continuam estacionadas na Europa central. A Gorbachov, para concluir sua missão, só falta um passo: declarar massa falida o sistema que o gerou. Ou seu projeto terá sido vão.
   De Paris, recebo duas cartas. A primeira, de amiga que agora cogita visitar-me, pois finalmente o Brasil teve "eleições democráticas". (As aspas são dela, não minhas). Pelo jeito, preferia a barbárie no poder. A propósito, no período do segundo turno, os jornais franceses estavam saudando Monsieur Lula como le futur président du Brésil. Francês sempre teve o coração à esquerda. Socialismo é ótimo, desde que longe da França.
   Mas falava de minha missivista, que já viajou pela China, União Soviética, países do Leste e jamais exigiu eleições livres do lado de lá. Conseguiu inclusive entrar na Albânia, último reduto dos "puros e duros", para onde agora estão viajando cinco deputados brasileiros, entre eles Florestan Fernandes, homem dotado de tal coragem intelectual que chegou a apoiar os massacres da praça da Paz Celestial em Pequim.
   Da Albânia, minha amiga parisiense contou-me uma história divina. Encrave tirânico e medieval em meio a uma Europa moderna, a agricultura do país ainda está na fase da enxada e do rabo do arado. Enver Hoxha, acusado pela imprensa ocidental (pela albanesa é que não o seria) de manter um sistema que sequer produzia um trator, convocou seus engenheiros e ordenou a construção de um. Construído o dito, ficou provado que o poderoso pensamento camarada Hoxha era capaz de conceber uma agricultura mecanizada. Provado isto, o trator foi para um museu, onde até hoje está, enquanto os albaneses continuam entortando as vértebras no cabo da enxada.
   Na segunda carta, as angústias do final de década de um brasileiro há muito vivendo em Paris: "Toda a ideologia dominante de nossa geração e os castelos e fortalezas que sobre ela foram construídos se esboroam sobre as fundações que supúnhamos sólidas. No PCF a debandada é geral, o que, em comparação com o resto é um epifenômeno localíssimo. Embora a política não tenha sido objeto de minhas paixões, vejo tudo isso boquiaberto e me pergunto que nova Jerusalém o espírito humano (e europeu) vai nos tirar de sua caixinha de surpresas".
   Pois espero que o espírito europeu não conceba mais nenhuma, que de Jerusaléns estamos fartos. Gerações e gerações foram sacrificadas neste século na busca de um ideal assassino, e ai de quem discordasse dos sagrados postulados de Moscou! Dois milenaristas no poder já são demais para um único século em um só continente. Hitler e Stalin foram adorados por seus contemporâneos e quase afogaram a Europa no mais vasto mar de sangue que até hoje temos notícia. Hitler, ao perder a guerra, foi relegado ao papel de vilão. Mas não tenhamos dúvida alguma: se a ganhasse continuaria a ter adoradores no mundo todo, pois quem escreve a história são os vencedores. Stalin, vitorioso, virou Deus. Mas, como dizia Marx, tudo que é sólido se desmancha no ar. Esta singela frase, quase escondida no Manifesto, não parece ter recebido a devida atenção de seus seguidores.
   O tosco e rude messianismo russo impressionou os intelectuais do Ocidente a tal ponto que Sartre, ao voltar de uma viagem à União Soviética, declarou ao Libération, em 1954: "A liberdade de crítica é total na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. E o cidadão soviético melhora sem cessar sua condição no seio de uma sociedade em progressão contínua. Exceto alguns, os russos não têm muita vontade de sair do país... não têm muita vontade de viajar neste momento. Têm outra coisa a fazer em casa".
   Mais uma pérola: "Lá por 1960, antes de 1965, se a França continua estagnada, o nível médio de vida na URSS será de 30 a 40% superior ao nosso. Qualquer que seja o caminho que a França deve seguir para sair de seu imobilismo, para recuperar ser atraso industrial, para se constituir como nação diferente da de hoje, ele não pode ser contrário ao da União Soviética". E nisso é que dá receber mordomias de Moscou. Esta prostituta respeitosa, que chegou a receber o prêmio Nobel e o recusou de puro despeito, pois Camus o havia recebido antes, foi guru de toda uma geração de tupiniquins. Entende-se agora melhor Nelson Rodrigues quando dizia ser o pensamento de Sartre de uma profundidade tal que uma formiga o atravessava com água pela canela.
   Todo anticomunista é um cão, decretou um dia Sartre. Com a autoridade de parisiense que determina qual será o perfume ou filosofia da década, condenou ao círculo dos infames todos os pensadores lúcidos que clamavam por liberdade, Camus inclusive.
   Em 1980, assisti ao enterro de Sartre, acompanhado por stalinistas e compagnons de route. Pena ter morrido tão cedo. Teria hoje a coragem de chamar de cães toda esta gente que derruba dos prédios estrelas vermelhas e rasga das bandeiras a foice e o martelo? Serão cães estas nações que querem abandonar de suas histórias a palavra comunista? É uma pena, realmente, que Sartre não esteja vivo neste final de década.
   Falava de cartas. De Berlim recebo outra: "Vem logo, ou não vais conseguir nenhum pedacinho do muro como lembrança". Minha interlocutora me conta que, dia e noite, ouve-se um matraquear incessante de berlinenses de picaretas em punho, grudados ao muro que nem pica-paus a um eucalipto. E eu, que tanto me queixo dos ruídos de Florianópolis, não vou resistir ao convite para este concerto.

* Joinville, A Notícia, 11.02.90

sábado, 7 de dezembro de 2013

Ilha da Magia


   Por Marcos Bayer

   A Ilha da magia, outrora Desterro, precisa ser compreendida para ser amada ou renegada. Sede de poder desde o século XVIII, político ou eclesiástico, cem anos antes da construção da ponte Hercílio Luz, em 1823, passa a ser capital do Estado Catarina.
   Ilha paradisíaca de águas limpas, doces e salgadas, vegetação abundante e fauna diversificada, especialmente no que se refere aos pássaros e aos peixes. Este paraíso melhor compreendido pelo poeta Zininho foi aos poucos sendo dilapidado pelo tempo, apesar do vento sul. Daqui governadores e prefeitos, salvo as raríssimas exceções, fizeram de tudo. Doaram terras devolutas aos seus parentes provocando a gênese de pequenas fortunas. Manguezais foram aterrados e deram lugar às lojas de conveniências. Balneários, ao norte, foram otimizados, inclusive sobre as areias.
   O mané, descendente católico e direto dos Açores complementava este caldo de cultura que formaria o intelecto da Capital. Desde o garapuvu à canoa, um requinte de engenharia naval, até o Terno de Reis ao Boi de Mamão ou à pesca da tainha. Nosso sortimento cultural. Paralelamente a isto, sob o desenvolvimento de uma casta governante, outra, tacanha, consolidou-se no funcionalismo público. Ineficientes e arrogantes, os governos sucederam-se. Raros construíram e desenharam os rumos da infra estrutura própria da tarefa estatal. A riqueza da Capital que deveria ter sido baseada sobre uma atividade turística, limpa e ambientalmente sadia, fez-se sem esgotos, sem cuidados e sem desenhos urbanos. Não tivemos a sorte que o prefeito Haussmann proporcionou a Paris. Aqui os manés tomaram conta. Não os manés legítimos, ladinos e engraçados. Mas, os manés com formação superior. Afora as ideias do arquiteto Felipe Gama D’eça que queria desenvolver a Ilha e o seu Campeche, tivemos, por sorte, o asfaltamento das principais estradas que cortam a Ilha. A construção civil que explodia aqui nos anos 70 do século passado, foi capaz de demolir belíssimos casarões e substituí-los por caixas de concreto com janelas diminutas, cujos nomes vão de Saint Germain até Puerto de Las Palmas. Esta concretagem insana sem saneamento básico ou arruamento apropriado estrangula a Ilha em dois pontos: na merda e no trânsito. Na avenida mais chique da cidade, a Trompowsky, é possível caminhar ao lado de simpáticas ratazanas, de quatro patas, que descem até a Beira Mar. Majestosas. Nossa riqueza, erroneamente, advém dos negócios imobiliários hoje superfaturados em 40%, pelo menos, da corrupção estatal de obras públicas estimada em 30%, de algumas atividades comerciais bem sucedidas e dos gastos educacionais. A droga ajuda a formar o PIB da Capital.
   A Ilha teve dois movimentos dignos de registro: o Grupo Sul nos anos 50 de onde Salim Miguel surge como expoente e, vinte anos depois, o Grupo do Studio A/2, ambos responsáveis por novas ideias.
   O jornal O Estado não pode ser esquecido como veículo de comunicação cuja foto de capa tinha a capacidade de moldar o dia que seria vivido na cidade. Politicamente, a novembrada de 1979, foi a melhor contribuição da Ilha para o Brasil.
   Se tivéssemos tido um Nelson Mandiba Mandela que dançava com alegria no Poder, teríamos tido um futuro mais promissor. E por incrível que pareça estamos no mesmo paralelo da África do Sul. Acorda Floripa. Expulsa teus ladrões.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Morre Nelson Mandela


Ícone da queda do apartheid e figura adorada pelos sul-africanos, Nelson Mandela morreu hoje aos 95 anos em sua casa em Johannesburgo.

   "Faleceu em paz, ao lado de sua família por volta das 20h50, no dia 5 de dezembro. Ele agora está em paz. Nosso país perdeu seu maior filho", disse o presidente sul-africano, Jacob Zuma, ao anunciar a morte do líder em cadeia de TV.
   "Nossos pensamentos e orações estão com a família Mandela. Temos uma dívida de gratidão com eles. Eles sacrificaram muito para que nosso povo fosse livre", continuou. "O que fez Nelson Mandela grande foi justamente o que o fazia humano. Nós víamos nele o que perseguíamos em nós mesmos."
   Primeiro presidente negro da África do Sul (1994-99), Mandela não era visto em público desde a final da Copa do Mundo da África do Sul, em julho de 2010.
   Sua última aparição ocorreu em abril passado, quando ele recebeu um grupo de políticos encabeçado pelo presidente sul-africano. As cenas transmitidas pela TV estatal, em que aparece distante e alheio ao que se passa a seu redor, causaram comoção no país.
   Em junho, ele enfrentou a sua quarta internação desde dezembro de 2012, o Medi-Clinic Heart Hospital, em Pretória. Ele sofria de complicações decorrentes de uma infecção respiratória.
   Respeitado internacionalmente pelos gestos de reconciliação, Mandela passou 27 anos preso por se opor ao sistema segregacionista branco. Após intensa pressão internacional, foi libertado em 1990. Saiu da prisão para negociar com a minoria branca o fim do regime e de lá para ser presidente eleito sob uma nova Constituição.
   Em seu governo, adotou como prioridade o discurso de unidade nacional e desencorajou atos de vingança e violência. Analistas apontam que, em razão disso, não conseguiu dar atenção suficiente a programas sociais, à geração de empregos e à epidemia de Aids, que se alastrou durante seu governo.
   Em 1999, declinou da possibilidade de concorrer a um novo mandato para se dedicar a causas sociais e a ser uma espécie de consciência moral da nação. Pouco a pouco, no entanto, foi reduzindo sua visibilidade à medida em que a idade avançava.
   Ainda não está claro quando e onde será o enterro. Há duas possibilidades: na vila onde nasceu, Mvezo, ou na pequena localidade em que passou a infância, Qunu. Ambas ficam na na província de Cabo Oriental, na costa do oceano Atlântico. 

Advogada suspeita de golpes é presa em Florianópolis




Policiais civis da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC) deflagraram a Operação Patrono, prendendo em Florianópolis (SC) uma advogada investigada por praticar diversos golpes no Paraná. Sabrina Naschenweng, 39 anos, foi presa em sua residência, no início da manhã, em um condomínio de luxo.
   
   Policiais civis da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC) deflagraram, na última quarta-feira (4), a Operação Patrono. prendendo em Florianópolis-SC uma advogada investigada por praticar diversos golpes no Paraná. Sabrina Naschenweng, 39 anos, foi presa em sua residência, no início da manhã, em um condomínio de luxo.
   Segundo investigações da DEDC, Sabrina e seu pai, Edelmo Naschenweng, também advogado, de 71 anos, se apropriavam dos valores obtidos em ações judiciais, que eram de direito dos clientes. Ele é considerado foragido.
   O escritório de advocacia Naschenweng Advogados Associados, com sede em Florianópolis e filial em Curitiba, é representado por filha e pai.

   O golpe
   Segundo o delegado adjunto da DEDC, Matheus Laiola, o escritório recebia os clientes e era assinado um contrato de prestação de serviços advocatícios. Era dada entrada com uma ação judicial contra, por exemplo, a Fazenda Nacional, para fins indenizatórios.
“Quando havia ganho de causa, o escritório encaminhava uma carta, com uma procuração em anexo, dizendo que havia necessidade da assinatura do cliente para ‘agilizarmos e concluirmos o processo em questão’. O cliente assinava, o escritório de advocacia sacava todo o dinheiro e não dava ao cliente o valor ganho na ação, se apropriando de todo o valor. Depois de sacado o dinheiro, o cliente não conseguia mais contato com os advogados”, contou Laiola.
   Foram representadas pelas prisões temporárias por formação de quadrilha e estelionato de quatro pessoas, todas funcionárias do escritório, incluindo pai e filha. “O Poder Judiciário entendeu que havia elementos para a decretação prisão preventiva (e não temporária) contra Sabrina e seu pai e que as outras duas pessoas deveriam responder ao inquérito policial em liberdade”, explicou o delegado.
   Há no Paraná cinco inquéritos policiais instaurados contra os advogados, além de três Boletins de Ocorrências (BOs), nas cidades de Curitiba, Maringá e Foz do Iguaçu. Há também diversos procedimentos criminais em Santa Catarina contra o escritório. Todos pela mesma conduta: se apropriar dos valores dos clientes. “Comprovamos ao Poder Judiciário que havia necessidade das Prisões de Sabrina e Edelmo, sendo os pedidos deferidos. Para nós, ela disse que tem aproximadamente 5 mil clientes nos Estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo e por isso acreditamos que existam mais vítimas destes advogados. Pedimos que venham até a DEDC para que possamos prosseguir nas investigações”, afirmou Laiola.
   A operação contou com o apoio da Diretoria Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil de Florianópolis (DEIC).
   Informações preliminares dão conta que há diversas denúncias dos clientes do escritório na OAB do Paraná, sendo que também foi autorizado pelo Poder Judiciário a remessa de cópias de todas estas denúncias para a DEDC com o objetivo da apuração criminal dos casos.
   De acordo com o delegado titular da DEDC, Marcelo Lemos de Oliveira, “apenas após a remessa destes procedimentos da OAB para nós é que vamos ter uma exata noção do valor apropriado indevidamente pelos advogados”.
   A operação foi batizada de Patrono em razão do significado da palavra, que quer dizer defensor, protetor.

O Caso dos Beach Clubs de Jurerê


Justiça considera má-fé pedido de afastamento de procurador do caso dos beach clubs. Grupo Habitasul terá que pagar multa por tentar tirar Walmor Alves Moreira de ação e tumultuar o processo  
  
   O procurador da República Walmor Alves Moreira cumpre o dever institucional do Ministério Público Federal de preservar o meio ambiente e defender o patrimônio público. Essa foi a decisão do juiz Marcelo Krás Borges no processo que pedia que o procurador fosse afastado do caso dos beach clubs por falta de isenção. O pedido havia sido ajuizado pela Jurerê Open Shopping, do grupo Habitasul.
   No processo, o procurador demonstrou como o Grupo vem, desde a década de 80, explorando sem licitação, sem licenciamento ambiental válido e sem a fiscalização devida, os dois quilômetros de áreas públicas (praia e terras de marinha) e de preservação permanente (mangues, dunas, restingas, nascentes, banhados e rios) no loteamento Jurerê Internacional.
    Moreira ressaltou que a atividade de boate é, para o local onde se situa o empreendimento, veementemente proibida pelo artigo 72 do Plano Diretor dos Balneários e que laudos da Justiça Federal, IBama, Icmbio, Policia Federal e MPF comprovam que os beach clubs estão em área de presevação permanente (APP). "O loteamento foi implantado com uma série infindável de irregularidades e artimanhas e sem o devido licenciamento ambiental", afirma o procurador, explicando que uma APP não pode se converter jamais em uma área de utilização permanente e que a Habitasul se comporta acintosamente como autoridade federal na gestão da praia, fazendo uso privado e comercial de bens públicos e ambientais.
   Durante o processo, o argumento apresentado pela Habitasul foi de que a empresa "vem sido perseguida com diversas recomendações administrativas feitas pelo excepto [o procurador] aos mais diversos órgãos públicos, visando impedir o funcionamento dos postos de praia existentes em Jurerê Internacional". Entretanto, o Krás Broges comprovou que os requerimentos administrativos "apenas indicam que o próprio Poder Judiciário obrigou o Ministério Público a exigir dos órgãos públicos o cumprimento da legislação ambiental vigente".
   Além de rejeitar o pedido de afastamento, o juiz considerou que houve má-fé por parte do grupo ao entrar com a exceção de suspeição. Para Krás Borges, o intuito foi o de protelar a decisão, cercear a atuação do procurador no caso e criar provas para utilizar na ação que julga os beach clubs. O Grupo Habitasul terá ainda que pagar multa no dez mil reais por " litigar unicamente com o intuito de procrastinar e tumultuar o feito". O juiz ainda ressaltou que a Constituição Federal assegura a independência funcional do Ministério Público, o que significa que o julgamento da legalidade das recomendações não está sob sua jurisdição.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O Ovo da Serpente


    A Petrobrás está operando no prejuízo, a balança comercial brasileira está negativa, Zé Genoino renunciou para não ser cassado por ladroagem, Zé Dirceu quer trabalhar num hotel cujos proprietários são acionistas de uma off-shore sediada no Panamá e cujo presidente é um laranja da Morgan & Morgan. A Assembleia Legislativa de S. C. distribui quadros e livros aos seus ex-presidentes. Não se sabe ainda se o livro tratará das aposentadorias falsificadas, do incêndio provocado nos anos 60 e da lista dos parentes contratados nos gabinetes dos senhores deputados. Talvez nossos filhos possam trabalhar em alguma companhia de telefonia móvel por R$ 630,00 mensais, enquanto a canalha se diverte no Poder.

Florianópolis de sol e mar...de lixo!

   As fotos abaixo mostram a situação do centro de Florianópolis nesta manhã de terça-feira. O lixo acumulado nas ruas da cidade é culpa dos trabalhadores da Comcap em greve por melhores salários. 
   Protestar e reivindicar melhores salários e condições de trabalho é um direito legitimo de qualquer trabalhador. O problema é que os sindicalistas, a pelegada e outras organizações de trabalhadores não inventaram até hoje uma forma de protesto que não seja a de penalizar o contribuinte, o cidadão também trabalhador. 
   Esse tipo de protesto prejudica a toda a população de funcionários públicos a comerciantes que tentam neste momento desovar seus estoques com as vendas de fim de ano. A população com o 13º salário no bolso sai para fazer suas compras de Natal em meio a uma cidade emporcalhada pelos grevistas. 
   Por outro lado o prefeito de Florianópolis, Cesar Junior, propõe um aumento de IPTU de até 500%. 
   É ferro na população, de todos os lado!

Centro de florianópolis à espera dos turistas...
Lixo toma conta da cidade inclusive atrolhando a porta da prefeitura de Florianópolisl (foto4).

Comentário:


Boa tarde, acompanho seu Blog a muito tempo, gosto muita da sua redação, suaS criticas, seus comentários sobre a politica em Santa Catarina.
Hoje quando entrei no sue blog e me deparei com uma matéria sobre o lixo que esta jogado em Florianópolis, principalmente no centro da cidade, fiquei pensando, por quem este lixo é produzido? pelas pessoas certo? Porque essas pessoas não tem mais educação e organizam este lixo para que não atrapalhe as pessoas que andam na rua? Os motoristas e garis tem todo o direito de fazer greve e a população deveria apoiar, fazendo com que o seu lixo seja colocado na rua de maneira que não prejudique ninguém.
Mais vivemos num país onde as pessoas não tem educação, e acham que os lixeiros são seus empregados particulares.
Esses servidores das pessoas que são os garis, trabalham em condições precárias, muitas vezes doentes sem o mínimo de qualidade de vida no trabalho, são muitas vezes ignorados pela uma sociedade que só pensa em lucro, um pais capitalista.
Bom para terminar, esclareço que se os deputados estaduais, e federais fizerem greve não faram falta nenhuma. As pessoas não iram sentir nenhuma falta desse serviço, mais a COMCAP tem direito e as pessoas tem que apoiar. Só se consegue aumento de salário, valorização, e principalmente RESPEITO com LUTA. E essa luta deve ser de todos.

Fernanda Raquel Egidia Carpes Silva

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Ilusionismo Estatístico e Realidade Econômica

Por Eduardo Guerini
Na tábua de multiplicação,
agregando valores para alavancar
expectativas positivas em relação ao
crescimento econômico da
republiqueta brasileira. 

   Na esteira das divulgações rotineiras de indicadores e índices, o cidadão-médio, que não acompanha com uma lupa estatística a divulgação de dados, acaba acreditando no realismo fantástico de governantes e muitos jornalistas “especialistas” em comentários econômicos.
   Com um pouco de cuidado chegaríamos à máxima que “bem torturados os números podem dizer tudo”.
   Eis que nossos governantes e seus arautos do “otimismo fácil” descrevem em verso e prosa o nível de estabilidade que não condiz com a dura realidade das contas nacionais, estaduais e municipais. Todos os entes federativos estão na penúria de recursos, passando da situação de gestores para condição de pedintes.
   Os prefeitos não cansam de realizar a “Marcha dos Miseráveis” na capital federal, vociferando contra o aumento de responsabilidades e a substantiva redução de repasses constitucionais.
   Os governadores em tentativa de cumprir minimamente as promessas de campanha são cooptados, buscando desesperadamente aumentar o nível de endividamento, com a finalidade de garantir investimentos necessários para infraestrutura e demandas crescentes em áreas estratégicas.
   Neste enredo tosco de falta de planejamento, com horizonte político nebuloso, as perspectivas econômicas se desmancham no ar, a realidade dos dados econômicos demonstra que nossa situação fiscal se deteriora, com elevação perigosa dos níveis de endividamento e retração no superávit das contas públicas.
   Por outro lado, os dados de emprego e renda destacados pela mídia sem o cuidado da análise estatística evidenciam que a capacidade de geração de emprego ( de baixa qualificação e remuneração) apresenta um ciclo declinante. Neste contexto, os dados do IBGE são entoados como positivos pelos ministros da área econômica e social, porém, a situação de pleno emprego não passa de uma maquiagem rebuscada de nossa informalidade em amplos setores da economia.
   Finalmente, a elevação da Taxa SELIC, demonstra a guinada conservadora e pragmática da política econômica do Governo Dilma, uma vez mais, o sequestro das diretrizes encampadas na era FHC é adotado sem qualquer cerimônia. No andar dessa carruagem desgovernada, façamos um brinde a nossa desgraça econômica ....!!!

OS BOIAS-FRIAS DO FUTEBOL

Por Ciro Barros e Giulia Afiune, com fotos de Renato Leite Ribeiro


A Pública visitou o universo dos pequenos times e dos jogadores profissionais desempregados e subempregados que o Bom Senso F.C denuncia. Abuso é pouco, constatou. 

   Terça-feira de manhã, céu nublado, aquele “chove-não-chove” no ar. A reportagem da Públicaestá em Mauá, município da Grande São Paulo, para acompanhar um jogo de futebol sem torcida, estrelado pelo Grêmio Esportivo Mauaense, da Segunda Divisão do Campeonato Paulista, abaixo da Série A3. Com o objetivo de montar uma equipe para o próximo campeonato do primeiro degrau do futebol profissional, os jogadores de Mauá enfrentam um time de jogadores ainda mais frágeis: o dos desempregados, reunidos em uma equipe montada pelo Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (SAPESP) para que eles possam manter a forma enquanto não voltam a jogar profissionalmente.
   Ali não há fotógrafos, jornalistas, símbolos das federações, placas de publicidade. Ninguém está nas arquibancadas para vibrar pelas jogadas no campo deteriorado, cheio de entulho. Dois cachorrinhos brincam no fundo do “campo” do Estádio Pedro Benedetti, municipal, que fica escondido atrás de um distrito da Polícia Militar.
   Mas não falta emoção em um jogo em que cada um luta por um lugar ao sol, pela remota chance de realizar o sonho de se tornar, ou continuar a ser, um jogador profissional de futebol. APública acompanhou a partida, vencida por 3 a 2 pelo Mauaense, assistiu a ótimas jogadas e ao golaço de Jorge, o craque do time vencedor, do lugar do quarto árbitro – privilegiadíssima posição em um estádio “de verdade”- e, como faziam os jornalistas esportivos de outros tempos, desceu aos vestiários para entrevistar os jogadores.
   Não estávamos ali para fazer uma crônica da partida, mas para saber como é a realidade dos jogadores da base da pirâmide do negócio futebol. Saber o que esperam aqueles que não ganham salários milionários, não saem em capas de revista, nem vendem milhões de camisas com seus nomes estampados, cuja existência era ignorada pela mídia até recentemente, quando o movimento Bom Senso F.C – formado por atletas da Série A e B do Campeonato Brasileiro – girou os holofotes dos bons gramados para iluminar a dura realidade do mercado de trabalho de futebol brasileiro em que campinhos como o de Mauá e o desemprego como os atletas da equipe da SAPESP são bem mais numerosos que as camisas do times de elite.
   Leia matéria completa na Pública. Beba na fonte.