quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A farsa da “indústria dos atestados médicos ...”

   Por Eduardo Guerini   

   Nossos atarefados jornalistas da mídia provinciana se apressam em conclusões grotescas sobre uma tal “indústria de atestados médicos” que assola o combalido Estado catarinense. E assim, a reportagem “esquartejada” em bifes insonsos começa a traçar uma estratégia pueril de atacar novamente os setores mais atingidos pelas reformas estruturais nas condições de trabalho: Educação, Saúde e Segurança Pública.   
   Em proporções se apresenta uma série de dados, sem a devida análise - coerente e temporal, demonstrando uma vez mais, que estatística não tem sido uma matéria apreendida pelos nossos novatos jornalistas. Eis que, a proporção de atestados apontado como exagerada no Estado catarinense em 2012, atinge 13,2% do total de servidores (75 mil servidores ativos), e, nosso INSS, apresenta uma proporção de apenas 3,97% do total de trabalhadores inscritos, em 2011, não considerando que o sistema de perícias de tal instituto é marcadamente merecedor do título de “calvário que leva a morte por exaustão”, visto que, a política é impedir a qualquer custo o afastamento - para conter uma das pernas do “rombo previdenciário”.  
   Na edição do DC, de 13 de janeiro de 2013, surge a empulhação midiática, quando em números absolutos são apresentados os dados da FIESC, de 2010, apontando um total de afastamentos na ordem de 12,6 mil empregados do total de 734 mil trabalhadores - o que perfaz a proporção de apenas 1,71 % aproximadamente. A pergunta que fica: qual a comparação possível entre ramos tão distintos???
   Os estudos de grande envergadura sobre as condições de trabalho da maioria das categorias que estão envolvidas com o trabalho social, apontam para um ritmo imposto pela tecnologia, formas de precarização, sobrecarga de atividades que produzem uma gama de trabalhadores “estressados” que se sentem incapazes de enfrentar determinadas situações no ambiente de trabalho.
   O termo cansaço físico – usual para indústria, passou a ser “cansaço físico-mental” na
economia high tech. O ritmo do processo de trabalho acelerado para além dos limites de
suporte do organismo humano, geram um aprofundamento das relações de sofrimento e
emprego.
    O esgotamento profissional que atinge os profissionais da Educação, Saúde e Segurança
Pública no Estado catarinense não tem nada com a chamada “Síndrome de Burnout” ou
“Síndrome de Bororo”, que nossa ansiosa mídia provinciana tende a escamotear.
   Em nenhum momento, as questões sobre uma política de “Gestão de Pessoas”, de melhoria das condições de trabalho ou remuneração foram tocadas, mesmo que marginalmente. Algumas dúvidas sobressaem da atenciosa matéria sobre a “indústria dos atestados médicos” que supostamente assola o serviço público estadual catarinense:

a) Tal situação não foi criada por um gerência política orquestrada pelas forças políticas
que conduzem os setores estratégicos do Estado?
b) Seriam estes capatazes da “coisa pública” e seus “interesses privados”, os principais
mentores em divulgar tal situação para justificar uma vez mais a pecha de “funcionários do Estado” como absenteístas e responsabilizá-los pelo decadência educacional estatal, caos na saúde pública e (in) segurança pública?
c) Seria proposital o adoecimento dos trabalhadores da Educação, Saúde e Segurança Pública, a ponto de se intitular em outra matéria como “epidemia”?   Em resumo, a sequência de reportagens, atribui exclusivamente ao miserável trabalhador, que em condições precárias, com salários aviltantes e gestores politicamente indicados, esconde a verdadeira “epidemia” que assola a administração pública - somos conduzidos por gestores inaptos e ineptos, em situação politicamente desviante. Assim, nossa mídia monopólica e provinciana, segue o fatídico histórico desenhado nos primórdios de nossa colonização: 

   “Em se plantando , tudo dá....”

7 comentários:

Osmar Lara de Araújo disse...

Existe colégio em Palhoça onde os professores para conseguir licença médica, ficam 2 ou 3 noites sem dormir propositadamente e depois vão à um famoso médico da cidade que é campeão em pedir licença médica para os funcionários públicos.

Anônimo disse...

É realmente anormal o número de afastamentos de professores da rede pública, não só por licença médica, quanto na época de eleições...
E dá-lhe ACT no lombo dos alunos, que passam o ano com interrupções no conteúdo programátido devido a troca de professores.
Atentem também para os principais problemas alegados pelos que pedem licença médica: depressão, rouquidão e Lesão por Esforço Repetitivo. Justamente males cujo diagnóstico depende mais do que diz o paciente do que de exames que os comprovem...

Ernesto São Thiago:. disse...

Então... Plantou e deu aqui...

Anônimo disse...

Comparam o absenteísmo na rede pública com o "presenteísmo" na rede privada. Esquecem de mencionar que, no Brasil, o trabalhador privado vai trabalhar mesmo doente, pois se adoecer "demais" (no entendimento do empregador), já era!

Anônimo disse...

Duas observações:
- É bom verificar se os afastados por licença médica não possuem outro emprego, é possível que neste outro eles estejam trabalhando;
- A perícia médica deve ser realizada por três profissionais, é uma junta médica, e não por um médico e assinada pelos demais sem sequer ver o paciente.

Lia¬¬ disse...

"Atentem também para os principais problemas alegados pelos que pedem licença médica: depressão, rouquidão e Lesão por Esforço Repetitivo. Justamente males cujo diagnóstico depende mais do que diz o paciente do que de exames que os comprovem."
Essa coisa gazeou aulas de biologia? Desde quando ROUQUIDÃO não é diagnosticada por EXAME CLÍNICO, basta mandar a pessoa FALAR! Ele deve ser um imitador de roucos, pelo jeito, não?
Outra coisa facilmente comprovada é a LER, que nem é mais LER, é DORT. Não só no exame clínico com manobras feitas pelo médico, como confirmadas por radiografias, ressonância, US ou tomografias.
De fato, depressão não tem 'exames laboratoriais e de imagem' que confirmem o diagnóstico. Mas se uma pessoa corta os pulsos ou não que mais nem sair da cama, comer ou tomar banho, certamente não é porque corneou o namoradinho vampirinho do filme.

Vá estudar, pegue aulas de matemática numa sala de malacos, avise aqui onde e quando que vamos conferir seu desempenho sem ficar sequer rouco após 10-15 aulas explicando trocentas vezes a mesma coisa para ver se entra 1% na cabeça de meia dúzia, e se não vai ter DORT depois de 25 anos escrevendo com giz numa parede, pois o quadro 'negro' não passa de tinta verde sobre PAREDE!
Vai usar máscara contra pó e luvas para não secar os dedos com a cal do giz, fofa? Ou acha que o giz que tem até areia é mesmo 'antialérgico'?

Anônimo disse...

Essa tal "indústria de atestados" é uma tremenda de uma falácia inventada por gestores políticos incompententes e levantada pela RBS. Faz mais de 10 anos que criam comissões e mais comissões (fiz parte de uma delas) para investigar a perícia médica do Estado e os relatórios delas são sempre esquecidos. Sabem por quê? Por que nunca encontram nada. E por que não encontram nada? Oras, por que não há nada, ou há muito pouco. O povo é doente MESMO, ora em razão de péssimas condições de trabalho (que geram DORT, por exemplo), ora em razão do assédio de chefias despreparadas e de uma imprensa habituada a bater no servidor público (o que leva, por exemplo, à depressão).