terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Baianos: um terço vive do programa Bolsa Família

   Por Emanuel Medeiros Vieira
   Um milhão e oitocentos mil baianos recebem recursos do Bolsa Família.
   Em números proporcionais – que consideram a população – o Estado é o primeiro do País em beneficiados, à frente de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiros.   Em 2012, houve um crescimento de 300 mil famílias inscritas.
   Há algo além do assistencialismo?
   E as políticas prometidas para que os participantes do programa se tornassem autossuficientes? “O aumento do número de pessoas cadastradas é a prova de que o programa não está funcionando. Se é emergencial, deveria exibir, gradualmente, uma redução do número de famílias inscritas”, diz o economista Armando Avena.
   Não seria apenas uma porta para empregos efetivos?
   Segundo o IBGE, a Bahia conta com 14 milhões de habitantes.
   O programa é necessário em alguns casos? Pode ser.
   Mas como está sendo feito, cria-se apenas dependência, além da formação de um enorme curral eleitoral – quem sabe, o maior do Brasil –, não com a intenção de gerar empregos ou de dignificar o ser humano, mas de eterna perpetuação do poder. É somente a partir de níveis mínimos de cultura e informação e da consequente conscientização política – como alguém observou – que o homem simples se transforma em cidadão “capaz de ter o mínimo domínio do seu próprio destino.”  Sem virar mero zumbi ou peça na perversa engrenagem de dominação oligárquica.
   Nota: A “turma” que defende mensaleiros e é complacente com a corrupção entranhada no governo, é capaz de classificar de “direitista” o presente texto. “Esquerdista” e “socialista” é quem está com Maluf, Sarney, Collor, Renan, Romero Jucá, Jáder Barbalho e outras figuras “impolutas”...
   Que presente você daria a Salvador?
   Um jornal da capital baiana indagou à varias personalidades da cidade: que presente você
daria a Salvador para 2013?
   Eu diria: combate à corrupção, à violência, à propaganda enganosa, à mentira institucionalizada, respeito à coisa pública.
   Que o povo na sujasse a praias, que as pessoa não gritassem ao celular e respeitassem as
vagas destinadas a idosos e deficientes.
   Que os cantores célebres, que ganham rios de dinheiro, partilhassem um pouco de sua riqueza e opulência com uma população tão pobre, submetida à desigualdade obscena.
   E como disse alguém, que houvesse o resgate da autoestima do soteropolitano que está
destroçada.

Comentário: 
   Curioso um joralista de SC estampar no seu blog uma matéria para depreciar Salvador e a Bahia como se falta de educação fosse só de soteropolitanos. Querendo fazer eco a citações eminentemente preconceituosas, sobre o comportamento da população de Salvador, como se falar alto em celular e sujeira nas praias fosse típica do povo de Salvador. Eu entendo, é uma forma subliminar de manifestar o racismo latente.
   O blogueiro ainda cria um factóide para atrair leitores e mente ao afirmar que 1/3 da população da Bahia vive de Bosa Família. A Bahia tem 14 milhoes de habitante onde 1/3 seria 4,5 milhões e não 1,8 milhões como afirma.
   Se te incomoda o fato da Bahia ser o estado mais negro fora da áfrica, saiba que, o Brasil é o país mais negro fora do continente africano. Meu caro, saiba que você não passa de um brasileiro, o nordestino do mundo. O Nordeste está para o Brasil, assim como o Brasil está para o resto do mundo. O Brasil é o nordeste do mundo. Um paulista, gaúcho, carioca ou catarinense, fora do Brasil, não passa de um brasileirinho de merda e é tratado como um nordestino é tratado no Rio, Porto Alegre, São Paulo ou Florianópolis, ou seja com desprezo e zombaria.
   Para falar de miséria e falta de educação do povo o senhor não precisa recorrer a Salvador ou a Bahia, ai mesmo na sua cidade não vai lhe faltar assunto. Quem discrimina os seios, não pode se queixar de sofrer discriminação. Não raro, em matérias a imprensa do sul-sudeste trata matérias como se mazelas fosse peculiaridades do nordeste. Como jornalista o senhor deveria saber que o papel o bom jornalismo é bem informar"

O senhor entendeu? Ou quer que eu te mande um desenho?

Edvaldo Araujo.
Salvador-Bahia


Resposta: 
   Os dados que divulguei sobre o Bolsa Família, não são opiniáticos, mas derivados de pesquisas do IBGE, em relação ao programa.
    SIM: EM 2012, MAIS 300 MIL PESSOAS ENTRARAM NO BOLSA-FAMÍLIA NA BAHA.
    Os dados estão em jornal da capital baiana.
    Freud já revelava que a verdade - não a camuflagem, os álibis recorrentes e compensatórios -, sempre incomodam e perturbam.
    A luta é para melhorar as condições de vida e a educação e não praticar o acobertamento da realdade.
    E no texto eu falo em "desigualdade social obscena".
    Não retiro nada do que escrevi.
    E certas pessoas que escrevem tão incomodadas, é porque a verdade fere e, além disso, não conhecem toda a nossa história contra a desigualdade e o preço que foi pago por isso.
    Racismo? Deve ter escondido em muitos dos que acusam o texto.
    Não optei pela literatura para enganar ou mistificar.
    Não quero me alongar mais
    A verdade libertará.
    Abraços do Emanuel Medeiros Vieira

8 comentários:

Anônimo disse...

Você tem razão: o programa deveria ser uma plataforma para distribuir recursos aos desfavorecidos, de modo que estas pessoas procurassem -a partir disto- uma nova realidade. Deveria ser um programa vinculado a formação educacional e laboral para que a transformação social então se concretize,como anunciado no lançamento do bolsa-família, bolsa-educação,etc.
Mas, voltando-nos para o próprio umbigo, podemos observar que o nível de cultura e informação podem perfeitamente fazer o desserviço de não dignificar o ser humano.
Ao contrário, o sistema de classes -tal como está, preserva um perfil discriminatório, racista até, jogando pedras nos vizinhos, enquanto que,a casa promovida por ser de gente culta e branca em sua maioria, exerce todo o tipo de desmandos e desrespeito à norma da boa convivência e do acato à lei estabelecida. A corrupção dá-se de duas formas, basicamente: lá, no longínquo estado aonde as pessoas são predominantemente pardas e semianalfabetas, por uma pressão da elite que os torna objeto de poder de manipulação com o mísero sustento. E, aqui, no pronvinciano e mercantilista estado abastado, da classe média abastada e predominantemente branca, as categorias de cidadãos são submetidos, tal como na Roma antiga, a uma série de privilégios obscenos para cooptá-los como cúmplices dos venais administradores, que saqueiam os bens públicos.
Lá, a corrupção é a partir da miséria.
Aqui, a partir da opulência.
Aplicar-se-ia a Teoria do Domínio do Fato?: (SIC)"A teoria prega que uma pessoa de alto cargo em uma instituição pode contribuir definitivamente para um crime – ainda que não tenha participado diretamente dos fatos – pela posição de influência que ocupa. Para conseguir seus objetivos, essa pessoa implica comparsas no esquema, agindo com intenção criminosa.
A teoria permite incriminar um réu que não tenha deixado provas concretas, mas ainda sim tenha participação central nos fatos."(...)
Haveriam situações do mau exercício de gestão pública aonde o erário público simplesmente esvai-se em obras mal executadas, seja por prazos não cumpridos ou por deformar-se completamente o objetivo proposto quando do lançamento do edital de tais obras, ou ainda, por falta de zelo na avaliação do melhor projeto, e/ou, do menor custo?
Que terá sido feito do morro do baú, por exemplo,daquelas pessoas,mortas,feridas,órfãs? e das verbas de prevenção de enchentes? e o destino do dinheiro dos estacionamentos no aterro?ah, e o erro de projeto do aterro do CENTROÇU? que alaga, danificando os veículos dos usuários?
Puxa, Sérgio, eu nem posso me dar ao luxo de começar a citar exemplos concretos de má gestão do patrimônio público,(e disperdício do erário, perdulário uso do que é bem público) pois extensivos demais seriam.
Peço apenas que fulgure alguma luz, e as vozes do jornalismo - segundo os princípios da profissão e as propostas dos Martellat- façam eco à grande verdade, aquela, que vence o tempo e a ocasião, aquela que é visível aos olhos de todos. Aquela que é mais visível do que os tensores dos títeres sociais.
Obrigado Emanuel Medeiros VIEIRA, pela sua exposição de idéias.
(PrintScreen contra a censura na mídia)

GAFANHOTO disse...

A profecia de Geisel ! ! ! ( 1974 / 1979 )
Se é a vontade do povo brasileiro eu promoverei a Abertura Política no Brasil.
Mas chegará um tempo que o povo sentirá saudade da Ditadura Militar.
Pois muitos desses que lideram o fim da Ditadura não estão visando o bem do Povo mas sim seus próprios interesses.
General Ernesto Geisel

Anônimo disse...

Inocência de quem que se diga consciente achar que o bolsa-família não seja algo além de um compra-voto. Quem recebe o famigerado benefício ousaria votar contra a quem lhe beneficia?
Incauto de quem que se diga politica achar que o bolsa-família não seja algo além de um plano de manter um curral eleitoral? Quem concede o famigerado benefício ousaria promover um up=grade educacional para libertação dos miseráveis, ainda que muitos não sejam assim tão miseráveis?
As atuais políticas públicas não erradicam a miséria, apenas tão alento para alguns e, na maioria, criam dependentes do Estado. Os propósitos são apenas eleitoreiros. Basta fazer as contas de quanto já foi pago com o bolsa-família desde a sua instituição e veremos que, na prática, serviram para fins eleitoreiros. Bahia que o diga!

a disse...

“Whenever you find yourself on the side of the majority, it’s time to pause and reflect.” Mark Twain (1835-1910)

Anônimo disse...

Uma pequena (bota grande nisso) correção matemática. Um milhão e oitocentos mil não é um terço de 14 milhões de baianos, nem na China.

Anônimo disse...

Vamos fazer um abaixo-assinado para renomear os proventos auxiliares dos safados colarinhos-brancos de BOLSA também? assim, ficaria: Bolsa-veículo-importado, Bolsa-Moradia-de-Luxo,Bolsa-Paletó-Gravata-Carteira(de couro,legítima,Bolsa-Diploma(compra ali na esquina),Bolsa-Aeroporto,Bolsa-Saúde-ClínicaVip...etc.

Anônimo disse...

1 milhão e oitocentos multiplicado pelos filhos dos beneficiários, 3 em média, dá 1/3 da população baiana sim. mas é bom saber que nem todo bolsista vota no governo. dilma ganhou a eleição com 12 milhões de votos de frente, mais o menos o números de assisitidos pelo programa no Brasil.

ORRAIO disse...

Alguém destes iluminados cronistas e comentadores já ousou imaginar que as pessoas possam estar usando a merreca do bolsa família para comprar leite para crianças?
Sou de São Paulo, estado escancaradamente racista, mas aqui no sul o racisamo e o desrespeito à vida do pobre está se tornando patológico.