segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Entre galetos e religiosos

Por Eduardo Guerini
Mística e contemplação na “terra brasilis”

   A semana que passou foi promissora em fatos e imagens, ricas em significado , onde cada um construirá sua própria história, carregada de ritos e mística , e, um fervoroso gesto de contemplação para defender os mitos que são produzidos na miríade de relações conturbadas que afetam a “terra brasilis”.
   Como na Antiguidade clássica grega, Zeus dispunha de dois vasos - um do bem e do mal, e, notadamente o dia seria bom ou ruim, ou melhor, a vida dos homens seria boa ou ruim, dependendo do estado de ânimo (sua natureza), assim como muitos deuses que dispunham de um poder mítico que faria o bem, ou, poderiam cessá-lo quando desejassem. Tal como Apolo, seria melhor que se mantivesse a distância das pessoas e das suas paixões , para adornarmos a retrospectiva desse início de ano cabalístico (2013), com toda sua mística e com a fé que teremos uma mudança nas ações humanas - carregadas de vícios e de poucas virtudes.  
   A divulgação de estórias do cotidiano, suscetíveis a interpretações (inter-pretium = na famosa declinação nominativa/acusativa/vocativa do latim , nos dá um sentido a causa), traduzem como nossa sociedade sofre de uma mistificação contemplativa da realidade, traduzindo ações humanas politicamente conduzidas para a esfera transcendente ao mundo profano, por assim dizer, humano. Nesta semana, a revista Forbes - famosa pela sua especulação sobre fortunas e poderosos, divulgou uma lista de pastores brasileiros - nomeadamente pentecostais ou neo-pentecostais, como bilionários/milionários em ascensão.   
    Se apurarmos que tais religiosos, são produto de uma sociedade de ignaros, toscos e miseráveis que necessitam de uma força extra (superior) e um líder messiânico para levá-los a “terra prometida”, nada melhor que cobrar um pedágio - o tal do dízimo.   
    Nossas redes abertas de televisão, nas madrugadas produzem um “shopping da fé”, basta ter um encosto, uma moléstia, um carência afetiva, uma desgraça produzida pelos profanos humanos que insistem em não contemplar o divino, que um bem assessorado religioso da “teoria da prosperidade” produzirá a salvação. Basta contemplar e pagar - o resultado será o sucesso terreno e transcendente....Mas não esqueça de produzir a lógica de multiplicação para seu líder messiânico, com todo o auxílio de isenções fiscais, diplomáticas e políticas na “terra brasilis”. Resultado - a religião se transformou em grande negócio da fé , com tentáculos na política partidária brasileira.
    Noutro campo, o Partido dos Trabalhadores, diretório do Distrito Federal (DF), com sua juventude - militante devota, proporcionou um show de contemplação, carregado de mística, na famosa “galetada” para arrecadação de fundos com a finalidade de repassar aos condenados na Ação Penal 470 - conhecida como “julgamento do Mensalão”. Este ato, é novamente a outra face da moeda da mística que envolve a política e seus partidos.
    Tal como os religiosos, nossos jovens militantes, tentam arrecadar um dízimo de incautos e afáveis jovens para salvar almas que foram condenadas no esteio do mundo profano, e, seu Poder Judiciário maledicente, tal como Zeus, que derrubou o pote de barro carregado do mal - a injustiça politicamente conduzida pelos vorazes supremos magistrados. Entre partidos e seitas religiosas, militantes ou fiéis sempre carregam uma viseira que impede de observar o contexto de uma realidade perversa.
    Numa simples caminhada pelas cidades brasileiras, em todas as unidades da República Federativa, veremos "prédios vistosos, magníficos e lotados”. Não, incauto e afável leitor, não são ESCOLAS ou UNIVERSIDADES. São templos e igrejas...Logo, por que a mídia monopólica e provinciana divulga tal notícia - não estamos rumando para o progresso material, falta o progresso espiritual - tudo tem seu preço!!!
    Num esforço hercúleo, analise em seu Estado/Cidade/Bairro, onde a vida está pulsando com toda sua efervescência. Não, meu caro e sociável cidadão brasileiro, não é na comunidade e suas associações, mas nas agremiações partidárias, local onde os emergentes da desigual e injusta sociedade brasileira, vislumbram sua salvação. Basta pagar um dízimo, todos os males desaparecerão!!!
    Como já anotara o velho Marx (pouco lido pelos oportunistas e pragmáticos de plantão), nos seus Manuscritos; “O dinheiro, já que possui a propriedade de comprar tudo, de apropriar objetos para si mesmo, é, por conseguinte é o object par excellence . O caráter universal dessa propriedade corresponde à onipotência do dinheiro, que é encarado como um ser onipotente. . . o dinheiro é a proxeneta entre a necessidade e o objeto, entre a vida humana e os meios de subsistência.”
    Assim, seitas e partidos se fundem num único objetivo, salvar almas angariando dinheiro, muito dinheiro, místicos e contemplativos fazem a história sócio-política brasileira com a alavanca econômica.

   O show da vida profana continua. Quem quer dinheiro?????

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