sexta-feira, 31 de maio de 2013

Ministério Público investiga depósitos de lixo irregulares em São José


  O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) iniciou apuração do destino dado ao lixo urbano, em especial o recolhido pelos caminhões conhecidos como "papa entulho", no município de São José. O inquérito civil para apurar a questão foi instaurado pela 10ª Promotoria de Justiça da Comarca de São José, com atuação na área do meio ambiente.   O Promotor de Justiça Raul de Araújo Santos Neto informa que o inquérito foi instaurado em função das constantes notícias indicativas da existência de diversos locais no município onde tem sido depositado lixo urbano, propiciando a formação de lixões.
   De acordo com o Promotor de Justiça, apenas em 2013, cinco termos circunstanciados iniciaram tramitação no Juizado Especial Criminal da Comarca, relativos a infrações ambientais, tendo como causa o depósito irregular de resíduos. Outros dois inquéritos civis instaurados em 2012 e uma ação civil pública ajuizada em 2002 também envolvem a dispersão desordenada de resíduos urbanos.
   Como exemplo do que está ocorrendo em São José, o Promotor de Justiça cita um terreno na Rua João José Martins, no bairro Potecas, no qual a própria prefeitura tem depositado resíduos urbanos. "A situação desenfreada de formação de depósitos de toda espécie de resíduos urbanos em vários locais do município de São José, inclusive por Órgãos da própria Administração Pública, com extensas agressões ao meio ambiente. Tenho como indispensável a averiguação da situação para se apurar responsabilidades", completa o Promotor de Justiça.
   O inquérito irá apurar, ainda, o cumprimento do acordo judicial firmado na ação civil pública n 064.04.009040-3, no qual a administração municipal assumiu compromissos relativos à reciclagem do lixo e também pretende definir, em conjunto com os órgãos responsáveis, as políticas públicas necessárias para serem implementadas e possibilitar, assim, o cumprimento integral do estabelecido pela legislação referente ao tema.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O Brasil visto por Jaison Barreto


Entrevista com o ex-Deputado Federal pelo MDB Jaison Barreto: um dos representantes do grupo Autênticos do MDB que cumpriu papel importantíssimo na derrubada da ditadura militar, instalada no Brasil em 1964. Trata-se de um depoimento importante, porque resgata a nossa história política recente na versão de quem a fez. O que é fundamental: a fez com coração e com o sentimento de cidadania verdadeira que hoje pouco encontramos na política brasileira.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Ilusões perdidas

Da revista PIAUÍ
Uma repórter narra a sua trajetória, da glória à agonia dos grandes jornais, e vê sua espécie ameaçada de extinção com a asfixia da imprensa crítica e independente


por GRACIELA MOCHKOFSKY

Quando, aos 8 anos de idade, no remoto povoado patagônico de Planicie Banderita, descubro minha vocação de jornalista, mal sei o que é isso.

Muitos anos depois, tentarei entender de onde ela veio. Então vou me deparar com a perplexidade de meu pai engenheiro e minha mãe bioquímica: eles não sabem explicar.

Não há mesmo explicação. Só algumas lembranças.

Publico minha própria revistinha, El Club de los Castores. É um apanhado de textos e imagens que recorto das revistas infantis Anteojito e Billikene colo em folhas de papel. Também inclui artigos escritos por mim: minha avó sempre lembrará que um dia pedi permissão à minha mãe para entrevistar os bombeiros.

Deixo uma cópia em cada uma das 400 portas de Planicie Banderita. Invento de vender números de uma rifa. Todos os compradores ganham uma “assinatura” da revista, e o premiado, um bolo feito por minha mãe.

Meu pai me dá um microgravador com microcassetes, que cabe no bolso, e com ele começo a gravar conversas. Também ganho dele uma Olivetti portátil azul-celeste e tábuas de compensado, com as quais construímos uma redação no jardim.

Peço emprestada sua Polaroid e componho meu primeiro trabalho jornalístico em forma de livro. Título: “Minha família”. Cada página traz um texto biográfico de um de nós – meu pai, minha mãe, meus três irmãos e eu mesma – e, no final, uma galeria de fotos. Ainda não associo minha vocação com uma profissão de gente grande, tanto que na minha página consta: “Não sei o que quero ser quando crescer.”

Nos fins de semana, entramos no nosso Ford Falcon e viajamos 65 quilômetros por uma estrada de cascalho até a cidade de Neuquén. A primeira parada é na livraria Siringa. Compramos dicionários, livros de ciências e enciclopédias: do universo, do corpo humano, do centro da Terra. É toda a não ficção que está ao meu alcance.

ez anos e quatro províncias depois, estou em Córdoba. Toda manhã atravesso a cidade para entrar num mundo desconhecido: a escola de jornalismo da Universidade Nacional.

Todo dia deixo para trás o rico subúrbio que bem poderia ser uma ilha; a discoteca, a obsessão pela roupa, os jogadores de rúgbi. Depois de cinco anos morando lá, quase não conheço o resto da cidade.

Na Universidade Nacional falam uma nova língua, que eu decifro a duras penas. Fala-se, por exemplo, de política: de não pagar a dívida externa, da nova ordem mundial das comunicações, dos planos contra a hiperinflação e da queda de Raúl Alfonsín. Leem-se alguns xérox: de Adorno, Horkheimer,Benjamin, Van Dijk, McLuhan. Leem-se livros: de Cortázar, Oliverio Girondo, Tomás Eloy Martínez. Contam-se lendas sobre jornalistas que, no passado, fizeram presidentes tremer. Afeta-se certo cinismo – parece que os jornalistas que fazem os presidentes tremerem são assim. Conta-se uma piada: um editor pede a um jornalista uma coluna sobre Deus, e ouve dele a pergunta: “Contra ou a favor?” Temos que achar graça.

Venera-se o Página/12 – o jornal que faz os presidentes do momento tremerem. Todos me explicam que é independente e crítico, que é de esquerda, que está comprometido com a democracia e com os movimentos de defesa dos direitos humanos fundados por familiares das vítimas da ditadura militar. Que tem o caráter narrativo do Novo Jornalismo americano e a opinião política dos jornais europeus. Que nele trabalham os jornalistas importantes. Nos corredores, lemos com devoção suas colunas, suas investigações sobre a corrupção no governo Carlos Menem. Reverenciamos sua primeira página em branco para anunciar os indultos que Menem deu aos militares condenados alguns anos antes por crimes que mais tarde serão chamados de lesa-humanidade.

Não há profissão mais fascinante que a de jornalista, e não há personagens mais românticos que os jornalistas. O jornalista é boêmio, fumante, notívago, talvez alcoólatra, leitor e escritor, um tanto aventureiro, engajado, disposto a arriscar a própria vida, cético, cínico, imensamente idealista. Passa as tardes soltando frases espirituosas, falando de assuntos importantes, tomando café com as pessoas mais interessantes ou derrubando ministros instalado em sua trincheira.

Tem coisa melhor?

Lá vou eu.

Leia a matéria completa na PIAUÍ

domingo, 26 de maio de 2013

Derrotados pelo Vírus

Gaúcho de Passo Fundo
Dos onze jogadores, sobraram três


   Jones Lopes da Silva
   Jornal Zero Hora - Porto Alegre


    Resta ao ex-lateral Luiz Carlos a foto envelhecida, de 1973, como lembrança dos companheiros do Gaúcho, de Passo Fundo, uma força do futebol do Interior nos anos 70. Dos 11 titulares, sobram três vivos: ele e os irmãos Luiz Freire e Zé Augusto. Com exceção do zagueirão Daizon Pontes, vítima de AVC, os outros sete morreram em consequência da hepatite C. O drama é um espelho dos pequenos e médios clubes que compartilhavam seringas para estimulantes injetáveis nos anos 1960, 1970 e 1980.
   
   Muita gente não se salvou. A razão desse drama criado nos vestiários dos clubes pequenos e médios dos anos 1970 são os estimulantes e energéticos aplicados na veia com a antiga seringa de vidro, compartilhada sem a esterilização adequada. Alguém que já estivesse infectado contagiava os colegas. Comum à época, a prática disseminou o vírus da hepatite C e as consequências mais funestas. 
   Faltam dados sobre óbitos relacionados à hepatite C no futebol. E sobre o número de ex-atletas vivendo com o vírus. Se há no país entre 2 e 3 milhões de pessoas infectadas (apenas 150 mil diagnosticadas), estima-se, entre elas, dezenas de milhares de ex-profissionais e amadores contaminados. 
- Só não tratei de juiz até hoje - alerta o gastroenterologista e hepatologista Hugo Cheinker. 
   O especialista já atendeu em sua clínica em Porto Alegre o equivalente a três a quatro times de futebol, incluindo gente com passagem pela Seleção. 
- Praticamente, quem faz o teste descobre ser portador da hepatite C - conta Cheinker. 
   A rigor, quem jogou futebol profissional no largo período entre 1960 e 1980 integra o grupo de risco. Deve realizar o teste específico para hepatite C, o anti-HCV - não é o mesmo exame de sangue de colesterol e glicose no check-up rotineiro. O teste custa cerca de R$ 20 em laboratórios. 
   Há uma resistência dos ex-jogadores em procurar ajuda. Preferem evitar a realidade em caso de positivo, embora quanto mais cedo o tratamento se inicia, mais segura é a recuperação. 
   Contraída a hepatite aguda, o vírus começa a machucar o fígado e progride sem sintomas durante 20, 30, 40 anos, até provocar cirrose e câncer. Daí porque os contaminados dos anos 1970 ainda lidam com a enfermidade na segunda década dos anos 2000. São pessoas hoje em torno dos 60 anos. 
   Um exemplo é Jurandir, ex-Grêmio, que anulou Paulo Roberto Falcão em um Gre-Nal em 1979. Ele foi fazer uma doação de sangue e, dias depois, recebeu uma carta informando sobre sua hepatite C. Ficou apavorado: 
- Àquela época, em 2006, achei que ia morrer. Diziam que esse vírus era como o da aids.
 
   Casado há 40 anos, Jurandir buscou tratamento. Um ano depois, havia zerado o vírus.   Como o antigo jogador do Grêmio, entre 5 e 7 mil pessoas no país deverão ser diagnosticadas em 2013. É muito pouco. Se fosse anos atrás, sete testes a mais teriam salvado a vida do time do Gaúcho. 

Leia aqui matérias da série sobre a pandemia da hepatite C, feita pelo jornal ZERO HORA. 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sobre a vida e o tempo

   Desde a interrupção do tratamento de combate à hepatite C, sexta-feira 3 de maio, a minha vida deu outro salto. Em primeiro lugar pela frustração de não ter conseguido matar o Flavivírus que agora se tornou uma preocupação constante na minha cabeça.
   O segundo solavanco é sobre a nova luta que tenho que enfrentar. Criar novo cenário, planejar uma nova estratégia de combate e finalmente decidir, mais uma vez, o que fazer da minha vida. 
   Me reinventar!
   A opção de ficar aguardando a descoberta de novos remédios para iniciar outro tratamento me coloca no limboEsperar, parece ser a palavra chave do momento. Mas esperar é muito pouco, ainda mais para uma figura inquieta e curiosa como eu. 

   Usei a mais moderna terapia que existe para combater o vírus (terapia tripla). Não deu certo e não posso usá-la novamente sob o risco de criar um super vírus resistente. Aí começa um embate entre a vida e o tempo. Esperar sentado é que não vou. Enquanto espero, o Flavivírus vai fazendo o seu serviço no meu "figueiredo" e o cara é aplicado!
    Estou mais contrariado que gato a cabresto!


Tons de cinza...
Há um ano vivo em standby. Em função da terapia me privei de festas, bebidas, noitadas, viagens..enfim, de tudo que fiz a vida toda com prazer e galhardia. Me tornei refém de um tratamento que, com os efeitos colaterais dos 17 remédios diários e um Interferon semanal, não me davam a mínima chance de ser alegre ou sociável, muito pelo contrário.      A minha vida, nesse período, permeou toda a escala cromática específicamente nos tons de cinza...50 tons foram pouco! 
   Isso me deixa muito mal pois, afinal, vim aqui para divertir, ser alegre e fazer os amigos felizes!

"Viajei"
Irriquieto, fui a Porto Alegre consultar o "papa" do assunto no Brasil e provavelmente na América do Sul, Dr. Hugo Cheinquer, hepatologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da UFRGS. Cheguei marcar a consulta e viajar uma semana antes, tal a ansiedade. Sem ter o que fazer fazer em Porto alegre...fiz festa!
   Nesta segunda-feira passada, lá estava eu novamente. O Dr. Hugo, recentemente chegado de um congresso internacional sobre Hepatite C, me disse que a doença é vista hoje como uma bomba-relógio, com o número de infectados que apresentam complicações podendo explodir daqui a alguns anos, pois em todo o mundo, estima-se que 90% das pessoas infectadas desconhecem que carregam o Flavivírus.

   Já tem cura!
   Dois novos medicamentos combinados, produzidos por laboratórios diferentes, alcançaram 100% de cura em infectados por Hepatite C em grupos de experiências em vários países o mundo. O Brasil, pela primeira vez, ficou fora das experiências devido à demora da Anvisa na liberação de resultados de pesquisas. 
   Estima-se que, em 2015, quase 100% dos pacientes serão curados! Hoje o número de infectados chega a mais de 170 milhões de indivíduos no mundo e cerca de 1,5 milhão no Brasil. Protagonista de uma pandemia silenciosa, a hepatite C é responsável por graves complicações como cirrose e câncer de fígado. 
   Saber que não estou sozinho me deixa um pouco mais tranquilo, ahahahaha! Tem que rir para não chorar!
   Bem, imaginem a minha animação quando soube do Dr. Hugo que em 2015 já teremos os remédios no Brasil e aí, tá pelada a coruja! É a cura!!!!

- E como se chega a 2015, doutor? perguntei cheio de curiosidade.

- Com sorte, disciplina e aplicação! Respondeu.

   Imaginem a minha animação neste momento. Adoro um desafio!
 
   Sorte, se existe, acho que sempre tive. Disciplina, é tudo que nunca tive nem nunca quis ter. Porém, durante um ano de embate com o Flavivírus acabei descobrindo uma capacidade disciplinar fantástica. Parei de beber, de frequentar meus bares, mudei completamente o meu dia-a-dia, me afastei da turma, parei de sair à noite e tomei os remédios nos horários e tempos certos sem falhar um dia sequer! Descobri, em mim, um perfil germânico, provavelmente herdado por osmose da minha Gisa.
   Fui aplicado, guentei os nefastos efeitos colaterais da terapia sem chororô nem tre lê lê. O meu esperneio, provavelmente, foi aqui no blog quando relatava a minha "aventura". 
   Ser lido e comentado por vocês, leitores, foi a melhor terapia!
  
   Previsão otimista   
   Uma previsão otimista é de que a terapia salvadora chegue ao mercado norte americano em meados de julho de 2014 a um custo de US$ 150 mil. Alguém tem R$ 300 mil aí para me emprestar? Pago no final do tratamento...essa é boa, né?
   A rapidez da liberação do remédio no Brasil, após aprovada pelo FDA (órgão governamental dos EUA responsável pelo controle de medicamentos), vai depender de negociação com a "base aliada" em Brasília. É ali, no Congresso Nacional, que os lobystas dos laboratórios multinacionais "trabalham" para conseguir a provação dos novos medicamentos. Como os nossos políticos andam com um voracidade espantosa, vide apovação da PEC dos portos, é provavel que os medicamentos demorem um pouco para entrar no mercado brasileiro. Acho que tudo vai depender do tamanho da bala na agulha dos laboratórios. 
   É asim que acontece...no Brasil. 

   Tempo, vida e morte
   Bem, afora informações técnicas e científicas, também temos as questões éticas e filosóficas dessa parada toda. A cabecinha aqui não para de pensar nisso.
   O tempo, de repente, assumiu uma posição de destaque e passou a ser o elemento principal da discussão. 
   Tempo de espera, tempo de vida, tempo de resistência para que o bicho não se agrande, tempo de aprovação dos remédios, tempo para o remédio chegar ao mercado, tempo que o vírus levará para fazer um estrago maior...tempo.
   A relação vida/tempo começou a habitar o meu imaginários nos últimos dias. É interessante ver que quando inveredamos por determinados caminhos do pensamento digamos, mais lúdico, as coisas vão tendo outra conformação. O mundo é mental...já dizia o meu amigo.
   Outro dia o amigo Emanuel Medeiros Vieira, colaborador do blog, enviou um poesia onde dizia que o tempo é curto, que a vida é breve...
   Enquanto fazia a edição do poema para postar no blog, lembrei de uma conversa que havia tido com a mãe, noite anterior, onde ela do alto dos seus 92 anos me dizia que achava às vezes que a vida era longa...bastante longa. A relatividade do tempo está na cabeça de cada um, o tempo é mental!
   Nessa mesma noite, madrugada a dentro, assisti um documentário sobre o cineasta alemão Werner Herzog. Herzog comentava alguns de seus filmes como Fitzcarraldo, Aguirre a Cólera dos Deuses, Fata Morgana
   Mas foi comentando Nosferatu que o alemão fechou meu pensamento sobre o binômio vida/tempo. Dizia Herzog, que no Nosferatu: Phantom der Nacht, seu personagem principal mantinha as características do vampiro original da obra de Bram Stoker. Sem caninos, com  dois dentes frontais pontiagudos, totalmente careca, branco com orelhas enormes. 
   Mas diferentemente do vampiro original, ele não representava somente o mal com sua aparência de inseto repugnante. O seu Nosferatu tinha um dilema existencial: sofria porque não conseguia morrer! Para ele o tempo da imortalidade era demasiado, jamais breve!

   Que tempo esse! Alguém tem R$ 300 mil aí? 

   Leia mais sobre a aventura. Clique aqui!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Conexão Itú/Floripa

   Do meu querido amigo Ige D'aquino, artista plástico, performer e expert em dialetos nepaleses: 

   Seu Serjo,algumas imagens para ilustrar seu big blogger. Se assim o desejar. 
   Meu blog agora: igedaquino.blogspot.com.br, no you tube,ige daquino e lenoronha, vc.poderá ver algumas performances q. fazemos (o maior doublebass de música contemporânea e chata do planeta-Robert Black-) pelo Brasil e mundo. 
   Eu "canto" em dialeto nepalese durante as performances.
   Desculpe a falta de modéstia.



terça-feira, 21 de maio de 2013

OLHAR INDIGESTO

Memórias dos parentes de agentes da repressão revelam como os tentáculos da ditadura militar no Brasil chegaram às relações familiares

Ilustração de Renan Marcondes. 
   Por Gabriel Monteiro e Jessica Mota*
   Era sábado de manhã e o encontro havia sido marcado para dali a algumas horas. Com a certeza da Eentrevista, os detalhes antecipados em conversas informais pairavam no ar. As constantes mudanças de endereço. Amizades quase inexistentes na infância. Os “tiras” que a acompanhavam no caminho para a aula, e a sensação ruim diante da figura de um deles. Um telefonema anônimo pedindo para ela avisar ao “papaizinho” que sabiam da rotina dela.   
G.* viveu a infância e a adolescência nos mesmos 19 anos de atuação profissional do seu pai, um delegado que trabalhou durante o período do regime militar brasileiro no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS), um dos órgãos repressores da ditadura.
   O nervosismo e o medo de menina permanecem na mulher de meia idade que prefere cancelar o encontro para evitar um desconforto na família, mas dá indício das repercussões dessas histórias em si mesma. “Minha intenção na época [do trabalho de conclusão de curso da faculdade de artes] era fazer uma performance no ex-DOPS. Tinha em mente fazer uma representação da liberdade em uma das celas, em argila em tamanho natural, com alguém filmando em tempo real. Depois começar a interrogá-la, e golpeá-la, de forma que ao final da atuação a estátua se transformasse num amontoado de argila inerte novamente”, revela, sobre o curso que fez já depois dos 40 anos.
   A atitude de G.* prenunciou o receio de outros filhos de agentes da repressão em falar abertamente de suas memórias. Outras duas famílias – a de Rubens Tucunduva, que também foi delegado do DOPS, e a de Erasmo Dias, secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo – não se alongam nas respostas. Cristina Cardozo de Mello Tucunduva, 47 anos, a filha caçula de Rubens Tucunduva, diz que era “muito pequena” para lembrar-se das impressões causadas pelo trabalho de seu pai. Mas conta que seus dois irmãos mais velhos também eram escoltados para a escola e, em certas ocasiões, chegaram a não participar do recreio por segurança. A caçula usa o termo “traumático” para justificar a negativa dos irmãos em conceder entrevista. O homem que ao lado do delegado Sérgio Paranhos Fleury comandou o cerco ao líder da guerrilha armada Carlos Marighella, era para ela simplesmente um pai herói.

   ATRAVÉS DE GERAÇÕES
   Márcia Dias, filha de Erasmo Dias, conhecido por liderar o episódio da “invasão da PUC” em São Paulo, inicialmente se mostrou disposta a conversar. Nas entrevistas que Erasmo concedia, era comum citar uma filha que tinha tentado se matricular na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sem sucesso. Quando indagada se foi ela essa filha, Márcia se limitou a responder: “desisti da entrevista. Sou eu a filha que passou na PUC”.
   A recepção de Márcia no dia da matrícula no curso de Direito não foi das melhores. “Não deixaram ela se matricular pelo fato de ser filha do cara que invadiu a PUC. Mas ela não esperava”, conta sua filha Renata Dias Pacheco, de 26 anos.
   A jovem comenta a ingenuidade da mãe. “Foi uma coisa que a chocou, ela tinha 18 anos. Foi humilhada verbalmente. Recebeu uma retaliação por uma coisa que ela não fez”. E completa, “eu não quis nem prestar PUC”.
   Renata, papiloscopista da Polícia Civil de São Paulo, fala de modo explícito sobre o regime militar e da carreira do avô. Para ela, o assunto na família ou com os amigos não é nenhum tabu. “Nunca tive medo. Sempre defendi a minha posição, defendi meu avô e o que ele fez. Eu acho que na época faria a mesma coisa. Não é à toa que eu segui essa carreira na Polícia Civil, que é uma coisa que tem a ver com o ramo dele”, diz com orgulho. “Como é engraçado que isso, através de gerações, influencie até eu, que sou neta”, acrescenta.

   O QUEBRA-CABEÇA
   Marília Reis, neta de Paulo Bonchristiano, delegado aposentado do DOPS, gargalha com a possibilidade de seguir a profissão do avô. “De jeito nenhum! Isso nunca passou na minha cabeça ou de qualquer um dos meus irmãos”. Com 23 anos, a estudante de arquitetura da USP fala abertamente das questões referentes ao avô, por mais que seja um assunto difícil para a família. “Não sei se a gente consegue parar de digerir”.
   Sua mãe nunca foi exposta diretamente a esse conflito. “Na minha percepção, nunca educaram minha mãe para ela saber o que estava acontecendo. Acho que a infância dela tem essa coisa meio vaga, esse clima, uma atmosfera meio violenta rondando, mas não era uma coisa declarada, uma coisa palpável”, opina.
   A neta de Paulo Bonchristiano conta que ao estudar sobre a ditadura na escola, finalmente soube o que significava a sigla DOPS que acompanhava o título de delegado do avô. A primeira reação foi raiva. “Quem que é essa pessoa, o que ele já fez? Achava que ele só era um cara meio engraçado com umas historinhas de polícia”, conta.
   Depois da raiva, tanto Marília, como seus irmãos e sua mãe, tentam montar o quebra-cabeça da figura afetiva de pai e avô, “tipão italiano, de abraçar, beijar, falar muito”, com a imagem de um delegado do DOPS. Hoje, mais adulta, ela não quer apontar o dedo para o avô e exigir explicações, apesar de ainda sondar o assunto com ele. Em conversas mais francas, as anedotas da infância começam a se tornar diálogos mais concretos.

   “Já passou a fase de achar que ele era uma pessoa horrível, já passou a fase de achar que as pessoas exageravam. Chegou ao ponto em que ele é só um velhinho”, coloca. “Ele deve ter feito coisas que eu reprovaria, mas eu nunca vou saber. Ele vai morrer sem me falar. Tenho certeza disso.”

   Fora do círculo familiar, as questões diminuem por Bonchristiano não ser um nome tão divulgado quanto o de outros colegas de trabalho do delegado. “No primeiro ano de faculdade teve uma greve grande na USP. Na mesma época veio uma reportagem sobre ele. Fiquei pensando se o pessoal na universidade soubesse que eu sou neta dele”. Mas e se soubessem? “Ia responder que sou. Mas sou outra pessoa”.

*Colaborou Daniele Alexandre.
Da Pública.

Como alguém pode fazer uma coisa dessas?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Projeto grafite: 365Rabiscos



O Projeto "365Rabiscos" 
é um projeto pessoal do 
meu amigo artista Marcelo Pax, 
a proposta e fazer
 um desenho ou qualquer
 outra intervenção artística
 por dia até o final do ano,
 todos diferentes e com 
técnicas variadas.



ÓRFÃOS DE THOREAU


  Por Janer Cristaldo
   Modas bobas com foros de sabedoria é o que não falta na imprensa. A última parece ser a da penúria como modo de vida. Em artigo para o jornal Valor Econômico, leio sobre um escritor carioca que, criado em um apartamento de 600 metros quadrados na Barra da Tijuca, no Rio, cresceu tendo para si um quarto com mais de 20 metros quadrados. Hoje vive em um apartamento pouco maior do que isso. Nos 22 metros que ocupa, em Copacabana, são poucos os móveis e objetos e, se há um sofá e uma rede, não há espaço para uma cama. Nem gavetas nem armários, exceto um pequeno, de limpeza.
   Além de três pares de sapatos, seus pertences são outros três de Havaianas, três calças, uma camisa, 12 camisetas (número aproximado), dois casacos, um blazer, dois jogos de toalhas, dois de cama, alguns utensílios de cozinha, um notebook, um Kindle, um celular e uma câmera digital. Poderia ser uma história de ruína financeira, mas se trata de um fenômeno cada vez mais observável. Castro aderiu a um estilo de vida minimalista. 
   Confesso que até hoje não entendi o que queira dizer minimalista. Nem ninguém conseguiu explicar-me. A palavra pretende significar tantas coisas que acaba não significando nada. É o mesmo que holística, palavrinha que geralmente vem acoplada a picaretagens. Mas admitamos que minimalista, no caso, tenha o prosaico significado de viver com o mínimo necessário.
   Pra começar, o escritor tem algumas posses a mais do que eu, a saber, 12 camisetas, um blazer e dois casacos. Não tenho nenhum destes itens e vivo muito bem. Utensílios de cozinha e celular, os tenho porque herdei da finada. Não como em casa nem utilizo o celular. Quanto a viver sem gavetas, os despojados que me desculpem. As gavetas foram um dos grandes momentos da criatividade humana e viver sem elas é conviver com o caos. Quanto a viver num ap de 22 metros quadrados podendo viver num de 600, sem espaço para uma cama, isto já é estar de mal com o mundo. Como receber uma visita, um amigo, uma amiga, um parente?
   E a biblioteca do escritor onde fica? Ou será um escritor tão minimalista que nem biblioteca tem? Ou a terá no Kindle? Mas nem todos os livros que necessitamos têm versão digital. Pelo jeito, o escritor não preserva a memória. Mesmo na era digital, memória ocupa espaço. São os objetos pelos quais temos apreço estético ou valor afetivo, presentes de pessoas queridas, ornamentos que tornam nosso entorno mais aconchegante.

Leria o artigo completo.Beba na fonte.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Degustação de vinhos franceses


©2013_Gabriel_Heusi   Os amantes dos vinhos têm encontro marcado no La Cave Bar na próxima terça-feira (21/05). O gastrobar em Florianópolis e a sommèliere francesa Andrea Drecker vão promover uma noite de degustação de vinhos franceses varietais – aqueles elaborados com uma só uva. Cada vinho será harmonizado com uma tapa diferente, todas elaboradas especialmente para esta noite pelo chef do La Cave, o uruguaio Nelson Valbuena.

   “Reconhecer na taça o vinho varietal é uma instigante forma de iniciar o aprendizado no mundo dos vinhos”, ressalta a sommèliere, que acaba de trocar a França para trabalhar em Florianópolis. A partir desta terça, o La Cave Bar pretende organizar duas degustações por mês, em semanas intercaladas, sempre com temáticas diferentes. A degustação tem início às 20h. O valor por pessoa é de R$ 85. Reservas: (48) 3037-2828 ou (48) 9671-1577.

Vinhos que serão degustados:
- Sancerre / Domaine Gerard Fiou – Sauvignon Blanc
- Saumur Champigny / Château Dàvrillé – Cabernet Franc
- Fronsac Aoc / La Tour Du Moulin 2009 – Merlot
- Cahors Aoc / Château Haut Montplaisir – Malbec

Tio Bruda e a "viaje" do governador Colombo

- Alo, tio Canga!!!!

- Oi, tio Bruda, estamos aí!

- Não é o que parece, tio Canga, O home tá sumido. Até no Portinho dos Casais o tio Canga andou e não me disse nada. Eu vi umas fotos lá no feicibuque!

- Resolvendo problemas pessoais, tio Bruda.

- De saúde, né tio Canga? To sabendo que interrompeste o tratamento.

- É isso aí mesmo, tio Bruda, to procurando novas terapias para combater a hepatite C.

- Mas que eu mal lhe pergunte, tio Canga, a Tia Carmem abriu de novo? Da última vez que que estive por lá dei com a cara na porta. Tava tudo fechado!

- Tio Bruda, isso não é assunto pra ser tratado aqui, né?

- Mudando de gato prá ganso, tio Canga, mas que fiasco essa "audiência" do nosso governador com o pessoal da Mercedes Benz lá nas Alemanha, heim?

- Mas o que houve, tio Bruda?

- Ué, tu não leu a coluna do Raul Sartori? o Raimundo acabô dando com os beiços na torneira, tio Canga. Tá lá: 
 Etiqueta
Raul Sartori
Que sirva de lição para o governo de SC, que não raro tem colocado a carroça à frente dos bois, o caso do cancelamento de uma reunião entre executivos da Mercedes-Benz com o governador Raimundo Colombo e comitiva, na Alemanha. Os alemães, discretíssimos quando se tratam de negócios, demonstraram não ter gostado nem um pouco do exagero de publicidade que os brasileiros deram ao encontro.

- Os alemão não são de esquetá água pros outro tomar chimarrão, tio Canga. Quando viram o salsero político que tavam armando prá cima da empresa, saltaram de banda.

- Esse tipo de marketing de factóides praticado pelo governador Colombo não tem funcionado muito bem. Lembra, tio Bruda, daquele desmentido da BMW?

- Lembro, o Raimundo inventou a "bolsa BMW", disse que a empresa ia fabricar carro baratinho para ser comprado pela "Santa Renda". Bah! Os alemão, que não são baratos, montaram num porco ensaboado, tio Canga.

- Tio Bruda, esse factóide saiu até na coluna do Lauro Jardim da revista Veja:

"Entusiasmado com a instalação da fábrica da BMW em Santa Catarina, Raimundo Colombo comemorou e o site oficial do governo publicou uma reportagem não só informando que modelos que serão produzidos no País, mas também garantindo que os carros feitos por aqui seriam mais baratos. A BMW não gostou nada da notícia, que chegou a ser publicada por alguns jornais internacionais. Para tentar acalmar os alemães, Colombo escalou Paulo Bornhausen para desmentir o site oficial do governo." (Coluna Radar, 25 de outubro de 2012)

- Que coisa feia, tio Canga! Mas será que o Raimundo não sabe que os autos da bemevê são mais caro que argentina nova na zona? Ah pára, tio Canga! Tá se fazendo de bobo!
- É, tio Bruda, parece que o nosso governador sofre de incontinência verbal. Fala demais!

- Eu já ouvi falar desse dito aí, tio Canga. Mas na verdade o home parece mais com burro que comeu urtiga, não consegue fechar a boca!
- Bem, tio Bruda, a conversa tá muito boa mas eu tenho que me preparar para outra viagem a Porto Alegre. Semana passada errei a data da consulta e fui uma bater em Porto Alegre uma semana antes, pode tio Bruda?

- Essa foi de cabo de esquadro! Tas mais inqueto que potro com mosca nas oreias! Só esse tio Canga mesmo!!!!!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A seca na Bahia - Novas cartas baianas


   Por Emanuel Medeiros Vieira
   
    A situação da seca na Bahia é dramática.
   Mesmo chovendo um pouco nos últimos dias, o quadro ainda é terrível. O semiárido abrange 60% do território baiano e nas últimas décadas a região foi pouco contemplada com cisternas, barragens e açudes.   Informam que é a pior seca dos últimos 50 anos.
   E a Transposição do Rio São Francisco não é um programa sério e – além disso, sempre adiado. Muitos enriqueceram com a “indústria da seca”.
   Não o homem que trabalha na terra, não o agricultor, não o ser humanoque labuta todos dias e da terra tira o seu sustento.   Como observou um jornalista, a população empobreceu, os municípios perderam receita: o comércio na região (...) “sofreu prejuízos inestimáveis”.
   A Bahia perdeu um milhão de cabeça de gado, sem se falar em outras criações. Há um outro problema muito sério. O semiárido baiano pode estar a caminho da desertificação;
Isso já se observa.
   Não custa lembrar outras tragédias – evocou alguém –, como a do cacau. É preciso que não esqueçamos os cacauais do sul baiano, principalmente os das cidades de Ilhéus e de Itabuna.
“O cacau assegurava a receita do governo do Estado, e, de tão próspero era a garantia do 
pagamento dos salários dos servidores públicos.”

   E, repentinamente, a praga da vassoura-de-bruxa “instalou-se na lavoura e a dizimou, levando os trabalhadores à miséria” (alguns também enriqueceram com a “indústria do cacau”, é claro).
   Quem leu alguns romances de Jorge Amado, deve lembrar-se que o cacau sempre permeava as tramas.
(Salvador, maio de 2013)

OS ILUMINADOS





Prefeitura tem 30 dias para licitar boxes do Mercado Público


  O Supremo Tribunal Federal (STF) cassou liminar do próprio STF que suspendia a exigência de licitação para os os boxes do Mercado Público de Florianópolis. A decisão do Ministro Dias Toffoli, publicada no dia 15 de abril, atende recurso do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e nega seguimento à reclamação da Associação dos Comerciantes Varejistas do Mercado Público de Florianópolis.   A partir da intimação, a Prefeitura de Florianópolis tem 30 dias para licitar os boxes do Mercado Público, sob pena de multa, como previa a liminar concedida pelo Tribunal de Justiça em setembro de 2010.
   O Centro de Apoio Operacional do Controle de Constitucionalidade (CECCON) do MPSC ajuizou, em 2010, no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Ação Direta de Constitucionalidade (ADI) contra dispositivos da lei orgânica do município e de lei municipal que trata sobre a ocupação, forma e funcionamento dos espaços comerciais do Mercado Público de Florianópolis.
   Na ADI, o MPSC sustenta que dispositivos da Lei n. 8271/2010 afrontam a Constituição do Estado por permitir a renovação das concessões e permissões já existentes por 15 anos e autoriza a transferência delas aos sucessores dos atuais concessionários e dos permissionários, sem qualquer licitação.
   "A permissão de uso do bem público em foco assemelha-se à concessão de uso, pelo que se faz necessário o procedimento licitatório", sustenta a ADI.
   O TJ acolheu o pedido de liminar e determinou, em setembro de 2010, que o município realizasse a licitação dos boxes em 30 dias. Inconformada com a decisão, a Associação dos Comerciantes Varejistas do Mercado Público de Florianópolis recorreu ao STF alegando que o CECCON não tinha competência para ajuizar a ADI. Chegou a comparar o caso a um precedente de São Paulo, onde se discutia possibilidade de interpretação extensiva para os legitimados à propositura de ADIs.
   Na época, o Ministro Dias Toffoli concedeu liminar suspendendo a decisão do TJ catarinense. O MPSC, porém, recorreu. Sustentou que o caso de Florianópolis nada tem a ver com o de São Paulo, pois aqui o CECCON age por delegação do Procurador-Geral de Justiça, conforme a Constituição Estadual e a Lei Orgânica do MPSC. O Ministro, então, reviu sua decisão. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Ministério Público pede interdição do mercado público da capital


   O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu a interdição do mercado público de Florianópolis. A interdição foi solicitada nesta quarta-feira (15/5), por meio de petição em ação civil pública da 30ª Promotoria de Justiça da Capital, com atuação na área da cidadania, para o Juízo da 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital.

   Em 14 de janeiro, o Ministério Público e a Prefeitura Municipal de Florianópolis haviam assinado um novo acordo ampliando o prazo para a readequação do Mercado Público Municipal. Com o acordo, a prefeitura teve mais 120 dias para realizar as obras necessárias.

   Segundo o Promotor de Justiça Daniel Paladino, da 30ª Promotoria de Justiça da Capital, o prazo terminou nesta terça-feira (14/5) sem que a prefeitura comprovasse a realização das obras necessárias ou apresentasse a autorização para funcionamento expedida pelo Corpo de Bombeiros. Paladino reforça que a interdição é necessária para a proteção das pessoas que trabalham e que transitam no local. “Por mais drástica que possa ser, a medida é necessária para prevenir ocorrências como o princípio de incêndio no início deste ano ou, ainda, colocar vidas em perigo” explica.

   O acordo previa a total readequação da instalação elétrica, dos hidrômetros e da central de gás nas alas norte e sul. Também definia a criação da Brigada Contra Incêndio, com a participação de pelo menos 20% das pessoas que trabalham nas duas alas do Mercado Público. (
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Prefeito de Lages é condenado por improbidade


   O prefeito Elizeu Mattos foi condenado por improbidade administrativa referente ao período em que esteve à frente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Lages.
   
   A sentença da Vara da Fazenda da Comarca de Lages, publicada na terça-feira (7/5), atende ação civil pública do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O processo iniciou em fevereiro de 2011 e teve como base o inquérito civil que tramitou na 5ª Promotoria de Justiça de Lages.
   A Vara da Fazenda determinou que Elizeu pague uma multa por cada ato considerado como ilegal. O valor da multa será equivalente a 5 vezes a remuneração que recebia na época dos fatos, corrigido pelo INPC. Além disso, o prefeito ficará proibido de contratar com o Poder Público, receber benefícios, incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, pelo prazo de três anos.
   O prefeito foi condenado por desvio de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) para aquisição de móveis para o seu gabinete enquanto era Secretário; pela dispensa indevida de licitação para contratação de serviços de hospedagem e alimentação de participantes de eventos em Lages; pela prorrogação ilegal de contratos, pelo não atendimento das normas que determinam a publicidade de contratos; e pelo descumprimento de normas para dispensa de licitação e contratos, com destaque para contratos sucessivos de serviços de limpeza e conservação, e de vigilância e segurança patrimonial da Secretaria Regional. (assessoria do PMSC)

Mais informações sobre a ficha corrida de Eliseu Matos aqui:


Ao próximo governador


   Por Marcos Bayer
   A política em Santa Catarina está bastante junta e misturada como diz a Regina Casé, aos domingos, na TV Globo.
   Do grande MDB (15) surgiram, ao longo da redemocratização, vários partidos nele gestados. O PT (13), o PSDB (45), o PV (43), o PSB (40), o PSOL (50) e outros.
   Da mesma forma, da grande ARENA, o maior partido do Ocidente, surgiu o PDS (11), o PP, a FL (25), o PFL, o DEM e o PSD (55).
   Um era o movimento de esquerda, outro se movimentava para a direita.
   Aí veio a queda do Muro de Berlin (1989), a Perestroika e a Glasnost de Mikhail Gorbatchov que implodiram a URSS dando espaço para o renascimento da Rússia, noutros termos.
   O mundo globalizou-se, o capital passou a comandar as relações pessoais, a solidariedade virou marca sindical em Gdansk.
   O capitalismo, agora mais impessoal do que nunca, desdobrou-se. De um lado a prática fria e precisa da tomada de decisão, levando em conta suprimentos, mão de obra, escoamento, preços, tributos e exportação.
   De outro, pseudo empresários, capitalistas de nádegas que buscam no Estado uma forma de remuneração. Trabalham para o Estado na certeza da mais valia garantida.
   Eles estão em todas as áreas. Dos portos à publicidade. Estão todos juntos e misturados, fazendo com que o produtor de carrinho de mão para a construção civil estabelecido em Brusque há mais de quatro décadas perca espaço econômico e financeiro para uma empreiteira espanhola que cuida do litoral sul da BR 101, com apoio da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres.
   Afora a modernização da estrutura pública, da melhor remuneração das profissões essenciais - como professores, médicos e policias - é preciso acabar com esta ordenha automática que drena recursos do cidadão e do Estado.
   O sentido da República é percebido por poucos. Primeiro, porque é necessário estudar e compreender o alcance coletivo e impessoal do conceito. Segundo, porque é necessária absoluta solidariedade política para viver a República.
   Que o próximo governador saiba costurar uma aliança de interesses, legítimos interesses, com o povo catarinense, acabando com esta prepotência safada e burra, porque nem criativa é. 
   É impossível que população eleitora não perceba a máquina de desconstrução que aqui se instalou em passado recente. Até a indústria catarinense corre seus riscos em razão da licenciosidade fazendária estadual. E para compensar a sangria desfeita, nove bilhões de reais de empréstimos da União.

domingo, 12 de maio de 2013

Na República ao lado


Domingo, 12 de maio de 2013
Fumaça dos churrascos de Dia das Mães fecha Aeroporto Salgado FilhoBaixa visibilidade causada pelas churrasqueiras cancela pousos e decolagens
   PORTO ALEGRE, C.F – O Dia das Mães é um dos feriados mais comemorados pelos Gaúchos. Todo o carinho e afeto recebido das mães durante toda a vida é celebrado com muito churrasco e salada de maionese no segundo domingo de maio. Mas o acumulo de fumaça causado pelas churrasqueiras acesas desde o início da manhã deste domingo gerou uma série de transtornos para quem precisou embarcar no Aeroporto Salgado Filho. Voos de todas as companhias aereas atrasaram ou foram cancelados devido a falta de visibilidade. Pousar também não foi possível.

- É muita fumaça. Toda casa tem uma churrasqueira de tijolo assando uma carninha ou um frango – disse Roberto Andrade, Presidente da ANAC do RS.

   A situação deve normalizar somente na terça-feira quando a fumaça deve começar a se dissipar. O alerta de chuva em toda a República pode ajudar a diminuir o tempo de espera no Aeroporto. Até lá resta aos passageiros esperar. Os Gaúchos fora da República que não conseguiram pousar e não estarão com suas mães neste dia prometem processar as companhias aereas.

Leia o Bairrista. Beba na fonte.

Dia das mães!


sábado, 11 de maio de 2013

O JABÁ PERMISSÍVEL


  Por Janer Cristaldo 
   "Viagens pagas já faz tempo, no ambiente editorial mundial e mesmo brasileiro, são consensualmente julgadas inaceitáveis eticamente", lembra Paulo Nogueira, diretor do Diário do Centro do Mundo. Ele destaca neste domingo que o Supremo Tribunal Federal pagou a viagem de repórter do jornal O Globo à Costa Rica, para acompanhar o presidente do STF, Joaquim Barbosa.

   Pela primeira vez, tomo contato com este diário. Paulo Nogueira parece ter descoberto a América. Desde que me conheço por gente, as viagens pagas são vistas nas redações como uma espécie de jabá permissível. Vamos ao texto de Nogueira:
   Eis um caso inaceitável de infração de ética de mão dupla. Um asterisco aparece no nome da jornalista do Globo que escreve textos sobre Joaquim Barbosa em falas na Costa Rica. Vou ver o que é o asterisco.
   E dou numa infração ética que jamais poderia acontecer no Brasil de 2013. A repórter viaja a convite do Supremo. É um dado que mostra várias coisas ao mesmo tempo. Primeiro, a ausência de noção de ética do Supremo e do Globo.
   Viagens pagas já faz tempo, no ambiente editorial mundial e mesmo brasileiro, são consensualmente julgadas inaceitáveis eticamente. Por razões óbvias: o conteúdo é viciado por natureza. As contas do jornalista estão sendo bancadas pela pessoa ou organização que é central nas reportagens.
   Leia tudo. Beba na fonte.   

terça-feira, 7 de maio de 2013

Bar será sempre melhor que altar


   Por Janer Cristaldo

   Há muito tempo as salas de cinema vêm fechando suas portas no Brasil – e suponho que em boa parte do mundo – para desespero dos exibidores. Entre nós, as causas são muitas, entre elas a insegurança das ruas e os flanelinhas, que tornam desconfortável e mesmo perigoso o que um dia foi lazer dos bons. Mas há um outro fator que os analistas do fenômeno tendem a deixar de lado, os DVDs e as telas de 50, 60 ou mais polegadas. Se posso assistir a um filme no conforto de minha casa, para que ir ao cinema?

   Desde há muito defendo a idéia de que é muito melhor assistir a uma ópera no conforto da própria casa que numa sala solene. É que a sala abriga duas, três ou quatro mil pessoas, e naturalmente a maior parte dos espectadores ficará longe da cena. Mesmo os que estão perto não ficam muito perto. O DVD me traz gestos, sorrisos, detalhes do rosto dos cantores, dos instrumentos, que passam despercebidos numa sala. Os personagens parecem estar cantando exclusivamente para mim. Mais ainda: findo o espetáculo, o encanto dissipou-se no ar. Resta só na memória. Com o DVD, posso repassar a qualquer hora – seja para mim, seja para amigos – os momentos que mais me cativaram.

   Se quero rever a ópera, basta sentar de novo no sofá, sem ter de esperar pela próxima apresentação. Já vi mais encenações de Mozart do que o próprio teve chance de ver. Posso também acompanhá-la degustando um bom vinho. Vinho sempre combinou com ópera. Adoro brindar com Don Giovanni, na hora em que Leporello lhe serve um “eccellente Marsimino!” Há anos, um bom amigo, conhecedor de meus vícios, trouxe-me da Itália um vero Marsimino, para erguer a taça junto com Don Giovanni. Foi um dos mais sensíveis regalos que já recebi.
   Leia artigo completo. Beba na fonte

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Uma lenda do blues na Ilha


   Festival Chicago Connection estreia turnê 2013 em 11 de maio no CIC com o blues man Linsey Alexander, que vem ao Brasil pela primeira vez. No roteiro ainda São Paulo, Porto Alegre, Santa Maria, Caxias do Sul e Lages    Há 50 anos Linsey Hoochie Man Alexander é peça importante no tabuleiro do blues de Chicago, tocando ao lado de B.B. King, Buddy Guy, Magic Slim, Little Milton, entre outros reis desse estilo musical. Ele vem para a primeira edição do Festival Chicago Connection, onde vai apresentar seu mais recente álbum Been there done that, gravado em 2012 pela Delmark, uma das gravadoras mais importantes do cenário do blues, e considerado o melhor CD de blues do ano passado.
    No Brasil, acompanha o blues man uma banda com oito integrantes – sax, trompete, trombone, gaita de boca, piano, bateria, guitarra, baixo. O show de abertura em Florianópolis fica com Cristiano Ferreira & Trio, que desponta no cenário nacional e é uma referência no Sul do País quando se fala em blues.
   Quase a totalidade das músicas apresentadas na turnê brasileira são de autoria de Linsey, mas ele já avisou que também vai incluir sucessos de B.B. King, Buddy Guy e Chuck Berry, como as canções Sweet Home Chicago, Hoochie Coochie Man e Mustang Sally. No playlist estarão as canções Been there done that, If You Ain’t Got It, My Days Are So Long,Raffle ticket, Bad man, I had a dream, Going to rain.
   A vitalidade é uma das características do blues de Linsey e suas letras estão baseadas nas experiências de vida, com um estilo bem próprio. Seu último disco, por exemplo, é o resumo de 50 anos de palco e toca, como destaque, na rádio Bluesville, de B.B.King. Linsey é presença frequente nos palcos das mais tradicionais casas de Chicago, como House of Blues, Kingston Mines e Blue Chicago.
   FESTIVAL ITINERANTE - O Chicago Connection é um festival itinerante, que percorrerá algumas cidades do Brasil, trazendo sempre grandes talentos do blues que se destacam no cenário musical de Chicago. Além de Florianópolis, estão no roteiro São Paulo (14 de maio), Caxias do Sul (15), Porto Alegre (16), Santa Maria (17) e Lages (18). 

SERVIÇO
O quê – Festival Chicago Connection
Quando – 11 de maio, às 20 horas
Onde – Centro Integrado de Cultura – CIC – Florianópolis.
Quanto – R$ 60,00 (inteira); R$ 30,00

London, London...

   Por William Ear Long
de Londres especial para o Cangablog

   Luiz Henrique acorda, folheia o Financial Time e diz: 
- Nada de novo. 
   Liga pro meu apto e diz: 
- Vamos dar uma passeada.
   Encontramo-nos na portaria do Hotel Windsor e saímos em direção ao Palácio de Buckingham. No caminho, ele aponta para um monumento e diz: 
- É uma homenagem ao Cabo Trafalgar.
- Como assim, pergunto: Ele então responde pausadamente que o cabo era praça da polícia local. Praça em inglês é square, logo Trafalgar Square ou Cabo Trafalgar...

   Fiquei em dúvidas, mas calei. Voltamos ao hotel para trocar de roupas. De repente toca a campainha do quarto dele. O mensageiro pronuncia: 
- Mr. Silveira? Ele responde: Between.
*William Ear Long
é o  jornalista responsável
pela cobertura da viagem
do senador LHS a Paris.
Tudo pago com dinheiro
público.

   A mensagem avisa que está cancelada a palestra. Ele entra em transe. Olha na minha direção e pergunta? 
- Walk on by?

   E saímos na direção de Westminster. Quando chegamos à Abbey Road, apenas as faixas brancas no chão.

Atônito, ele reflete:
- Não há palestra, não há Beatles, não há mais sonhos, não há seguidores e nem discípulos, não há ideais, não há governo, não há exemplo, não há mais nada. O que eu deixei?
Who am I?

domingo, 5 de maio de 2013

Tio Bruda...ao vivo

Foto que recebi da minha irmãzinha Camaria. Encontrou o tio Bruda por aí...

Pequenas reflexões (fragmentárias)

Por Emanuel Medeiros Vieira

Para Adélia e Dorinha-irmãs e amigas
para Letícia Arangue, Manairá Athayde (e André) e Carlos Mota

   Informam-me que uma pessoa muito amiga, muito amada e muito querida está à morte.
   Devoto-me as palavras - mal rompe a aurora - há mais de 50 anos: eu sei, elas não mudam o mundo.

   O que dizer?

   Mas a palavra tem uma força imensa: nós nascemos para ela.
   Somos, como dizia Lacan, “falesseres”.
   Seres da fala e prometidos à morte, ao falecimento.
   Alguém disse que a escuta tem uma função pacificadora, e é cada vez mais necessária no
mundo globalizado em que vivemos.
   Salma Rushdie acredita que é “função do poeta: nomear o inominável, apontar as fraudes, tomar partido, dar forma ao mundo e impedir que adormeça”.   Só haverá lugar para fala e para a escuta, se houver afeto.   Afeto, segundo Freud, está no campo do prazer e do desprazer.
   O citado Lacan, por sua vez, traz o silogismo “amódio”, que junta amor e ódio.
   
   O que fazer? Fazendo!

   A vida seria aquele touro que, segundo o poeta Garcia Lorca, temos de enfrentar, nem que seja com o traje emprestado do toureiro.
   Escrevemos porque acreditamos que isso dá sentido à nossa vida.
   Continuaremos escrevendo porque é também um modo de domar tormentos.
   O leitor não tem rosto.
   Mas insistiremos: não para sermos célebres, por dividendos pecuniários, por vaidade. Isso não tem importância.   É preciso sentir organicamente a palavra para não poder viver sem ela.
   E continuamos.
   Viver é breve, efêmero.
   E continuaremos com a palavra, mal rompe a aurora - até.
(Salvador, maio de 2013)