terça-feira, 14 de maio de 2013

Ao próximo governador


   Por Marcos Bayer
   A política em Santa Catarina está bastante junta e misturada como diz a Regina Casé, aos domingos, na TV Globo.
   Do grande MDB (15) surgiram, ao longo da redemocratização, vários partidos nele gestados. O PT (13), o PSDB (45), o PV (43), o PSB (40), o PSOL (50) e outros.
   Da mesma forma, da grande ARENA, o maior partido do Ocidente, surgiu o PDS (11), o PP, a FL (25), o PFL, o DEM e o PSD (55).
   Um era o movimento de esquerda, outro se movimentava para a direita.
   Aí veio a queda do Muro de Berlin (1989), a Perestroika e a Glasnost de Mikhail Gorbatchov que implodiram a URSS dando espaço para o renascimento da Rússia, noutros termos.
   O mundo globalizou-se, o capital passou a comandar as relações pessoais, a solidariedade virou marca sindical em Gdansk.
   O capitalismo, agora mais impessoal do que nunca, desdobrou-se. De um lado a prática fria e precisa da tomada de decisão, levando em conta suprimentos, mão de obra, escoamento, preços, tributos e exportação.
   De outro, pseudo empresários, capitalistas de nádegas que buscam no Estado uma forma de remuneração. Trabalham para o Estado na certeza da mais valia garantida.
   Eles estão em todas as áreas. Dos portos à publicidade. Estão todos juntos e misturados, fazendo com que o produtor de carrinho de mão para a construção civil estabelecido em Brusque há mais de quatro décadas perca espaço econômico e financeiro para uma empreiteira espanhola que cuida do litoral sul da BR 101, com apoio da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres.
   Afora a modernização da estrutura pública, da melhor remuneração das profissões essenciais - como professores, médicos e policias - é preciso acabar com esta ordenha automática que drena recursos do cidadão e do Estado.
   O sentido da República é percebido por poucos. Primeiro, porque é necessário estudar e compreender o alcance coletivo e impessoal do conceito. Segundo, porque é necessária absoluta solidariedade política para viver a República.
   Que o próximo governador saiba costurar uma aliança de interesses, legítimos interesses, com o povo catarinense, acabando com esta prepotência safada e burra, porque nem criativa é. 
   É impossível que população eleitora não perceba a máquina de desconstrução que aqui se instalou em passado recente. Até a indústria catarinense corre seus riscos em razão da licenciosidade fazendária estadual. E para compensar a sangria desfeita, nove bilhões de reais de empréstimos da União.

2 comentários:

Anônimo disse...

O próximo governador vai ser mesmo, infelizmente.

Mané Estrangeiro disse...

"É impossível que população eleitora não perceba a máquina de desconstrução que aqui se instalou em passado recente."
Pelo contrário, é possivel sim. A população eleitora tem mostrado isso ao longo das ultimas eleições. Boa parte em função do voto de cabresto ou comprado (com sacos de areia ou brita) e a outra parte, mais importante, completamente alheia às negociatas tratadas nesses governos.
Alheia, porque mantida à sombra das informações tão necessárias para cristalizar seu voto. A grande mídia não promove o debate, e nem informa a realidade, que por sua vez é discutida apenas em círculos diminutos e ainda muito pouco nas redes sociais, que embora crescentes, ainda não atingem a grande massa.
Faltam mais Cangas na midia alternativa. E os Mosquitos fazem falta tambem.