domingo, 28 de julho de 2013

Jatos e Jactâncias no Inverno Político Brasileiro


   Por Eduardo Guerini

   A propalada crise democrática que o Brasil vive nos últimos meses, incrustrada na crescente e constante desconfiança com a representação política brasileira, é um sintoma drástico do inverno político tendendo ser mais rigoroso nas paisagens congeladas pela neve que assistimos em toda a mídia provinciana do solo catarinense e brasileiro.   A trajetória razoável que muitos analistas identificam pode ser resumida na simbólica frase “ Eles não nos representam mais!!!”, como se algum dia no caso brasileiro, nossos partidos em sua inabalável fé pública buscassem o interesse geral traduzido pela vontade da maioria. 
   A miríade de grupos mobilizados , as demandas crescentes diante da escassez dos recursos para atender os principais financiadores das campanhas eleitorais - leia-se, grandes construtoras, conglomerados financeiros e transnacionais, com toda sua elite empresarial mobilizada em controlar nas “palavras e no chifre” uma classe costumeiramente arredia aos acordos que antecedem a legitimação da “ingovernável democracia e seus representantes”.   Neste momento, um governo atônito e sem rumo, mediado por uma medíocre representação de interesses particularizados na institucionalidade política, se coloca a produzir uma campanha massiva de nebulosa ostentação de “feitos” produzidos nos laboratórios dos alquímicos publicitários e suas pesquisas de opinião.    E na senda do pragmatismo e oportunismo político, as explicações recorrem à ideia que 
existe uma “cultura cívica” de bom comportamento nas manifestações, enquanto as imagens repetidas à exaustão no noticiário político demonstra que a violência do aparato de segurança do Estado brasileiro, continua e perpetuará a máxima - radical bom é aquele que foi sepultado, crítico ideal é aquele calado. E para nossa pasmaceira política, a desqualificação do discurso crítico e radical, parte por insanas teorias conspiratórias e fantasiosas construções metafóricas sobre o que não se quer ver ou sentir – a população brasileira cansou de tanta empulhação de governantes hipócritas e representantes políticos saqueadores no uso e abuso do poder politico.   O desencadeamento da espiral de cinismo republicano, com a mobilização cívica comportada e ordeira, como pretende parcela significativa da mídia, não passa de um jogo com cartas marcadas para manutenção da crença no sistema democrático e representativo via processo eleitoral ( viciado, corrompido e degenerado).   Entre jatos para sustentar ministros e políticos na sua jactante atuação no poder, a melhor condição seria usar do cinismo em espiral para construir as bases de rompimento com a elite política incompetente, despreocupada com o povo, corrompida em sua prática e arrogante nos seus gestos.    Assim, o uso desmedido de jatos da FAB, nas asas da jactância política de todos os oportunistas e pragmáticos que nos governam, nada melhor que uma tempestade cívica para romper a barreira da “espiral do silêncio” com o grito forte e uníssono de “Senta a Pua!!!”

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