quinta-feira, 5 de setembro de 2013

CARTAS


   Por Emanuel Medeiros Vieira

   QUEM AINDA ESCREVE CARTAS?

   Estaria terminando a era da epistolografia?
   Quem escreve cartas hoje? Não, não falo de meras mensagens eletrônicas. Estou falando de cartas escritas com paixão. Cartas carregadas de afeição. Refiro-me àquelas que são postadas nos correios. Quando enfrentamos filas, compramos e colamos selos. Quem escreve e recebe respostas destas cartas, sabe como é bom chegar às nossas casas nos crepúsculo de cada dia e encontrar uma dessas missivas de amigo. Não, não falo de convites, cartas institucionais, propagandas de cursinhos, de prospectos impessoais oferecendo remédios para calvície, gorduras e todos os infortúnios da alma e do espírito.        Falo de cartas e amigos e de amadas. Carta, para mim, é aquela que contém pele, carne, sentimentos. Nesta crônica queria defender, como um Mário de Andrade reencarnado, a restauração do hábito de redigir cartas. Mesmo que fragmentárias, trôpegas, curtas. Carta onde a gente leva algo de nós próprios. Nos tempos da impessoalidade, da tecnologia, da obsessão do lucro, onde o Deus mercado impera escrever cartas pode não ser algo napoleônico, mas faz muito bem à alma. VIVA A EPISTOLOGRAFIA! Deixemos o pessimismo para tempos melhores... Os indivíduos morrem, porém a sabedoria que conquistaram ao longo de suas vidas não. A humanidade guarda toda a sua sabedoria, e cada um faz uso da sabedoria daqueles que o precederam, como salientou Leon Tolstoi. Amigo: escreva cartas! Termino com a iluminada Clarice Lispector, que também amava as cartas:
   “Até chegar à rosa foi um século de coração batendo”.

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