quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Terceiro dia em Roma

   Ontem, quarta (18) saimos cedo de casa e compramos passes para todo o tipo de transporte urbano. Foi a nossa primeira experiência no transporte coletivo de Roma. Pagamos 32 euros por dois cartões para serem utilizados em três dias. Essa era apenas uma das opções que nos foi oferecida em uma pequena tabacaria da esquina de casa.   
Tinha passes de 1 dia, 100 minutos, 1 semana e outro de 36 euros que além de garantir deslocamentos em trens, metro e ônibus por toda a cidade ainda dava direito a entrada em museus, inclusive o do Vaticano.
Kit turismo
   Bem, a experiência foi muito boa para ver como temos a aprender e melhorar em termos de mobilidade em Florianópolis. Deu para ver como tudo funciona maravilhosamente bem quando existe investimento e vontade política voltada para a qualidade e conforto da população. Todos os ônibus, trens e metrô são limpos, refrigerados e pontuais. Tudo é muito bem indicado em placas, luminosos e por meio de informação de voz nas estações e dentro dos veículos. Não é necessário ser romano para se locomover com facilidade e conforto nesta cidade. Uma maravilha!
   Andar por Roma é facílimo basta um "kit turismo" básico: mapa da cidade (distribuidos gratuitamente em hotéis e pontos de informações), um pequeno guia turístico de Roma (tipo o editado pela Folha de SP), passes transporte, passaporte, uma garrafa dágua que pode ser abastecida a todo momento nas várias bicas instaladas na cidade, roupa e calçados confortáveis. Pronto, com este arsenal básico você poderá, como eu, caminhar até 12 km por dia e ser feliz em Roma.

  Roma Capital do Mundo
Campidólio: Centro religioso e político
    Nosso terceiro dia na cidade foi dedicado à região mais antiga de Roma. O Campidoglio, um complexo que abriga igreja, templos e museus (um deles projetado por Michelangelo), foi o centro da vida religiosa e política da antiga Roma quando era considerada a Capital do Mundo.
   Próximo do Campidólio mergulhamos no Fórum romano que reúne o Coliseu, Arco de Tito, Arco de Constantino e os Mercados de Trajano, o primeiro shoping center do Ocidente. Só ali, o imperador Trajano explorava, em 150 lojas, sedas, especiarias, frutas, flores e peixes. Isso tudo a 3 mil anos atrás! Século I D.C.
À esquerda a Coluna de Trajano. Ao centro o seu "shopping" de 150 lojas
Ruinas do Fórum
   O Coliseum é fantástico pela sua grandeza e imponência. Local de diversão do povo, lutas mortais e enfrentamentos com feras, a gigantesca arena foi iniciada pelo imperador Vespasiano em 72 D.C e terminado por seu filho Tito.
   A beira da morte Vespasiano escreveu uma carta a Tito. Mais semelhante ao que acontece nos nossos dias no Brasil impossível.
   A ela:
   22 de junho de 79 d.C.
   Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses 
te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades os inimigos, acalmando e os vulcõe. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: Não pare a construção do Coliseu. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória. Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos.
   Pensa: Onde o povo prefere sentar, num banheiro, num banco de escola ou num estádio?
   Num estádio, é claro.
Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma e sempre que o olharem dirão: “Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou”
Pão e circo
   Outra vantagem do Colosseum: Ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de necessidade.
   Moralistas e loucos dirão que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas, até um cego vê isso. Portanto, deves construir esse estádio em Roma.
   Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: Para seduzir o povo, pão e circo.

   Esperarei por ti ao lado de Júpiter.

   Após a visita ao Coliseu, seguimos até a pequena praça Veneza e ficamos sentados admirando o gigantismo do monumento a Vitório Emanuelle II. Demos uma pausa para o almoço. Vinho, cordeiro, omelete, salada e água, tudo isso na sombra fresca de um parreiral. É ruim...
   Renovados, estreamos no metrô de Roma. Linha azul: Coliseu/ Termini. Depois linha vermelha: Termini/Otaviano às portas do Vaticano. O metrô limpo, refrigerado e rápido.
   Eram 16:30h quando decidimos enfrentar um multidão, multiracial, multinacional, multi cultural...emfim, multi tudo, porque é muita gente querendo entrar na Basílica de São Pedro. De grátis!
   Depois de muita água e passos lentos entramos na Basílica. Valeu à pena pela beleza dos afrescos e a suntuosidade da aquitetura. A nave principal tem 218 metros de comprimento, tudo trabalhado em mármore. A cúpula pintada por Michelângelo tem 136 metros, a mais alta do mundo! A Pietá, esculpida em mármore por ele aos 25 anos, mesmo estando protegida por um vidro a uns 5 metros do público, é algo indescritível!
   Bem, a essas alturas a gasolina já estava acabando. No caminho para sair da praça S. Pedro descobrimos como comprar os ingressos para o Museu do Vaticano sem entrar em filas quilométricas. Deixamos 40 euros no cofrinho do Papa Chiquinho e saimos com os ingressos na mão para às 10h do dia seguinte. Tudo dando certo.

GENESIS
   O último programa do dia foi uma visita ao museu Ara Pacis onde apreciamos a fantástica exposição fotográfica do brasileiro Sebastião Salgado. Genisis merece ser vista por todos. Uma viagem pelas regiões mais inóspitas dos quatro continentes sob o olhar mágico deste gigante da fotografia.

    O dia já estava ganho. Nos dirigimos a um café na ponte Cavour e, admirando a lua cheia sobre o rio Tevere, esperamos o rush passar. Ônibus, trem de superfície e 9 horas da noite estávamos em casa. Cansados e felizes.

   "As mina pira em Roma!"


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