quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Magistra Vitae

Por Eduardo Guerini

Em penitência cotidiana, escrevendo na
 lousa sua profecia de vida - Ler, apreender,
 ensinar a ser feliz.

   Eis que surge a dúvida diabólica que move toda a classe do magistério em sua senda de vida: é uma profissão de vida ou uma profissão de fé?
   Uma incansável classe trilha todos os dias um caminho longo e tortuoso por todas as partes do imenso território brasileiro. A lembrança de condições inóspitas é algo natural, embora incompreensível para maioria dos trabalhadores que acredita ser este ofício algo leve e saboroso. Todos os anos, o mês de outubro é carregado de festas populares, lembrando que estamos próximos de uma temporada de verão. E na tarefa cotidiana, de sol a sol, com a martirizante situação de penúria existencial, na normalidade sofrente, esculpindo o semblante, os mestres vão sucumbindo as intempéries de sua natureza humana e desvalorização social.
   Na “terra brasilis”, os professores são um bom enredo para campanhas eleitorais, com ajuda da funcional ferramenta do “marketing político”, especuladores da realidade criam uma realidade ficcional para o cotidiano do magistério em todos os níveis. Na terra encantada da propaganda política – homenagens, escolas e personagens são perfeitos - a harmonia estética é uma grande utopia a ser atingida. 
   A infraestrutura das escolas e as condições de trabalho dos professores está tão distante como o “pote de ouro” no final do arco-íris, tal como perseguíamos na fantasia infantil que alimentávamos no inicio de nossa vida escolar. As escolas brasileiras na atualidade são um depositório cruel de crianças e profissionais desvalorizados e descontes. Um tom sombrio se abateu no ambiente escolar nas últimas décadas – o desencantamento na arte de ensinar e aprender.
   Não bastasse a penúria estrutural, nossos governantes que disputam majestosamente espaços midiáticos para narrar planos e metas que soterram qualquer esperança possível. O uso político das escolas – local onde a liberdade de cátedra e expressão deveria reinar, foi devidamente ocupado pela nefasta classe de “comissionados” ou “indicados politicamente”, todos devidamente apresentados por um parlamentar oportunista em manter currais eleitorais.
   Finalmente, a escola foi contaminada pela tecnologia, na ânsia de entrar para a “pós-modernidade”, todos os gestores buscam um meio para empurrar uma quinquilharia eletrônica como sinal de inovação ao velho e surrado quadro e giz. Entre paredes e aparelhos eletrônicos, os professores passaram a condição de coadjuvantes do processo educacional, ou como diz aquele especialista em pedagogia e didática – um mediador (sic)!
   Na histriônica condição de governantes que mandam policiais militares usarem a força desmedida e lançam “spray de pimenta” em professores, resistimos resignados e silenciados – a vida é magistral. 
   Na resistente luta cotidiana por melhoria das condições de vida e de trabalho, não rendemos homenagens aos governantes de arlequim, repudiamos falsas homenagens, seguimos vivendo e aprendendo, tudo pelo bom combate - no campo das ideias e da realidade. 
   Afinal, somos mestres na interpretação, na leitura de realidade, aprendemos e ensinamos a beleza da descoberta, redesenhamos a realidade.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ilustre Canga,
Professor deveria ganhar metade pois, mesmo assim, estaria ganhando o dobro do que merece!
Assim, aprenderia a não mais ensinar os filhos dos outros, pois nem um nem outro lhe trazem o menor respeito.
Nossa sociedade procura sala de aula pra ter diploma!
Conhecimento é mania de professor,...e a clientela detesta!
Greve de professor deveria ser lúdica, como acontecia num educandário estadual de Fpolis em que, nas sextas feiras a noite, o que havia era congraçamento musical!
Se isso fosse a semana toda, até os professores do trio famigerado matemática-física-química seriam endeusados!
Saudações pelo Retorno,
Vitor