sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

DOIS ANOS SEM O MOSQUITO

Por Emanuel Medeiros Vieira                     
                           
      “A maior fraqueza do homem é poder tão pouco por aqueles que ama”
                              (Blaise Pascal – 1623-1662)
    
   Já faz dois anos da tua partida (hoje é 13 de dezembro de 2013), Mosquito. Passou rápido.
   É preciso lembrar os nossos mortos, é preciso recordar todos aqueles que amamos.
   Serei breve, nem terei uma postura laudatória. Se  convivemos com as nossas imperfeições, por que não entender as alheias? Cometemos injustiças em nossas posturas e avaliações? Cometemos, cometestes. Amilton Alexandre (o nosso Mosquito): teu saldo foi maior. De coragem extrema e de espírito altamente combativo no meio da acomodação, do individualismo do desinteresse pelo outro e pelas mazelas do país.
   Há um travo de saudade – mais serenada. Sei, sabemos: foi muita luta,  muito processo, muita aporrinhação, muitas dívidas, muitos processos. E o coração fraco.
    Fazes falta. amigo. O que posso te contar (somos pó e memória)? O teu Avaí continua na Segunda Divisão, gente que querias que fosse punida continuou impune (é de extrato muito poderoso), a musa do socialismo generoso, a Ideli Salvatti, continua ministra e revelou uma enorme paixão por helicópteros. Os marqueteiros  continuam ganhando rios de dinheiro, a mediocridade da nossa classe política é cada vez maior, mas poderosos de plantão foram parar atrás das grades. Um deles – que conheci na luta estudantil na década de 60 (não é uma lembrança que me conforte), que queria ser presidente da República, está no cárcere. É verdade. Não sei se te lembras dele: pela sua pronúncia, é uma mistura de Mazzaropi com Stálin (pela sua prática política).
   Poderia dizer: e o amigo foi embora e ficou na terra muito velhaco, ladrão, traidor. Mas é melhor não falar nisso. É do destino, da vida, de tudo.
   Cansa? Cansa. Mas a gente não renuncia à luta. Teus bravos amigos blogueiros continuam honrando o ofício, como muitas pessoas de bem. E, humanamente, tenho saudades.
   Continuas nos nossos corações e na nossa memória afetiva. Almejo que tenhas encontrado a paz que a vida não te deu. E continuaremos.

 PS: Quem se lembra de 13 de dezembro de 1968? Foi o dia da decretação do AI-5, a maior porrada que minha geração recebeu (junto com o golpe de 64). A partir daí, a ditadura ficou tenebrosa, e todas as portas foram fechadas. E ele só foi revogado em 1978.

Mosquito: lá vai um abraço afetuoso do Emanuel Medeiros Vieira

(Brasília, 13 de dezembro de 2013)

5 comentários:

Anônimo disse...

Faz falta para cidade. Era um mal necessário. Apesar de "se passar" as vezes, era uma boa pessoa. Foi embora cedo, perdeu, por pouco, de ver os mensaleiros na cadeia, contudo se livrou de ver a nossa cidade se desmantelando, muita mais do que na era Dário, sob a administração do fraquissímo Cecisinha e Cia.

Mané Estrangeiro disse...

Ah! Mosquito. As vezes voce exagerava. Mas tinhas motivos. Voce se indignava mais facilmente com todas as sujeiras do dia a dia.
Depois que voce foi embora, a coisa perdeu a graça.
Continuamos vendo os mesmo de sempre, fazendo as mesmas sacanagens de sempre, do mesmo jeito de sempre.
Só não temos mais o refresco, o consolo, a "lavada de alma" que teus artigos traziam.
Descansa meu velho. Onde quer que estejas

Anônimo disse...

muito triste a perda de quem tem coragem de publicar sua opiniáo.

Anônimo disse...

Meu caro Canga, parabéns pela lembrança! E repito. Tenho uma fonte do alto escalão do setor de inteligência de um órgão de segurança que jura de pé junto que não foi suicídio.

Anônimo disse...

Se nada pode fazer oficialmente, quem tem informações tem a obrigação de torná-las públicas através das mídias disponíveis.