domingo, 22 de dezembro de 2013

Na restinga do “turismo de ocasião”


   Por Eduardo Guerini

   Na faixa de areia ocupada, relendo o direito ambiental e direito econômico. Resignado, fazendo os cálculos dos lucros cessantes e os prejuízos inestimáveis causados pelo turismo de ocasião dos “beach clubs”
   Nas últimas semanas do ano cabalístico de 2013, a mídia monopólica e provinciana parece ter fixação por assuntos que acirram os ânimos da Província Catarina Virginal. As manchetes são ataques dirigidos de colunistas “chapa-branca” , e, de autoridades(sic!!) da “indústria sem chaminés” que em seu enredo tragicômico anunciam o fim do mundo das atividades turísticas devido a decisão de um magistrado para que se cumpra a Legislação Ambiental, repito, seguir o que está inscrito na letra morta da Lei.
   Confesso que, não sou um legalista, dado que, os assuntos econômicos não levam em conta um padrão moral e ético preconizado por muitos arautos do empreendedorismo. Nas sucessivas notícias das últimas décadas , nossa monopólica imprensa local, não cansa de vangloriar as belezas naturais (inegáveis) do litoral catarinense. Na velocidade da informação em tempo de globalização, fomos saudados como a “Capital Turística do Mercosul” , “Miami do Sul” , etc. Tais títulos são lastro para que a especulação de setores econômicos ative o desejo a necessidade. Toda “trade turística” e empreendimentos assemelhados animadamente sorriem em mais uma venturosa temporada de veraneio.
   Se buscarmos na Resolução do Conama (261/1999), descobriremos que restinga é um ecossistema em terrenos predominante arenosos, de origens marinha, fluvial , lagunar, eólica(...) que formam um complexo vegetacional-edáfico e pioneiro, que depende mais da natureza do solo , encontrando-se em praias , cordões arenosos, dunas e depressões associadas. A formação desses terrenos é muito afetada pela açaõ dos ventos e das águas marinas (grifo meu). Logo, a ação do homem (antrópica) é sempre um convite para degradação em todos os níveis, assim, o termo sustentabilidade e capacidade de suporte são utilizados como mecanismos preventivos tanto no direito ambiental como nos manuais de economia básica para principiantes.
   Nossos laboriosos empreendedores do turismo , intitulam sua atividade como “indústria sem chaminés”, na imagética e distorcida informação que a ação da atividade que desenvolvem , não provoca dano considerável as condições ambientais e sociais , com o distintivo e associado apoio de uma leva de “colonistas sociais , políticos e de economia”da mídia provinciana. Na proporção de apoios políticos, midiáticos, econômicos e de mercadores de ocasião, a polêmica dos “beach clubs”, é um capítulo adicional no venturoso escândalo da “Operação Moeda-Verde” que está sepultada em algum gabinete nos Tribunas do Judiciário.
   Um turismo rastaquera é resultado da sanha mercantil – que transformou a paisagem em mercadoria, com o território catarinense loteado sem freios ou pruridos. Enquanto uma parcela da mídia provinciana e colonizada vende a imagem de turistas endinheirados fazendo festa na única praia visível para a grande imprensa nacional ( e olha que temos inúmeros recantos) , a realidade é outra , as praias estão lotadas de turistas predadores . Como são esfolados sem nenhuma cerimônia, seja nos preços abusivos de hotéis, pousadas, restaurantes e serviços, a moeda de troca utilitarista é aproveitar cada segundo, sem nenhum zelo com o rastro que deixarão para os habitantes da Província Virginal.
   É o luxo dos “beach clubs” ocupando ilegalmente a restinga, e, seu resultado - o lixo, que nos convida a brindar com “um bom espumante”, mais uma temporada de horrores neste verão no Brasil Meridional. De todas as carências e necessidades, nos resta sonhar saudosamente com as velhas e surradas fotografias de um litoral de pescadores artesanais e de uso parcimonioso com os recursos disponíveis. Diante da cegueira dos mercadores da paisagem, da morosidade do judiciário, da leniência das autoridades ambientais competentes (sic!!!), da subserviência de colonistas provincianos, e embriaguez rotineira dos turistas, que os festejos nos tragam um pouco de lucidez.

2 comentários:

Anônimo disse...

Uma boa investigacao, quanto de icms recolhem os beach clubs.

Anônimo disse...

What an irony! The Habitasul Jurere Development was always questionable under Brazilian environmental legislation.Now Habitasul finds itself defending the "beach clubs" against those increasing number of residents- their clients - who have become aware of the consequences of creeping privatisation of access to the beach - the beach clubs have virtually commandeered the seafront creating a noise issue and making life intolerable.
What will happen is anyone's guess : Brazilian law is notorious for everlasting stalemate.