terça-feira, 11 de março de 2014

Da lata...lembram?

Houve uma vez um verão muito louco…
Um mergulho de Claudio Manoel no inacreditável caso do navio gringo que despejou toneladas de maconha no litoral brasileiro nos anos 80

   Se você nunca ouviu falar, certamente não era nascido na época. Um caso fantástico, muito doido, completamente improvável. Tem dezenas de versões e invenções, mas, acredite, aconteceu. É tão implausível e fascinante que me atraiu para mergulhar fundo nele, com a intenção de, se tudo der certo, levá-lo às telas em breve, num documentário que pretendo dirigir (junto com meus parceiros Micael Langer e Calvito Leal), aproveitando o embalo da experiência bem-sucedida do nosso Simonal — Ninguém Sabe o Duro Que Dei.

   O “Verão da Lata” começou num belo dia de setembro de 1987, portanto ainda na primavera, quando as primeiras delas começaram a aparecer. Logo quando foram achadas e abertas, a notícia se espalhou como fumaça. Latas e latas de maconha, centenas, milhares, surgiram do nada numa grande faixa de nosso litoral. Dezenas de policiais e incontáveis “interessados” se mobilizaram. As latas foram capturadas por repressores e consumidores e todos os lados trataram de espalhar sua fama. A “marofa” que surgiu repentinamente em nossas praias era de um teor bastante alto de THC. Ou seja, além de aparecer em grande quantidade, devidamente enlatada e do nada, a danada não era só da boa — era da ótima! Quando tudo passou, sobrou a lembrança daquilo que ficou conhecido como o Verão da Lata. Depois que tudo passou, nada tinha passado. As latas tinham virado gíria, música, moda. Tinham virado lenda.

   Tudo tem início quando o navio Solana Star, vindo de Singapura ao Brasil com um carregamento de mais de 20 toneladas de maconha acondicionadas em milhares de latas, ao perceber que estava sendo perseguido pela polícia, descarrega sua preciosa carga no mar, abarrotando nosso litoral com a mercadoria (principalmente a costa do Rio de Janeiro, mas atingindo também Espírito Santo, São Paulo e, “dizem”, até Santa Catarina). As latas não paravam de surgir em vários lugares e de produzir manchetes. No início, a ordem das autoridades era apreender a mercadoria e, depois, remetê-la para a Polícia Federal. Mas a quantidade era tanta que foi dada a ordem de incinerar as latas nos locais onde fossem apreendidas. A polícia apertava o cerco e acendia na hora.

   A tripulação do navio conseguiu fugir, sobrando apenas para pagar o pato o cozinheiro do navio, o americano Stephen Skelton. Julgado e condenado a 20 anos por sua participação no “narcotráfico internacional”, o cozinheiro foi conhecer as delícias do Presídio Ary Franco, onde ficou preso por pouco mais de um ano, sendo libertado após um segundo julgamento, que anulou o primeiro. O Solana Star acabou sendo leiloado e transformado no atuneiro Tunamar. Em sua primeira viagem com a nova identidade e função, naufragou perto de Arraial do Cabo, distrito de Cabo Frio, no litoral fluminense. Maldição de Jah?

   
    Leia matéria completa. Beba na fonte.

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2 comentários:

Anônimo disse...

Condenaram o cozinheiro!!! Pior que essa só a prisão do Gil pelo Elói!

Léo disse...

Que curtiu alguma lata com certeza não lembra de anda... rsrs