terça-feira, 4 de março de 2014

No ralo e no fundo do poço...

   Por Eduardo Guerini

Puxando a corda do balde no poço do tesouro  estadual,  seco de recursos para educação, saúde e segurança, porém, cheio de desvios e maracutaias  palacianas para satisfazer a sede de políticos e gestores corruptos.

   Noutro tempo,  partidos, militantes e cidadãos comuns ergueram a bandeira da “Ética na Política”, em todas as partes da federação. A famosa transição democrática, o desejo de um projeto de nação, com governos e governantes menos obscuros, guiavam a sanha por transparência  e satisfação das necessidades essenciais de uma população pauperizada e marginalizada.
   O legado  das décadas de luta pela democracia  e ampliada cidadania, demonstrou ser um caminho tortuoso, carregado de obstáculos e privações que apontam para uma elevada insatisfação de parcela cada vez mais ampla da sociedade.  Os partidos que outrora  estavam ligados aos movimentos sociais na base societal,  tomaram postos  nas esferas municipais, estaduais e federais. O ápice foi à chegada do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder, com o apoio do PMDB,  partido  com ampla capilaridade municipal.
   Em Santa Catarina,  a federação decantada com um “modelo econômico” equilibrado, de gente trabalhadora, famílias se alternam no poder estadual, com variantes entre situacionistas e oposicionistas. A presença de sobrenomes costumeiros no comando, vez ou outra, é alternada por um “capataz” ou “laranja” na condução da máquina governamental.
   O Poder Legislativo catarinense, casa de representantes de mandato popular, se transformou em casa de subserviência rotineira, depois do reinado  de um governante  descentralizador. Na alternância rotineira de eleitos e suplentes – para satisfazer os desejos das bases partidárias, na sucessão de presidentes da Casa, que são agraciados com “mandatos temporários” no Poder Executivo, na raquítica e ocasional oposição que silencia diante de descalabros corporativos, tais como:  funcionários fantasmas, inválidos de festim aposentados, loteamento de cargos em comissão e rapinagem salariais de toda ordem dos funcionários de gabinetes de todos os partidos, etc.
   Na sucessão de fatos que são denunciados por órgãos externos de maneira pálida e sem contundência, afinal, o Tribunal de Contas de Santa Catarina, é uma casa de repouso de políticos em final de carreira, o Ministério Público está enredado na genealogia do poder oligarca que se sucede na província, e,  o próprio judiciário catarinense se submete sazonalmente aos interesses palacianos do governante incumbente de plantão.
   O afastamento do Presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina,  indiciado em  escandalosa rede de superfaturamento e subtração de recursos públicos – fonte inesgotável de financiamento de campanhas eleitorais, nada mais é que o sintoma grave que se observa no cenário nacional - a degeneração e corrupção em todos os grotões do Brasil.
   O caso catarinense resulta de uma equação perigosa e nefasta – oportunistas e interesseiros de ocasião fazem do Estado seu balcão de negócios. Noutro lado, pragmáticos  e corporativos  traçam estratégias de se perpetuar no poder utilizando todos os mecanismos necessários para usar o aparato estatal – nomeando, contratando ou subornando. Todos unidos em torno da corrupção e pilhagem do erário público.
   Na  trágica combinação da governabilidade com cooptação, a ética se esvai ralo abaixo, as esperanças são esquecidas no fundo do poço. Que tenhamos uma “MUDANÇA” na festejada alternância democrática, uma  oposição mais consistente e menos acanhada. SANTA CATARINA  e o BRASIL merecem mais!!!


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