quarta-feira, 30 de abril de 2014

Em guerra contra a Nestlé

Por Marina Almeida

Grupo de moradores e Ministério Público querem proteger o Parque das Águas de São Lourenço, em Minas Gerais, da exploração da multinacional


   Da varanda do apartamento onde mora, Alzira Maria Fernandes olha para o Parque das Águas, em São Lourenço (MG), com tristeza. “Só acha bonito quem não viu como era antes. Eu frequentava muito ali. Era uma maravilha. Agora a Nestlé está acabando com tudo.” A principal preocupação da aposentada não está nos jardins planejados nem na mata nativa que o espaço, de 430 mil metros quadrados, abriga, mas no que ele esconde em seu subsolo: nove fontes de raras águas minerais e gasosas, com propriedades medicinais, que começaram a se formar há algumas dezenas ou centenas de anos.

   “Água nenhuma mais tem sabor. A fonte Magnesiana chegou a secar, agora voltou, mas só cai uma tirinha, tirinha. E era bastante”, lamenta Alzira. No sul de Minas Gerais, ela e um pequeno grupo de moradores de São Lourenço acreditam que a exploração das águas para engarrafamento está afetando a qualidade do líquido e a vazão nas fontes. Reunidos na associação Amar’Água, eles tentam lutar contra a gigante multinacional e a legislação brasileira, guiada pela lógica da exploração comercial desse recurso mineral.

   Alzira hoje evita ir ao parque, “para não passar raiva”, mas se orgulha de conhecer sua história. “Olha como era bonito. Até o presidente Getúlio Vargas vinha aqui. E hoje está desse jeito…”, diz, ao mostrar fotos antigas, de quando a cidade, surgida em torno de suas águas minerais, era um grande polo de turismo e tratamentos medicinais no Brasil. Mas o saudosismo dá logo lugar ao senso prático. Ela se esquece dos turistas de chapéus e saias rodadas e de suas gavetas sai uma série de documentos que ela empilha sobre a cama. São pareceres ambientais, estudos, laudos e ofícios sobre a exploração das águas minerais de São Lourenço pela Nestlé.

   A maior parte dos documentos é do processo de 2001 que o Ministério Público Estadual moveu contra a empresa, depois de protestos da população sobre alterações no sabor e na vazão das águas do parque. Na ocasião, foram encontradas irregularidades na exploração de um poço, o Primavera – aberto sem autorização e cuja água passava por um processo de desmineralização, proibido pela legislação brasileira (link para a matéria com essa história). O poço foi fechado, mas outras questões levantadas na época continuaram sem resposta – como a falta de um estudo maior sobre a região, que permita determinar com precisão a capacidade de reposição dos aquíferos e a quantidade segura de extração de água para garantir a sustentabilidade do recurso.

Leia reportagem completa na Pública.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ramiro Rubim


Algumas ondas no campeonato de sábado, mar mexido com muita corrente, depois de 5 cansativas baterias, consegui vencer!!!! (Praia do Campeche)

sábado, 26 de abril de 2014

Esbulho Partidário – A derrocada dos caciques em seus conchavos

   
Por Eduardo Guerini
Em contagem regressiva para  apuração da fissura partidária em Santa Catarina. Quando caciques perdem a bússola.

   Na tradição partidária – existem dois tipos de partidos políticos: os partidos de massa  e os partidos de elite. A história política brasileira é permeada por partidos  que sonham com a  massa e acordam enredados na intrincada e flexível malha ideológica dos partidos de elite. Eis o dilema do PMDB – um partido que sonhava com as massas e acabou nos braços da elite – triste sina para militantes sonhadores, que se atrevem em falar de “carta programática”.

   Na atual conjuntura catarinense, e, por extensão, nacional,  os grandes partidos – palacianos ou não, revelam uma recalcitrante realidade, em suas “rumorosas transações”, em torno da governabilidade: tratam de negociar  tudo e todos, sem qualquer pudor ou ética. Neste interim, os programas políticos intermeiam-se com as narrativas policialescas, evocando a luta de fratrias mafiosas que decidem o destino de nosso  “governismo de coalização”. 

   O mergulho mítico de Ulysses, o nosso Guimarães, deixou lacunas históricas na arte de fazer a  “boa  política”. Nesse  atual esbulho partidário, contaminado por pragmáticos e oportunistas de ocasião – a derrocada de caquéticas lideranças em discurso senil,  eleva o  nível de cretinismo político nas convenções que garantir a continuidade da decrépita situação em Santa Catarina e no Brasil.

   Não sejamos  ingênuos,  na “jaula de ferro”, caciques despudorados na sanha de eterno governismo, não tem limites para negociação(sic). Triste cenário para catarinenses e brasileiros, de um passado em eterno presente, onde o futuro é o reflexo carcomido de sonhos que nunca existiram. E assim, antes mesmo de existir, o futuro imita o  passado,  na liquidada reeleição catarinense e brasileira.

   Que venham os abutres!!!



sexta-feira, 25 de abril de 2014

"Pensar como Grego e agir como Romano"

   Por Jaison Barreto

   É o DNA dos funcionários do DOPS de 1966, da fraude de um falso esquerdismo, da arrogância própria dos deslumbrados que ridiculamente afirmam nunca ter perdido eleições.

   Foi lá na Urca, na Praia Vermelha, na Faculdade Nacional de Medicina que eu ouvi do meu professor de Clínica Médica uma afirmação estranha, logo no primeiro dia de aula: “Eu não tenho nada pra ensinar a vocês, só quero ajudar vocês a pensar”!
   Nunca mais me esqueci disso: Fazer uma boa anamnese, ouvir as queixas, o histórico do paciente, analisar os sintomas, os sinais para fazer um bom diagnóstico e dar a receita.
   Ao longo da vida a gente vai aprendendo.Hoje todo mundo finalmente descobriu que o papel do professor é cada vez mais importante do que apenas fornecer informações, mas fundamentalmente ensinar o aluno a pensar.
   Esses dois “artiguetes” do Sérgio da Costa Ramos, de repente me obrigaram a pensar a respeito da representação aqui de Santa Catarina.
   Acompanho os debates no Senado e vejo e ouço sempre as vozes que representam os Estados da Federação.
   Independente de partidos, vejo o Paim do PT brigando e lutando pelos trabalhadores e aposentados, solidário com os interesses do Rio Grande do Sul, com um mínimo de independência que o seu papel exige.
   Pedro Simon do PMDB não precisa de apresentação pela sua história e conduta ética.
   A Senadora Ana Amélia do PP (Partido Progressista) garante uma postura de mulher, de independência, representante dos interesses do seu Estado, sempre afirmativa, sem fugir de bola dividida, sem temor de opinar, sem subserviências pros de cima, com espírito de brasilidade, honrando o papel que um representante político tem que ter, seja no Senado, na Câmara, na Assembleia ou na Câmara de Vereadores.
   Confesso que se fosse gaúcho, talvez votasse nela para o Governo do Estado.
   Abro os jornais e infelizmente vejo quadro diferente aqui de Santa Catarina.
   Petrobrás, Reforma Tributária, infraestrutura, educação, saúde, segurança, não são nem citadas em páginas inteiras dos jornais nas entrevistas, como por exemplo, do Luís XV, no Diário Catarinense de hoje (24/04/14).
   Só negócios, conchavos, interesses menores, reeleições, manutenção de cargos, vitória nas eleições, manutenção de privilégios, usufruto do poder, segurança de cargos, o retrato mais claro e definido do fisiologismo da classe política brasileira.
   É o DNA dos funcionários do DOPS de 1966, da fraude de um falso esquerdismo, da arrogância própria dos deslumbrados que ridiculamente afirmam nunca ter perdido eleições.
   Os médicos se preocupam sempre com a “infecção hospitalar”, alguns políticos deveriam se preocupar com a “infecção palaciana”.

Saudações pouco democráticas,

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O pior é nosso e não abrimos mão


  Por Janer Cristaldo

   Em 2003, tive acirrada polêmica com universitários americanos a respeito das cotas raciais. Recebi cerca de 300 respostas – uma delas com 48 páginas – reação que nunca tive no Brasil. Em minha réplica, eu afirmava que, brasileiros, desconhecemos o racismo institucionalizado. Negros e brancos casam-se com brancas e negras, bebem e comem nos mesmos restaurantes, estudam e confraternizam nos mesmos bancos escolares.

   Se há menos negros que brancos na universidade, isto se deve a fatores econômicos, mas jamais legais. O branco pobre – e eles são legião – tem a mesma dificuldade de acesso aos bancos universitários que o negro pobre. O negro rico – e eles também existem – tem a mesma facilidade de acesso que o branco rico. É inteligível o ódio que um negro americano possa sentir por um branco americano. Não há no entanto razão alguma para que este ódio seja exportado ao Brasil. Neste país, do ponto de vista legal, o negro nunca foi discriminado. Nunca tivemos, entre nós, as famigeradas leis Jim Crow.

   Há décadas afirmo que o Brasil costuma importar as piores práticas do Primeiro Mundo. No censo de 2.000, quase sete milhões de norte-americanos, pela primeira vez, foram autorizados a identificar-se como integrantes de mais de uma raça. As categorias inter-raciais mais comuns citadas foram branco e negro, branco e asiático, branco e indígena americano ou nativo do Alasca e branco e "alguma outra raça". Os Estados Unidos deixam de lado a onedrope rule, pela qual um cidadão é considerado negro mesmo que tenha uma única gota de sangue negro em sua ascendência, e descobrem o mestiço.

   Enquanto os Estados Unidos reconhecem a multi-racialidade, alguns movimentos negros no Brasil pretenderam que até os mulatos se declarassem negros no último censo. O propósito é óbvio, exercer pressão legislativa. A população negra do Brasil, em 99, era de apenas 5,4%. Com o acréscimo de 39,9% do contingente de mulatos, o Brasil estaria perto de ser definido como um país majoritariamente negro, como aliás é hoje considerado por muitos americanos e europeus. Lula, em sua já proverbial incultura, caiu nesta armadilha, ao afirmar que o Brasil é a segunda nação negra do mundo. Não é. Negro é minoria ínfima no Brasil. A menos que, como fizeram os EUA, se pretenda negar este espécime híbrido, o mulato.

   Quando os americanos descobrem o mestiço, os ativistas negros brasileiros querem eliminá-lo do panorama nacional. Em uma imitação servil da imprensa ianque, os jornais tupiniquins passam a usar o termo afrodescendente para definir a população que o IBGE classifica como negra ou parda. Mas se um negro é obviamente afrodescendente, o pardo é tanto afro como eurodescendente. A adotar-se a nova nomenclatura, sou forçado a declarar-me eurodescendente. E não vejo nisso nenhum desdouro.

   A palavra racismo, pouco freqüente na imprensa brasileira em décadas passadas, passou a inundar as páginas dos jornais a partir da queda do Muro de Berlim. Apparatchiks saudosos da Guerra Fria, vendo desmoralizadas suas bandeiras de luta de classes, proletariado versus burguesia, trabalho versus capital, trataram logo de encontrar uma nova dicotomia, para lançar irmãos contra irmãos. Existem negros e brancos no Brasil? Maravilha. Vamos então lançá-los em luta fratricida.

Leia artigo completo. Beba na fonte.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

BRASÍLIA REAL AOS 54 ANOS

 Por Emanuel Medeiros Vieira     
                                                         
               Fragmentada crônica “poética” para os que aqui nasceram e também para os que aqui vieram morar - amaram e honraram a cidade.


Para dona Eliete, com saudade 
Em memória de Ivan Moreira da Silva 
e de Ronaldo Paixão Ribeiro 
Em memória de Gabriel Garcia Márquez 

Nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas
Tomo o Grande Circular, W-3 Sul, W-3 Norte,
mangueiras em flor, primeiras chuvas,
a grama ficando verde, penso na “Sinfonia da Alvorada”,
nos pioneiros, no barro vermelho,
não, não a capital do estatuto, dos maquiáveis planaltinos,
mas a urbe de Clarice e do Lucas,
de Renato Russo lecionando na “Cultura Inglesa” aos 19
anos, indo a pé ao Cine Brasília, atravessando os verdes,
SQS, SQN, não SOS– meu particular socorro nas noites do hospital
“Santa Lúcia – em que ‘quase’ desmoronei, e recebi a Unção
dos Enfermos, e me deram dois dias de vida – e estou aqui,
da Feira do Guará, onde Clarice dançava forró
ao som de Luiz Gonzaga, outros sábados,
o “Beirute”, o “Bar do Raul” e o finado “Bar do Afonso”,
o “Campo da Esperança”, onde deixarei os meus ossos, e
lá ficaram o Esmerino, a dona Eliete, o Evandro, Navega, o
Fernando, o Márcio, o Albino, o Côrtes, o Elídio, o Ivan
e tantos outros.

Ah, cidade bandas de rock, e onde vi Glauber Rocha
no Festival de Brasília
e conversei carinhosamente com o
conterrâneo/cineasta Rogério Scanzerla, que foi interno no
Colégio Catarinense, e há poucos anos morreu de câncer.
Cidade de amores findos e tão belos
urbe de sonhos feitos/ desfeitos
da esperança e da solidão,
cidade de amigos eternos
das belas morenas aqui nascidas,
do SCS (agora “traduzo”- Setor Comercial Sul),
onde assisti ao comício pelas Diretas, Tancredo, Ulysses,
do belo campus da UnB,
das cidades-satélites, da riqueza concentrada,
do Plano Piloto (não “Pilatus”),
cidade deste meu andar,
desta escrita, deste sábado de setembro, céu de anil,
leio no parque, escrevo na máquina elétrica,
encantos cerrados, florzinhas descobertas aos
poucos, da louvação às primeiras chuvas,
do amolador de facas

(a cidade tem esquinas sim: é preciso decifrá-las.),

belos crepúsculos, o Parque da Cidade, a Água Mineral , 

a cidade real (não a da mídia) não vive nos palácios,
mas no rosto de muitos brasis,
ah, Clarice, Lucas, e Célia – baiana que aprendeu a amar
o Planalto Central.,

Um dia não estarei mais aqui (apenas estrume),
memória, e chegarão as chuvas de outubro – amando,
pois só me resta amar – até à eternidade.

Baile de cobra

Picaretagem leva corretor a denunciar ao Ministério Público suposta picaretagem do Ministério Público
Em carta aberta endereçada "aos amigos" da imprensa catarinense, conhecido corretor Orlando Becker denuncia "passe de muleta" que levou do primo Paulo Becker em suspeita transação milionária com o Ministério Público. 

 Estimado amigo. 
   Venho por meio deste expor a verdade sobre o atual conflito envolvendo eu e o meu primo-segundo, Paulo Becker, originado após a conclusão da compra de um prédio comercial, que a construtora do Paulo, a Becker Construção Civil Ltda., vendeu para o meu cliente, o Ministério Público de Santa Catarina. 
   Estou escrevendo essas linhas também para preservar a minha imagem, pois, já soube por outras pessoas (a cidade é pequena) que o Paulo estaria contando uma história diferente da verdade, e difamando o meu nome, e também o meu honesto e digno trabalho de Corretor de Imóveis. 
   Esse conflito que está havendo entre eu e o Paulo, surgiu simplesmente porque ele não quer pagar a comissão de corretagem da venda do referido prédio comercial ao MP-SC, pois, na realidade, foi eu quem fez a aproximação do Paulo com o MP-SC (eu afirmo que o MP-SC era “meu cliente” porque eu já tinha vendido a eles um outro prédio comercial, em outubro de 2011, na Rua Pedro Ivo, construído pelo Gilson Junckes, ao lado do estacionamento do Guido Becker, por R$ 53 milhões). E ele sabe bem disso. 
   O início dessa aproximação do Paulo com o MP, iniciou com uma reunião que houve no 10 andar do novo prédio do MP, localizado na Rua Pedro Ivo, em maio de 2012, onde foi eu que levei o Paulo lá, e pessoalmente apresentei (e ainda elogiei o Paulo!), para o pessoal do MP encarregado da compra de mais um prédio comercial aqui no centro de Florianópolis. Depois disso, nas semanas seguintes, eu ajudei o Paulo a redigir a primeira proposta da construtora dele com a oferta de venda de um prédio comercial, na planta, com aproximadamente 36.000 m2, que seria então construído pela construtora dele no terreno de um outro parente nosso, do Guido Becker, de 3.200 m2, localizado na Rua Pedro Ivo esquina com a Rua Felipe Schmidt, e, juntos, protocolamos a referida proposta de venda deste projeto de prédio comercial no MP em junho de 2012. 
   Mas, essa primeira proposta não foi aprovada pelo MP-SC, porque o valor total estava acima do orçamento do referido órgão público para essa compra. Comuniquei essa negativa do MP ao Paulo, e dei a sugestão a ele, para que procurasse outro terreno, e assim pudéssemos apresentar uma proposta alternativa, também de venda de um prédio comercial, mas, que fosse mais barata que a anterior. Mas, o Paulo Becker, esperto como é, e agora já conhecendo o cliente que eu tinha apresentado, e sabendo certinho o tipo de imóvel que o meu cliente queria comprar, e, também já conhecendo como funcionava os tramites dentro desse órgão público, o que ele fez? Montou sozinho uma segunda proposta de venda, de outro prédio comercial, em um outro terreno, o da Rua Bocaiuva, e, sem falar nada para mim, foi direto no MP e protocolou direto essa nova proposta, sem citar o meu nome e nem o da minha imobiliária! E esse novo projeto de prédio comercial, localizado na Rua Bocaiuva, foi o que o meu cliente, o MP-SC, acabou comprando da construtora do Paulo. Ficou claro que o Paulo fez isso, de me ignorar na segunda proposta apresentada, pra tentar me enganar, e não me pagar a minha comissão! Ora, todo mundo que trabalha com imóveis na cidade, acompanha o caso, e sabe que foi eu que aproximei e apresentei ao Paulo para o Ministério Público. E que foi esse cliente que acabou comprando um prédio comercial da construtora do Paulo (embora apenas tenha sido em outro endereço, diferente do endereço da primeira proposta). 
   Portanto, a Lei diz que, nesse tipo de caso, quem tem direito a comissão, é o corretor que fez a aproximação (e apresentação inicial) do comprador para com o vendedor. E, nesse caso da compra do prédio pelo MP-SC, fui eu, em nome de minha empresa, a Regional Imóveis, que fez isso! Independente se o Paulo, posteriormente, pegou auxilio ou não de outros corretores de imóveis! Estou desde novembro de 2013 tenho tentando falar com o Paulo, tanto no seu escritório, como ao telefone, para resolver esse conflito, mas ele não me recebe, não me atende e nem dá retorno. 
   Tenho trabalhado na corretagem de imóveis desde 2007, de forma honesta, e tenho hoje um nome já respeitado no mercado imobiliário, com bom transito entre os donos de construtoras, fundos de investimento e órgãos públicos. Com relação a esta venda do prédio comercial ao MP, estou bem documentado, e conto várias pessoas que testemunhariam isso tudo que estou afirmando para você. Diante de tantas negativas e cansaços que o Paulinho tem me aplicado, não está mais me restando alternativa, senão, a de procurar os meus Direitos na Justiça. 
   O valor da comissão que entendo ter a receber da construtora do Paulo, e que ele se recusa em pagar, com base na tabela do Sindicato dos Corretores, é de 6% sobre o valor total de venda do prédio comercial, que foi de R$ 123 milhões (isso dá um valor de R$ 7,3 milhões que eu tenho a receber de comissão). Trata-se de um valor até pequeno diante do “caminhão de dinheiro” que ele está ganhando somente na construção desse prédio.   Explico: o terreno custou R$ 12 milhões, e, para construir um prédio de 21.000 m2, basta multiplicar pelo valor do CUB, que e de R$ 1.330,00 o m2 construído (tabela do SINDUSCON), ou seja, eu e a cidade toda sabe que ele vai gastar somente R$ 28 milhões para fazer o tal prédio. Somando terreno e construção, vai dar R$ 40 milhões. Somando-se mais os impostos de 15%, vai dar um acréscimo de R$ 6 milhões. Somando-se outras despesas eventuais, vamos colocar mais R$ 4 milhões. Portanto, o total máximo que ele vai gastar juntando terreno e construção do prédio, será de R$ 50 milhões. E, por quanto ele vendeu? R$ 123 milhões – portanto, ele, o Paulo, está tendo um LUCRO LIQUIDO, só na venda deste prédio, de R$ 73 milhões! Ora, com um lucro desse montante, maior que uma Mega-Sena acumulada, o que custa para ele me pagar a COMISSAO A QUE TENHO DIREITO?!! 
   O que mais me irrita, e que na época, em maio de 2012, eu levei de mão beijada esse excelente negócio para o Paulo, para ajudar a construtora dele a crescer, porque, afinal, ele era da família... Mas, para a minha decepção, ELE ME DEU EM TROCA, UMA BELA DE UMA TRAICÃO!! 
   Desculpe o meu desabafo, mas, diante de ver tanta ganancia, e de escutar por alguns outros, algumas mentiras contadas por ai pelo Paulo, e eu sou obrigado a me defender desta forma, e a relatar assim por escrito a minha versão dos fatos. Aliás, já estou tão cansado de tentar cobrar a referida comissão, que é fruto do meu trabalho, que, a partir de agora, não vou mais tocar nesse assunto nem com você, nem com ninguém. Já falei com um advogado, o Dr Péricles Prade, que está mandando uma Notificação Extra-Judicial ao Paulo, e depois, vai, nos próximos dias, entrar com uma Ação contra ele, para tentar cobrar na Justiça a referida COMISSÃO A QUE TENHO DIREITO. Portanto, daqui pra frente, se um dia o Paulo tiver interesse em me pagar, que procure então o referido advogado, e negocie com ele. Mais uma vez, desculpe a minha intromissão e o meu desabafo, pois, sou um competente Corretor de Imóveis, que trabalha com dignidade, e, ainda acredita nas pessoas e nas suas palavras, e, como qualquer um de nós, não gosta de ser enganado.   Meus amigos, e todos os corretores de imóveis que eu conheço, estão também me apoiando nessa empreitada. 
   E, a vida segue! 
   Um fraterno abraço a você e família. Feliz Pascoa! 
   Orlando Orlando Becker 4/20, 11:28pm

Leia sobre a negociação suspeita aqui , aqui e aqui

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Colaborando...

   Por Jaison Barreto

   A postagem da propaganda ao lado tem uma razão de ser em se tratando já de propaganda eleitoral visando as eleições de outubro.

   Chamou a atenção o anúncio não só pela esquesitice de tratar-se de “evento exclusivo para convidados” com o proposito de discutir um pretensioso “Programa de Governo para o Brasil”, além da personalidade dos dois debatedores.


   O publicitário é conhecido pela sua fama e colunas sociais e o deputado pelas suas atividades. Trata-se de jovem parlamentar, educado, simpático, inteligente, embora discorde de suas praticas de aliciamento partidário e convencimento ideológico através da estrutura do Estado. É um ponto de vista democrático.

   Desconfiei a primeira vista tratar-se de anti-campanha da Presidente/Presidenta Dilma sob assessoria do Franklin Martins ou algum marqueteiro tipo Duda Mendonça. O convite é tão elitista e tão anti-povo, tão“zelite” que dá impressão de que na verdade querem oferecer ao candidato Campos uma visão hollywoodiana bem distinta da triste realidade brasileira, e apresenta-lo como o candidato da estreita faixa deslumbrada e privilegiada da população. Afinal, pretendem ajudar o candidato ou aparecer?

   É necessário, claro, que o candidato Campos ouça o empresariado brasileiro em pleno processo de desnacionalização, sufocado pela carga tributária, sem competitividade para enfrentar essa política de “casa comida e roupa lavada” oferecida ao empresariado estrangeiro que encontrou aqui o paraíso, e inviabilizado pela infraestrutura existente no país.

   Em verdade trata-se apenas de um alerta meu em respeito a candidatura do neto de uma figura respeitável que eu tive o prazer de conhecer quando do seu retorno do exílio, Miguel Arraes, atendendo convite meu em palestra na Univali em Itajaí, colaborando na estruturação da vida partidária brasileira na época.

   Tenho certeza que Eduardo Campos retornará a Santa Catarina para conhecer verdadeiramente o seu povo, as dificuldades de sua gente e do Estado.

   A REDE junto com a Marina Silva, sem botox, sem aparência de gueixa, saberá mostrar uma candidatura que veio exatamente para tentar mudar esta manjada maneira de manipular, iludir, enganar, a população desavisada.

   Esta eleição é muito importante para o destino do país, exigindo o constrangimento de mesmo parecendo antipático, contribuir para o verdadeiro esclarecimento da opinião pública.

   Entendo que Aécio Neves, Randolfe Rodrigues, Magno Malta e outros candidatos merecerão o mesmo respeito e preocupação.

   Democracia é tarefa pra todos.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Gabriel Garcia Márquez, Macondo e Nery Barreneche


Publicado no Cangablog em fevereiro de 2008

De cumbias, candombe e Macondo
“Mariposas amarillas, Mauricio Babilonia, mariposas amarillas que vuelan liberadas”.
 Acabei de receber uma notícia que me alegrou bastante. Nery Barreneche, músico uruguayo, acaba de lançar seu primeiro CD em um festival de curtas cerca de Barcelona.

Fomos parceiros de adolescência na fronteira do Brasil com o Uruguay. Nasci em Quaraí (RS), ele em Artigas (UY). Cheguei a acompanhá-lo em algumas incursões pelo interior do Uruguay, quando tocava em Los Boanes banda de rock de Artigas.
   Em outubro, após 25 anos, voltamos a nos encontrar, desta vez em Barcelona. Nery tem uma banda com Felipe, seu filho e Palinho Bahiano. Tocam música Latino Americana, de bossa-nova, baião, cumbias e candombes.
   Falou que estava preparando um disco e me pediu que escrevesse algo sobre o seu trabalho. Voltei ao Brasil escrevi e mandei para o amigo. Agora tenho a notícia de que o filho foi parido. No disco de Nery várias músicas próprias e outras de autores brasileiros, colombianos e uruguayos.
   Uma das músicas que escutei me arrastou de volta às noites de baile do velho Club Sorrilla San Martin, em Artigas.
   Macondo, se chama. Nesta versão da cumbia colombiana de Los Wawanco, Nery Barreneche nos leva a viajar pelos sonhos andinos da realidade fantástica de Gabriel García Marques e nos aterrisa em uma das cumbias mais populares da américa espânica num verdadeiro fusion musico cultural. Com influências de ritmos e construções musicais tão diferentes Nery Barreneche nos remete aos grandes da música latino americana como Hugo Fatorusso e Sivuca. Colocando sempre o candombe, ritmo afro-uruguayo, como base de seus arranjos.

Vida longa Nery!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

JORNALISTA

A melhor profissão do mundo

"Há uns cinqüenta anos não estavam na moda escolas de jornalismo. Aprendia-se nas redações, nas oficinas, no botequim do outro lado da rua, nas noitadas de sexta-feira. O jornal todo era uma fábrica que formava e informava sem equívocos e gerava opinião num ambiente de participação no qual a moral era conservada em seu lugar." 

Por Gabriel García Márquez (1927-20134)

"Não haviam sido instituídas as reuniões de pauta, mas às cinco da tarde, sem convocação oficial, todo mundo fazia uma pausa para descansar das tensões do dia e confluía num lugar qualquer da redação para tomar café. Era uma tertúlia aberta em que se discutiam a quente os temas de cada seção e se davam os toques finais na edição do dia seguinte. Os que não aprendiam naquelas cátedras ambulantes e apaixonadas de vinte e quatro horas diárias, ou os que se aborreciam de tanto falar da mesma coisa, era porque queriam ou acreditavam ser jornalistas, mas na realidade não o eram."

"O jornal cabia então em três grandes seções: notícias, crônicas e reportagens, e notas editoriais. A seção mais delicada e de grande prestígio era a editorial. O cargo mais desvalido era o de repórter, que tinha ao mesmo tempo a conotação de aprendiz e de ajudante de pedreiro. O tempo e a profissão mesma demonstraram que o sistema nervoso do jornalismo circula na realidade em sentido contrário. Dou fé: aos 19 anos, sendo o pior dos estudantes de direito, comecei minha carreira como redator de notas editoriais e fui subindo pouco a pouco e com muito trabalho pelos degraus das diferentes seções, até o nível máximo de repórter raso.

A prática da profissão, ela própria, impunha a necessidade de se formar uma base cultural, e o ambiente de trabalho se encarregava de incentivar essa formação. A leitura era um vício profissional. Os autodidatas costumam ser ávidos e rápidos, e os daquele tempo o fomos de sobra para seguir abrindo caminho na vida para a melhor profissão do mundo - como nós a chamávamos. Alberto Lleras Camargo, que foi sempre jornalista e duas vezes presidente da Colômbia, não tinha sequer o curso secundário.

A criação posterior de escolas de jornalismo foi uma reação escolástica contra o fato consumado de que o ofício carecia de respaldo acadêmico. Agora as escolas existem não apenas para a imprensa escrita como para todos os meios inventados e por inventar. Mas em sua expansão varreram até o nome humilde que o ofício teve desde suas origens no século XV, e que agora não é mais jornalismo, mas Ciências da Comunicação ou Comunicação Social.

O resultado não é, em geral, alentador. Os jovens que saem desiludidos das escolas, com a vida pela frente, parecem desvinculados da realidade e de seus problemas vitais, e um afã de protagonismo prima sobre a vocação e as aptidões naturais. E em especial sobre as duas condições mais importantes: a criatividade e a prática.

Em sua maioria, os formados chegam com deficiências flagrantes, têm graves problemas de gramática e ortografia, e dificuldades para uma compreensão reflexiva dos textos. Alguns se gabam de poder ler de trás para frente um documento secreto no gabinete de um ministro, de gravar diálogos fortuitos sem prevenir o interlocutor, ou de usar como notícia uma conversa que de antemão se combinara confidencial.

O mais grave é que tais atentados contra a ética obedecem a uma noção intrépida da profissão, assumida conscientemente e orgulhosamente fundada na sacralização do furo a qualquer preço e acima de tudo. Seus autores não se comovem com a premissa de que a melhor notícia nem sempre é a que se dá primeiro, mas muitas vezes a que se dá melhor. Alguns, conscientes de suas deficiências, sentem-se fraudados pela faculdade onde estudaram e não lhes treme a voz quando culpam seus professores por não lhes terem inculcado as virtudes que agora lhes são requeridas, especialmente a curiosidade pela vida.

É certo que tais críticas valem para a educação geral, pervertida pela massificação de escolas que seguem a linha viciada do informativo ao invés do formativo. Mas no caso específico do jornalismo parece que, além disso, a profissão não conseguiu evoluir com a mesma velocidade que seus instrumentos e os jornalistas se extraviaram no labirinto de uma tecnologia disparada sem controle em direção ao futuro.

Quer dizer: as empresas empenharam-se a fundo na concorrência feroz da modernização material e deixaram para depois a formação de sua infantaria e os mecanismos de participação que no passado fortaleciam o espírito profissional. As redações são laboratórios assépticos para navegantes solitários, onde parece mais fácil comunicar-se com os fenômenos siderais do que com o coração dos leitores. A desumanização é galopante.

Não é fácil aceitar que o esplendor tecnológico e a vertigem das comunicações, que tanto desejávamos em nossos tempos, tenham servido para antecipar e agravar a agonia cotidiana do horário de fechamento.

Os principiantes queixam-se de que os editores lhes concedem três horas para uma tarefa que na hora da verdade é impossível em menos de seis, que lhes encomendam material para duas colunas e na hora da verdade lhes concedem apenas meia coluna, e no pânico do fechamento ninguém tem tempo nem ânimo para lhes explicar por que, e menos ainda para lhes dizer uma palavra de consolo.

'Nem sequer nos repreendem', diz um repórter novato ansioso por ter comunicação direta com seus chefes. Nada: o editor, que antes era um paizão sábio e compassivo, mal tem forças e tempo para sobreviver ele mesmo ao cativeiro da tecnologia.

A pressa e a restrição de espaço, creio, minimizaram a reportagem, que sempre tivemos na conta de gênero mais brilhante, mas que é também o que requer mais tempo, mais investigação, mais reflexão e um domínio certeiro da arte de escrever. É, na realidade, a reconstituição minuciosa e verídica do fato. Quer dizer: a notícia completa, tal como sucedeu na realidade, para que o leitor a conheça como se tivesse estado no local dos acontecimentos."

"O gravador é culpado pela glorificação viciosa da entrevista. O rádio e a televisão, por sua própria natureza, converteram-na em gênero supremo, mas também a imprensa escrita parece compartilhar a idéia equivocada de que a voz da verdade não é tanto a do jornalista que viu como a do entrevistado que declarou. Para muitos redatores de jornais, a transcrição é a prova de fogo: confundem o som das palavras, tropeçam na semântica, naufragam na ortografia e morrem de enfarte com a sintaxe.

Talvez a solução seja voltar ao velho bloco de anotações, para que o jornalista vá editando com sua inteligência à medida que escuta, e restitua o gravador a sua categoria verdadeira, que é a de testemunho inquestionável. De todo modo, é um consolo supor que muitas das transgressões da ética, e outras tantas que aviltam e envergonham o jornalismo de hoje, nem sempre se devem à imoralidade, mas igualmente à falta de domínio do ofício.

Talvez a desgraça das faculdades de Comunicação Social seja ensinar muitas coisas úteis para a profissão, porém muito pouco da profissão propriamente dita. Claro que devem persistir em seus programas humanísticos, embora menos ambiciosos e peremptórios, para ajudar a constituir a base cultural que os alunos não trazem do curso secundário.

Entretanto, toda a formação deve se sustentar em três vigas mestras: a prioridade das aptidões e das vocações, a certeza de que a investigação não é uma especialidade dentro da profissão, mas que todo jornalismo deve ser investigativo por definição, e a consciência de que a ética não é uma condição ocasional, e sim que deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro.

O objetivo final deveria ser o retorno ao sistema primário de ensino em oficinas práticas formadas por pequenos grupos, com um aproveitamento crítico das experiências históricas, e em seu marco original de serviço público. Quer dizer: resgatar para a aprendizagem o espírito de tertúlia das cinco da tarde.

Um grupo de jornalistas independentes estamos tratando de fazê-lo, em Cartagena de Indias, para toda a América Latina, com um sistema de oficinas experimentais e itinerantes que leva o nome nada modesto de Fundação do Novo Jornalismo Ibero-Americano. É uma experiência piloto com jornalistas novos para trabalhar em alguma especialidade - reportagem, edição, entrevistas de rádio e televisão e tantas outras - sob a direção de um veterano da profissão."

"A mídia faria bem em apoiar essa operação de resgate. Seja em suas redações, seja com cenários construídos intencionalmente, como os simuladores aéreos que reproduzem todos os incidentes de vôo, para que os estudantes aprendam a lidar com desastres antes que os encontrem de verdade atravessados em seu caminho. Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade.

Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

Território da FIFA

Por Ciro Barros e Giulia Afiune
AMBULANTES PROTESTAM PELO DIREITO DE VENDER COMIDAS E BEBIDAS
NO ENTORNO DOS ESTÁDIOS EM RECIFE, DURANTE A COPA DO MUNDO
 (FOTO: VICTOR SOARES/LEIA JÁ IMAGENS/ESTADÃO CONTEÚDO)
Nas cidades-sede, pressão sobre ambulantes aumenta com regras da FIFA; nas áreas de restrição comercial, só vai vender quem vestir a camisa dos patrocinadores
   “Estamos sendo constantemente ameaçados pela Prefeitura do Recife e tememos que o quadro fique mais grave com a aproximação da Copa do Mundo. Mas nós não vamos recuar um passo.” Assertivo, Severino Souto Alves, presidente do Sintraci (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal do Recife), se exalta ao falar da situação dos trabalhadores ambulantes na capital pernambucana.

   Desde outubro de 2013, o Sintraci – criado em dezembro de 2012, para se contrapor aos possíveis impactos negativos da Copa do Mundo – convocou dez manifestações em diversos pontos da Região Metropolitana do Recife; foram seis só nos últimos dois meses. Reivindicam a garantia de permanência de vendedores ambulantes em alguns pontos da cidade (como os bairros da Casa Amarela e da Boa Vista, por exemplo), a construção de shoppings populares, mais diálogo com a administração do prefeito Geraldo Julio (PSB) e a exoneração de João Braga, secretário de Mobilidade e Controle Urbano, órgão responsável por disciplinar o comércio informal em Recife.

   “Todas as negociações [com a secretaria] são feitas de forma a restringir o comércio informal”, afirma Severino. Segundo ele, mais de 300 comerciantes já tiveram suas barracas retiradas de vários pontos da cidade e sem realocação alguma.

   A chegada da Copa do Mundo acirra a tensão entre trabalhadores ambulantes e as Prefeituras. Um dos pontos críticos é o estabelecimento de áreas de restrição comercial durante os eventos oficiais da FIFA (desde jogos até os congressos da entidade). Desde o dia anterior a qualquer um desses eventos, leis e decretos criados especificamente a Copa do Mundo passam a vigorar nessa áreas.

   Criadas para proteger os interesses dos patrocinadores da Copa, as Áreas de Restrição Comercialforam definidas na Lei Geral da Copa (12.663/2012) que atribuiu a regulamentação dessas áreas aos municípios-sede, o que já foi feito em sete sedes: Brasília, Fortaleza, Natal, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. (Veja os mapas abaixo)

   As áreas são delimitadas por linhas imaginárias – não há barreiras físicas – e governadas pelas regras da FIFA, em alguns casos, revogando as leis municipais sobre comércio (incluído o ambulante), promoções e publicidade. O objetivo é dar à FIFA o direito de conduzir essas atividades nas áreas de grande concentração de torcedores – e de exposição na televisão -, garantindo aos seus patrocinadores exclusividade comercial e publicitária.

   Na capital pernambucana, além do entorno da Arena Pernambuco, que fica no município de São Lourenço da Mata, uma série de ruas e avenidas como as da Boa Viagem, Conselheiro Aguiar e Domingos Ferreira (na orla da Praia de Boa Viagem) e um bairro inteiro – chamado Bairro do Recife – foram incluídos na área de restrição pelo decreto municipal 27.157/2013, sancionado pelo prefeito Geraldo Julio a dez dias do início da Copa das Confederações, no ano passado. Em seu artigo 6o, o decreto determina: “Não será autorizado qualquer tipo de comércio de rua na Área de Restrição Comercial nos dias de Evento e em suas respectivas vésperas, salvo se contar com a prévia e expressa manifestação positiva da FIFA.” Brasília e Fortaleza têm artigos idênticos em seus respectivos decretos.

“É preocupante, porque são áreas onde o comércio ambulante atua sempre aqui no Recife”, diz Severino. Em nota publicada em 8 de abril passado, a Prefeitura afirmou que recebeu o sindicato 38 vezes desde janeiro de 2013 para conversar e que vem tocando negociações em pontos reivindicados pelos ambulantes.

   Leia reportagem completa. Beba na fonte.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Caminhada "terapêutica"


   Sempre observei encontros de pessoas que já viveram mais de meio século. Invariavelmente falam de doenças e medicamentos.
   Na conversa, parece haver uma disputa sobre quem tem mais conhecimento médico, corolário de enfermidades e lançamentos de novos remédios. De médico e louco todo o mundo tem um pouco...dizem. Achava isso esquisito, tipo coisa de velhos. 
   Hoje, na minha caminhada matinal encontrei um velho amigo, também caminhando.   Paramos para trocar umas idéias, tenho várias repetidas. Conversa vai, conversa vem, o assunto chegou na saúde de cadas um. Bem, o Robério já teve problemas sérios de coração, um infarto aos 30 anos, driblava uma diabetes que, segundo ele, surpreendentemente desapareceu e agora, além da pressão alta, enfrenta problemas de fígado devido a uma Hepatite C descoberta tardiamente.
   Falei do fracasso do meu tratamento para liquidar o vírus da Hepatite C e de minhas andanças pela Eslovênia, em setembro,  atrás de um remédio "milagroso" que não havia sido liberado ainda pelo FDA americano.
   Ríamos da converssa de "velhos" quando passa de bicicleta outro personagem, esse músico, nos cumprimenta, anda alguns metros e volta. Entrou no assunto como profundo conhecedor. Casualmente faz aniversário na mesmo 17 de junho que eu. Eu rumo aos 61 e ele, 62.
   Para ilustrar melhor a sua participação na conversa, abre uma sacola de plástico que trazia pendurada no guidão da bicicleta e nos mostra uma quantidade considerável de caixas de...Losartana. Remédio para a pressão!
   Rimos um monte! Não pude deixar de lembrar a resposta do arquiteto Oscar Niemayer quando perguntado por uma jovem repórter de TV como era ter 101 anos de idade: 

   - Uma merda, minha filha. Ficar velho é uma merda!

   Não era o nosso caso, para 101 nos falta muito...ainda.
   Mas ao ver o remédio para pressão do nosso atlético desportista, Robério, sempre ilustrado e com boas histórias para contar, lembra que certa noite ofereceu um jantar em sua bela casa na praia.
   Contratou um chef de cuisine e, com a casa farta de amigos, deu tratos à bola. A noite estava extremamente aprazível, Robério serviu as bebidas, que foram sendo degustadas maneirosamente com calma e apreciação de sabores e odores.
   Enquanto isso, o chef fazia malabarismos na cozinha que ficava integrada à sala, à vista de todos. repentinamente o chef meteu a mão em um bolso da calça, em outro, no bolso da túnica e nada. Procurava insistentemente alguma coisa que, por não achar, lhe imprimia um ar de preocupação no rosto vermelho.
   Robério, percebendo o fracasso da busca, pergunta ao cozinheiro o que buscava. 
- Meu remédio para a pressão, respondeu, incontinente.
   Imediatamente surgiram da mão de quase todos os convidados caixas e caixas dos mais variados nomes e laboratórios de remédios para pressão alta.
   Bem, a partir daí o assunto remédio dominou o imaginário e o conversário da festa!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Montevidéu com...parte II

Continuação de Montevidéu com amor...


Plaza Constituicio, Palácio SalvoParóquia de Punta Carretas, Catedral Metropolitana.

   ...após o magnífico jantar no La Perdiz fui tentar a sorte no cassino do hotel Radisson, bem em frente à Praça Independência.
   Comecei dando uma volteda pela maquininhas. Após algum tempo o indicativo era de que estava bom para o amor...não para o jogo.  Subi para as mesas de punto y banca, dei uma chuleada na coisa e me dediquei a uma mesa de roleta que mostrava cinco jogadas seguidas somente na segunda dezena.  Carreguei no 32, 27 e toda a área de baixo. Três fichas no zero que é para descarregar o azar. Deu zero! Três pleno na primeira jogada! A noite começava a fica boa! E assim foi entre mesas e jogadas até às 2 da manhã. Deu para equilibrar o orçamento. 
   
   O sábado começou às 11:30h. Uma boa caminhada por Pocitos com algumas paradinhas para um café rápido e uma charlada com revisteiros e comerciantes locais. Me chamou a atenção a quantidade de pessoas trocando figurinha do álbum da Fifa sobre a Copa no Brasil. 
   A política e a liberação da maconha são temas recorrentes. O assunto marijuana é impactante em um país conservador como  Uruguay. Mas o Uruguay é assim, com fama de conservador foi vanguarda na América Latina quando se tratavam de assuntos sociais e comportamentais. Um pais laico desde 1918 e o primeiro país da América Latina a aprovar o voto feminino.
   
   Pegamos a 18 de julho na altura da prefeitura. Caminhamos até a Praça Independência
Amor preso em cadeados...
onde estão o Palácio Salvo e o mausoléu do Gal. Artigas. Logo o Portal para entrar à Ciudad Vieja.

   No caminho encontramos a Fonde dos Cadeados. Lugar onde casais apaixonados colocam um cadeados com suas iniciais e saem dali acreditando que se amarão pelo resto da vida. Muitos pagam para ver. 
   Antes de chegar à praça encontrei com o meu querido amigo “negro” Poli. Antigo comerciante da 18 de Julho e na casa de quem me hospedei nos anos 70 quando de andanças políticas pelo Cone Sul.
La Más Puro Verso: clássica!
   Entrando na Cidade Velha encontrei a livraria La Más Puro Verso maravilhosa. Ancorada em um antigo prédio abriga um restaurante no mezanino. Ambiente extremamente agradável onde se fica rodeados de livros, imagens e música.
   Quando saímos por la Peatonal Sarandi, rumo Mercado do Porto já eram umas 2 da tarde. Chovia forte  e ventava muito.
   Chegamos ao mercado abaixo de tempo ruim. Entrar ali foi como chegar ao paraíso. Ambiente aquecido pelas dezenas de churrasqueias com fogo vivo, vinho, muita carne e hachuras. O ambiente era de conversa alta e risadas embalados por músicas de que iam do tango à milonga tocadas por músicos de rua que ficam se apresentando por ali aos sábado.    Um show!
   De repente, uma "escola de samba" puxada por uma quase mulata, linda que sambava e remexia as cadeiras deixando os uruguaios de boca aberta por onde passava. 
   Outro Show!




   Quando deixei o Mercado já passavam das 5 da tarde. A chuva havia amainado e a próxima parada seria no Teatro Solis, tomar um café cortado e depois dar um passeio pelas belas salas do teatro que invariavelmente apresenta exposições de obras de arte.
   Nom meio do caminho uma entrada na belíssima Catedral Metropolitana em frente à Plaza Constituicion. 
   Abstrair o tempo, esquecer de onde se está, de onde se vem e somente estar é uma boa prática e que me deixa em estado de graça. Flanei pelo Solis admirando sua arquitetura, obras, tapetes, paredes, lustre e, de vez em quando, parava para observar, através de suas grandes janelas, a chuva que havia voltado com força lá fora.
   
   A volta para o hotel foi em táxi. O vento que encanava pelas galerias do edifício em frente ao Portal chegou a me carregar por alguns segundo. Cosa de loco!
  
Amigos...
 Precisava descansar um pouco pois à noite tinha um encontro com o velho amigo Gerardo Alori e sua Ana. Passou o hotel por volta das 9:30h e nos levou no 62 Bar. Antigo ponto da linha 62 dos bondes de Montevidéu. Fazia a linha Pocitos-Plaza Independência.       
   Um Bouzo Tanat com reviolones, muita conversa e risadas com os amigos que não víamos há tempos. 
   Sem preço!

domingo, 13 de abril de 2014

Senhor dos Passos, uma Procissão...

Por Milton Ostetto

   A exatamente uma semana hoje, na semana passada aconteceu a procissão de Nosso Senhor dos Passos, uma das mais tradicionais demonstrações de fé que acontece aqui na ilha... milhares de pessoas participaram a emoção e a devoção e visível em cada olhar em cada gesto...

Montevidéu com amor

   A chegada na sexta-feira foi por volta de 16 horas. O indicativo de ciclone para o final de semana já se ensaiava quando deixamos o Punta Trouville, Pocitos, e fomos dar uma caminhada por el barrio.
Casas antigas assinadas pelo arquiteto na fachada.
   Estamos em uma paralela da "Costanera" e o vento sul que entrava era de desmoralizar o nosso suli aí da Ilha de Santa Catarina. É daqui que vem o nosso vento sul. 
   Eram cerca de 6 da tarde, vento forte, sem chuva e...sem frio!
Punta fashion...
   Andamos pelas ruas arborizadas de Pocitos até a Bulevar Espanha e depois pegamos a José Ellauri em direção ao shopping Punta Carretas. Sempre registrando a arquitetura e a "cena urbana" de Montevidéu. Bem diferente do nosso cotidiano e muito agradável. 
   O vento dominuiu um pouco e, depois de uma boa caminhada, chegamos no shopping.
   Punta Carretas é um lugar de triste memória para muitos uruguaios. Foi uma das prisões mais terríveis no período da ditadura militar onde se prendia e se torturava militantes de esquerda que lutavam pelo "socialismo". Ironicamente, hoje, se transformou na meca do capitalismo. Voilá!
   Quando chegávamos na entrada do shopping, ouvi uma mulher falar para um menino de uns 12 anos que ali tinha sido "un cárcel terrible".    
O passeador de cães
   Lembrei também que estava em Montevidéu naquele 6 de setembro de 1971. Convocado por la izquierda (movimento secundarista 26 de março), para uma grande manifestação de despiste justo no dia que fugiram 111 tupamaros de Punta Carretas. O presidente Mujica estava entre eles. Impossível não lembrar. Dai pensei: porra, agora é um shopping. Deu!

   Depois de "ver as modas" nas vitrines do shopping descemos duas quadras em direção à Costanera e logo chegamos no badalado restaurante La Perdiz. Show! Do começo ao fim. A casa fica bem m frente ao Sheraton, lugar
La Perdiz: qualidade, atendimento e gentilezas
extremamente aprazível, atendimento excelente e cozinha impecável. Fomos no tradicional. Mollejas e rinhones com um Tanat da Don Parcoal.
   Após a primeira garrafa perguntamos à moça se tinha 1/2 garrafa do mesmo vinho. Disse que sim e voltou com uma garrafa inteira. Falei que uma inteira era demais, naquele momento. Ela nos disse para tomarmos 1/2 que nos cobrariam apenas meia garrafa. Achei de uma delicadeza superior.
   Quando terminamos de jantar chovia e ventava forte. Pedimos um táxi e aí começa o problema. Com a nova lei seca, a demanda por táxi nos finais de semana é enorme. A cidade tem uma frota reduzida e as linhas telefônicas são deficientes. Estão sempre "congestionadas"!
   Ficamos na calçada em baixo de um grande guarda sol/chuva e, de repente, Gustavo, o proprietários do La Perdiz veio nos perguntar para onde iríamos. Falei que a té o Cassino Parque Hotel. Imediatamente pegou a sua caminote e nos "arrimou". Junto um casal de paulistas donos de uma franqui de sushi. Uma gentileza só possível nesta maravilha Montevidéu.

sábado, 12 de abril de 2014

“Quando a indiferença se transforma em cumplicidade”

   Por Jaison Barreto
   A colocação lembrada pela Deputada Venezuelana Maria Corina Machado, é oportuna e precisa ser valorizada.
   Vou sugerir logo adiante que a sua entrevista no “Roda Viva da TV Cultura”, como aliás na Comissão de Relações Exteriores do Senado, deveria ser assistida com atenção pelo exemplo de dignidade e cultura política do crescente papel das mulheres na sociedade.
   Diante da recaída do Senador Renan Calheiros, fiel ao seu DNA, peemedebista de “escol”, o jornal Estado de São Paulo de hoje traz considerações sobre sua atuação, demonstrando até que ponto os costumes políticos do país se degradaram, sob o silêncio e a indiferença de quem tem mandato, mas não assume suas responsabilidades.
   O funcionalismo antigo da Câmara e do Senado, já os apelidou, inclusive, de “gandulas”.
   Silêncio e “olhar de paisagem” são as suas atitudes diante dos graves problemas que afligem o país.
   Não entram em bola dividida.
   Se contentam com os afagos dos Governantes da época e uma ou outra relatoria, até de projetos importantes, dado a sua docilidade aos interesses de cima.
   Felizmente tem gente diferente.

   Folha de São Paulo – 11/04/2014
   “Senadores do PMDB e PSDB cobram explicações de Renan ontem, no plenário. “Paulo Brossard deixou claro à Mesa do Senado que não se pode confundir Schopenhauer, Gabrielli (Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobrás) e um jegue, que são coisas completamente diferentes. O que o Supremo entende, é que cabe uma CPI para cada fato determinado”, afirmou o Senador Roberto Requião.
   “O argumento de que se pode meter no mesmo balaio a Petrobrás e eventuais irregularidades em São Paulo, Minas e Pernambuco, porque, afinal, tudo é dinheiro público é o mesmo mecanismo pelo qual se conclui não haver diferença entre Sharon Stone de instinto Selvagem e o Deputado André Vargas tentando explicar as suas relações com o doleiro Alberto Youssef. Afinal, ambos pertencem à raça humana, têm um coração, dois rins e são animais aeróbios”. Ironizou o Senador Pedro Simon (PMDB-RS).”

   O Assunto Maria Corina Machado, virá depois.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

ESCÂNDALO: TJSC reforma nota em concurso e coloca filho do desembargador Blasi em 1º lugar para ganhar Cartório em SC

   
   Em alquimía ilegal de favorecimento o Tribunal de Justiça de Santa Catarina revisou a nota do candidato Guilherme Jannis Blasi, filho do Desembargador João Henrique Blasi, e colocou-o em 1º lugar do certame para ser dono de Cartório. Guilherme teve sua nota revista em Mandado de Segurança pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (acessível no site do TJSC, MS 2013.064689-9).
   
   O assunto causou estranheza nos meios jurídicos e políticos de Santa Catarina. Em todo o Brasil, inclusive no TJSC, os tribunais se negam a revisar nota de concurso, pois isso cabe à Comissão Examinadora. A única exceção é no caso de flagrante ilegalidade.
   
   Mas parece que em Santa Catarina, sendo filho de Desembargador ex-deputado, a lei e o tratamento são diferentes, pois o TJSC se desdobrou em decisão de 12 páginas para justificar o aumento na nota do candidato, o que o transformou no primeiro classificado do certame.
   
   O próprio TJSC, agora em março de 2014, negou-se a reavaliar prova ao ingresso na Magistratura, por motivos semelhantes, no Mandado de Segurança 2013.061409-8, citando seus próprios precedentes!!!!!

   A respeito da possibilidade de impetração do mandado de segurança nos casos de concurso público, a jurisprudência predominante nesta Corte de Justiça e nos Tribunais Superiores entende ser inviável reavaliar os critérios utilizados pela banca examinadora na correção de provas.
   Não cabe ao Poder Judiciário substituir o órgão responsável pela elaboração das provas, imputando como correta alternativa diversa daquela por si apontada, "[...] porquanto sua atuação cinge-se ao controle jurisdicional da legalidade do concurso público" (STJ, RMS 19.615/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 16/10/2008, DJe 03/11/2008).
   Logo, não há qualquer fundamento para anulação, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal:
   Compete à banca examinadora, e não ao Poder Judiciário, a formulação das questões e a avaliação das respostas dadas pelos candidatos, sob o risco de, procedendo de outra forma, transformar-se as autoridades judiciais em instância revisora de concursos públicos, dificultando ou mesmo inviabilizando o Poder Judiciário de realizar sua função precípua na realização da Justiça (MS 31310 MC, Relator(a): Min. Dias Toffoli, julgado em 27/04/2012, publicado em Processo Eletrônico DJe-084. Divulgado em 30/04/2012. Publicado em 02/05/2012).
   Da mesma forma é o entendimento desta Corte de Justiça ser inviável a revisão subjetiva de prova ou de questão de concurso público por meio de ação mandamental, a saber:
"MANDADO DE SEGURANÇA - CONCURSO PÚBLICO - PRETENSÃO DE ANULAÇÃO DE DUAS QUESTÕES - CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO - DISCUSSÃO DE ASPECTOS TÉCNICOS E SUBJETIVOS - MATÉRIA DE FATO, QUE DEMANDA A PRODUÇÃO DE PROVAS - IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA - EXTINÇÃO DO WRIT QUE SE IMPÕE.

Calote leva empresário à CPI da Casa Rosa

Deu no Moa

CPI da Casa Rosa
O empresário Orlando Becker Filho quer prestar depoimento na CPI da Casa Rosa. Alega que o primo Paulo Roberto Becker da Construtora Becker não pagou a comissão de 6% pela venda do imóvel ao Ministério Público Estadual. Operação de 123 milhões de reais. Paulo Becker diz que o primo “está mentindo e fazendo chantagem”.

Cangablog: É sempre quando "eles" brigam que a verdade aparece. 
É sobre aquela operação ilegal que envolve o Ministério Público de S e a construtora Becker. O MP desembolsou R$ 170 milhões sem licitação na compra de um prédio que não existe.

Leia sobre a negociação suspeita aqui , aqui aqui

MEIGA *

   
Iniciación al aquelarre - Sérgio Vázquez
Por Janer Cristaldo

   Acabava o inverno em Madri e a primavera chegou vestindo árvores e despindo mulheres, a despedida das neves e o emergir do verde parecia ter contagiado até mesmo Moscou, os russos liberavam o aeroporto da Praça Vermelha ao Ocidente. Era primavera em Madri e eu, incauto, percorria a Avenida de los Reyes Católicos, estas generosas majestades que oficializaram na Espanha me ofício ancestral. Era primavera, dizia, e o sol de Castilla, la Vieja, perfurava o verde e as vestes. Voavam tuas folhas ao sabor do vento e a luz radiografou tuas formas.

   Não pude deixar de evocar Gorbachov: glasnost. Transparência. Mathias Rust sobrevoava inconseqüente qual andorinha a tumba de Lênin e tu adejavas, impune, pela avenida dos Reis que tentaram, inutilmente, exterminar tua raça infame. Entraste no bar de mansinho, subreptícia, bruxa clandestina em um missa de um domingo cinzento da Idade Média. Inquisidor experiente, em teu jeito de andar vi desde logo teu meigallo. Muitas outras te cercavam, tivesse eu vinte anos me entregaria a todas de olhos vendados. Mas já não tenho a insciência dos vinte, cristiana hechicera, e tremi: “é ela, é ela e nenhuma outra”.

   Chegaste no inverno e o frio te ocultava as formas, como ocultaria do olhar de Rust o alvo de seu desejo. Se o frio costuma roubar aos olhos o corpo, poderes não tem para roubar dos olhos a picardia. Te julguei míope e procurei aproximar-me, de bem perto os míopes vêem melhor. Errei feio: me viras de muito longe. Mas já era tarde para voltar, permanecera tempo excessivo exposto à tua aura maléfica, et le voilà o douto Inquisidor lambendo humildemente o dedão do pé da bruxinha oriental.

   De que legiões do báratro – perguntei-me, viria aquele ser, hibernal e infernal, à primeira vista inofensivo? Das legiões de Espanha não poderia ser, meus pares não deixaram bruxa viva nesta geografia. Lembro-me como se fosse hoje. Bastava jogar-vos nas águas de um rio, mãos e pés amarrados. Se a água, elemento puro, vos recusava, era evidente: éreis bruxas e vos queimávamos. Se o rio vos aceitava e afogava, provada estava vossa inocência. Sem precisar jogar-te no Manzanares, deves ter sentido meu olhar queimando tua nuca.

   Foi Deus quem te denunciou. Já imagino tua gargalhada herética: “qual deus entre os deuses quer, com tantas ganas, meu pescoço?” Não foram os gregos nem os romanos, nem os ocidentais ou orientais. Maga imemorial, não deves ter esquecido as intuições daquele alemão que morreu louco: sim, os deuses gregos morreram, morreram de rir ao saber que no Ocidente tinha um que se pretendia único. Jogo de palavras de Nietzsche, bem sabia ele que Deus é um só e é o Sol, isto já o sabemos desde os chineses e hindus, persas e egípcios, mediterrâneos e mesopotâmicos.

   Sendo Sol deus diurno e delator, ao descer a noite resta ao Inquisidor um único recurso: despir a presumível bruxa, expondo-se a mil malefícios, para saber se sob suas vestes se esconde alguma essência maligna. O Inquisidor, mesmo experiente, hesita: e se, ao investigar o feitiço, se enfeitiça? Adelante, e seja lá o que Sol quiser.

   De que regiões do inferno, me perguntava, viria aquele súcubo travestido em anjo míope? Não vinhas de legião nenhuma, nem de inferno algum, pelo menos por tuas declarações iniciais, ante de submeter-te às práticas mais eficazes de meu santo ofício. Eras vizinha de continente, cidadã da República Oriental del Uruguay.

   Nos aquelarres, te chamam La Negra, não é assim? – perguntei-te, pressionando esta parte indefesa das meigas, a nuca. Como é que sabes disto? – reagiste surpresa. Ora, anjo decaído, bom inquisidor não se engana. Bruxa, mentes o tempo todo, jamais vi alguém mentir tanto. Tenho 25 aninhos, disseste, cretina. Podes enganar o século, mas não a mim. Terás, no mínimo, uns dois mil anos e pico largo. Sou feia, vesga e o dedão de meu pé é um horror.

   Três mentiras mais, maga. Se és ou não linda, isto a ti não compete julgar. Quanto a teus olhos, sei que jamais olham o que parecem olhar, uma evidência a mais de que humana não és. Já quanto ao dedão, sou eu quem decide se é beijável ou não.

   Gaúcho, não sou de lamber botas, menos mal que naquela noite estavas descalça.

   Inesperada, inesquecível, Inês querida: na ausência dos poderes que me conferiam a Santa Sé, nesta Espanha social-democrática, para entregar-te ao braço secular e à fogueira, eu, INQUISIDOR, te condeno, MEIGA INFAME, a jamais ter amigos: todo mortal será teu enamorado.

* Méson das Meigas, Madri, 25/06/7
Meiga, em galego, é bruxa. Meigallo é feitiço. Aquelarre é reunião de meigas.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Receituário Geral


   Por Jaison Barreto
   SÁBIO É O LÍDER político que consegue distinguir o adversário leal, o opositor correto do sabujo e vassalo.
   Ulysses Guimarães sempre soube, por exemplo, respeitar aqueles que ficaram denominados como Grupo dos Autênticos, até mesmo quando nós não votamos no seu nome para Presidente da República quando participou do Colégio Eleitoral com a sua anticandidatura. Fizemos o mesmo, anos depois, com o General Euler Bentes.
   Ulysses tinha essa dimensão e essa compreensão da verdadeira política.
   Deixou escrito inclusive que nós éramos “o sal, a pimenta, o tempero do MDB”.
   Trago estas lembranças em um momento difícil da vida brasileira, em especial também aqui em Santa Catarina.
   Constrangido fico, talvez mais do que muitos militantes e seguidores do PMDB quando vejo, me perdoem a expressão, como “velhas matronas” ousam de maneira até deseducada pra não dizer politicamente incorreta, diminuir, apequenar a dignidade e a importância de milhares de filiados e militantes do seu próprio partido, com estrutura partidária a mais forte do Estado, 180 prefeitos, uma bancada estadual e federal, Senadores, o maior partido do país, simplesmente afirmar que não dispõe de um nome para disputar a eleição para Governador do Estado.
   O que se critica, de maneira positiva, é um partido com essa história e essa estrutura nunca ter conseguido eleger um Presidente da República, mas sempre atrelado ao exercício do poder com a sua cúpula dirigente.
   O grave é que não é um simples escorregão.
   É um exemplo deseducador que deve ser denunciado, porque está na raiz do descrédito da classe política.
   Isso tem nome, isso está descrito como prática de fisiologismo, de manipulação de interesses próprios em prejuízo dos interesses coletivos e há toda uma literatura a respeito.
   É sobre isso que eu comento, trazendo uma contribuição dura, constrangida, mas sei, necessária.
   “Oração do Adeus”, discurso de Ulysses Guimarães em 2001, depois de ter sido traído pelo seu próprio partido quando candidato à Presidente da República em 1989 (sétimo lugar), merece ser divulgado.
  Enganam-se os que pensam que é um discurso para emedebistas e peemedebistas.
   Ele ultrapassa as barreiras partidárias, serve de arcabouço para a reconstrução da nossa vida política, para a regeneração dos nossos costumes, fundamentais para a construção da democracia.
   O Brasil precisa dessas conceituações.
   A interpretação e a compreensão do texto cabe a cada um fazer.

Saudações democráticas,

Oração do Adeus
IX Convenção do PMDB, em 24/3/1991. Publicado na separata Oração do Adeus, editada pela Câmara dos Deputados em 1991.
   “Começo pelo começo. Pelo nosso começo: Os militantes. Sem eles não somos nada. Com eles, podemos ser tudo. Repito: O PMDB tem o tamanho dos seus militantes.
A democracia verticaliza vocações e talentos. A ditadura engessa na horizontalidade, medíocres, mentirosos e corruptos.
   Tantas vezes saí de casa, podendo não voltar.
   Muitos não voltaram. Não saía dividido entre família e o ideal. Saía inteiro. Porque não vi lágrimas nos olhos nem lamúrias ou apelos de prudência nos lábios de Mora. Repetidas vezes, quando chega a prudência, desaparece a coragem.
   Nossos mortos levantem-se de seus túmulos. Venham aqui e agora testemunhar que sobreviventes da invicta “nação peemedebista” não são uma raça de poltrões, de vendidos, de alugados, de traidores.
   Venham todos!
   Venham os mortos de morte morrida, simbolizados em Juscelino Kubitschek, Teutônio Vilela, Tancredo Neves.
   Venham os mortos de morte matada, encarnados pelo Deputado Rubens Paiva, o político; Vladimir Herzog, o comunicador; Santo Dias, o operário; Margarida Alves, a camponesa.
   Não digam que isso é passado.
   Passado é o que passou. Não passou o que ficou na memória ou no bronze da história.
   O PMDB é também o passado que não passou. Não o enterramos, pois estaríamos calando vozes que a nação ouviu e esquecendo companheiros que não se esqueceram de nós.
   Vinte e sete vezes de marchas pelos caminhos continentais deste país, mais do que a imensa geografia territorial, descobri e sofri a terrível geografia da gente e da fome.
   Não passaram nunca os dias inaugurais da fascinante campanha de 1974, inaugurada num barco balançando como gaivota no rio Amazonas.
   Convocados pelo apito, as populações ribeirinhas acorriam alvoraçadas.
   Vinham às carreira, a criançada à frente, vinham os homens de sandálias e dorso nu, as mulheres tostadas de sol e esgotadas pela procriação e pelo sofrimento, os cachorros latindo e os jericos de orelhas assustadas.
   Apesar dos arreganhos dos meganhas da opressão, vinham todos.
   Não passará o tropel de Teutônio Vilela, o louco manso. Com a pregação de anistia, arrancamos as grades das prisões, trancadas aos familiares e aos advogados de defesa, para dizer aos presos políticos que breve seriam devolvidos à família, à paisagem, à luta truncada pela truculência. Não passará o grito de “Diretas Já”, há muito amordaçado na garganta de cinquenta milhões de brasileiros, dançando, abraçando, cantando pelas ruas e praças desse colossal país (...).
(...) Este discurso eu escrevi com o coração e o leio com os olhos úmidos.
   Na política, mais difícil do que subir é descer.
   É descer não carregando o fardo podre e fétido da vergonha. Descer não desmoralizado pela covardia. Não descer com as mãos esvaziadas pela preguiça e pela impostura. Não descer esverdeado pelas cólicas de inveja dos que nos emulam, nos sucedem ou nos superam. Não descer com a alma apodrecida pelo carcinoma do ressentimento.
   Vou livre como o vento, transparente e cantando como a fonte.
   Desço.
   Vou para a planície, mas não vou para casa. Vou morrer fardado, não de pijama.
   Política se faz na rua ou com a rua.
   Vou para a rua porque o governo desgoverna a rua.
   Para o povo, o PMDB escorraçou o autoritarismo castrense. O PMDB, com o povo, removerá do Estado um século de carência Republicana.
   Meu filho PMDB!
   Vá em frente! Caminhe rumo ao sol, que é luz, não rumo à lua, que é noite.
   Que Deus te abençoe e a pátria ateste: Cumpriste o teu dever!”