terça-feira, 27 de maio de 2014

Entre fulecos,engajados e ufanistas na "Copa do Caos"

   Por Eduardo Guerini*

   O período que antecede um grande evento esportivo internacional, no país-sede da Copa de 2014, deveria ser em tese, momento de júbilo, pela escolha, e, de apreensão diante das  expectativas criadas em torno da preparação. É tempo de concentração para o acolhimento de inúmeros torcedores e seleções  de todo o mundo. Porém, a tática governamental não resultou em bons resultados na tabela de aprovação popular.
   
   Os brasileiros  - vivem uma crise de identidade sem precedentes. O pessimismo tomou conta diante do ufanismo “verde-amarelo” de outrora. Nem a seleção empolga, tampouco o governo cumpriu a agenda de compromissos elencados como prioritários para realização de uma Copa do Mundo. A pátria de chuteiras - alusão simbólica de nossa força desportiva subsumiu nas contradições de um governo em curva descendente diante da desaprovação popular frente aos excessivos gastos para construção das chamadas “arenas” de competição futebolística. Nossa torcida está dividida!!!

   A falta de legitimidade e transparência das ações governamentais  diante dos compromissos assumidos com a FIFA – Federação Internacional que controla todos os processos para realização do evento, colocou novamente o governo Dilma em posição de subserviência, tal como um time na retranca, o Brasil é um gigante prostrado para  a alegada “Copa das Copas” – expressão midiática entoada pelos engajados em manter a ordem diante do caos que se transformou o megaevento. Como disse recentemente, um ex-jogador e embaixador do evento, estamos envergonhados pelo atraso e falta de obras essenciais para recebimento dos torcedores do país e do mundo nas cidades-sede. 
   
   Assim, os eventos futebolísticos são narrativas simbólicas e legitimadoras de uma alienação que se transformou no “ópio do povo” brasileiro, e no “opóbrio governista” diante de denúncias reiteradas de estádios com obras superfaturadas, desvios de recursos,  morte de operários na construção, falta de obras infraestruturais de mobilidade urbana, e, principalmente a ausência de um PADRÃO FIFA para os serviços públicos essenciais e necessários para  a população carente em educação, saúde, segurança, saneamento básico e mobilidade urbana.

   Diante de uma população no ataque desde os movimentos de junho de 2013, contra os gastos da Copa de 2014 e falta de planejamento do Governo Federal, por outro lado, a propaganda oficial tenta por todos os meios midiatizar o aspecto positivo via consumo emocional, louvando os méritos do legado.

   Nunca um símbolo da Copa foi tão sugestivo. Se a Copa se transformar no caos esperado pelos críticos – faremos  tal como o Tatu-Bola em extinção, nos envolveremos em nossa carapaça, envergonhados pela nossa incompetência gerencial. Caso contrário, as unhas serão usadas pelo governo federal para aniquilar seus inimigos. De toda forma, os fulecos brasileiros serão os fiéis depositários da fatura que pagarão ao final da festa.
   Eis o grande legado para  republiqueta dos bruzundangas!!!


*Eduardo Guerini, Economista , Mestre em Sociologia Política. Professor da UNIVALI , no PMGPP – Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas.

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