quarta-feira, 18 de junho de 2014

No dia do meu aniversário...

   Sempre gostei de fazer aniversário. Quando chegava perto da data vinha aquela expectativa de festejar e, durante muitos anos, eu iniciava a festa um mês antes e terminava um mês depois do 17 de junho.
   Com o passar do tempo o período de festas passou para uma semana antes e outra depois. Mas sempre festa. Avisava os amigos com antecedência que estávamos no mês de junho, e quase que os intimava a comemorar comigo. Sempre gostei dos telefonemas desejando só coisas boas.
  Ficava sempre atento para ver de quem seria o primeiro telefonema de parabéns. Sabedores da importância que dava para o "meu dia", meus irmãos e minhas irmãs disputavam a madrugada para me ligar. A mãe, bem, a mãe sempre ganhava de mão. Como sabe que sou notívago e estaria acordado à noite toda do 17, ligava à meia-noite e 1 minuto.
   Lembro que quando era criança, a mãe, no dia do meu aniversário, me fazia lustrar os sapatos, me arrumava todo, penteava meu cabelo, e me mandava na casa da "Tia" Zunga, que se chamava Altiva, sua prima-irmã, parteira e aparadora de todos os seus filhos, eu inclusive. A Tia Zunga morava na rua Dr. Acauã, atrás da nossa casa em Quaraí. Saia de casa, decia até a Duque e zarpava como uma flexa. Lá ia eu, todo lambido, em direção a casa da Zunga, feliz e na expectativa de chegar logo para ser paparicado e participar de um maravilhoso ritual que se repetia ano a ano.
   A Zunga já me esperava com bolo e Mandarina uruguaia. Depois de beijos e felicitações me encaminhava para o quarto onde o "Tio" Rozinha, seu marido, sentado em uma cadeira de balanço, me esperava de braços aberto. Me colocava sentado na cama alta ao seu lado e falava um monte de coisas engraçadas. Mestre de obras de mão cheia, o Tio Rozinha era um homem grande com um bigode preto e espesso. Quando levantava da cadeira ficava gigante, me segurava pela mão e me levava ao galpão que tinha no quintal em meio às árvores. Ali estava a jóia da cora: uma moto BSA 250cc, que ele me permitia montar e pilotar por alguns minutos que eu sempre achava que eram poucos.
   Montar naquela moto era algo fantástico. Assim que assumia o comando, deitado sobre o tanque
de gasolina e com as duas mãos no guidão, como que em um passe de mágica a realidade se distorcia e eu viajava imediatamente para um lugar que não encontrei ainda. Tinha até vento no cabelo! Um luxo!
   Depois da moto eu já sabia os passos seguintes. Como que seguindo um script repetíamos aquele ritual ano a ano. Voltávamos para dentro da casa e fechávamos a porta dos fundos sem olhar para trás. A tia Zunga já me esperava com o bolo cortado, alguns caramelos uruguaios em um pires e a pequena garrafa de Mandarina, delicioso refrigerante uruguaio que foi sufocado pela Fanta anos depois.
   Bem, estávamos a meio script, ainda teria a sessão de música e perfumarias. Depois do bolo levantava da mesa e acompanhava a tia Zunga até a pequena cozinha de teto baixo onde ela lavava o pires do bolo e o copo da Mandarina. Eu secava e guardava.
   O Tio Rozinha, sentado na cadeira de balanço já me esperava com o violão apoiado na perna. A Tia Zunga me colocava sentado na cama alta ao seu lado e, ele, atacava imediatamente com uma marcha militar daquelas tocadas pelas bandas dos fuzileiros americanos. Com a rudeza de um construtor, batia forte com o seu dedo grosso no bordão o que dava um peso enorme na música e que a tornava mais, digamos, militar.
   Fazia um intervalo e, sem levantar da cadeira, abria uma meia porta do guarda-roupas ao seu lado onde deixava à mostra um arsenal de minúsculos vidros de extratos de perfumes franceses. Essa parte do ritual era uma das que eu gostava bastante. Escolhia a esmo um daqueles vidrinhos, afastáva-o dos olhos, como que admirando uma raridade e tirava a tampa de rolha enrolada em uma fina fita de cetim.
   O cheiro forte do perfume era rapidamente sentido no ambiente. Colocava o dedo no bico do vidro e o virava de cabeça para baixo. Com a ponta do dedo embebida daquele perfume francês me fazia aproximar a cabeça da cadeira e passava atras dos lóbulos das minhas orelhas. Fechava e colocava o vidrinho no final da fila. Provavelmente para não repetir perfume no próximo ano. Eu acho!

- Tem uma música que vou tocar agora que é da Revolução Mexicana. Me dizia. Eu não tinha noção ainda de o que seria uma revolução e aí ele falou:

- O teu avô, jornalista Estevão Flores, pode visitar os Monte Urais na Rússia. Ele é do Partido comunista.

  Atacou de Adelita e com essa música "revolucionária" me dispensou. Beijei os dois e voltei correndo para casa para contar para a mãe como havia sido a minha visita de aniversário na casa da Zunga e do Rozinha.
  Parece que foi ontem...e já se passaram mais de 50 anos.
  Todo dia do meu aniversário eu canto Adelita...

2 comentários:

Anônimo disse...

Sensacional, amigo. Tuas reminiscências levaram-me às minhas.
Felicidades,Saúde,Paz!
Márcio Dison

Anônimo disse...

Canga, compartilho o texto que deu o maior bafafá no final de semama nas redes sociais> Presidente do PSol: "A cara de pau de Paulo Bauer"
21 de junho de 2014
17

7
Do presidente do Diretório Estadual do PSol, Leonel Camasão, criticando a propaganda do candidato do PSDB ao governo estadual:
“A CARA DE PAU DE PAULO BAUER – Por Leonel Camasão

Paulo Bauer (PSDB), pré-candidato a governador pelo PSDB, aparece na TV ao lado de Aécio Neves dizendo que “governo com muitos partidos não funciona”, em uma crítica indireta ao governador Raimundo Colombo.

Este é o mesmo Paulo Bauer que foi secretário de Luiz Henrique, após não se reeleger para a Câmara Federal, em uma coligação de oito partidos (PAN / PFL / PHS / PMDB / PPS / PRTB / PSDB / PT do B).

Este é o mesmo Paulo Bauer que foi eleito senador em 2010 em uma aliança com nove partidos (DEM / PMDB / PPS / PRP / PSC / PSDB / PSL / PTB / PTC).

Este é o mesmo Paulo Bauer que até agora, apoiou o governo Raimundo Colombo, ainda faz parte da gestão indicando dezenas – talvez centenas – de cargos em comissão, do primeiro ao terceiro escalão.

Paulo Bauer e o PSDB de SC compõe o atual governo de Raimundo Colombo, que conta não só com os partidos da coligação, mas também com o PP dos Amin e várias outras legendas menores. O PSDB é uma prostituta de luxo.

Acredite se quiser.”