segunda-feira, 9 de junho de 2014

O mito do marqueteiro vencedor


   Por Eduardo Guerini

   Em seu laboratório de imagens
 e sons para criar personagens
 políticos enganadores na grande
 peça eleitoral de 2014.

   As eleições brasileiras sofreram mutações emblemáticas desde o movimento popular em prol da emenda das “Diretas Já” no ano 1984, com seus meus megacomícios, participação popular efetiva e apoio de intelectuais e artistas de todas as clivagens ideológicas. O Brasil real aparecia nas redes de rádio e televisão sem ensaios ou teatralização.

   A Constituição de 1988, por força de uma pressão popular implementou as eleições diretas em todos os níveis após uma transição gradual, lenta e pacífica, nos marcos institucionais, sem ruptura da velha ordem e suas elites funcionais – a política de conciliação de classes e interesses, produziu uma nova ordem com novas lideranças despontando em todas regiões da federação brasileira.

   O processo eleitoral com partidos ideologicamente definidos, evidenciava para os eleitores qual a posição relativa de cada agremiação partidária em relação ao apoio do sistema vigente (situação) ou contrária ao sistema (oposição), do bipartidarismo – visão monocromática da realidade brasileira, passamos para o multipartidarismo, com inúmeras associações ideológicas e riqueza de propostas para sociedade que respirava liberdade, um padrão multicolorido para nossa republiqueta tropical.

   Na esteira das mudanças políticas, sociais e econômicas no Brasil e no mundo, as novas formulações instrumentais e práticas da vida produzem suas representações ideológicas, culturais, seja no cotidiano ou no mundo virtual. Eis que surge o marketing como ferramenta para resolver todas as debilidades da vida, com todos os recursos tecnológicos e midiáticos. O articulador político das velhas campanhas cede lugar gradualmente para o marqueteiro, com todo seu aparato para garantir aos políticos e agremiações partidárias o acesso ao poder e nele se manter.

   A instrumentalização das campanhas – com a visão utilitarista dos marqueteiros , corroborou na definição da pobreza política das propostas de candidatos e alianças no processo eleitoral , resultando na prática corriqueira de luta encarniçada por “tempo de exposição em rádio e televisão” para união de siglas partidárias ideologicamente opostas. Afinal, nas pesquisas de comportamento do eleitor/consumidor , o que se quer vender é um produto – o candidato.

   No momento em que se trava uma luta entre governistas e oposicionistas, o mito do marqueteiro vencedor continua a convulsionar a prática política de partidos políticos e possíveis alianças eleitorais, transformando o ambiente multipartidário – rico em propostas diversas para realidade regional e nacional, em ambiente bipartidário – os que apoiam e aqueles que não apoiam - melhor seria tratar - os que consomem e os que consomem tal produto ou cesta de produtos ofertado.

   Assim, o enredo eleitoral empobrece alavancado pela transformação do eleitor-consumidor em eleitor-servidor, mero meio para se chegar a um fim - o poder incumbente temporário. Na estratégia racional-utilitarista das campanhas eleitorais atuais – partidos e eleitores concorrem no mercado de votos com o auxílio de magos marqueteiros que transformam a realidade brasileira na grande Disneylândia Macdonaldizada.

   Nunca na história dessa republiqueta se produziu tanta propaganda de governos e governantes, tão fantástica e maravilhosa, com realidade tão escabrosa – um verdadeiro “drink no inferno”. Quem assiste/assistiu as propagandas dos partidos e dos governos (federal e estadual) encontra o “nirvana existencial” saboreando imagens elaboradas nos laboratórios de imagem e som , lançadas sobre a realidade que rapidamente desaparece quando abrimos a janela ou abrimos a porta. Daí, rapidamente passamos do frenesi para a depressão...

   Alguém dúvida que devemos fazer um “recall político” com a devida superação do mito que marqueteiros vencem eleições???

   Que venham os transformistas!!

Um comentário:

Anônimo disse...

Situação do PSDB no governo, onde lideranças criticam a maquina estadual mas tem filiados e secretários recebendo e trabalhando é a piada eleitoral do ano…Tem deputado falando mal do governador no Facebook, mas com a mulher trabalhando e ganhando salário milionário…subefotos.com/ver/?e7ab8240edd1c8e1ffc41257a2360006o.jpg#codigos PAULO BAUER, TU É UM RUFIÃO