quinta-feira, 31 de julho de 2014

SININHO QUER ASILO


   Por Janer Cristaldo

   Estão surgindo na imprensa, como se fossem novidade, personagens obsoletos e anacrônicos, que se pretendem inovadores e contestadores do... Do que mesmo? Da ditadura não há de ser, porque ditadura não existe no país. Do governo muito menos, pois são recebidos e defendidos por altas autoridades do PT. Da oposição tampouco, afinal são opositores. No fundo, são os abomináveis rebeldes sem causa, que só são rebeldes porque julgam que ser rebelde tem charme.

   Comentei há pouco os pronunciamentos do líder do MTST, Guilherme Boulos, que de sem-teto nada tem. Aventureiro oriundo da Fefelech - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo – que se diz professor de psicanálise. Mas a meta de Boulos não é exatamente teto para os sem-teto. E sim a revolução socialista. Qual revolução socialista?

   De artigo escrito na Folha de São Paulo, deduzimos que é aquela de 1917, que de início se chamou comunista, e que estertorou em 1989, com a queda do Muro. Escreve o jovem stalinista, a propósito da morte de Plínio Arruda Sampaio:
“Figurou nessa lista ao lado de gente como Luiz Carlos Prestes, Francisco Julião (dirigente das Ligas Camponesas) e do próprio Jango, dentre outros grandes nomes que defenderam os interesses populares contra o golpe militar”.

   Ou seja, o marxismo de Boulos não é apenas pré-64. É pré-35. Data do auge do stalinismo, quando o Paizinho dos Povos queria pôr uma pata na América Latina. Só mesmo no Brasil para um espécime como este ganhar coluna na grande imprensa.

   Agora está tendo seus 15 minutos de fama uma gaúcha desocupada, Elisa Quadros – mais conhecida como Sininho - que se diz cineasta e produtora cultural e tem liderado as últimas badernas no Rio de Janeiro. A moça, munida de três galões de gasolina, queria nada menos que tocar fogo na Câmara de Vereadores. Presa com outros baderneiros - todos soltos por habeas corpus de um desembargador que não vê mal nenhum em pretender incendiar a Câmara - Sininho se diz perseguida política. Que país é este onde um cidadão não tem mais direito a incendiar uma câmara de vereadores?

    Indagada pelo Estadão sobre a acusação de ser uma das líderes da FIP (Frente Independente Popular), Sininho afirmou: “Historicamente, o Estado, o poder, precisa criar um líder para matar e criminalizar o movimento. É isso o que estão fazendo. E vão fazer com todos. Vão destruir as identidades por meio da mídia, para depois justificar prisão, tortura e assassinato. Eles precisam disso. Mas o movimento é espontâneo, não aceita esse tipo de coisa. Não adianta tentar criar o que não existe”.

Leia o artigo completo. Beba na fonte.

"O cusco que pita"

   Taí a nova (vintage...rsrrs) placa do bar mais antigo das Américas: El Perro que Fuma!   Fica em Montevidéo na rua atras do Mercado del Puerto.
   A foto foi feita pelo meu irmão, Marco Rubim, que passou por lá dia destes.



Gott, Liebe und Arbeit

Leal Roubão
    Por Leal Roubão*
   Deus, amor e trabalho é o lema deste candidato ao Senado da República, Dário Berger. Ele não é socialista. É um capitalista de Estado. Oferece serviços ao Estado e cobra caro. Dizem que ele tem empresas de segurança e manutenção, de transportes coletivos, usina de asfalto e até uma carta patente do Banco Central para abrir um banco de pequeno porte. 
   Este trabalha desde menino. Poderia ser garoto propaganda da Maison Dior ou Yves Saint Laurent, em Paris. Preferiu ficar no eixo Bom Retiro - Florianópolis. Usa as roupas que são costuradas por sua mãe, impecavelmente.
   Foi o único alemão que o LHS conseguiu enganar: Vide o affair do Andrea Bocelli. Mas, deu o troco na convenção do PMDB quando conquistou a vaga senatorial. Não brinca em serviço. Com os frutos de seus negócios privados-estatais teria comprado muita terra na Coxilha Rica. É vizinho de Colombo por lá e na chapa eleitoral.
   Seu desempenho na campanha é imprevisível. 
   Pode jogar nos dois lados.

* Jornalista mais premiado no ano passado, na área política e sociológica, formado na Escola das Lides Portuguesas, em Lisboa, com doutorado em Londres na Press, Less and Guess, a mais revolucionária escola de jornalismo da Europa. Contratado do Cangablog para cobertura da campanha eleitoral em SC e no Brasil.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Os desavisados do governismo infantil...

Por Eduardo Guerini

Na leitura dos jornais e revistas da semana, em seu recôndito espaço,  refletindo e observando o horizonte da crise brasileira.

   Em certos momentos da vida, a experiência requer um pouco de prudência diante da velocidade dos fatos e natureza dos argumentos. Vivenciamos uma nova crise econômica – tracejada desde o epicentro financeiro nos países desenvolvidos. Lula e seu séquito governista menosprezou a onda que se agigantava lentamente. Determinara que, o “tsunami” econômico chegaria ao Brasil como uma “marola”, ou como, desejara – “marolinha”.
   Nas metáforas de onipotência e supremacia, alcançada por todos “os meios possíveis” que o poder político lhe auferiu, via voto direto, a síndrome soberana tomou conta de Lula nos seus mandatos – absorvido pela ideia deificada que poderia tocar a realidade e muda-la como bem entendesse. E, no surfar de um ciclo econômico positivo, desdenhou críticos e opositores, garantindo a sucessão na Presidência do Brasil, da desconhecida “CRIATURA” que se entranhou nas hostes da burocracia  petista  -  Dilma Rousseff.
   Nas propagandas e comícios pelo Brasil, o líder sindical deificado na plenitude de sua popularidade – vendeu  uma “gestora” que colocaria ordem na “casa”, seria a “matrona do crescimento”, a condutora da  “tecnoburocracia”, que sobrevive nas entranhas do poder político, que tão bem, o CRIADOR manipulara – seja no Executivo ou no Legislativo.
   No esteio de um governo avaliado positivamente, o  ex-presidente desfrutando da aposentadoria, saiu plantando “postes políticos” por todo o Brasil.
   Afinal, o “CRIADOR”  que “nunca na história desse País” havia visto e presenciado tamanho e vertiginoso crescimento com distribuição de renda, garantia nas  suas consultorias e palestras, remuneradas a peso de ouro ( tráfico de influência e informação  privilegiada é a pedra de toque das consultorias) que sua ‘CRIATURA” daria conta do recado e que o sistema financeiro deveria apreender com o Brasil, receitas milagrosas da “gerentona” para “safar” o mundo da crise financeira mundial.
   No enredo fatídico, o horizonte que era de brigadeiro e o mar que era de almirante, começou a turvar e nebulosamente, nas águas revoltas da política, agentes econômicos, empresários e trabalhadores em geral,  começam a sentir a reviravolta no clima nacional.   Os indicadores econômicos monitorados pelo Banco Central transformaram o projeto de poder com reeleição da “governanta” em grande pesadelo para os partidos aliados, e,  o sócio majoritário – o Partido dos Trabalhadores.
   Na tentativa de macular qualquer crítica,  militantes cegos e alucinados, “bocas alugadas” da alcovitagem midiática, proxenetas de ocasião e uma gama de “emergentes do crédito fácil” se defendem na tese plebiscitária, infantilizada e bestializadora de que a gestão da crise não é culpa da governanta e seu ministério  pífio e silente.
   O verdadeiro determinante do “tsunami” das expectativas negativas é composto  de pessimistas, alarmistas, derrotistas, velhos do restelo, profetas do caos – nenhum deles, com o poder de manejar a política econômica. Portanto, os desavisados do governismo infantil esqueceram-se de  analisar de onde partiu a decisão assombrosa de empurrar o Brasil para a RECESSÃO, senão dos laboratórios do Banco Central (polo Ativo) e Ministério da Fazendo (Polo Passivo), com aval da “CRIATURA”. 
   Como é tradição no “modus operandi” do lulo-petismo-dilmismo,  transferir os problemas para os outros – glorificando sua opressão e demonizando os outros, nada mais usual, que radicalizar o achaque do coitado cidadão brasileiro, com TARIFAÇOS, aumento dos JUROS, DESEMPREGO e CRISE DE EXPECTATIVAS.
   Toda culpa cabe a oposição que não governa, ao sistema financeiro nacional e internacional(que nunca ganhou tanto, tal como repete o CRIADOR), meia dúzia de empreiteiras e uma dúzia de indústrias que financiaram as campanhas eleitorais de 2010.
    Na pérfida realidade que depõe contra os argumentos do governismo infantil, nada melhor que a linguagem  das redes sociais #nadaseidacrise  #vemnimimcrise  #desempregadomaisfeliz #crisesaideti  #noisepobremaisefeliz #crise2014eparafracos  #tsunamibrasil2014 #marolinhajaera  #MUDANCAJA #deupratiDILMA...


terça-feira, 29 de julho de 2014

Os enigmas do discurso político em SC.

Leal Roubão
Por Leal Roubão*

Meu desafio é entender o que a nossa geração deseja, precisa e merece”.
   Com esta frase Kantiana, o socialista Paulo Roberto Bornhausen tenta desvendar os mistérios da ansiedade juvenil. Em todos os tempos da Humanidade, as gerações desejam paz, amor, trabalho, estudo, honestidade na vida social e política, inovações e transformações. Alguns querem revoluções.
   O jovem candidato é fruto de uma família de políticos que usou os recursos do Estado para garantir suas necessidades materiais, sociais e políticas. São verdadeiros socialistas neste aspecto. Não acreditam na livre iniciativa, não possuem empresas, não arriscam novos negócios. Nos poucos que tentaram, sucumbiram.
   O clã dos Bornhausen usa o Estado com maestria inigualável. Fazem grandes negócios público-privados. São ricos, mas não possuem empreendimentos nem virtuais.
O candidato terá que resolver este grande mistério: Entender o que a nossa geração deseja, precisa e merece.

As pessoas em primeiro lugar” e “Santa Catarina em primeiro lugar

   Raimundo Colombo, uma espécie de Rubens Barrichello da política e cria dos Bornhausen desde 1979, responsável pelos Comandos Sociais no governo JKB, subia os morros da capital para saber das necessidades de sua geração. É também um grande socialista. Sempre viveu à custa do Estado. Ocupou diversos cargos públicos até se tornar um grande pecuarista. É um dos grandes proprietários rurais na Coxilha Rica em Lages.
   Como não herdou grandes fortunas, presume-se que seja um excelente administrador financeiro. Teria economizado parte substancial de seus salários para adquirir as grandes pastagens lageanas. 
   Escreveu um livro: O povo tem rosto, nome e endereço. Como não colocou o CEP (código de endereçamento postal), poucos o receberam. 

* Jornalista mais premiado no ano passado, na área política e sociológica, formado na Escola das Lides Portuguesas, em Lisboa, com doutorado em Londres na Press, Less and Guess, a mais revolucionária escola de jornalismo da Europa.

Extra ! Extra ! Extra !

   
Leal Roubão
Para a cobertura completa das eleições 2014, no Brasil e em SC, o Cangablog habilitou-se ao crédito da CAIXA, do programa Minha Imprensa, Minha Vida, e conseguiu contratar o jornalista mais premiado no ano passado, na área política e sociológica, doutor Leal Roubão, formado na Escola das Lides Portuguesas, em Lisboa, com doutorado em Londres na Press, Less and Guess, a mais revolucionária escola de jornalismo da Europa.

   Doutor Leal Roubão ajudará a interpretar as frases, propostas e omissões dos candidatos em questão, contribuindo para o melhor entendimento dos eleitores.

   Suas análises vão desde os terninhos de manga 3/4 da Dilma, uma forma de arregaçar as mangas sem precisar fazê-lo, passando pelo aeroporto dos Neves, cujo piloto Cláudio, desaparecido com a farinha, deixou muita gente sem tutu no feijão. Leal Roubão explicará também a onda socialista que embala Eduardo Campos, neto do Arraes, e os novos adeptos desta falida doutrina, como Paulinho e seus familiares Bornhausen.

   Pinho Moreira, o homem de 50 milhões de dólares da Monreal, LHS - o representante dos interesses de Bocelli em Santa Catarina, Colombo das Coxilhas Ricas, Bauer e Ponticelli - o mentor do conto da beata.

   Entrevistas exclusivas, debates e notícias para enriquecer o seu entendimento político.

Condenados vereadores que fizeram turismo com dinheiro público


    Cinco ex-vereadores e um servidor público do Município de Agrolândia foram condenados, em primeira instância, por terem feito inscrição em um seminário na cidade de Foz do Iguaçu (PR) e não terem frequentado todo o curso, apesar de assinarema lista de presença. O fato ocorreu em janeiro de 2006, quando os agentes públicos passaram cinco dias no Paraná e, em vez de participar integralmente do curso, foram flagrados fazendo compras e turismo na região.

   Além de devolver o dinheiro das diárias e da inscrição do curso pagas pela Câmara Municipal, com as devidas correções monetárias, e pagar multa de duas vezes o valor do dinheiro usado indevidamente, os réus terão que pagar, cada um, 10 salários mínimos ao Município de Agrolândia por dano moral coletivo.

   A indenização por dano moral à cidade, pleiteada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), foi atendida pelo Poder Judiciário porque, na época do crime, a cidade foi exposta em mídia nacional. A Juíza Tatiana Espezim entendeu que os cidadãos de Agrolândia têm direito à honestidade de seus representantes e que essedireito foi violado.

   Além da condenação financeira, os ex-vereadores Jonas Cesar Will, Charles Pisk, Amarildo Michels e João Miguel Rodrigues da Costa; e o ex-Presidente da Câmara Lauri Sutil Narciso tiveram suspensos seus direitos políticos por oito anos. Os agentes públicos receberam, no total, R$ 11.741,44 em diárias e mais R$ 1,8 mil pelas inscrições.

   Na relação de provas usadas pela Juíza para condenar os réus está o relatório do Tribunal de Contas do Estado, que julgou irregulares as prestações de contas sobre a participação no Seminário; o fato de a autorização das diárias ter sido concedida pelo próprio Presidente da Câmara na época que era um dos beneficiados pelo esquema; os depoimentos dos denunciados e de 15 testemunhas, entre elas o repórter que levou o caso à mídia nacional em 2006; e documentos solicitados aos organizadores do seminário. Outra prova que levou à condenação são as imagens do grupo passando pelo posto da Polícia Rodoviária Federal no horário que deveriam estar no seminário.

Solidão e tecnologia

   Por Emanuel Medeiros Vieira

   Uma pesquisa da revista científica “Science” revelou que muita gente prefere levar choques a enfrentar alguns minutos a sós com os próprios pensamentos.
   Conforme informa Juliana Vines – autora da matéria –, o estudo surpreendeu o próprio autor da pesquisa, o psicólogo Timothy Wilson, da Universidade da Virgínia (EUA).
“Parece que há uma dificuldade em se distrair com a própria mente. Suspeito que a popularização da tecnologia e dos smartphones  é ao mesmo tempo um sintoma e uma causa dessa dificuldade. Hoje, temos menos oportunidade para refletir e desfrutar dos nossos pensamentos”, reforça Wilson.
   Para a psicóloga Lívia Godinho Nery Gomes, a onipresença da tecnologia, “obriga” os seres humanos a estarem sempre disponíveis.
“Há um apelo muito grande para estar em rede, compartilhar. Quem está de fora sente que está perdendo alguma coisa”, diz ela.
   Para Luci Helena Baraldo Mansur, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, tentar ficar só sem se sentir sozinho é fundamental.
Diz ela: “O tempo do silêncio e da quietude é um tempo que conduz à criatividade e não a esse vazio tão temido. É quando podemos ouvir nossa voz interior”.
   O psicólogo Roberto Novaes Sá afirma que “nossa noção de realidade, de estabilidade e de segurança é construída socialmente, através da relação com os outros e das ocupações.  Quando não estamos inseridos em alguma atividade há um sentimento de não realização, fragilidade e angústia”.
   Isso não quer dizer que as possibilidades de contacto instantâneo – como as redes sociais  permitem – não sejam valiosas–, ainda mais num tempo em que a vida parece mais veloz, em que tudo parece dissolver-se, e o contacto “real”  entre as pessoas fica mais difícil.
   O importante é utilizar tais instrumentos, sem perder o contacto “real” e a vivência com os com outros seres humanos.

Não somos ilhas.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Vice governador condenado na Justiça por ilegalidades

   O vice-governador do Estado, Eduardo Pinho Moreira do PMDB, acaba de ser condenado em Ação Popular impetrada pela bancada do Partido Progressista, ao ressarcimento de R$150.000 (cento e cinquenta mil reais) pagos ilegalmente à Teixeira Ferreira e Serrano Advogados Associados, de São Paulo, em contrato com valor total de R$ 900 mil.
   O juiz Luiz Antônio Zanini Forneroli, da 1ª Vara da Fazenda Pública, além de condenar os réus à multa pecuniária declara nulo o contrato celebrado entre a Centrais Elétricas de Santa Catarina - CELESC e a Teixeira Ferreira e Serrano Advogados Associados, datado do dia 23 de março de 2009.
   Eduardo Pinho Moreira é candidato à reeleição como vice na chapa do governador Raimundo Colombo (PSD). Foi presidente da Celesc no governo de Luiz Henrique da Silveira(PMDB), período em que cometeu o "contrato" agora cancelado pela justiça.

   Clic aqui e leia a íntegra da sentença de condenação.

Escândalo Bocelli: senador Luiz Henrique chamado na Justiça para esclarecimentos

   O senador peemedebista Luiz Henrique da Silveira terá que "sentar praça" nos bancos da Justiça. Ensaboado como um muçum, Luiz Henrique tem conseguido se esquivar dos processos que rolam em função do malfadado caso de corrupção conhecido como Escândalo Bocelli, acontecido em Florianópolis em 2009.
   Agora o Tribunal da Justiça de SC atendendo a pedidos dos advogados do seu antigo assecla, Mário Cavallazzi, decidiu convocar o ex-governador Luiz Henrique, para prestar esclarecimentos sobre o escândalo urdido dentro do seu próprio gabinete quando governador do estado.
Seu antigo companheiro - atual candidato a senador na chapa da tripaliança do governador Colombo - ex-prefeito de Florianópolis, Dário Berger andou afirmando em juízo que o ex-governador era o maior entusiasta do projeto e que, inclusive, repassou os recursos para a Prefeitura de Florianópolis trazer o famoso cantor italiano a Florianópolis.
   O golpe rendeu na época mais de 2,5 milhões de reais.

   Leia abaixo a história completa desde seu nascedouro até agora:

    Escândalo Bocelli: 

Sua Excelência o Fato

Parafrazeando Ulisses Guimarães, o modelo de político perseguido até em sonhos pelo senador Luiz Henrique da Silveira, apresentamos nesta reportagem os fatos, sem boatos, sobre o famoso escândalo que envolveu o governo do estado de Santa Catarina, a Prefeitura Municipal de Florianópolis, o tenor italiano, Andrea Bocelli e o desparecimento de milhões de reais dos cofres públicos

   
afair Bocelli foi um golpe planejado por um grupo de políticos catarinenses e tem como ingredientes o desaparecimento de somas milionárias de dinheiro público, histórias mal contadas, e repercussão internacional. Foi trazido à público em 28 de agosto de 2009. Nesta data, o Diário Oficial de Florianópolis publicou a dispensa de licitação para contratação da empresa Beyondpar (RJ), por R$ 3 milhões, para produzir o show do tenor italiano, Andrea Bocelli. Bocelli se apresentaria no denominado NATAL DOS SONHOS, a grande festa de final de ano patrocinada pelo Governo do Estado e Prefeitura Municipal.
    A idéia do mega-evento surge no segundo mandato do governador Luiz Henrique da Silveira, em pleno surto de megalomania, onde tudo que planejava para SC, e propagandeava na mídia, era sempre o maior e o melhor. Tudo de "primeiro mundo" e "intercontinental", como costumavam alardear seus acólitos da República de Joinville.

 

   A gênese
   Tudo começou numa bela tarde de outono, no requintado gabinete do governador Luiz Henrique da Silveira. Segundo transcrição no voto da relatora do processo (TCE-06/00654848), Sabrina Nunes Locken, estavam no gabinete de LHS, Dário Berger, Gilmar Knaesel, Walter Galina, Mário Cavallazzi, dois representantes da empresa carioca Beyondcomm e Cleverson Siewert, secretário da Fazenda do Estado.
   Ali, em clima festivo, se discutia a magnitude da moderna árvore de Natal de leds, que seria plantada na Av. Beira Mar Norte, para adornar o que Luiz Henrique batizou de o Natal dos Sonhos!
   Embriagado com tanta modernidade e beleza, Luiz Henrique, em um lampejo de lucidez, comenta: "a árvore ficaria de fato maravilhosa, ainda mais, se o maestro Andrea Bocelli pudesse cantar ao pé da monumental árvore" (sic). A idéia foi recebida com entusiasmo por todos os integrantes da fatídica reunião.
    Luiz Henrique, poderoso, imediatamente dispara um telefonema internacional para a Sra. Milena Perini, amiga de Andrea Bocelli e pessoa de sua relação social em Joinville, ora morando na Europa.
    Dona Mileni fez a ponte e colocou o maestro italiano em contato pessoal com o governador. Segundo relatos de participantes do convescote, Luiz Henrique, naquele momento, elevou o ego às nuvens numa pirotecnia exibicionista em frente aos embasbacados mortais municipais.
    Andre Bocelli sucumbiu frente ao maravilhoso relato da bela árvore que adornaria seu grande show, e disse a LHS: "se a árvore é tão grandiosa e bonita assim, vou fazer o show". (Tadinho!)
    Pronto, estava criado o ambiente que redundaria no retumbante fracasso. O Natal, que seria dos Sonhos, virou o Natal do Pesadelo. 



   Começa a armação
   Luiz Henrique conseguiu vender idéia do mega-show para o prefeito Dário Berger que engoliu a bolinha de polenta com anzol e tudo. Havia a promessa de que o estado repassaria, ao município, os recursos necessários 
 para o evento.
   Sem tempo a perder, imediatamente à proposta de Luiz Henrique, o secretário de Turismo do Município, Mário Cavallazzi, encaminha ofício ao secretário estadual de Turismo, Gilmar Knaesel, dia 31 de agosto de 2009, informando o cronograma de desembolso, previamente acertado entre Luiz Henrique da Silveira e a empresa Beyondpar, do Rio de Janeiro.
   Este documento é a primeira prova da série de ilegalidade que serão cometidas daqui em diante. Em primeiro lugar o dinheiro foi pedido com cronograma ¨acertado¨ entre LHS e os cariocas, sem nem um arremedo de projeto elaborado.
 
   Diante do papel de padaria pedindo os R$ 3 milhões, Luiz Henrique informa que para a liberação do "tutu", deveria ter uma contra partida social.
   Como o leitor pode ver, a compensação social oferecida por Mário Cavallazzi, e aceita por Luiz Henrique, se não é um deboche, é uma peça de alto valor científico. Ficou conhecida com a Contrapartida Social do Criolo Doido!
   Mário Cavallazzi que não é homem de se apertar por pouca coisa, no mesmo dia (31/8) elabora essa pérola abaixo: 



"Pela primeira vez na história, as festividades de fim de ano vão se integrar ao esforço mundial de redução de emissão de gases poluentes que contribuem para o efeito estufa no planeta. O município vai levantar o volume de poluição ambiental gerada pelo espetáculo para compensar a liberação de gás carbônico com o plantio de árvores em áreas degradadas".

    Entra o alcaide
    No dia 3 de setembro o prefeito Dário Berger dá andamento ao plano na área financeira. Tinham pressa. Solicita o Banco do Brasil a abertura de uma conta corrente específica que irá receber e movimentar os milhões que viriam dos cofres do Estado.
   No ofício encaminhado ao BB, Dário Berger imprime suas digitais como participante do esquema. Informa que a conta será movimentada conjuntamente entre ele e o Secretário de Finanças e Planejamento do Município, Augusto Cézar Hinckel.

    O repasse 
    A execução do plano corria a contento. Cada integrante do grupo fazia a sua parte. Pedido feito, conta aberta, só faltava o repasse do dinheiro combinado com o governador Luiz Henrique da Silveira.
   Em 21 de setembro de 2009, o governador Luiz Henrique dá o "de acordo", autorizando o pagamento de R$ 3 milhões para execução do Natal do Sonhos, por ele planejado e batizado.
    O documento assinado por Luiz Henrique é totalmente ilegal. O governador não cumpriu o Art. 38 do Decreto 1.291, assinado por ele mesmo, que regulamenta a concessão de financiamento de projetos.
   Imediatamente pós a autorização do governador LHS, em 24 de setembro, é assinado o contrato de apoio fianceiro, nº 12.513/2009-0, entre o Estado de SC e o município de Florianópolis para execução do Show Internacional Maestro Andrea Bocelli no valor de R$ 3 milhões.

   Passo seguinte, o prefeito Dário Berger, via Secretaria Municipal de Turismo, firma o contrato com a empresa carioca Beyondpar para a realização do Natal dos Sonhos. O plano se desenvolvia a contento. Tudo azeitado e dentro dos "providenciamentos". Agora estava na hora de "repassar" os R$ 2,5milhões.
   O primeiro pagamento (R$ 200 mil), já foi feito ilegalmente, a título de antecipação, em 29 de setembro de 2009. O segundo pagamento (R$ 800 mil) em 29 de outubro e o terceiro (R$ 1,5 mil) em 19 de novembro.

   Tudo isso foi feito atraves de ordens bancárias, assinadas por Dário Elias Berger e Augusto Cesar Hinkel. Dário chancelava com essas assinaturas a sua participação efetiva no negócio.
    Agora chegava a hora de anunciar publicamente, para os contribuintes que entravam com a grana, o maior evento da história da capital catarinense.
    Em seu site oficial, o governador manda publicar matéria anunciando o show para um milhão de pessoa na capital. 

¨É um espetáculo para dar mais brilho à nossa luz de Florianópolis, e vai certamente atrair a atenção da mídia internacional, contribuindo para trazer mais e mais turistas do mundo todo¨. (Luiz Henrique)

“Andrea Bocelli fará show gratuito para um milhão de pessoas
em dezembro na Capital
      Florianópolis (1/10/2009) - Com o apoio do Governo do Estado, através de recursos dos fundos estaduais de Cultura e Turismo, a Prefeitura de Florianópolis realizará no dia 28 de dezembro, na Avenida Beira-mar Norte, um show do tenor italiano Andrea Bocelli. O cantor terá acompanhamento de um coral de 60 vozes e orquestra sinfônica formada por músicos de Santa Catarina. 
   O show será gratuito à população e a expectativa dos organizadores é reunir em torno de um milhão de pessoas para a apresentação única do cantor. A confirmação da vinda de Andrea Bocelli foi feita na tarde desta quinta-feira (1º/10) pelo governador Luiz Henrique em companhia de diversas autoridades. “Neste ano, o Natal Luz de Florianópolis terá uma luz mais reluzente”, anunciou o governador.
   “É um espetáculo para dar mais brilho à nossa luz de Florianópolis, e vai certamente atrair a atenção da mídia internacional, contribuindo para trazer mais e mais turistas do mundo todo para o nosso Estado”, enfatizou Luiz Henrique. O governador ressaltou também que Bocelli virá da Itália para fazer este único show no Brasil. O secretário de Turismo da Capital, Mário Cavallazzi, chegou nesta quinta-feira do exterior, onde assinou em Londres o contrato para a única apresentação do cantor na América Latina.
    Segundo o governador, o cachê do músico italiano é de 800 mil euros. “É um grande investimento. É um espetáculo de graça para o povo e não há dinheiro que pague. Nós só pudemos fazer este investimento porque temos um fundo cultural e um fundo de turismo”, disse o governador, destacando que o espetáculo será importante para Santa Catarina e para o País, pois acredita que atrairá pessoas do país inteiro e dos países do Mercosul para acompanhar a atração para o Natal de Florianópolis.
   O espetáculo do cantor a ser apresentado na capital catarinense será chamado “Andrea Bocelli – My Christmas”, e será apresentado junto à àrvore de Natal a ser montada pela Prefeitura como parte da decoração natalina de Florianópolis. O secretário de Turismo da Capital destacou que houve uma intensa negociação para trazer o músico a Florianópolis, e agradeceu o empenho e a sensibilidade cultural do governador Luiz Henrique para concretizá-la com sucesso.
   Segundo Cavallazzi, a apresentação faz parte de uma estratégia global para a divulgação da Capital como destino turístico. O secretário de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, Valter José Gallina, observou que Santa Catarina é o único Estado que conta com um fundo estadual de turismo e de cultura. “Essa política vem contribuindo para as sucessivas escolhas do nosso Estado como principal destino turístico do País”, destacou.
   Bocelli é  um clássico crusador e tenor de Ópera e gravou quatro óperas completas (La bohème, Il trovatore, Werther e Tosca), além de vários álbuns clássicos e populares. Entre as autoridades que acompanharam o anúncio feito pelo governador estavam o secretário de Cultura, Esporte e Turismo, Gilmar Knaesel; o secretário de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, Valter José Gallina; o secretário- executivo de Articulação Internacional, Vinícius Lummertz; além do secretário municipal de assuntos internacionais, Rubens Bita Pereira. (do site oficial da Secretaria de Estado de Comunicação)


   Estoura o escândalo
   A cidade que dormia embalada pelos sonhos megalômanos de Luiz Henrique e Dário Berger, acorda no dia 28 de dezembro envolvida numa grande polêmica. A notícia do cancelamento do mega-show de Andrea Bocelli, na Av. Beiramar, entristeceu a cidade e deixou no ar uma sensação de enganação. 
   Estava estabelecido mais um escândalo entre tantos outros que marcaram as administrações estadual e municipal do PMDB. A suspeita contratação, os valores milionários envolvidos, a total falta de garantias e os pagamentos antecipados encejaram ações populares e civil pública, na justiça e no Tribunal de Contas do Estado. Todas estas ações já resultaram na indisponibilidade dos bens de Dário Berger, Mário Cavallazzi e outros integrantes do grupo.

   A mentira de Gean
   Apesar de todas estas evidências do crime, o então prefeito em exercício, Gean Loureiro, expede uma declaração afirmando que os R$ 2,5 milhões do Funturismo foram aplicados no Projeto Show Internacional Maestro Andrea Bocelli.

   Dário entrega os parceiros
   Percebendo o tamanho da encrenca em que havia se metido, o prefeito Dário Berger, sem constrangimento algum, começa um processo de delação contra os parceiros de crime. Protocola na justiça uma Ação Ordinária de Reparação de Dano, causada por ato ilícito, cumulada com pedido de tutela antecipada de insdisponibilidade de bens, contra os co-partícipes: A Empresa Beyondpar, Mário Cavallazzi e outros.
   Nesta peça jurídica, Dário reconhece que houve crime, mas tira o seu da reta e coloca no dos parceiros. 




O que restou à população de Florianópolis foi a pergunta:

ONDE ESTÁ O DINHEIRO DÁRIO BERGER???!!! 

Publicado no Cangablog em 28 de outubro de 2012





A vingança do mensaleiro

               DUDA VETA DILMA PARA DAR O TROCO EM JOÃO SANTANA
   Em uma briga que remonta ao escândalo do mensalão, o marqueteiro Duda Mendonça convenceu o candidato Paulo Skaf (PMDB-SP) a vetar a presidente Dilma em seu palanque para dar o troco no arquiinimigo João Santana, queridinho da presidenciável petista. Duda, que ajudou Santana no passado a se inserir no núcleo do PT, não perdoa o ex-colega por ter aproveitado o desgaste do mensalão para tomar o seu lugar no governo.

                   ‘AERONEVES’ CUSTOU QUASE AEROPORTO DA COPA
   O aeródromo construído na fazenda desapropriada do tio de Aécio Neves custou quase o mesmo valor de aeroporto turístico do Ceará. Em valores corrigidos de janeiro de 2009 a maio de 2012, pelo IGP-M, o “aeroneves”, no município de Cláudio, custaria R$15,6 milhões aos cofres públicos. Já aeroporto de Aracati, que recebe cerca de 40 voos mensais e mantém 22 funcionários, teve sua pista reconstruída para a Copa por R$ 16 milhões.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

BRANCA E RADIANTE VAI A NOIVA...

   Por Janer Cristaldo
   
    Santana do Livramento, minha cidade natal – mas não aquela em que fui criado - parece ter decidido profanar o Santo dos Santos. Verdade que os santanenses sempre foram pioneiros. Foi em Livramento que surgiu a primeira célula comunista no Brasil, já em 1918, apenas um ano após a revolução russa, criada por anarquistas italianos que haviam aportado em Rio Grande. Os paulistanos se gabam - como se louvável fosse gabar-se da humana estupidez - de que o Partido Comunista tenha nascido em 1922, em São Paulo. Não é verdade. O obscurantismo tem origens gaúchas.

   Mas os comunistas russos estavam eivados de boas intenções e na época ninguém sonhava com a tirania que resultou dos nobres propósitos dos bolcheviques. De certa forma, era dever de todo humanista aderir à revolução. As melhores mentes da época jogaram-se de corpo e alma na Idéia, como então se dizia. Agora o puchero é mais gordo.

   A celebração da união entre pessoas do mesmo sexo em um CTG (Centro de Tradições Gaúchas) foi sugerida pela diretora do Foro de Livramento, juíza Carine Labres. Que asco, tche! Deve ter muito maula sofrendo arcadas de vômito. Pior ainda, a magistrada entende que a melhor data para o casamento é 13 de setembro, justo quando se iniciam os festejos da Semana Farroupilha e as homenagens a figuras como o o general Bento Gonçalves da Silva, o símbolo maior da valentia gaúcha.

   Contrabandista e ladrão, é verdade, mas naqueles tempos tudo era muito embaralhado e algum herói se precisava cultuar.

   Há alguns anos, provoquei um deus-nos-acuda definindo a Semana Farroupilha como a celebração de uma derrota e chamando o obelisco do Ponche Verde de pequeno poste. Imagino como devem andar eriçados os brios da gauchada com a provocativa sugestão da juíza, que nos traz à mente a exótica imagem de um gaúcho dançando a chula de leque em punho.

   Gaúcho, sempre me manifestei contra o casamento gay. Não por ser gaúcho nem por ter algo contra homossexuais. Convivi com eles desde o ginásio à universidade e mais tarde na vida profissional. Ostentavam uma certa aura, não digo de heróis, mas de rebeldes avessos à sociedade bem comportada, à ética vigente, ao casamento e à religião. Entre os homossexuais com os quais convivi – e alguns eram companheiros de bar – nunca vi casais nem pessoas com pendores religiosos. Todos tinham consciência de que as religiões vigentes condenavam seus comportamentos, e das igrejas só queriam distância. Eram geralmente pessoas cultas e sensíveis. Quando penso nos homossexuais de minha juventude, sempre me vem à mente o “non serviam” de Lucifer, a primeira afirmação de liberdade ante a arrogância do Altíssimo.

   Sou, isto sim, contra o casamento. Quando vejo um homem casar com homem, vejo uma pessoa que trocou os prazeres por deveres, os bares e as saunas pelo lar, a vida alegre e solta pela monotonia do casal. Em suma, a liberdade por grilhões. Volto a esses teatrinhos da classe média, os CTGs.
   
   Leia o artigo completo. Beba na fonte.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

"El Perro" LIVE!

Taí a Sheyla em frente ao bar
   Recebi da leitora Sheyla Castor este comentário sobre a matéria El Perro Que Fuma publicada no Cangablog em 2008. 
   "El Pero" é o bar mais antigo "das Américas", fundado em Montevidéu por marinheiros desertores da armada inglesa. 
   "Que emoção. As notícias davam o bar como fechado. Boa surpresa encontrá-lo funcionando, embora um tanto diferente do que conta a lenda foi no passado".

O bizarro caso dos 19 cemitérios clandestinos de Porto União

Queda de números de mortes gera investigação e 19 cemitérios clandestinos são descobertos na cidade. Ministério da Saúde cortou repasses por falta de informações sobre mortalidade

   Porto União, cidade com 35 mil habitantes no Planalto Norte, a 430 km de Florianópolis e divisa com União da Vitória, no Paraná, foi incluída em uma lista com mais 21 cidades brasileiras que tiveram suspensa a transferência de recursos financeiros do Ministério da Saúde, por falta de dados obre mortalidade.    
A portaria com a suspensão foi publicada no Diário Oficial da União no dia 16 de maio passado. Porto União, como as outras cidades (5 de MG, 3 da BA, e 2 do AM, PA e SP), estão irregulares na alimentação do Sistema de Informações sobre Mortalidade.
   

   De acordo com o texto da portaria, a suspensão vale a partir de maio de 2014. Os repasses
suspensos são do PAB (Piso de Atenção Básica). No caso de Porto União, o PAB era para a
manutenção da vigilância epidemiológica. O Diário Oficial não revela o valor dos recursos
suspensos mas, segundo o Portal da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU), a cidade recebeu em 2013 quase R$ 2 milhões em repasses do PAB. Foram R$ 1,214 milhão do Piso de Atenção Básica Variável e R$ 705 mil do Piso de Atenção Básica Fixo.
   

   Não é a primeira vez que essa situação acontece. Em 2003, Porto União também teve repasses do Governo Federal na área da saúde suspensos pelo mesmo motivo:
“falta de alimentação de informações em bancos de dados nacionais obrigatórios”, segundo relatório produzido à época por técnicos do Ministério da Saúde.
   

   A questão é muito estranha. Na probabilidade estatística do ministério, a projeção é que Porto União, em determinado período de 2013, deveria ter entre 14 e 17 mortos, e o município só registrou oito. Em dois meses, a diferença foi de quase 20 óbitos na projeção
estatística. Essa “falta de morto” levantou suspeitas. O Ministério oficiou a Secretaria de Saúde do Estado, que pediu esclarecimentos à Secretaria de Saúde do Município.
   

   A justificativa foi que ocorreu uma “situação inusitada”. Morreu menos gente do que o previsto. Mas no final de 2013 o mistério foi descoberto. O número de mortos era menor nas estatísticas porque a cidade tinha nada menos que 19 cemitérios clandestinos. Os mortos não eram sepultados nos cemitérios oficiais e, por isso, ficavam de fora da estatística.
      

   Os 19 cemitérios clandestinos de Porto União (a cidade tem apenas 35 mil habitantes) foram descobertos pela equipe do combate à dengue, que anda à pé pelo município a procura de focos do mosquito aedes aegypti.
  

    Encontraram, com a ajuda de GPS, vários cemitérios clandestinos espalhados por bairros e distritos distantes, em pontos obscuros da periferia de Porto União. Em apenas um desses cemitérios, haviam cinco esqueletos.

   Ainda no ano passado, foi dado um prazo de 90 dias para que a situação fosse regularizada pelo município. Não foi e, agora, Porto União só voltará a receber recursos do PAB para a vigilância epidemiológica daqui a 18 meses.
   

   Técnicos da Comissão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do Estado foram até município em abril deste ano, confirmaram a existência dos cemitérios clandestinos e foi aberta uma investigação pela Secretaria. O relatório sobre o caso já foi concluído e o Ministério da Saúde comunicado. Em maio último, O Diário Oficial publicou a portaria suspendendo os repasses do PAB para Porto União.
   

   Os sepultamentos clandestinos, além de mascararem os índices de mortalidade e suas causas, o que prejudica o controle epidemiológico e as ações permitem traçar as políticas de saúde, também impedem que os cartórios de registro civil notifiquem o INSS sobre as
mortes, sustentando as fraudes na Previdência Social. Sem as notificação estatística, segurados que morrem continuam vivos no sistema, recebendo proventos.
   

   Com a suspensão dos repasses os mortos devem começar a aparecer.

   Reportagem especial exclusiva do jornal BOM DIA FLORIPA

domingo, 20 de julho de 2014

Modorra Eleitoral, Debates Políticos e Vazio Programático

   Por Eduardo Guerini
Na triste sina de acompanhar debates
arruinados pela ausência de propostas factíveis.
No preparo de manual de boa conduta para eleitores
enojados pela espiral de cinismo político dos postulantes.


   A sociedade brasileira desencantada com o desempenho de sua seleção de futebol na Copa de 2014, resultante de falta de disciplina e trabalho, mas, com excessiva propaganda enganosa de cartolas, técnicos e jogadores se defrontam com novo embate, agora no campo político.

  O jogo político em disputa segue o mesmo ritual de campanhas anteriores, esquecendo ou subestimando o grau de desconfiança e indignação dos cidadãos com seus representantes e governantes. A história da eleição de 2014 começou tão mal quanto à seleção brasileira de futebol, como diria aquele especialista e fiel torcedor – falta base!!!

   Não basta marketing político, jogos de cena, flashes e auxílio de parcela da mídia monopólica. Na maioria dos casos, colunistas e comentaristas políticos locais e nacionais, em grande parte subservientes, institutos de pesquisas vendendo mercadorias que não tem conteúdo, repercutindo a máxima rodrigueana, uma “idiotia da objetividade” política. Exaustivamente, candidatos e coligações alimentam seus projetos de poder, com programas superficiais sobre os principais temas que atingem parcela significativa da população.

   Não sejamos tolos, comentaristas políticos são pautados pelos “donos da voz”, editorais são construídos para atender as polpudas verbas que foram ou serão distribuídas pelo maior acionista da mídia nacional – o governo e seus governantes.

   Para entender o debate político engessado, não é necessário mais que um bloco, em três minutos, alguns candidatos sorteados respondem as perguntas dos especialistas em temas que vão de sustentabilidade as contas públicas. Os jornalistas escalados são experts na generalização da fanfarra midiática orquestrada por uma ligação promíscua entre publicitários e partidos políticos com seus financiadores (que serão os saqueadores posteriormente), determinando o aprisionamento de todos os candidatos na fórmula mágica- não aprofundar nenhum tema, elevando a desinformação o eleitor.

   Na modorra eleitoral criada, os debates políticos são inócuos, desprezíveis – com um ou dois candidatos que tentam radicalizar, rapidamente cortados pelas regras previamente acertadas na coxia dos estúdios.

   Neste contexto, a espiral de cinismo e superficialidade potencializa o afastamento do cidadão no acompanhamento do processo eleitoral, facilitando o trabalho dos marqueteiros na criação de imagens vistosas de uma realidade fantasiosa. Afinal, o indignado e desencantado cidadão catarinense e brasileiro está exigindo mais do que a “classe política” pode dar!!! Como estão intere$ados em receber, a lógica dos debates e dos programas deverá ser realçada por algum efeito especial.

   No vazio politico e programático – a indignação e revolta do cidadão/eleitor poderá contrariar aquele vaticínio do palhaço-deputado Tiririca “Pior do que tá, não fica”. Considerando, os debates, entrevistas-solo, comícios de lançamento de candidatos, o modelo ficará muito pior do que a vã filosofia política possa acreditar.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Federação proibe público em 10 estádios de SC


Clubes catarinenses descumprem acordo firmado com MPSC
   
   Está proibida a presença de público nos dez estádios designados a receber os jogos válidos para a primeira e segunda rodada do Campeonato Catarinense de Futebol da Série B. A determinação é da Federação Catarinense de Futebol (FCF), através de Resolução de Diretoria n. 32/2014, já que os clubes catarinenses que disputam a segunda divisão descumpriram o acordo firmado com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Nenhum dos clubes enviou à FCF os quatro laudos técnicos de vistoria das condições de segurança dos estádios, previstos no termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado em dezembro de 2013.

   O acordo extrajudicial foi proposto pela Promotoria de Defesa do Consumidor da Capital e firmado com a Federação Catarinense de Futebol, Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina e por todos os clubes participantes das Séries A e B do campeonato estadual. O acordo foi celebrado com o objetivo de estabelecer uma rotina de obrigações, prazos, responsabilidades e eventuais sanções relacionadas à elaboração, remessa e recebimento dos laudos técnicos de vistoria das condições de segurança dos estádios.

   Os clubes participantes da Série B assumiram o compromisso de entregar à Federação Catarinense de Futebol os laudos de segurança e planilha específica relacionada ao laudo de vistoria de engenharia, no prazo de até 35 dias antes do início da competição. De acordo com o Promotor de Justiça Eduardo Paladino, isso não aconteceu, o que comprometeu a obrigação também assumida pela FCF de remeter ao Ministério Público, através do Centro de Apoio Operacional do Consumidor, toda a documentação dentro do prazo de 30 dias anteriores ao início do campeonato.

   A resolução emitida pela Diretoria da Federação Catarinense de Futebol estabelece que os clubes poderão sediar os jogos das duas primeiras rodadas da competição, com a presença de público, nos estádios que foram utilizados na Série A do Campeonato Catarinense, desde que esses estádios estejam com os laudos regularizados.

   A apresentação dos laudos está definida no artigo 23, do Estatuto de Defesa do Torcedor, regulamentado pelo Decreto n. 6.795/2009 e Portaria n. 238/2010, do Ministério do Esporte. Os quatro laudos a serem apresentados são: de segurança, de vistoria de engenharia, de prevenção e combate de incêndio e de condições sanitárias e de higiene.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

NÃO É UM POEMA

Por Emanuel Medeiros Vieira

NÃO, NÃO É UM  POEMA

(...) “Você pode me fuzilar com palavras/E me retalhar com o seu olhar/Pode me matar com o seu ódio/Ainda assim, como o ar, vou me levantar”.
Maya  Angelou ( (1928-2014)

Vivemos sobre camadas soterradas pela urgência. 
Ansiedade: nossa vida virou mercadoria.
Não, nada digo de novo.
Tudo é descartável – e estamos submetidos ao lixo eletrônico.
(Não, não é só porcaria.)
A virtualidade seria (também) um álibi para compensar o “ilhamento”, a falta de contato real?
O que valem os outros?
(Amizade, toque, longe da obsessão de aparecer, de ser celebridade.)
Tudo vale só um instante.
Tudo se dissolve.
Redes sociais, dogmatismo, carência de debates adultos, e  a demonização do outro – se discorda das nossas ideias.
Prevalece a intolerância.
É o hiperindividualismo veloz.
Quem realmente lê, longe das engenhocas eletrônicas?
Tenho me repetido? Sim. É para ser escutado.
Vai parecer pieguice (paciência): parece triunfante o desinteresse completo pelo outro.
Se alguém falar em compaixão, poderá ser ridicularizado.
Repito: compaixão: não piedade.
Tudo parece ser hierarquizado pelo pior.
É claro, estamos sentados num mercado consumidor.
Que não consome, não é nada.
É preciso de rebanhos cada vez maiores.  É subliminar.
Nada de dissidência.
Não é preciso mais de choque elétrico, tortura e exílio.
O exílio é aqui mesmo.
Pessimismo?
Quem sabe: é possível fazer algo.
Mas é preciso pensar, longe dos fundamentalismos.
Alguém se lembrará de nós?
Isso também não importa: não estaremos mais aqui.
Mesmo se alguém lembrar, isso não nos atingirá mais.
Filosofia de botequim? Também.
Mas é preciso que cada dia seja abençoado.

Resistir? Sim.  É um lugar-comum. É. E continuar – pássaros, mar, amigos, um café quente, um gosto de partilha, este domingo com pássaros cantando, e céu azul.

domingo, 13 de julho de 2014

O legado dos alemães em Cabrália

"No começo, todos acharam que era uma ideia louca,
mas hoje sabemos que foi uma decisão acertada. Quando atravessávamo
 a balsa na volta do jogo, já dava uma sensação de estarmos em casa.
 Aqui virou nosso lar no Brasil".

(Oliver Bierhoff - porta-voz do time)
   
   Seleção alemã se despede dos baianos e diz que Bahia foi a melhor escolha
A última entrevista coletiva da seleção da Alemanha em Santo André, distrito de Santa Cruz Cabrália, no extremo sul da Bahia, aconteceu nesta sexta-feira (11) e foi marcada por agradecimentos e homenagens. A passagem dos craques alemães pela região deixa como legado um campo de futebol, ambulância e doações para a escola da vila, além de mídia espontânea nos 35 dias de permanência no estado.

   Bierhoff ressaltou a importância da escolha por Santo André. "No começo, todos
acharam que era uma ideia louca, mas hoje sabemos que foi uma decisão acertada. Quando atravessávamos a balsa na volta do jogo, já dava uma sensação de estarmos em casa. Aqui virou nosso lar no Brasil". A seleção da Alemanha deixa a Costa do Descobrimento na noite desta sexta-feira (11). Foram 35 dias desde a chegada do time à tegião, em 8 de junho.

  Legado
   Além da divulgação em mídia espontânea na região, a passagem do time alemão pelo sul da Bahia rendeu um novo campo de futebol construído especialmente para os moradores, doação financeira para aquisição de ambulância que atenderá à comunidade indígena Pataxó e doações pelo período de três anos para a Escola da Vila de Santo André. "É uma forma de ajudarmos e deixarmos uma marca da nossa passagem na região", afirmou Georg Behlau, diretor administrativo da Federação alemã.  (Fonte: Secom do governo da Bahia)


Os alemães chegaram ao Brasil e:
- Compraram um terreno.
- Construíram um hotel.
- Construíram um centro de saúde.
- Fizeram um CT com campo de futebol.
- Fizeram uma estrada para interligar o CT à cidade.
- Não trouxeram funcionários alemães.
- Contrataram os moradores da cidade.
Depois da chegada:
- Quando não estavam treinando, estavam socializando
   com as pessoas na cidade e na praia.
- Participaram de festas com a população.
- Bancaram a reforma de uma Escola Pública local.
- Doaram uma Biblioteca.
- Montaram um Laboratório de Informática.
- Doaram uma Ambulância para o Município.
- Interagiram com os índios.

Ah! Também fizeram 7 a 1 na seleção brasileira...a melhor do mundo!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

A última vez que torci pra Argentina

   Do meu amigo jornalista Jurandir Pires de Camargo, companheiro de militâncias jornalísticas e outras milongas recebo este belo texto sobre a final Argentina x Alemanha. 
   Quem tem história não se perde por aí...belo texto e bela história. 
   Ao texto adicionei este vídeo da "Marcha de Las Malvinas" que escutávamos diariamente nas rádios argentinas durante a guerra. Estávamos no Uruguay nesta época.

   
   Por Jurandir Camargo

   Lembra dessa, Canga?
   Eu não sou muito bom de torcer pra Argentina. A última vez foi em 1982, e deu no que deu. Naquele ano, a disputa era com a esquadra da Inglaterra, um time tão ou mais preparado que os alemães de hoje. O técnico hermano era o Leopoldo, o Galtieri, aquele que só tinha uma estratégia: encher a cara e mandar atacar. Na verdade, o cara só jogou bola nas costas da torcida argentina.
   Andava ali pela fronteira Artigas/Quarai/Libres/Uruguaiana com o Canga, o jornalista Sérgio Rubim, e foi inevitável entrar no clima da Guerra das Malvinas. Nós torcíamos ouvindo as transmissões da Rádio Belgrano, de Buenos Aires. A cada “comunicado de las fuerzas conjuntas” era um grito de gol: o time argentino estava vencendo de goleada.
   Quando o Sheffield, aquele contra-torpedeiro inglês, levou um tranco da defesa argentina e foi posto a pique, como se tivesse tomado uma botinada do Mascherano achamos que a Copa, aliás a Guerra, estava ganha.
   Puro engano. A esquadra argentina caiu antes das oitavas-de-final. Foi uma humilhação igual ou pior que os 7 a 1 que tomamos dos alemães. Os ingleses não só ganharam no jogo como ficaram donos do campo e da bola. As Malvinas viraram Falklands.
   E o pior: quando os pibes argentinos voltaram pra casa, derrotados, foram recebidos a pedradas.
   Então, pensando no que pode acontecer com os jogadores hermanos se a seleção argentina perder o jogo no domingo, decidi: vou torcer pra Alemanha mas quero que a Argentina ganhe.

MELHOR MESMO SÓ SETE A ZERO


Por Janer Cristaldo
La vida es la ruleta 

en que jugamos todos.
A ti te había tocado
no mas la de ganar.
Pero hoy tu buena suerte 
la espalda te ha golpeado.
Fallaste corazón,
no vuelvas apostar. 

   Como todos sabem, não sou aficcionado em futebol. Jamais fui a um estádio e não torço para time nenhum. Só torço nos finais de Copa... contra o Brasil. Nunca imaginei que uma Copa me traria tanta alegria como esta. O resultado de ontem foi perfeito. Se a vitória da Alemanha fosse de 1 a 0 ou de 2 a 1, sempre se poderia alegar que em futebol se ganha, se perde ou se empata.

   Não foi o caso. O resultado foi para humilhar. Quando soube que estava 2 a 0, me entusiasmei e decidi assistir ao jogo. Fui tomado por um entusiasmo brasilicida. Queria mais. Se a Alemanha fez 5 gols no primeiro tempo, seria de esperar-se mais alguns no segundo. Calculei nuns 7 ou 8 a 0. Errei por pouco.

   Não imagine o leitor que tenho ressentimentos contra meu país. Nada disso. É que não suporto vê-lo resumido a futebol, em uma mescla de affoncelsismo exacerbado e orgulho chocho. O grande personagem nacional não é o empresário ou industrial que faz o país crescer. Muito menos o médico ou o engenheiro,o comerciante ou o padeiro, o taxista ou o lixeiro, que mantém a bicicleta andando. O grande personagem nacional é o futebolista, cujos feitos só servem para inflar os brasileiros de vento.

   Desde há muito, a imprensa brasileira vem deturpando o conceito de herói. Herói não é mais o homem capaz de grandes feitos, que vão além da humana capacidade. Herói é simplesmente o bombeiro ou salva-vidas, que nada mais faz senão cumprir o seu dever.

   O Brasil sempre viveu uma carência de heróis. Neste vazio hiante, até cachorro serve. Quem não lembra da Catita, a cadelinha que defendeu uma criança atacada por dois pitbulls? "Heroína!" - berraram as manchetes. O episódio foi emblemático. Catita, mãe de vários cachorrinhos, arriscava a vida em defesa de um filhote alheio.

   O velho mito da Madonna, desta vez em versão canina, tão utilizado pelos jornalistas para comover leitores. Mais ainda: Catita era uma cadela plebéia, vira-lata latina e nativa. Os agressores eram cães de elite, alienígenas e com sotaque anglo-saxão. A finada luta de classes ressuscitava e se manifestava mesmo entre caninos. Claro que Catita era de esquerda, e os pitbulls eram da direita truculenta. Em falta de heróis, vai cadela mesmo.

   Com este vazio conceitual, sobrou para os jogadores de futebol. Estes senhores, que nada acrescentam à riqueza do país – pelo contrário, só subtraem – são hoje os heróis celebrados pela imprensa. Para mim, nada foi mais prazeroso que ver um herói chorando. Um herói se forja na adversidade. Menos os nossos, que só admitem a vitória. Não foram advertidos para o outro lado da moeda, a derrota. Me fez bem ao espírito ver os bravos leões das arenas hodiernas, chorando como gatinhos pela juba perdida. E não choraram porque foi um massacre. Chorariam com qualquer derrota, mesmo um prosaico 1 a 0.

   A entrevista do técnico foi de uma hipocrisia atroz. Quando a seleção ganha, a vitória é de todos, do técnico e do time. Nesta derrota, Scolari fez como o Cristo, que assumiu os pecados da humanidade, sem que humanidade alguma lhe pedisse tal favor. Em um manifestação de flagrante falsa modéstia, Felipão assumiu exclusivamente para si a responsabilidade da derrota. “Fui eu o culpado”. Como se não tivessem culpa alguma os pata-tortas que estavam no gramado. Pode soar simpático ao telespectador desavisado, mas sua admissão de culpa não resiste à menor análise.

   É muito complicado explicar o inexplicável, disse com ares de pitonisa o goleiro Júlio César, que engoliu os sete frangos. Pecou pelo simplismo. Inexplicável não se explica. Mas o fiasco nada tem de inexplicável. A Alemanha jogou bem e o Brasil como time de várzea. Após o segundo gol, os brasileiros perderam o controle e corriam como baratas tontas no gramado, atrás de uma bola que parecia ter desenvolvido alergia às chuteiras nacionais. Os alemães, com passes precisos e quase matemáticos, mal deixavam os brasileiros chegar perto da brazuca.

   A goleada foi insólita. Da incredulidade, os locutores foram passando à constatação. De início, ninguém ousou falar em humilhação. A palavrinha maldita só foi pronunciada depois que começou a ricochetear na imprensa internacional.

   De um segundo para outro, os clips de propaganda ufanista se tornaram ridículos. A imprensa, que antes só via virtudes na seleção, de repente, não mais que de repente, passaram a ver improviso e falta de preparo. Os candidatos a heróis passaram a ser vaiados e execrados como marginais. Scolari, de esperança de um Brasil pujante entre as nações, virou “avô ultrapassado”.

   Nada mais catártico para um Brasil inflado de vento e nada mais que esta derrota histórica. Nada mais salutar para a nação que ver o país do futebol derrotado em casa. O que se anunciava como festa nacional, revelou-se um festival de choro e ranger de dentes.

   Para os paulistas, a grande data se comemora hoje, 9 de julho. Para mim, será sempre o 8. Curtida a ressaca, restam poucos dias para lamber as feridas. Domingo que vem começa outra Copa, a eleitoral, mais vil e mentirosa que aquela que ontem morreu para o Brasil. Não vai dar tempo nem de respirar.

   Ontem ganhei meu dia. Deutschland über alles! Só uma crítica aos bravos alemães. Foi uma lástima permitir aquele gol do Brasil. Sete a zero seria bem mais emblemático.

A donde fue tu orgullo 
a donde esta el coraje?
Por que hoy que estas vencido
mendigas caridad? 
Ya vez que no es lo mismo
ganar que ter perdido. 
Hoy que estas acabado
que lastima me das.
(Los Tigres del Norte)