sexta-feira, 4 de julho de 2014

COMÉDIA BUFA

  A recessão chegou ao pedacinho de terra perdido no mar. Vendedores de todos os matizes estão apavorados com a letargia na economia. Revendas autorizadas de automóveis estão às moscas nos dias de semana. Sábado, uma concessionária perto da UFSC registrou o recorde de apenas um potencial comprador a visitá-la durante toda a manhã. Corretores de imóveis festejam se conseguem vender um apartamento ao mês.

   O freio de mão puxado não se restringe ao mercado de automóveis e imóveis. Há semanas, as lojas registram raras vendas até de básicos, como meias e cuecas. Nos supermercados, o movimento caiu mais da metade. Ainda se vende porque, afinal, todos têm que comer. A porção daqueles que comem fora também diminuiu. Restaurantes de comida a quilo registram retração superior a 30%.

   Aumenta o número de inadimplentes no comércio e setor de prestação de serviços. Escolas particulares percebem que muitos de seus clientes atrasam o pagamento de mensalidades. Grandes lojas da Capital fazem chamada geral de telemarketing para que os devedores recuperem o crédito mas a resposta é bastante ruim.

   Atribuir o marasmo da economia ao clima de Copa do Mundo traduz-se em perigoso engano. O consumidor anda mesmo mal das pernas. Ademais, percebe-se a recessão porque as facilidades de financiamento e consequente venda de produtos acabaram. Ano passado, carros e apartamentos eram financiados sem grandes exigências. Hoje, as relações de mercado mudaram da água para o vinho.

   Jamais a natureza reuniu tanta beleza como aqui e não estamos isolados de um Brasil em crise, decorrente da desfaçatez de nossos governantes e de uma bancarrota mundial, que já vitimou quase toda a Europa. O mercado brasileiro vai ganhar uma sobrevida agora com a entrada em cena de toneladas de reais da primeira parcela do décimo terceiro salário dos funcionários municipais, estaduais e federais.

   Mas no palco da economia, pelo menos nos próximos meses, estará em cartaz a comédia bufa da recessão, com os atores do processo eleitoral interpretando promessas vãs.

   Márcio Dison (jornalista, poeta e secretário escolar)




Um comentário:

Anônimo disse...

Isso na Capital, reduto do funcionalismo público, para onde afunilam-se os recur$o$ das classes produtivas deste Estado. Imaginem a situação nos demais municípios.