quinta-feira, 10 de julho de 2014

Será esse o homem que vai derrubar Sepp Blatter?

Ray Whelan na delegacia no Rio de Janeiro.
Foto: Conexão Jornalismo
   Por Andrew Jennings

    A queda, quase impossível de assimilar, está na expressão perplexa de Ray Whelan. Em apenas alguns minutos, ele despencou do luxuoso Hotel Copacabana, onde desfrutava da companhia agradável dos que mandam no futebol, a um carro de polícia – “Venha por aqui, senhor” – e dali para uma noite em uma cela na 18ª Delegacia de Polícia. Os próximos passos serão um interrogatório, em breve, e quem sabe um julgamento seguido de anos em uma das terríveis prisões brasileiras.

   Ray Whelan vai ter que abrir o bico. Ele sabe tudo o que se pode saber sobre a gangue dos ingressos da Copa do Mundo. Ele sabe qual dos dirigentes do futebol recebe as pilhas de ingressos para revender no mercado negro. Ele está no coração desse negócio há quase duas décadas.

   E Ray terá que falar sobre a relação íntima entre o presidente da Fifa, Sepp Blatter, e a empresa familiar, controlada pelos irmãos mexicanos Jaime e Enrique Byrom em seu escritório em Manchester, na Inglaterra, que mais uma vez ganharam os contratos para controlar a venda absoluta e exclusiva de todos os 3 milhões de ingressos para os 64 jogos da Copa.

   A decisão crucial de quem fica com esse contrato é de Blatter, que gerencia a FIFA desde 1981 – primeiro como secretário geral e a partir de 1998 como presidente. Ele domina o Comitê Executivo e é fartamente recompensado pelo seu trabalho. Tudo que ele decide, eles assinam embaixo. Nos últimos três anos, sete deles tiveram que sair sob denúncias de corrupção. A reputação da FIFA nunca esteve tão suja.

   Os irmãos, ambos nos seus 60 anos, recebem as ordens, decidem quem são os sortudos da vez, e dividem grandes lotes de ingressos entre os aliados de Blatter e seus clientes no mercado negro. Daí a FIFA anuncia que ela é “a polícia” dos ingressos, e que vai investigar as vendas “não autorizadas”.


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