terça-feira, 16 de setembro de 2014

MP diz que DC distorce realidade indígena

Ministério Público Federal ingressa na justiça por direito de resposta contra jornal Diário Catarinense do Grupo RBS
   
   O Ministério Público Federal em Chapecó ajuizou ação civil pública contra o Diário Catarinense, na qual requer direito de resposta referente à matéria publicada na edição do dia 10 de agosto, com o título "Um exemplo de vida digna pela autonomia", que faz parte da série de reportagens "Terra Contestada".

   Segundo a ação, a publicação induz o leitor a sérios equívocos sobre a realidade enfrentada pela Terra Indígena (TI) Xapecó, localizada no Oeste catarinense, nos municípios de Ipuaçu e Entre Rios. Para o jornal, a TI seria um modelo de desenvolvimento, atingido por meio da autonomia dos indígenas com relação à Funai. Porém, além de TI estar longe de ser o símbolo de desenvolvimento retratado, a reportagem também se engana quanto à presença da Funai, que continua atuando naquela comunidade, apesar de suas limitações, mas preservando a autonomia indígena.

   É evidente, como fica demonstrado na ação, a intenção do conteúdo veiculado de lançar suspeitas sobre os processos de identificação e demarcação de terras tradicionais indígenas conduzidos pela Funai e desacreditar a Fundação frente à população catarinense. Sequer houve preocupação por parte do jornal em consultar a Funai, o Ministério Público Federal, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e outras entidades envolvidas na temática indígena para identificar a real situação vivenciada na TI Xapecó. Tanto na esfera judicial quanto extrajudicial tramitam diversas ações e procedimentos na Procuradoria da República em Chapecó, envolvendo os graves problemas enfrentados pelos indígenas, abrangendo todos os pontos abordados pela reportagem.

   Ao tomar conhecimento da reportagem, o MPF entrou em contato com o Diário Catarinense e solicitou a publicação de um texto - sucinto, quando comparado ao tamanho da reportagem veiculada - que demonstra e contextualiza a realidade socioeconômica da comunidade indígena. Depois de quase três semanas de tratativas, em 31 de agosto, o jornal publicou trechos do texto elaborado pelo MPF, denominando-o de suposto "artigo" e distorcendo as ideias nele contidas. Dessa forma, apesar de admitir oequívoco da reportagem publicada, caso contrário não teria sequer aceitado publicar o texto redigido pelo MPF, o Diário Catarinense descontextualizou todo o conteúdo, resultando em um quadro ainda pior do que aquele que se pretendia corrigir.

   Agora, o MPF espera que a Justiça Federal determine a publicação integral do texto que esclarece a real situação da TI, em espaço equivalente ao utilizado na matéria do DC e, ainda, na página inicial do site do jornal. O objetivo da ação é garantir à população indígena e a todos os leitores, o direito à correta informação.

Confira o texto elaborado pelo MPF para exercício do direito de resposta
e a íntegra da ação. Beba na fonte

Um comentário:

Léo disse...

Realmente não existe comunidade indígena autônoma! Os parasitas da Funai transformaram os índios em parasitas!