domingo, 7 de dezembro de 2014

Floripa / Leiges* Connection

   Por Marcos Bayer

   A construção de uma República tem diferentes velocidades. Da Roma Antiga passando pelos Estados Unidos da America em 1776, pela Revolução Francesa de 1789 ou pela República de Weimar de 1919 na Alemanha.

   Nós estamos construindo a nossa. De 1889 para cá, passamos pela República Velha (da elite São Paulo/Minas Gerais), pelo Getúlio Vargas ditador de 1930 até 45, pela iniciante democracia de 1946 até 1964, onde ele e Juscelino Kubitschek são políticos fundamentais, a ditadura de 1964 até as eleições presidenciais de 1989, com o Movimento Democrático Brasileiro – MDB (uma escola política de grandes mestres) e o novo ciclo sob a égide da constituição de 1988.

   As consequências começam a aparecer agora. Um serviço público ainda viciado pelos hábitos do período ditatorial onde os que mandavam não davam explicações para ninguém e uma casta de novos agentes públicos concursados, cientes de suas garantias constitucionais, entre eles, juízes, promotores, delegados federais, fiscais de tributos e ou de rendas, apoiados por uma imprensa de vários tons de cinza, mas que ainda assim, ajuda a construir a República Federativa do Brasil.

   Elogiável o papel da Polícia Federal que não espera e vai atrás do indício, do Ministério Público em seus vários tons de rosa, dos magistrados cujas togas, em vários tons de preto, precisam processar e julgar com mais velocidade para que andem na mesma batida das modernas Repúblicas do século 21. Justiça e Democracia precisam caminhar no mesmo ritmo. Vide: “Univitelinos” neste blog.

   O trabalho de investigação policial realizado na Câmara de Vereadores de Florianópolis e na Prefeitura de Lages, para ficar com os exemplos da semana, tem um significado didático. Ensina aos novos políticos a não repetirem os vícios do passado.

   Vereadores de primeiro mandato cujo objetivo é comprar uma caminhonete importada 4x4 e uma lancha não cabem no plenário municipal, onde o salário é de R$ 13 mi. Prefeitos que querem ganhar a mega-sena inicial na prefeitura devem procurar outra vocação.

   Se o exemplo vem de cima, ensinava Ulysses Guimarães que o homem público não pode roubar e não deve deixar roubar. Nem todos os discípulos aprenderam sua lição. Paciência...

   O político de hoje precisa ser reconfigurado. O governador Raimundo Colombo, por exemplo, é um bom modelo para estudo. Herdou a máquina pública de seu aliado, o governador Silveira, que estava em curso por oito anos (2003-2010). Nos dois primeiros anos de mandato disse que estava aprendendo a gerenciá-lo, aí fez um empréstimo com a presidenta e repentinamente aprendeu tudo. Prometeu ajudá-la nas eleições passadas por gratidão. Ela sofreu a maior derrota proporcional justo em Santa Catarina. Ele venceu no primeiro turno, veiculando propaganda onde o governo era perfeito. Foi ao Corvo Branco assinar a ordem de serviço para asfaltar a estrada e enalteceu os desbravadores que cortaram a serra na mão e na picareta. Mas, tem dificuldades de vencer a obra da rodovia que liga o bairro dos Ingleses à SC 401. Diz que brigou com muita gente dentro do governo para romper o contrato com empreiteira que “cuidava” da restauração da Ponte Hercílio Luz. Brigou porque tinha muita gente interessada na obra?

   Agora, num lance genial, anuncia o novo projeto de funcionamento do governo (é preciso governar o governo, diz ele) elaborado pela Roland Berger, consultoria internacional, cujo site: http://www.rolandberger.com/expertise/experts/index_country_brazil.html mostra que é uma consultoria muito mais voltada à iniciativa privada do que ao setor público.

   Quanto custou? Quem pagou? Onde estão os diversos professores, doutores e mestres da UDESC/UFSC formados em Administração Pública pela University of Southern California – USC, desde os anos oitenta? E os outros formados em outras instituições?

   O projeto irá para a Assembleia Legislativa. O que dirão os nossos deputados?

   Esta conexão Floripa – Leiges tem sido fonte de inspiração para pouca gente. Para “experts” apenas...

Nota: * Leiges significa Lages em ingles para o assessor internacional de São José do Cerrito que acompanha o governo mundo afora.

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