segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

“nada vejo, nada ouço, nada falo”

   

   Por Jaison Barreto

   Remexendo antigos papéis para o livro, me deparei com a homenagem que recebi da Boca Maldita em 1983, antiga Confraria que debatia e criticava tudo e todos sem qualquer restrição, expressando as vontades e indignações populares. A Boca Maldita se destacou em diversos acontecimentos históricos do Estado do Paraná e do País, como por exemplo, a campanha das Diretas.

   Lembranças ainda dos tempos da ditadura.

   Com a mídia ainda controlada e sem o instrumental da internet e redes sociais, era no bar, no cafezinho, na praça, de boca em boca que fomos minando o regime autoritário.

   Entre comentários, fofocas, vazamentos, se pregava a liberdade de expressão, o direito ao contraditório, o fim da ditadura. Bons tempos!

   Sair incólume da Boca Maldita era tarefa pra poucos.

   Imagine ainda ser homenageado como Cavalheiro da Boca Maldita, mesmo morando em Santa Catarina, Senador em Brasília.

   Foi conseguido, pode crer, sem “propina”, sem arranjar “boquinha” pra ninguém.

   No momento que atravessamos, todo esforço é válido, mesmo que se autoflagelando, na procura de limpar este país envergonhado.

    A alegria do carnaval nunca impediu a crítica dos costumes, o deboche das elites e o dia a dia sofrido da nossa gente.


   “Com pandeiro ou sem pandeiro”, pra mostrar que não perdemos o senso da realidade, tasco também uma cópia do meu condomínio, que analisado na sua numerologia, deixa à mostra algumas barbaridades.

    Sem reclamar dos elevadores “ultramodernos”, que têm vontade própria, nos deixando de quando em vez a possibilidade de exercício pelas escadas, e outras mazelas, chama a atenção o custo da água, R$268,00 mensais.

   Não faltará “linguarudo” para afirmar que ando fazendo lavagem de dinheiro.

   Pra outros esclareço que escovo os dentes e tomo banho diariamente.


 Quanto ao whisky, continuo bebendo com Coca-Cola e pouco gelo.

   Precavido, diante do anunciado e escandaloso aumento da luz, já comprei luminárias 
adequadas, velas e lanternas.

   Foi-se o tempo em que a gente cantava: “As águas vão rolar...”

   Saudações carnavalescas

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