segunda-feira, 13 de julho de 2015

A fábula do duodécimo

   A surpreendente retirada do projeto de redução do duodécimo - verba destinada, por lei, aos poderes Judiciária, Legislativo, Ministério Público e Udesc - da pauta da Assembléia Legislativa, pelo presidente Gelson Merísio, virou motivo de piada nas esquinas de fofoca das cidade.
   Merísio teria apresentado o projeto sob encomenda do "buenacho" Raimundo Colombo, governador e seu cabo eleitoral para as próximas eleição. Dever de casa!
   A comparação mais comum, nas ruas, é com conhecida fábula de Monteiro Lobato, O Macaco e o Gato.  

O macaco e o gato
Simão, o macaco, e Bichano, o gato, moram juntos na mesma casa. E pintam o sete. Um furta coisas, remexe gavetas, esconde tesourinhas, atormenta o papagaio; outra arranha os tapetes, esfiapa as almofadas e bebe o leite das crianças.

Mas, apesar de amigos e sócios, o macaco sabe agir com tal maromba que é quem sai ganhando sempre.

Foi assim no caso das castanhas.

A cozinheira pusera a assar nas brasas umas castanhas e fora à horta colher temperos. Vendo a cozinha vazia, os dois malandros se aproximaram. Disse o macaco:

– Amigo Bichano, você que tem uma pata jeitosa, tire as castanhas do fogo.

O gato não se fez insistir e com muita arte começou a tirar as castanhas.

– Pronto, uma…

– Agora aquela lá… Isso. Agora aquela gorducha… Isso. E mais a da esquerda, que estalou…

O gato as tirava, mas quem as comia, gulosamente, piscando o olho, era o macaco…

De repente, eis que surge a cozinheira, furiosa, de vara na mão.

– Espere aí, diabada!…

Os dois gatunos sumiram-se aos pinotes.

– Boa peça, hem? — disse o macaco lá longe.

O gato suspirou:

– Para você, que comeu as castanhas. Para mim foi péssima, pois arrisquei o pelo e fiquei em jejum, sem saber que gosto tem uma castanha assada…

O bom-bocado não é para quem o faz, é para quem o come.

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