quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Um espectro ronda a vida dos trabalhadores brasileiros

(...)se a vida humana se resumisse exclusivamente ao trabalho, seria a efetivação de um esforço penoso, aprisionando o ser social em uma única de suas múltiplas dimensões. Se a vida humana necessita do trabalho humano e de seu potencial emancipador, ela deve recusar o trabalho que aliena e infelicita o ser social. (Ricardo Antunes, 2008)  

Foto de fila de desempregados nos EUA na grande crise de 29

  Por Eduardo Guerini  

   A conjuntura de crescimento econômico brasileiro brindou o Governo Lula (2003-2010) com elevada criação de empregos, consequentemente aumento da renda. Para Lula e seus seguidores, sua política econômica produziu um efeito dinâmico, e, o resultado para os trabalhadores proporcionou a “emergência de uma nova classe média”. Desta forma, Lula acusava seus oponentes no campo político e econômico de defenderem os privilégios e não honrarem compromissos com os trabalhadores brasileiros e setores populares.

   Nos anos anteriores do Governo FHC, a economia brasileira teve resultados medíocres com níveis de desemprego atingindo níveis recordes, com diminuição da massa salarial, queda nos salariais reais e perdas de direitos sociais. O agravamento da crise social – esgarçando todos os limites do tecido social, com precarização do trabalho e condições de vida, concentração de renda e da riqueza, o crescimento da miséria social era retrato frequente nas comparações entre Governo FHC, e, mandato de Lula.

   A vitória de Lula, em 2002, demonstrou o fracasso das medidas liberalizantes de FHC, repudiadas nas ruas, e, demonstrava que a presença de uma coligação vitoriosa com a presença do PT- Partido dos Trabalhadores capitaneados pelo líder metalúrgico, seria instrumento de mudanças com distribuição da renda e da riqueza, contrárias ao padrão fracassado da social democracia brasileira.

   Eis que, o desencantamento e desalento dos trabalhadores com o governo Lula em seu primeiro e segundo mandato, uma onda decepcionante se efetivou pela sequência e continuidade das políticas neoliberais que mantiveram uma política de monetária, cambial e fiscal que influenciam os salários, lucros e os investimentos. Embora, a curva do emprego formal sofreu uma inflexão (Quadro 1), provisoriamente até o final do primeiro mandato, uma oscilação do emprego formal variava de acordo com a conjuntura internacional favorável, notadamente a economia chinesa. No momento posterior ao Governo Lula, a criação petista – Dilma Rousseff, reproduziu a matriz econômica, com algumas variações, porém, o legado resultou em geração de emprego declinante.

clip_image002

   Na atualidade, as bravatas da criatura produzida no legado lulo-petista, se traduziu em governo titubeante para os trabalhadores com ataque aos direitos sociais e trabalhistas, propalando um sutil discurso de estabilidade do emprego. Embora, o governo Dilma Rousseff sistematicamente confunde trabalhadores e movimento sindical, a situação da crise econômica no coração do sistema capitalista desde 2009, indica que , em nenhuma situação , o governo atual poderá “sair fora do jogo”, ou seja, mantendo as condições atuais de miserabilidade social e desemprego em taxas elevadas, privatizando os serviços públicos e priorizando o pagamento da dívida interna, com alinhamento a política monetária ortodoxa (elevação da taxa de juros) e política fiscal com redução de gastos governamentais e aumento da carga tributária.

   No primeiro mandato de Dilma Rousseff, o crescimento médio do PIB, ficou abaixo das expectativas propalados pela sua equipe ministerial, na ordem de 2,2% ao ano (2011-2014), se observando um menor avanço desde o governo de Collor de Mello, quando ocorreu uma queda de 1,29% (1990-1992). As projeções atuais apontam para uma recessão de aproximadamente 3% no ano de 2015 e retração de 1% em 2016, e, para contemplar o quadro negativo, a inflação prevista para 2015 é de 9,48%, e, em 2016, próxima de 5,48%, conforme Relatório Focus do Banco Central. Tal quadro contempla a divulgação recente de demissões nos principais setores da economia, com fechamento de 1.189.489 de vagas desde dezembro de 2014. (Quadro 2)

clip_image004

   No segundo mandato de Dilma Rousseff, o ciclo expansivo na geração de empregos cessou, dado que, a recessão econômica com ajuste fiscal aliado a política monetária ortodoxa traduzem a construção de uma agenda política conservadora de ataque aos direitos sociais e trabalhistas. Na medida inversa do crescimento das taxas de desemprego nos últimos meses, o sistema financeiro nacional e grandes bancos comemoram o aumento na sua lucratividade nos primeiros meses do segundo mandato. Assim, a propalada década da formalização do trabalho (2000-2009), com aumento da renda média, fruto do crescimento econômico nos dois mantados do ex-Presidente Lula , é substituído pela informalização e desemprego crescente de sua sucessora.

   Desta forma, o novo ciclo de decrescimento, com retração do mercado de trabalho e queda na renda média dos trabalhadores, somado a inflação ascendente com ajuste fiscal orquestrado pela coligação que governa o Brasil produz apreensão aos trabalhadores diante do espectro que ronda todos aqueles que vivem e sobrevivem do trabalho assalariado – a perda das conquistas sociais. Cabe ao movimento sindical, neste momento crítico, orquestrar politicamente alianças para defesa dos direitos sociais, retomando o diálogo por uma “agenda positiva”, em prol da geração de empregos, distribuição da renda e crescimento econômico.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Hantei é condenada a pagar danos morais coletivos por demolição do Edifício Mussi

DSC052349575600

A construção erguida sobre o terreno do Edifício Mussi, prédio histórico demolido em 2010 no centro de Florianópolis, poderá ser mantida como está, sendo permitida apenas a finalização do que já está construído. A decisão, tomada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) nesta semana, confirmou a sentença da Justiça Federal de Florianópolis, divergindo apenas quanto à responsabilidade dos funcionários da prefeitura, que foram absolvidos pelo tribunal, e quanto ao valor da indenização.

A 4ª Turma julgou parcialmente procedente o recurso dos réus e diminuiu o valor da condenação por danos morais coletivos de R$ 3 milhões para R$ 1,5 milhão, referente a 30% do valor do imóvel demolido. A verba irá para o Fundo para Restituição de Bens Lesados do Estado de Santa Catarina. O colegiado levou em conta os gastos que a empresa terá para readequar a obra aos novos parâmetros.

Conforme o relator do acórdão, desembargador federal Cândido Alfredo Silva Leal Júnior, a substituição do antigo Edifício Mussi pelo prédio ora em construção “acarretou irremediável prejuízo às gerações atuais e futuras, desfigurando o entorno em que se situava e comprometendo a fruição cultural e artística dos prédios tombados na vizinhança”. Segundo Leal Júnior, o fato configura-se como típico dano moral coletivo.

O valor deverá ser pago solidariamente pela empresa Hantei e os réus Nelson João de Morais Filho e Aliator Silveira, proprietários da construtora. Os antigos proprietários do Edifício Mussi foram excluídos do processo. Os réus também deverão reparar os danos materiais, promovendo a recuperação do ambiente degradado no entorno.

Quanto aos servidores da prefeitura, responsáveis pela expedição do alvará, a 4ª Turma entendeu que não agiram com má-fé, tendo apenas cumprido o que sua função pública prevê e exige, visto que o projeto já havia sido previamente aprovado pela prefeitura.

Obra modernista

O Edifício Mussi foi construído em 1957 pela firma Moellmann e Rau e foi um dos primeiros edifícios de apartamentos implantados na península central, sendo considerado um dos raros exemplares da Corrente Modernista na Capital. O prédio estava incluído no rol de edificações sob estudos para tombamento federal quando foi demolido, com autorização da prefeitura de Florianópolis, em 2010.

Após a demolição, o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública requerendo ordem judicial para que fossem cessados os danos ao patrimônio cultural da capital de Santa Catarina, bem como indenizados os danos já cometidos.

domingo, 27 de setembro de 2015

van gog

Vincent Van Gogh

Por Fellipe Lee

De porta, de porta, assim azedo, assina meus dedos, quero o preto, o azul, a vírgula. Do perto, ternos quadrados. Ao cobre, ao vinho, ao linho sujo incompleto, a voz. Calo-me, vim de não sei onde. Calculo-me. Dentro de mim uma mais sentença. Preso. Dois sonos obtusos. Renascer da língua mãe, que me faz pertencer. Posso voltar às fábulas, ao que fui há eras. Mergulho-me diante da generosa porta aberta, fecho-me, cuspo em minha própria essência, na sabedoria que se fez genuína. Gelo as palavras, as flores, as pedras e os caminhos. Abrir o que está sujo. Os meus olhos assassinam as artes mudas, as instâncias sacralizadas. Diamantes dia a dia, fumaça branca. Hoje, amanhã, a pólvora disse adeus aos seres humanos, mas renascer reina nas praças das bandeiras. Hastear as doutrinas, pós explosões. Ontem eu quis um beijo teu, hoje não tens mais voz para me dizer se aceitas o toque dos lábios de inverno. Lê meu gesto delicado na pintura esquecida, não colhas as sementes que ainda não foram regadas. Hospitais de almas, distantes hospitais de almas! De porta, louco. Dois medos presos. Panfletos queimados. Maquino a sensibilidade em concreto. São todos santos do asfalto, aceita o dia, a noite, a porta, que nos fecha, e nos dá apenas cores.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A fraude da carne de porco

Painel de detalhes recolhido.

Marido de Ideli ganha cargo nos EUA

Figueiredo e Ideli no Congresso, em 2012 

Lígia Formenti e Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

Figueiredo é nomeado para entidade interamericana, com salário de US$ 7,4 mil, ele atuará em Washington, onde petista ocupa função na OEA

   Brasília - Após a ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais Ideli Salvatti ser nomeada assessora de Acesso a Direitos e Equidade da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, o governo indicou o marido da petista para o cargo de ajudante da Subsecretaria de Serviços Administrativos e de Conferências na Junta Interamericana de Defesa, também na capital americana. As nomeações geraram desconforto na própria OEA, no Itamaraty e entre militares.
   O segundo-tenente músico do Exército, Jeferson da Silva Figueiredo, casado com a petista, assume as novas funções no dia 1º de outubro. Ele vai exercer o cargo por dois anos e terá remuneração de U$ 7,4 mil, correspondente a mais de R$ 30 mil mensais. Figueiredo também recebeu ajuda de custo para sua ida para os Estados Unidos de cerca de US$ 10 mil, mais de R$ 40 mil.

   A nomeação foi feita antes de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ter anunciado o novo corte no orçamento e severas restrições de gastos públicos para enfrentar a crise econômica. A portaria de transferência do marido de Ideli foi assinada no dia 5 de agosto pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner, a pedido da ex-ministra.
   Ideli inicialmente procurou o Exército para pedir a designação Figueiredo. Mas foi avisada de que estas nomeações passam por um processo de seleção, onde vários fatores são analisados e que a Força não dispunha desta vaga. Ideli, então, recorreu a Wagner, que atendeu seu pedido, e assinou a portaria avocando o parágrafo único do artigo 1º do decreto 2.790 de 1998, que dizia que “ao ministro do Estado Maior das Forças Armadas é delegada competência” para baixar atos relativos aos militares que servem naquele órgão (OEA) e que, nas forças, a prerrogativa é dos comandantes.

Leia matéria completa. Beba na fonte.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

UBR x TÁXI

uber

 

   “Eu sou a favor do Uber.” A frase banal me surpreendeu quando pronunciada por um taxista paulistano. Nos últimos meses, a cidade assiste a uma verdadeira queda de braço entre as entidades de classe dos taxistas e os representantes da empresa americana Uber, fundada em São Francisco em 2009 e hoje atuante em 60 países. No Brasil, a empresa começou a operar em maio do ano passado apesar da oposição dos taxistas que acusam os serviços de “transporte compartilhado” da Uber de concorrência desleal.

  

   O debate é semelhante ao que ocorreu em praticamente todos os cantos onde a Uber se instalou. Sob o slogan “Seu motorista particular”, a empresa oferece um aplicativo que conecta os usuários finais a motoristas particulares previamente selecionados. Quem se opõe afirma que o serviço é uma prática clandestina do serviço de táxis, sem fiscalização ou controle – argumento obviamente encampado pela maioria dos taxistas e suas entidades de classe. Já os que são simpáticos à empresa afirmam que a Uber opera em um modelo de negócios inserido na chamada economia compartilhada (de pessoa para pessoa), que otimiza recursos, gera emprego e pode ajudar a reduzir o trânsito das grandes metrópoles.

 

   Leia matéria completa na Pública. Beba na fonte.

O gênio e a gênia

lulinha   Lula, o sábio, teria aconselhado a presidente para ter cuidado com a nova reforma ministerial.

   Não poderia desagradar os papas do PMDB, Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha.

   Cunha, o desafeto, o “bandido”, o “propineiro”, acabou levando o Ministério da Saúde.

   Colunista Reinaldo Azevedo que pergunta: Dilma foi incapaz de pensar isso sozinha?

Almoço grátis?

    A coluna Radar (Veja) informa que deputados da CPI do BNDES tentam mais uma vez convocar os donos da JBS (Friboi), os irmãos Wesley e Joesley Batista para falarem à Comissão sobre seus negócios com o banco de fomento. Em sessão deliberativa no início do mês, Wesley e Joesley Batista, donos da empresa, foram blindados pela maioria dos deputados, numa votação de 15 a 9, para não ter de prestar esclarecimentos à CPI. O Radar mostrou, mais tarde, que 20 deputados que integram a Comissão receberam doações da empresa (de forma direta ou via diretório de partidos) na campanha de 2014.

   A Friboi foi a empresa que deu a maior quantidade de dinheiro para as eleições de Lula e Dilma. Opera no mundo todo com dinheiro do BNDS, o nosso dinheiro!
   Alguém acredita que existe "almoço grátis"?

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O guri mais simpático da fronteira

196416_1849564406439_1460603386_2031610_8176121_nA foto da Optica peguei do site do amigo livreiro José Salvador da Costa   

   O ano era 1962. Eu tinha 9 anos de idade e uma tosse que preocupava a minha mãe.

- Sergio Antonio, vou te levar no Dr. Curi, me falou a mãe.

   Roupa de ir ao médico, e lá fomos nós pela Prof. José Diehl em direção ao consultório do  Curi, que ficava ao lado da revistaria do Seo Peralta.

   Sentado na maca, sem camisa, recebo do Dr. Curi - com o estetoscópio no meu pulmão - a ordem de ler a “folhinha” da Casa Lamadrid que estava na parede à minha frente.

- Ler o que, Dr. Curi?, perguntei sem ver a “folhinha”.

   Curi virou-se para a mãe e falou: - Dna. Noé, esse guri não tem nada no pulmão. O problema dele é nos olhos. Não enxerga!

   Descobri, naquele dia, que tinha uma miopia profunda e progressiva.

   Meu pai me levou ao oculista, não lembro se em Alegrete ou Uruguaiana, estávamos em falta desta especialidade em Quaraí.

   Voltei para casa com a receita não. Agora tinha que fazer o óculos. Lembro que estava com certo receio de aparecer de óculos na escola e ser chamado de “quatro olho”, que foi o que aconteceu. Mesmo assim estava com uma curiosa expectativa de como seria o mundo fora dos meus olhos.

  Lembro que diariamente, logo que caia a noite, o pai nos chamava - eu e o Éio, meu irmão - para fora de casa e, apontando para o céu escuro, nos dizia: - Lá vai o sputinik, e falava da Laica e do Yuri Gagarin.   Eu nunca conseguia ver a tal luzinha que passava no céu de Quaraí todas as noites na mesma hora. Meu irmão via e eu não via, era cegueta!

   Bem, no outro dia de manhã, cruzamos a planchada e fomos à Optica lá em Artigas, no outro lado da fronteira. O pai mandou aviar a receita e, ele mesmo, escolheu a armação.

- Casca de tartaruga, me disse.

   Não dei muita importância para isso, queria mesmo era colocar aqueles óculos para ver o que ia acontecer.

   Passados alguns dias o pai me disse: - Amanhã cedo vamos na Optica buscar os teus óculos que estão prontos.

   Naquela noite, lembro, que fui dormir cedo para que o dia logo clareasse. No outro dia, por volta das 10h da manhã saímos rumo a Artigas. Estava ansioso. O dia era de sol e céu claro, sem uma nuvem. Um baita dia.Cara de...

   O óculos veio em um estojo com uma flanela branca. O senhor da Optica, com jaleco branco impecável, abriu o estojo, retirou o par de óculos com armação “casca de tartaruga” e colocou no meu rosto.

   A sensação que tive naquele momento foi tão incrível que, passados mais de 50 anos, lembro com alegria. Comecei olhando perto, as armações de óculos do balcão de vidro estavam mais nítidas. Fui virando a cabeça e olhei para a rua através da porta de esquina da Optica. Caminhei meio atônito e maravilhado e cheguei à calçada. Vislumbrei um mundo com contrastes, bordas nítidas e definidas. Luminoso!

    Observei e absorvi com gosto aquele dia. Fui levantando os olhos e percorri lentamente a Avenida Lecueder até chegar ao Obelisco lá em cima, na frente da antiga Arola.

   Havia descoberto outro mundo. Enxergava e cumprimentava todo o mundo.

   Me tornei o guri mais simpático da fronteira!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

­A gestão da crise petista

Construindo pontes e atalhos na desconstrução imagética de competência na gestão crítica de Dilma Rousseff em segundo mandato governamental, ou, o final trágico da caricatura de uma burocrata implacável.

   Por Eduardo Guerini 

   O ideário político é permeado por construções históricas que ultrapassam tempos e gerações. Desde Maquiavel (Século XVI), a política moderna estabeleceu determinados postulados que se generalizaram como racionalização de estilos de “fazer política”. E assim, o homem virtuoso é aquele que enfrenta adversidades e perigos, lançando mão das armas possíveis para sobrepujar o destino. O sucesso no empreendimento político, e, portanto, a solução de conflitos, é ajustar suas ações, observando suas capacidades e agindo com obstinação.

   Eis que o legado petista na gestão de sucessivas crises é contraditório em todas as exigências do momento atual. O Brasil entrou no segundo mandato de Dilma Rousseff, descontruindo a imagem que o Criador (Lula) produziu de sua Criatura (Dilma). A construção se desmantela a “olhos vistos” nas diversas camadas da população brasileira. As diversas adjetivações positivas, tais como: a “gerentona eficiente” , a “burocrata obstinada” , a “Mãe do PAC”, a “guerreira do povo brasileiro”, “o coração valente” , se desmantelaram rapidamente nestes últimos meses do segundo mandato da gestão petista.

   Tal como fizera com os adversários na campanha reeleitoral de 2014, a “descontrução da imagem” de Dilma Rousseff e do petismo não resultou de uma ação racional da política , mas se ajustou as forças circunstanciais do próprio enredo utópico-idealista da fantasiosa propaganda política, esnobando com a realidade de uma crise econômica que se aproximava no horizonte. Em tom de zombaria, as Cassandras Alucinadas e Lamuriosas do lulopetismo se esmeraram em seguir o enredo do “marqueteiro”, destruir reputações e imagens, ainda que, na luta encarniçada pelo poder , a ação política do embate travado tenha sido desmoralizada em todos os seus sentidos.

   Porém, a “verdade efetiva”, tramou uma peça histórica na reeleição de Dilma Rousseff, a produção da mentira continuada – traduzida em “estelionato eleitoral”, representada como construção inacabada de seu primeiro mandato presidencial . Enquanto surfava nas ondas do crescimento econômico brasileiro, fruto da inclusão populista pelo consumo, obra de seu Criador (Lula), a Presidente tratou de destruir as pontes da articulação política, e, centralizou as decisões da economia sob seu comando. A mídia e analistas demonstraram que o Ministro da Fazenda do primeiro mandato , era a própria Dilma.

   Mas na sinuosa curva histórica da suposta ascensão do Brasil à condição de país emergente, queridinho do sistema financeiro internacional, os atalhos para manter-se no poder, exigem doses de realismo que a politicalha brasileira – em todos os níveis, não aprende senão por solavancos e sobressaltos. No enredo trágico da farsa construída na reeleição brasileira de 2014, a Presidente Dilma Rousseff tratou de descontruir toda a mística produzida por Lula e seu Partido dos Trabalhadores. Em paralaxe distorceu toda a figura emblemática e portentosa da Gerente que debela crises e coloca o Brasil no rumo certo.

   Os sucessivos escândalos de corrupção envolvendo proeminentes lideranças do petismo, desmoronou sobre a cabeça da gestora racional e burocrata implacável, evidenciando que a fantasia política tende aos erros estratégicos de seus mentores na tentativa de manter um projeto de poder, sem norte ou direção (sic!!!).

   A governanta do Planalto Central é a confirmação do legado da ação política maquiavélica onde “não se costuma ocultar e nem se costuma dizer”, o indivíduo é produção dos fatos concretos. No caso de Dilma, em seu trágico e veloz declínio, a desconstrução de seu legado é, em última instância criação da patuscada petista e de seu criador - Lula.

NINGUÉM DORME !!!!

José Sobrinho da Engevix
   Na manhã desta segunda-feira (21), a Polícia Federal deflagrou a 19ª fase da Operação Lava Jato em Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro com o criativo nome de "Nessum Dorma"! 
   O nome da operação é um aviso da Polícia Federal aos meliantes, políticos, empresários e petistas de alto coturno, envolvidos na gigantesca roubalheira na Petrobrás e em outras estatais comandadas por chefetes petistas, peemedebistas e pepistas. O que a PF está dizendo com esse nome é que ali ninguém dorme. Estão de olho na movimentação dos meliantes, ainda em liberdade.

   Florianópolis  
   Em Florianópolis, a PF prendeu, em casa, José Antunes Sobrinho um dos donos da Engevix. O empresário é acusados de ter pago cerca de R$ 140 milhões de propina da sua empresa para a Eletronuclear, outra estatal canibalizada pelos corruptos.
  
    
   A ária Nessun Dorma  faz parte da Ópera Turandot, criada por Giácomo Puccini em 1926 e magistralmente interpretada por Andrea Bocelli, o tenor italiano que serviu de álibi para que o, hoje senador, Dário Berger, sumisse com R$2,5 milhões dos cofres da Prefeitura Municipal de Florianópolis.
   
   Recentemente condenado pelo Tribunal de Contas, Dário Berger deve estar no embalo da Nessun Dorma. Malandro que é, deve estar dormindo com um olho aberto e outro semi fechado.

Leia mais sobre o sumiço que Berger deu nos milhões da Prefeitura de Florianópolis. 
Golpe Bocelli: Dário Berger condenado 
 Pérolas do Golpe Bocelli

...e o Juiz Sérgio Moro continua trabalhando.

Outras dez pessoas foram condenadas nesta segunda 
 

domingo, 20 de setembro de 2015

“Je ne suis pas Charlie”

"Charlie Hebdo" passa dos limites

as_203067992724192

   por Antônio Carlos Prado e Elaine Ortiz (Da Isto É)

   O semanário francês “Charlie Hebdo” atraiu apoio e simpatia de praticamente todo o mundo ao sofrer o atentado terrorista islâmico que matou 12 pessoas no início do ano. Na semana passada essa unanimidade se esfacelou porque até o humor e a sátira precisam ter limites – não é questão de censura (interna ou externa ao humorista), é questão de bom senso. Em linguagem mais clara: muitas vezes vale a pena, sim, perder a piada do que perder o amigo. O “Charlie Hebdo” publicou caricaturas do menino sírio de três anos Aylan Kurdi, encontrado morto em uma praia turca. Em uma delas, ao lado de um cartaz que imita os do McDonald’s, está escrito: “Promoção! Dois menus infantis pelo preço de um”; em outra charge, lê-se “cristãos andam sobre a água” e “crianças muçulmanas afundam”. Quando do atentado, foi cunhada a homenagem “Je suis Charlie”. Na semana passada foi criada a sua antítese: “Je ne suis pas Charlie” (“Eu não sou Charlie”).

Carta do amigo...

ENTÃO

   Porque esconder?
   Há uma enfermidade.

   É preciso lutar – dia após dia, momento após momento.
   Viemos de outras batalhas.
   Mas só queria te contar, amigo Sérgio, que vou a Cuba – viver a vida, não sabemos nada sobre o amanhã, já não acredito em vida após a morte (a eternidade é o que deixamos aqui).

   Cuba?
   Defendi sempre a revolução.
   Não, não mudei de lado.
   Mas a vida me ensinou (e não sindicatos pelegos e a burocracia estatal do partido hegemônico) – e também as torturas sofridas durante a ditadura militar – que a democracia é um valor universal.
   Não há o que discutir sobre isso.
   E, sinceramente, hoje pouco me importa sobre o que os outros acham – só os amigos que valem a pena.

   Quero conhecer o povo e não os burocratas.
   E os amigos que foram à Cuba sempre falaram de um povo amorável, caloroso, simpático.
   E bater pé, andar.
   Defender o fim do embargo e a devolução de Guantánamo à Cuba – e a democracia.
   Desde o início da doença (o tumor – sim, o tumor), vivia em função de exames, quimioterapias mensais, cirurgias,, aplicações, laboratórios, médicos, e enfermeiras etc.

   Não, não estou reclamando.
   Estou vivo.

   Remei contra acorrente, e amando a vida, cheguei aos 70 anos.
   Passaremos dez dias na ilha incluindo os voos, partindo de Salvador, com conexão no Recife, depois, Panamá e, finalmente, Cuba.
   E quero bater perna, conversar com as pessoas, olhar, andar.
   Por pouco não pego o Papa...
   Estudei quase 10 anos (com Bolsa de Estudos) com os jesuítas e, apesar de eventuais divergências, aprendi muito.

   Deixo um abraço aos meus amigos ilhéus e um forte para ti.
   Até.
  
   Avante! E pela vida!

   Do amigo Emanuel Medeiros Vieira
(Salvador, 20 de setembro de 2015)

sábado, 19 de setembro de 2015

Lei da compensação

soiza
   Dr. Egon Ihd *

   
   Nossas teorias psicanalíticas comprovam que os pequenos precisam de grandeza para sentir a compensação no mundo imaginário.
   Todo pequeno, salvo exceções, tem esta necessidade psíquica. Infelizmente.
   O prefeito da capital catarinense parece sentir, de modo mais agudo, tal necessidade.
   Depois de muita pressão da comunidade, da intervenção do vereador Renato Geske (então braço direito do alcaide) e de obviedades múltiplas, decidiu-se pela ciclovia da Lagoa da Conceição.
   A construção sofreu várias interrupções ao longo do tempo de sua execução.
   Num determinado momento, com a baixa popularidade, em razão dos aumentos desvairados do IPTU, da Operação Aves de Rapina, da imobilidade urbana, o pequeno prefeito resolveu inaugurar obras pela via publicitária.
    Gastou dinheiro na tela da televisão. De repente, faltando uns 200 metros para terminar a obra, suspendeu a execução. Disse a empreiteira que foi por falta de pagamento. E, recolheu seus equipamentos e materiais.
   Tivesse poupado na propaganda, teria recursos para a conclusão do projeto.
   Deveria saber que a propaganda é a inauguração, a utilização pelos usuários, a verificação pelos cidadãos.
   Quem realiza não precisa de publicidade. Agora, vai passar por dois dissabores: a propaganda enganosa e a obra inacabada.
   E o vereador Renato Geske, dono de uma farmácia no bairro, foi multado pela inadequação de sua placa comercial, no valor de R$ 10 mil reais.
   Dá para entender?

* A charge usada neste post é do Sérgio Bonson e o personagem se chamava Soiza que representava o pai do atual prefeito, Cesar Souza.




*Dr. Egon Ihd, psicanalista austríaco, discípulo de Freud, fundador da Escola do Pensamento Óbvio (uma das facetas dos seres humanos). Laureado pela Royal Academy of Brains, no Reino Unido pelo Rei George III (O Rei George III sofria de transtornos mentais recorrentes).
Os estudos do Dr. Egon Ihd revelam que alguns humanos são apenas óbvios, sendo incapazes de pensamentos mais complexos ou sofisticados. Uma das teorias do retardamento da evolução humana, defendeu ele, reside no excesso de obviedade.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

"É APENAS"

Por Emanuel Medeiros Vieira

Para as doutoras Alice e Luciana

“É apenas em sacrifício dos sem esperança que a esperança nos é dada” . (Walter Benjamin)


Tanta madrugada.

Venha sol: como ontem.

Os olhos não descansaram nesta noite.

E pensas – internalizas fundamente:

“É apenas em sacrifício dos sem esperança que a esperança nos é dada.

O que fazer?

Deste mundo estilhaçado –  só fragmentos e carnificinas.

E repetições.

Vem sol – como ontem – reitero.

Canta um pássaro – não, não escutei nenhum galo.

E anunciam que a matança continua – , guerras, refugiados, narcotraficantes.

Terá o Teu Sacrifício Sido em Vão? Não.

Nenhuma declaração  de amor–amor (autêntico) é inútil.

“Senhor, Tu sabes que eu Te amo” (São Pedro – pedra).

E – sim –  é apenas em sacrifício dos sem esperança que a esperança nos é dada.

(Se poucos os que escutam: é preciso repetir, pregando no deserto  – fecundo.)

Não te esqueças de todos que perambulam pelo planeta.

E com perdão pelo lugar-comum: suplico pelos  “pequenos”, anônimos, tão sós, tão sem voz,

sem nome, sem nada.

E se sobrar alguma dádiva, peço um pouquinho também por mim – pequeno grão de areia

na imensa praia global.

Toda palavra parece inútil (mas o sol chegou).

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Ajuste Fiscal e Desajuste Ideológico

Por Eduardo Guerini

Calculando com a régua e o compasso que legado restará para a “sociedade civil do trabalho” submetida ao mantra neoliberal caboclo da velha e boa “ideologia da tesoura” , ou , como os trabalhadores pagarão o custo da crise econômica brasileira.

   O lançamento de mais um pacote de ajuste fiscal, nos primeiros meses do mandato reeleitoral de Dilma Rousseff, neste início primaveril de uma longa e duradoura crise política e econômica, indica que o grau de desajuste ideológico da atual gestão chegou ao limite do razoável, temos um ingrediente explosivo, a “tempestade perfeita”.

   O cenário de recessão, agravado pela inflação persistente e desemprego em alta, foi traçado por incontáveis economistas e analistas de mercado , apontando que o ciclo de expansão e inclusão promovido pelo crédito ilimitado com conjuntura econômica mumdial favorável, findou. A perda do “grau de investimento” do Brasil, destacado por uma agência de classificação de riscos, acenou para o governo federal e para os agentes econômicos, que o Brasil é a bola da vez na “crise de confiança”. O mundo político e econômico entrou em descompasso.

   No início do segundo mandato, Dilma Rousseff e sua equipe econômica – representada por setores conservadores com a batuta ortodoxa, recitava a necessidade de um “remédio amargo” diante do descalabro fiscal das contas governamentais. Os primeiros ataques aos “direitos sociais” foram anunciados no primeiro ato da gestão, com cortes em benefícios sociais da previdência, redução no seguro desemprego e reoneração fiscal de empresas. O objetivo era equilibrar as contas e retomar o crescimento econômico(sic), ainda que, os boletins do Banco Central e Relatório Focus apontassem para uma recessão profunda e inflação persistente.

   Diante de um cenário explosivo de crise econômica retroalimentada pela crise política, fato potencializado pela desmoralização dos partidos políticos na coligação governista, leia-se, a relação promíscua entre grandes empreiteiras com PT, PMDB, PP, PSDB et caterva, não restava outra alternativa senão fabricar o consenso em torno de cortes e aumentos de impostos – a ideologia da tesoura.

   No enredo da política brasileira, o elemento central que tange a construção de país, deve combinar três coisas: liberdade, participação e justiça social. Essa gramática político-partidária, e, por assim dizer, da narrativa utópica nas agremiações , foi quebrada pelo estelionato eleitoral patrocinado pelos atuais governantes.

   A conta do ajuste fiscal que pagaremos com mais inflação, desemprego, recessão, restrição dos direitos sociais, queda na renda, e, no “falso consenso” de sacrífico momentâneo, com o tal “imposto da travessia”, recriando a famigerada CPMF, alvejando em cheio a classe subalterna e trabalhadora, que tem “gorduras extras” para cortar, foi condição imposta pelo “sistema”, diante do cenário de crise fiscal. E nada de reduzir os “juros aviltantes” que são transferidos dos setores produtivos da sociedade brasileira, para o capital financeiro - rentista e improdutivo. O aumento da carga tributária com acesso restringido aos serviços públicos e retração nos direitos sociais, recoloca a dimensão do movimento sindical como protagonista em defesa dos trabalhadores contra a “ideologia da tesoura”.

   O falseamento da política econômica brasileira , desajustada ideologicamente, com a débil legitimidade do sistema partidário e seus representantes no Congresso Nacional, transformarão esse enredo lenga-lenga , típico de um neoliberalismo tupiniquim , em arrocho sobre os trabalhadores , assombrados com o desemprego e perdas salariais, lançando sobre as classes que produzem a riqueza , além do tarifaço e tributaço, uma vida condicionada pela restrição material e ausência de direitos sociais. A ilusão que o problema econômico é meramente uma questão fiscal, ou da, crise fiscal do Estado (pela gestão perdulária) é uma cortina de fumaça que poderá desnortear as lutas sindicais futuras.

   Afinal, toda decisão de política econômica, antes de tudo, é uma questão política, não da retórica mística e numerologia dos modelos econômicos.

Pérolas do Golpe Bocelli

Em tempos de condenação do ex-prefeito Dário Berger pelo Tribunal de Contas do Estado (leia aqui), vale a pena republicar algumas pérolas criadas por parceiros de Berger, no decorrer do processo.

Bocelli: O show que só Gean Loureiro viu!

gean

   Um dos maiores escândalos envolvendo dinheiro público acontecido em Florianópolis está de volta à mídia: é o Caso Bocelli.

    Uma trama urdida nos gabinetes oficiais do Governo do Estado e Prefeitura Municipal de Florianópolis, ganhou repercussão internacional, quando um mega-super-show, planejado pelo então governador, Luiz Henrique da Silveira e o prefeito Dário Berger, acabou num fiasco monumental e no desaparecimento de mais de R$ 6 milhões dos cofres catarinenses.

    O que era para fazer a alegria de florianopolitanos e turistas, o show de Natal do maestro italiano Andrea Bocelli, simplesmente não aconteceu.

    A frustração da cidade virou indignação e caso de polícia. Na justiça, os mentores do escândalo, Luiz Henrique, Dário Berger e Mário Cavallazzi, tentam se safar com desculpas e explicações hilárias, que beiram o ridículo.

O gênio Cavallazzi

image

   Esta era a “contrapartida social” do município para justificar a liberação dos milhões pelo Funcitec

   Parece piada…mas é deboche!

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Golpe Bocelli: Dário Berger condenado

¨É um espetáculo para dar mais brilho à nossa luz de Florianópolis, e vai certamente atrair a atenção da mídia internacional, contribuindo para trazer mais e mais turistas do mundo todo¨. (Luiz Henrique)

   O ex-prefeito e atual senador pelo PMDB, Dário Elias Berger, foi condenado, nesta segunda-feira (14), a ressarcir os cofres públicos pelo pagamento de um show do tenor Andrea Bocelli na capital catarinense, em 2009, que nunca aconteceu.

   Dário Berger, operador do famoso Golpe Bocelli, urdiu a trama juntamente com o falecido ex-governador Luiz Henrique da Silveira, dentro do palácio do governo.

    A condenação se deu, por incrível que pareça, no Tribunal de Contas do Estado. A nossa Corte de Contas é conhecida por livrar políticos  e sentar em cima de processos que possam implicar seus chefes e apaniguados. Como diria o ex-ministro Joaquim Barbosa: “é um playground de políticos fracassados que, sem perspectiva em se eleger, querem uma boquinha”.

   O fato de haver condenação do crime praticado por políticos se deve conselheirabasicamente aos procedimentos da conselheira Sabrina Iockel, relatora e funcionários de carreira do Tribunal de Contas, que sem nenhum ranço partidário e, sem dever nada a ninguém pela conquista do cargo, agiram de forma independente e honesta.

    Além do ex-prefeito Dario Berger, o secretario municipal de turismo na época, Mario Cavallazzi, seu secretário adjunto, Aluisio Machado, o ex-secretário de Finanças, Augusto Hinckel, e a empresa Beyondpar, contratada para promover o show, foram condenados.

   Pela decisão do TCE, os condenados terão de devolver R$ 4,2 milhões, valor corrigido do pagamento feito para a apresentação na época, de R$ 2,5 milhões. Cada um deles também deverá pagar uma multa adicional de R$ 50 mil.

Jogo de empurra

   A sessão durou cerca de 4 horas e as defesas dos implicados adotaram a Estratégia Dilma: a culpa sempre é dos outros!

   O ex-secretário Hinckel negou responsabilidade no pagamento da apresentação afirmando: "Eu apenas executei as ordens de pagamento. Quem ordena as despesas e os pagamentos são os secretários das pastas".

   O advogado da Beyondpar, Joel Menezes, diz que a empresa não teria envolvimento direto com os valores. "O show não aconteceu porque o palco não foi montado, mas a responsabilidade dessa montagem não era da Beyondpar. A prefeitura contratou uma terceira empresa para isso", alegou.

   Batom na cueca

   Independente das alegações das defesas, das desculpas e troca de culpas, o fato é que a prefeitura Municipal de Florianópolis adiantou o pagamento de R$ 2,5 milhões pelo projeto para o Natal de 2009, que incluía o show de Bocelli que não aconteceu. 

   Ficha suja

   No julgamento do Golpe Bocelli, o TCE tratou apenas da questão de ressarcimento do dinheiro surrupiado aos cofres do Estado. Ou seja, não tratou de caso de improbidade, roubo. Neste caso a condenação de Dário Berger não implica em inclusão na Lei da Ficha Limpa, o que ocasionaria a inelegibilidade do ex-alcaide em 2018.

Saiba tudo sobre o Golpe Bocelli. Beba na fonte!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Tinha boi na linha

   Leio nas folhas da capital que a Secretaria de Estado de Segurança Pública suspendeu o edital de licitação lançado no início do mês para instalação de sistema de radiocomunicação digital para Polícia Militar e Polícia Civil na Grande Florianópolis, Vale do Itajaí, regiões Sul e Norte do Estado.
   Suspendeu mas ainda não explicou o motivo da suspensão!

   Cheio de furos
   As "folhas", DC e ND, denunciam a interrupção de um "negócio" do governo com empresa privada mas não dão muitos nomes dos santos envolvidos no acerto. O máximo que chegam é falar em "direcionamento" do edital.

   Direcionamento

   Bem, o edital realmente é cheio de furos e direcionado. Para começar, o aviso do edital foi publicado no Diário Oficial do Estado no dia 2 de setembro com data retroativa ao dia 1 de setembro, apenas 14 dias dias antes do prazo para recebimento das propostas. Aí fica fácil, somente uma empresa, de Lages, já está com o sistema pronto e levaria vantagem sobre as outras empresas que sem tempo hábil para preparar as propostas.
   Segundo, o edital contraria uma resolução, de 2010, da Anatel que recomenda a utilização de 300 MHz e a empresa Direta Telecomunicações LTDA, para onde se direcionava o edital, opera em todo o Estado, apenas na frequência de 800 MHz. É frau!
   A terceira questão é que o edital da SSP previa apenas o aluguel do sinal e não a compra do sistema, o que contraria normas internacionais de segurança de dados.
   Parceria negada
   Incompressível  a rejeição da proposta de convênio que a Polícia Federal Rodoviária fez a Polícia Militar de SC, para instalação, em todo o Estado, a partir da Capital, de moderno sistema de comunicação inclusive com os equipamentos já adquiridos pela União e em poder da PRF, sem custo algum para o Estado.
   Reação interna
   A armação do negócio era tão evidente e estapafúrdia que setores da "caserna" reagiram tentando evitar que o edital de licitação para a contratação do sistema de trunking digital fosse direcionado. Insistiam, ainda, para que fosse firmado o convênio com a PRF.
   Documentos do Comando Geral da PMSC foram encaminhados neste sentido e protocolados no SGP: PMSC 15563/2015 - PMSC 17493/2015 - PMSC 1382?2015.
 

  Histórias da vida

   A vida é uma coisa engraçada, dá muitas voltas. Imaginem vocês, leitores, que o governador Raimundo Colombo iniciou sua vida vendendo sistemas de Telefonia Rural para os fazendeiros de sua cidade, Lages.

   O rapazote Raimundo, encontrou no amigo, Roberto Amaral, o impulso para começar a construir sua vida econômica e material. O empresário Roberto Amaral, hoje dono do Sistema Catarinense de Comunicação (SBT/SC), era o representante do sistema de Telefonia Rural, na época.
 
Estou falando do início dos anos 70. Além de vender os telefones de Roberto, os dois fizeram uma profunda amizade. De tão próximos acabaram concunhados. Casaram com duas irmãs, lageanas da gema.
   A vida deu rumos diferentes a cada um. Raimundo enveredou para a política, embora seja fazendeiro e produtor de gado de raça. Amaral, continuou na comunicação e hoje tem TV, jornal e...empresa de radiocomunicação que atende a polícia de Santa Catarina.
   Sim, leitores, a Direta Telecomunicações LTDA, empresa para quem estava direcionado o edital suspenso é de propriedade de Roberto Amaral, amigo e concunhado de Raimundo Colombo.
   Como podemos ver, Raimundo Colombo saiu da telefonia, mas a telefonia não saiu de Raimundo Colombo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Raimundo Colombo à luz da psicanálise


   Ensaio do Dr. Egon Ihd*


   Nesta temporada de estudos e observações por toda Santa Catarina, pude analisar algumas manifestações de Raimundo Colombo, político de Lages que governa o Estado. Ele não participou da abertura da exposição do pintor catalão Joan Miró, no CIC, patrocinada pela empresa que deveria ter concluído o anel viário na BR 101 em 2013, preferindo palestrar num encontro de mil comerciantes lojistas, no norte da Ilha.
   Perdeu mais uma oportunidade de ficar calado.
   No encontro, empolgado, conforme matéria do blog no jornal diário defendeu reformas para os próximos cem anos. A reforma da Ponte Hercílio Luz vai para o vigésimo quinto ano.
   Defendeu mudanças na previdência brasileira e catarinense. Não disse como fazê-las.
   Mal assessorado, esqueceu que cálculos atuariais (para sistemas de previdência social) precisam de moedas estáveis ao longo do tempo. O nosso Real tem apenas 21 anos. Foi introduzido em Junho de 1994. No Reino Unido, a libra esterlina tem alguns séculos de existência. Entrou em circulação em 1561.
   Além disto, para garantir os direitos previdenciários futuros é necessário aplicar as contribuições em imóveis ou outros investimentos cuja rentabilidade possa honrar os compromissos vindouros.
   Também, impossível garantir pensões e aposentadorias com salários cheios, iguais aos do tempo de atividade, para algumas categorias enquanto outras receberão até quatro ou cinco salários mínimos equivalentes.
   Colombo fala o óbvio, defende o óbvio e raciocina pelo óbvio.
   Uma de suas melhores frases, título de seu livro, é aquela em que afirma: O povo tem rosto, nome e endereço.  Faltou o CEP, por isto os Correios não conseguiram entregar na casa dos catarinenses. E ninguém leu.

*Dr. Egon Ihd, psicanalista austríaco, discípulo de Freud, fundador da Escola do Pensamento Óbvio (uma das facetas dos seres humanos). Laureado pela Royal Academy of Brains, no Reino Unido pelo Rei George III (O Rei George III sofria de transtornos mentais recorrentes)
Os estudos do Dr. Egon Ihd revelam que alguns humanos são apenas óbvios, sendo incapazes de pensamentos mais complexos ou sofisticados. Uma das teorias do retardamento da evolução humana, defendeu ele, reside no excesso de obviedade.

Factóides provincianos

   Em novembro de 2014, o governador colombo comemorava a vitória, no senado, da renegociação da dívida dos estado e municípios. O relator da matéria era o senador Luiz Henrique da Silveira.                   índice      

“Esse valor, agora, não vai sair do caixa para pagar uma dívida, mas poderá se transformar em investimentos em áreas prioritárias para a população”, explicou Colombo.

Depois das comemorações, dos foguetes e busca-pés, nada aconteceu no caixa do Estado.

n-JOAQUIM-LEVY-large570   Hoje, 11 de novembro do ano da graça de 20125,   o ministro Joaquim Levy, diz não à redução do valor das prestações da rolagem da dívida dos estados, por pelo menos 2 anos, de 13% da receita líquida para 9%.

Ainda o Escândalo Bocelli

   Na última quarta-feira o conselheiro do TCE, Júlio Garcia, pediu vista do processo que julga o ex-prefeito de Florianópolis, Dário Berger, por envolvimento no famoso Escândalo Bocelli.

   Adiado pela nona vez,  o julgamento será realizado na próxima segunda-feira (14), às 14 horas, no Plenário da Corte de Contas.

   Reproduzo abaixo, artigo publicado neste blog em 27 de agosto de 2012, quando conselheiros do TCE já manobravam protelatoriamente em relação ao malfadado processo.

Puta Vecchia

monarquia-romana       Por Marcos Bayer

    Esta era a expressão usada no Senado de Roma aos senadores que postergavam decisões de interesse público.

    O Tribunal de Contas de Santa Catarina foi fundado e presidido por meu tio-avô, João Bayer Filho, advogado e político de Tijucas que passou pela esfera de poder estadual na condição de Secretário de Fazenda e de Justiça. Foi, também, um dos fundadores da Faculdade de Direito deste Estado. Era amante dos pássaros, das orquídeas e dos cavalos. Sua reputação, além de uma aguda inteligência, era honesta. Escrevo em seu nome por procuração genética.

    O show do cantor de ópera Andrea Bocelli não aconteceu na cidade de Florianópolis em 2009. Mas, por ele , pelo show que não houve, pagou-se R$ 3 milhões de reais.

    A ideia do espetáculo natalino, não havido, é uma eloquência medieval do então governador LHS, do prefeito Dário Berger e de seus auxiliares imediatos. Até aí, tudo bem...

    Os recursos foram liberados, depositados em conta específica no Banco do Brasil S/A, repassados para a empresa que detinha a exclusividade da contratação e o show não aconteceu...

    Na Justiça Comum, correm processos sobre o caso.

    No Tribunal de Contas, depois do voto da auditora Sabrina Nunes Iocken, pedindo a condenação de todos os envolvidos no processo, inclusive o prefeito Dário Berger, manifestando-se pela devolução dos dinheiros públicos e multas diferenciadas aos membros da operação Bocelli, corre processo de número TCE 09/00654848 e que está desatualizado no site do órgão.

    O Tribunal de Contas pode comunicar à autoridade judicial competente sobre suas ações e principalmente sobre sua decisão. É o que se lê do Manual de Instruções sobre Tomada de Contas Especial da CGU/2008.

    No entanto, mesmo sabendo que a coisa fraudulenta aconteceu em 2009, que já foi analisado pela auditora do TCE, que já foi proferido um voto, ainda assim, em 21 de agosto de 2012, o conselheiro Salomão Ribas Junior, resolveu pedir aos órgãos técnicos da Corte de Contas, algumas explicações.

    Entre elas, se todos os que participaram da operação Bocelli são solidariamente responsáveis e se a empresa que recebeu R$ 2.500.000,00 para agenciar o show não havido, poderia marcar nova data.

    Não sabemos se as diligências são acautelatórias ou meramente com intuito de postergar a decisão plenária.

    Não compreendemos, também, como matéria de relevante conteúdo está sendo tratada pela mídia de forma introspectiva.

    Imaginamos que a assessoria de comunicação do TCE tenha envidado todos os esforços para esclarecer aquilo que timidamente pretendemos.

    Imaginamos, ainda, como os dinheiros são públicos, precisam de trato cauteloso, visto que eles pertencem à sociedade. Sociedade que é composta por doentes, desempregados, famintos, deseducados e outros que vivem no meio dos mais abastados. Alguns, acobertados.

    Um Tribunal de Contas que pretenda respeito ao seu conceito e atuação, não pode participar de uma opereta tão mal conduzida e desastrada quanto a que julga com extremo retardo.

    Por fim, porque a História é feita de gestos e omissões, cabe perguntar:

Onde andas Maçonaria?

Não escuto tua voz... Qual tua potência?

De que lado participas neste banquete?

Comentários:

Anônimo disse... A Maçonaria, na mídia, diz que é contra a corrupção...

 JORGE LOEFFLER .' E é, mas infelizmente teve entre seus membros um Arruda da vida. Por mais rigoroso que seja o filtro sempre passa algo.

Anônimo disse... Mas, na prática, tem se consorciado para fins escusos como este. Incontáveis irmãos em muito se diferenciam dos pedreiros livres e intelectuais que se associavam em nome da fraternidade (pela ausência de assistência social e responsabilidade de um Estado)ou em busca de recursos para a pesquisa e desenvolvimento dos povos. O que havia de secreto antes (o saber, que em tempos de ignorância e tirania conduzia os sujeitos à morte)hoje em dia só cego não vê. Secretos são os fins para os quais uns confabulam para a vergonha daqueles que conservam a decência.

Anônimo disse... O TCE ultimamente julga em prol daqueles que prestam contas.
Isso porque existe uma cadeia (partidos, interesses, maçonaria, máfia, parentes) entre o que julga e aquele que é julgado.
Esse caso Boccelli é estrondoso, aí vai se postergando até decair, esquecer-se, ao final julga-se regular com ressalvas.
Esse é o papel do TCE: dar um "bronca" junto com uma multa de R$ 400,00, R$ 800,00, frente a quaisquer valores.
Político nunca deveria assumir cargo em corte que toma as contas de políticos.

Anônimo disse... é o lado podre da corte de contas...

Anônimo disse... Parabéns Marcos, realmente o TCE-SC não honra sua missão constitucional!

Anônimo disse... Socorro!!!!! Por onde anda o Ministério Púbico. O dia em que um conselheiro dobTCE for interpelado judicialmente

Renato J T disse... Desde que conheci Marcos Bayer (costumo brincar: se é Bayer é Bom!) o tenho admirado pelo seu posicionamento, na busca de uma sociedade mais justa e humana. POR QUE NOS CALAMOS? Porque estamos esperando o nosso quinhão? Por que queremos que "os outros" nos defendam? Quem somos atualmente? Parabéns Marcos Bayer. Que comecemos a abraçar pelo menos uma causa.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Baile da Ilha Fiscal?

"O corte de gastos não chegou às cozinhas dos palácios presidenciais. O governo federal vai gastar mais de R$ 215 mil na compra de itens de prata como 22 "réchauds" (recipientes para manter a comida quente) orçados em mais de R$ 4.300 cada um, dez colheres de servir ao custo individual de R$ 303 e cinco espátulas para bolos com preço unitário calculado em R$ 1.166.Os utensílios serão usados no Palácio do Planalto e nas residências oficiais do Palácio da Alvorada e da Granja do Torto".

Da colunista política, Mônica Bergamo, na Folha.

ilha-fiscal-baile-1800px

O Baile da Ilha Fiscal  (quadro de Francisco Figueiredo) foi organizado com requinte e muita pompa e excentricidade, o que teria servido como o derradeiro pretexto para o fim da Monarquia e a Proclamação da República, que aconteceu 6 dias após o baile.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

TCE ADIA, MAIS UMA VEZ, JULGAMENTO DO CASO BOCELLI

   Por Leal Roubão
   A Corte de Contas, com sete conselheiros cujos salários chegam a R$ 30 mil reais por mês, adiou o julgamento do caso Bocelli, graças ao pedido de vistas de Julio Garcia.
   Estavam ausentes na sessão os conselheiros: Wan Dall, Herbst e o Fontes.
   Assim, com apenas quatro presentes, é possível que a votação fosse desfavorável aos réus.
   Outra hipótese que deve ser considerada é uma eventual prescrição das penas em razão dos prazos dilatados.
    O TCE é uma caixa de surpresas.
    Como se sabe, um ex-presidente, agora aposentado, ganha por lá R$ 30 mil mensais e na ALESC, onde agora é procurador, ganha mais R$ 30 mil reais mensais.
    É assim que funciona nossa Corte de Contas.
    Uma possível condenação de Dário Berger, deixaria o senador fora da disputa das próximas eleições. Entraria na lista dos "ficha suja".


   Entenda o Escândalo Bocelli. Beba na fonte.

Dario Berger vai a julgamento por show de Bocelli que ninguém viu

   Será hoje, às 14 horas, no Pleno do Tribunal de Contas do Estado, o julgamento do senador Dário Berger, por envolvimento no famoso Escândalo Bocelli, quando prefeito de Florianópolis em 2009.
    O escândalo, denunciado neste blog, envolveu o governo do estado, a prefeitura municipal, o tenor italiano, Andrea Bocelli, e o desaparecimento de R$2,5 milhões dos cofres públicos.

Entenda porque Dario Berger está sendo julgado:
 

Escândalo Bocelli: Sua Excelência o Fato

Parafrazeando Ulisses Guimarães, o modelo de político perseguido até em sonhos pelo senador Luiz Henrique da Silveira, apresentamos nesta reportagem os fatos, sem boatos, sobre o famoso escândalo que envolveu o governo do estado de Santa Catarina, a Prefeitura Municipal de Florianópolis, o tenor italiano, Andrea Bocelli e o desparecimento de milhões de reais dos cofres públicos

    O afair Bocelli foi um golpe planejado por um grupo de políticos catarinenses e tem como ingredientes o desaparecimento de somas milionárias de dinheiro público, histórias mal contadas, e repercussão internacional.
    Foi trazido à público em 28 de agosto de 2009. Nesta data, o Diário Oficial de Florianópolis publicou a dispensa de licitação para contratação da empresa Beyondpar (RJ), por R$ 3 milhões, para produzir o show do tenor italiano, Andrea Bocelli. Bocelli se apresentaria no denominado NATAL DOS SONHOS, a grande festa de final de ano patrocinada pelo Governo do Estado e Prefeitura Municipal. A idéia do mega-evento surge no segundo mandato do governador Luiz Henrique da Silveira, em pleno surto de megalomania, onde tudo que planejava para SC, e propagandeava na mídia, era sempre o maior e o melhor. Tudo de "primeiro mundo" e "intercontinental", como costumavam alardear seus acólitos da República de Joinville.
 

   Começa a armação
    Luiz Henrique conseguiu vender idéia do mega-show para o prefeito Dário Berger que engoliu a bolinha de polenta com anzol e tudo.
    Havia a promessa de que o estado repassaria, ao município, os recursos necessários
para o evento.
    Sem tempo a perder, imediatamente à proposta de Luiz Henrique, o secretário de Turismo do Município, Mário Cavallazzi, encaminha ofício ao secretário estadual de Turismo, Gilmar Knaesel, dia 31 de agosto de 2009, informando o cronograma de desembolso, previamente acertado entre Luiz Henrique da Silveira e a empresa Beyondpar, do Rio de Janeiro.
    Este documento é a primeira prova da série de ilegalidade que serão cometidas daqui em diante. Em primeiro lugar o dinheiro foi pedido com cronograma ¨acertado¨ entre LHS e os cariocas, sem nem um arremedo de projeto elaborado.
    Diante do papel de padaria pedindo os R$ 3 milhões, Luiz Henrique informa que para a liberação do "tutu", deveria ter uma contra partida social.
    Como o leitor pode ver, a compensação social oferecida por Mário Cavallazzi, e aceita por Luiz Henrique, se não é um deboche, é uma peça de alto valor científico. Ficou conhecida com a Contrapartida Social do Criolo Doido!
    Mário Cavallazzi que não é homem de se apertar por pouca coisa, no mesmo dia (31/8) elabora essa pérola abaixo:

"Pela primeira vez na história, as festividades de fim de ano vão se integrar ao esforço mundial de redução de emissão de gases poluentes que contribuem para o efeito estufa no planeta. O município vai levantar o volume de poluição ambiental gerada pelo espetáculo para compensar a liberação de gás carbônico com o plantio de árvores em áreas degradadas".

Leia matéria completa. Beba na fonte.



sábado, 5 de setembro de 2015

ROGÉRIO

Conto de Emanuel Medeiros Vieira
  
Vou te trazer uma garrafa de vinho, disse Rogério.
Sorriu,
É romeno – reiterou.

Era um almoço domingueiro.

– Para ti, qual é o melhor início de filme da história do cinema? – Rogério me perguntou.

– É o plano sequência de “A Marca da Maldade” (Touch of Evil, 1958) – respondi.

    Eu sabia que ele, além de conhecer profundamente a obra de Orson Welles, ele adorava o cineasta.
   Eu também.

– Rogério, todos os bons filmes já foram feitos? – indaguei brincando.
– Já.

– Mas é preciso não deixar de fazê-los– reforçou.

– Mas tudo está mais pulverizado: TV, DVD, internet, outras mídias, a falta de tempo, a ansiedade generalizada das pessoas, a fragmentação das vidas, a perda de sentido, as aporrinhações, a ausência de sentido, tudo durando pouco, o mercantilismo generalizado, tudo
– eu discursei.

– Pois é – Rogério concordou.

Me abraçou com carinho, dizendo: “é o nosso ‘discurseiro’ e teórico oficial atacando de novo”...
Eu ri.


– Seria possível escrever um romance como os russos do século XIX?

– É claro que não – Rogério falou rindo.

– Ninguém quer saber de livros grossos. Nem os leriam. Pulam até os livros finos. O mercado nunca deixa de lançar coisas novas. Não dá tempo para acompanhar. E há outro problema: muita gente fica colada na internet o dia todo e não lê mais nada – reforcei.
 
 - Muitos dos que se dizem escritores,também não leem quase nada. A internet vai nivelando. Se eu digo que sou contista e o outro também – não havendo crítica –, tudo se iguala. Os piores se achando muito importantes, sem qualquer humildade, achando que o mundo e a literatura começaram com eles.

- Não temos mais um Carpeaux para iluminar caminhos. Afora as exceções, só restam as teses universitárias que ninguém lê. Prevalece a “soberba medíocre”. Até as coisas boas não são percebidas. O que vale realmente é esquecido nessa mixórdia – continuei insistindo. Ou discursando.

– Ninguém se importa com mais nada, Rogério? – indaguei.

– Poucos dão bola. Só quando há interesses mercantis, verbas estatais e sede de aparecer – ele observou.

    Depois, parei. Achei que também seria inútil meditar sobre esses tempos. Ninguém daria bola. A maioria ficaria com a sua auto-ajuda, com o seu pornô-chic, com os seus pós-modernismos, com o seu psicologismo de boteco, com as suas análises superficiais ou formalistas, com as suas correntes de orações. Ou continuariam fazendo vida literária em vez de literatura, traficando influências, principalmente nos principais eixos, para aparecerem nos cadernos dois da vida.

    Ficamos em silêncio.
– Estamos amargos? – Rogério perguntou sorrindo.

– Estamos realistas, amigo.

    Havíamos sido colegas no Colégio Catarinense, em Florianópolis, no final da década de 50.
    Lembro que fizemos um churrasco quando ele foi lançar em Porto Alegre seu filme “O Bandido da Luz Vermelha”. Era 1969. O cinema que o exibiu era o Marrocos, no Menino Deus, que não existe mais.
   Não, não virou igreja evangélica, nem casa de bingos, por incrível que pareça.
   Virou edifício? Andamos de roda-gigante, comemos algodão-doce, ele com Helena, eu com uma moça chamada Priscila.

– Teu filme é muito bom – comentou o Andriotti, um humanista que havia sido nosso professor e que quase se ordenara padre. Era um cinéfilo de carteirinha.

    Anos depois, Rogério me ligou.
– Estou com câncer.

    Era no cérebro. Não soube o que dizer.
   
Tu ainda rezas, ele me perguntou?

– Rezo.

– A morte não existe, nós é que morremos, tentei brincar, lembrando Godard.

    Ele fez um esforço muito grande para rir.

    Pouco depois, Rogério morreu.

    Lembrei de um pensamento dele: “País sem cinema é que nem um país sem energia elétrica.”


Comentário:
Sergio Zylbersztejn Emanuel a tua vida é repleta de esquinas, encontros. amores, felicidade é uma pitada de sofrimento Texto denso. Quase uma "ode" a um amigo que partiu mas deixou seu olhar para o mundo que nunca se apagará Um abraço e grato pela leitura de mais um escaninho de tua alma Sergio Zylbersztejn em ROGÉRIO