segunda-feira, 21 de setembro de 2015

­A gestão da crise petista

Construindo pontes e atalhos na desconstrução imagética de competência na gestão crítica de Dilma Rousseff em segundo mandato governamental, ou, o final trágico da caricatura de uma burocrata implacável.

   Por Eduardo Guerini 

   O ideário político é permeado por construções históricas que ultrapassam tempos e gerações. Desde Maquiavel (Século XVI), a política moderna estabeleceu determinados postulados que se generalizaram como racionalização de estilos de “fazer política”. E assim, o homem virtuoso é aquele que enfrenta adversidades e perigos, lançando mão das armas possíveis para sobrepujar o destino. O sucesso no empreendimento político, e, portanto, a solução de conflitos, é ajustar suas ações, observando suas capacidades e agindo com obstinação.

   Eis que o legado petista na gestão de sucessivas crises é contraditório em todas as exigências do momento atual. O Brasil entrou no segundo mandato de Dilma Rousseff, descontruindo a imagem que o Criador (Lula) produziu de sua Criatura (Dilma). A construção se desmantela a “olhos vistos” nas diversas camadas da população brasileira. As diversas adjetivações positivas, tais como: a “gerentona eficiente” , a “burocrata obstinada” , a “Mãe do PAC”, a “guerreira do povo brasileiro”, “o coração valente” , se desmantelaram rapidamente nestes últimos meses do segundo mandato da gestão petista.

   Tal como fizera com os adversários na campanha reeleitoral de 2014, a “descontrução da imagem” de Dilma Rousseff e do petismo não resultou de uma ação racional da política , mas se ajustou as forças circunstanciais do próprio enredo utópico-idealista da fantasiosa propaganda política, esnobando com a realidade de uma crise econômica que se aproximava no horizonte. Em tom de zombaria, as Cassandras Alucinadas e Lamuriosas do lulopetismo se esmeraram em seguir o enredo do “marqueteiro”, destruir reputações e imagens, ainda que, na luta encarniçada pelo poder , a ação política do embate travado tenha sido desmoralizada em todos os seus sentidos.

   Porém, a “verdade efetiva”, tramou uma peça histórica na reeleição de Dilma Rousseff, a produção da mentira continuada – traduzida em “estelionato eleitoral”, representada como construção inacabada de seu primeiro mandato presidencial . Enquanto surfava nas ondas do crescimento econômico brasileiro, fruto da inclusão populista pelo consumo, obra de seu Criador (Lula), a Presidente tratou de destruir as pontes da articulação política, e, centralizou as decisões da economia sob seu comando. A mídia e analistas demonstraram que o Ministro da Fazenda do primeiro mandato , era a própria Dilma.

   Mas na sinuosa curva histórica da suposta ascensão do Brasil à condição de país emergente, queridinho do sistema financeiro internacional, os atalhos para manter-se no poder, exigem doses de realismo que a politicalha brasileira – em todos os níveis, não aprende senão por solavancos e sobressaltos. No enredo trágico da farsa construída na reeleição brasileira de 2014, a Presidente Dilma Rousseff tratou de descontruir toda a mística produzida por Lula e seu Partido dos Trabalhadores. Em paralaxe distorceu toda a figura emblemática e portentosa da Gerente que debela crises e coloca o Brasil no rumo certo.

   Os sucessivos escândalos de corrupção envolvendo proeminentes lideranças do petismo, desmoronou sobre a cabeça da gestora racional e burocrata implacável, evidenciando que a fantasia política tende aos erros estratégicos de seus mentores na tentativa de manter um projeto de poder, sem norte ou direção (sic!!!).

   A governanta do Planalto Central é a confirmação do legado da ação política maquiavélica onde “não se costuma ocultar e nem se costuma dizer”, o indivíduo é produção dos fatos concretos. No caso de Dilma, em seu trágico e veloz declínio, a desconstrução de seu legado é, em última instância criação da patuscada petista e de seu criador - Lula.

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