terça-feira, 24 de novembro de 2015

Reminiscências

jaison

   Por Jaison Barreto

   O sentimento de impunidade, começa por uma distorção na concepção de responsabilidade, que boa parte dos homens públicos brasileiros têm.

   O que ocorre de bom durante o período do seu exercício na função pública, é glória sua. Os desacertos, as más escolhas, os mal feitos, não são de sua responsabilidade. Ortega e Gasset, passou batido, ao garantir que “o homem é o homem e suas circunstâncias”.

    O Lula, com seu já famoso “nunca neste país”, é um exemplo típico desta situação, agravado por evidente despreparo que ele próprio faz questão de ressaltar.

   Sua entrevista ao Roberto D’Ávila, na Globo News, expôs a gravidade da sua paranoia, que implica inclusive, em absoluta incapacidade de auto crítica. Como qualquer chefete de partido político sul americano, acha natural impor, de maneira autoritária, um nome para sucedê-lo, mesmo quando comprovadamente dá mostras de evidente despreparo pra função (Dilma).

   A culpa aí é das circunstâncias, dos adversários, dos fados, da natureza, do sobrenatural, etc. etc. Sua amnésia garante que não opina no governo da Dilma. A literatura está cheia de casos que explicam esses fenômenos.

   Na psiquiatria é quase rotina.

  A MODÉSTIA NÃO LHE FAZ COMPANHIA, E VIVE DESAFIANDO ESPELHOS, DUVIDANDO QUE EXISTA ALGUÉM MAIS EXPERTO DO QUE ELE.

   Desconheço este Lula.

   Eu conheci o Lula companheiro de caminhadas, das dezenas de comícios, dos papos em sindicatos como o de Criciúma, o Lula das Diretas, das conversas sobre igualdade de oportunidades, o Lula da reforma agrária, o Lula que não gostava de banqueiros, o Lula da simplicidade que superava suas deficiências inspirando confiança e credibilidade.

   Foi assim que até fiz comício no Auto Posto Terceira Avenida, contrariando defensores do Collor. A prática democrática de garantir igualdade nas disputas, foi assunto de conversa no meu escritório, pra contatos com lideranças as mais diversas.
   Isto tudo me faz compreender o desencanto de petistas conscientes como o Bicudo, e tantos outros.

   Da minha parte, lamentei ter assistido a entrevista com o Roberto D’Ávila na Globo News. Fica difícil aceitar um Lula que garante saber de tudo, mas insiste em dizer que não sabia de nada.

   Aqui do oitavo andar do Edifício Dona Rosinha, apartamento comprado a prestação do companheiro Menta de Caçador, neste sábado ensolarado, ouvindo o burburinho da feirinha aqui na praça, curtindo uma musiquinha ao vivo que vem lá de baixo do quiosque, vendo ao longe o pessoal na praia, dei graças aos deuses pelas virtudes que preservo.

   Rico, de tornozeleira em casa ou na Papuda, depondo em CPI, dando explicações para o juiz Moro, não deve ser muito agradável.

   Imaginemos a situação de ainda muitos que botaram a mão no baleiro, enriqueceram com o dinheiro público e que sabem que qualquer manhã dessas, depois das 6h, vão ser visitados pela Polícia Federal?

   É pior do que fugir do boi ungido!

Um comentário:

Anônimo disse...

Artur Nogueira diz:
Se o nosso Macunaíma tropical foi, tempos atrás, esperto, ligeiro, hábil na negociação, bom de conversa como se diz, hoje percebemos um indivíduo doente mentalmente, com um empobrecimento cognitivo(se é que algum dia teve), com percepção distorcida da realidade, da verdade. Mas permanece àquele culto ao poder, a defesa da "causa".Coisa de cafajeste ou psicopata???
Leitura do momento: " Psicopatas no poder"- Dr. Andrew Lobaczewski.