domingo, 8 de novembro de 2015

Uma história feita de assassinatos…

Andreu_Nin(…) tentou entrever na escuridão o que se passava na estrada e julgou ouvir Máximus e os homens que o esperavam falando russo. Um daqueles homens lhe pareceu familiar e, embora pensasse mais tarde poder tratar-se de Alexander Orlov, chefe dos assessores soviéticos de espionagem, a escuridão impediu-o de ter certeza. Com uma lanterna o militar que acompanhava Máximus fez um sinal na direção da caravana e após alguns minutos Ramón viu passar junto do seu carro um homem, algemado, levado por dois policiais. Apesar da pouca luz, teve um sobressalto quando conseguiu identificá-lo: era Andreu Nin.

Naquele momento Ramón compreendeu que Máximus o escolhera para aquela missão como recompensa pelo seu trabalho junto a esfera do POUM (Partido ). Veio-lhe então à cabeça o enfermo jornalista inglês com cara de cavalo (George Orwell) e as palavras de quer, algumas semanas antes, numa das conversas no Hotel Continental, tinha dito a “Adriano” (codinome de Ramón Mercader):

- Nin é o espanhol mais espanhol que conheço. Se não fosse tão catalão, teria sido toureiro ou cantor flamenco …Vive com uma única ideia na cabeça: a revolução. É dos que poderiam morrer por ela. Os fanáticos apavoram-se, mas respeito aquele homem.

Sem se voltar para olhar seus companheiros, Ramón disse:

- Esse homem tem que morrer.

   Trecho do livro “O Homem que Amava os Cachorros”, do cubano Leonardo Padura. Em plena guerra civil espanhola os comunistas de orientação soviética assassinaram vários líderes socialistas e anarquistas que lutavam contra o fascismo do general Franco mas não seguiam as orientações de Stálin.

   Adreu Nin foi fundador do POUM, (Partido Operário de Unificação Marxista). Em 1937 foi detido pela política soviética, por ordem de Stálin, que agia na zona republicana e era ligada ao Partido Comunista Espanhol. Levado de Valência para Madrid, Nin foi torturado, esfolado e assassinado. Seu corpo nunca foi encontrado.

   Ramón Mercader, descrito por Padura no livro, é o homem que assassinou Leon Trotsky, no México, a mando de Stálin.

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