segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

NATAL

Por Emanuel Medeiros Vieira                          

Naqueles natais não havia peru defumado
E sim presépio, missa do galo, brinquedos de madeira, ternura.

Os shoppings estão cheios – como as novas catedrais do consumo.
Pacotes, gente estressada, barulho.
As pessoas só querem eletroeletrônicos de última geração.
Tudo descartável: gente, bolsas, joias.

O passado escorre úmido, contamina o presente.
O menino talvez esteja naquele pela enrugada.
O que é o tempo?

Tento congelá-lo - para ele ficar sempre comigo:
convertendo o instante em sempre.

Mas o menino continua no outro natal:
e a esperança que não se desgruda da pele.

Natal.

É preciso brindar à vida – sempre.
E saberei rir nesta outra ceia – tantos anos depois.
(Contemplando um natal mítico que nunca morrerá.)

O rio?
Segue o seu curso.

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