quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Poema com cartinha...

   Caro amigo Sérgio
   No meio de tanta lama - um lodaçal sem nome -, creio que um texto sobre outro tema, além da corrupção, também pode ser apreciado.
   Segue um poema para para o blog.
   Estava em Brasília e voltei ontem a Salvador - escrito na primeira e na última capital do Brasil.

   Abração do Emanuel


   BEIJO
   Por Emanuel Medeiros Vieira

"De todos  os deuses, Amor é o primeiro".  
(Platão - 428/427 a.C -348/347 a.C)

A primeira recusa do beijo
não anula a esperança
(de que serás contemplado mais tarde - um bálsamo, revelação).
A primeira negação não é definitiva - e não será a última.

Mas, afinal, porque te importa tanto o beijo?
Porque o beijo vai além do beijo.
E só será sentida (bem) mais tarde a dureza de sua ausência - pedra.
(Porque o teu ofício é amar.)

Não, não o beijo casual, frio ou protocolar, mas o beijo que arrepia a pele, que te "inunda" - como cachoeira - do "outro" (sim, teu semelhante, uma outra subjetividade).
Eu sei: um beijo é um beijo.
Como uma rosa é uma rosa.

Mas nesta tua passagem pelo planeta, ele é travessia, até chegar a terceira margem do rio.
Um beijo é sempre mais que um beijo.
Ele é um pedaço desta tua vida - breve, fragmentada, mero sopro.
O velho já está no menino (e há um beijo na face enrugada).
E neste caminho (áspero, luminoso) estará sempre - sempre - um beijo.
Ou a eterna colheita dele.

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