quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Um tango argentino pega bem melhor que um blues

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Foto do filme "Último Tango em Paris"
   Por Laercio Duarte
   Cristina Kirchner já vai tarde
   Mas promete colocar fogo no país. Você já andou ouvindo uma promessa assim por aqui mesmo, não faz muito tempo. É da mesma banda política. Na Argentina, como aqui, este tipo de bravata é feita pelos militantes de rua de um  grupo de políticos, que se autodenominaram "bolivarianos", em homenagem ao novo socialismo venezuelano, agora também moribundo.
   Cristina foi entusiasticamente apoiada por este grupo. Toda semana havia um ou dois de seus principais líderes, a fazer campanha para o pupilo de Cristina.  Lula e Dilma (Brasil), Correa (Equador), Morales  (Bolívia), Pepe Mujica (Uruguai) e representantes de Chávez-Maduro (Venezuela) foram pessoalmente prestar apoio. Não resolveu. Ainda bem. O povo argentino os repudiou.
   Mas, Cristina não se entrega. Promete voltar com tudo em 2019. Todos os que vão perder os cargos, os aparelhos instalados dentro do Estado, prometem o incêndio anunciado. Greves selvagens, ocupação de instalações públicas e privadas, violência política, a velha receita da esquerda "revolucionária". O laboratório argentino nestes anos vindouros servirá de prova para o resto da América Latina.
   Além do prometido incêndio, Cristina protagoniza um dos piores estilos de tango, aquele em que a dama do cabaré é uma velha senhora decadente. Mauricio Macri, o presidente que toma posse hoje, reclamou que a velha senhora não queria discutir transição, mas, apenas as cerimônias de passagem do governo, onde ela fazia questão de uma participação destacada para ela e seus longos "cabellos negros". Não tendo conseguido, boicotou a cerimônia e, enquanto Macri toma tomava posse, Cristina voava para sua casa na Patagônia.
   Um exemplo claro da falta de republicanismo de Cristina e seus companheiros deu-se com a delegação argentina à Conferência do Clima, em Paris. A política ambiental de Cristina e a proposta por Macri são completamente diferentes, mas, mesmo assim, ela mandou a Paris apenas os representantes de sua posição. Sequer consultou o novo mandatário sobre o que ele pensava, para incluir entre seus "emissários" pelo menos um que representasse o pensamento do novo governo. Então, ficamos com uma delegação argentina "com data vencida". Não satisfeita em encenar o Tango caseiro, tomou conta também do seu Tango em Paris.

Um comentário:

Anônimo disse...

A vida política da América Latina é sempre assim: cansativa, repetitiva e extremamente emocional.
É de se imaginar o enorme progresso que faríamos se nossa percepção e atenção estivesse muito mais na nação, nos talentos dos individuos e em tudo aquilo de bom que a sociedade é capaz de produzir por si própria.
A vida poítica é importante sim mas convenhamos, deve ser cautelozamente mantida dentro das proporções que merece.

Obrigado por compartilhar o texto.
Andre d'Aquino