quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

8 milhões de Coliformes na Temporada Turística Catarinense

Por Eduardo Guerini

Recolhendo amostras de água das praias
catarinenses para realizar contagem das
bactérias Escherichia coli e Enterococcus
faecalis, definindo qual o padrão ideal para
banhos e outras traquinagens na orla catarinense.
      
   Na última semana, a província catarinense foi surpreendida pelas denúncias de poluição total na praia de Canasvieiras, localizada no parte insular norte da Capital do Estado. O decantado pedacinho de terra perdido no mar, tal como o Poeta Zininho versou no seu Rancho de Amor à Ilha, foi esquecido pelos seus habitantes e gestores - principalmente nas últimas três décadas.

   O resultado de crescimento desordenado e acelerado, falta de planejamento urbano, especulação imobiliária e prática de um turismo predatório, trouxe seus impactos socioambientais na Ilha da Magia. Os inúmeros trabalhos que dormitam nas diversas faculdades e universidades da capital catarinense, as diversas reportagens e denúncias de algumas lideranças políticas e comunitárias não conseguiram vencer o monopólio da mídia provinciana e colonizada que desejou fazer da Ilha de Nossa Senhora do Desterro a ”Beverly Hills” da América do Sul.

   As inúmeras tentativas orquestradas por redes de colunistas que noticiavam a chegada de endinheirados e famosos em festas VIP, nas bucólicas e paradisíacas areias do litoral catarinense, decantando a densidade de “mulheres” com beleza sem par, e, desejosas por receber os turistas de todas as partes do Brasil e do mundo. O objetivo era tornar a provinciana Capital em cidade cosmopolita nos moldes de outros recantos turísticos, fomentando a “indústria sem chaminés”.

   No tom ufanista de nossos colunistas provincianos e jornalistas da mídia monopólica, o regurgito da expectativa lançada em tom panfletário pelo Secretário de Turismo de Santa Catarina foi transformado em “mantra” e verdade categórica, sem qualquer lastro estatístico ou fonte de dados, teríamos uma invasão de 8.000.000 (oito milhões de turistas). O otimismo desenfreado não se confirmou em virtude da crise econômica, ainda que, no final de 2015 e primeira quinzena de 2016, o volume de turistas brasileiros e “hermanos” , principalmente – argentinos, seja superior a temporada anterior . Nada é comparável às manchetes bombásticas dos jornais e telejornais. A super temporada de veraneio naufragou num mar de “coliformes fecais” e problemas estruturais da província catarinense nos seus vários recantos turísticos.

   Para os desavisados, os inúmeros relatos de falta de balneabilidade de nossas praias, data do início da década de 1980, quando toda parte continental e beira mar norte já estava comprometida por falta de saneamento. Na década de 1990 e períodos sucessivos, o problema somente se agravou.  Os relatórios sobre balneabilidade do litoral eram sofríveis, e, as políticas de saneamento básico somente foram adotadas no início deste século XXI.

   As irregularidades no atendimento de padrões de qualidade nas ETEs – Estações de Tratamento de Esgoto sob controle da CASAN em Florianópolis, são apontadas nos relatórios do TCE/SC, destacados na imprensa local desde 2005. Portanto, não causa nenhuma estranheza ou espanto para o habitante, veranista e turista, que vivemos um paradoxo na “indústria do turismo ilhéu”. Esperando a chegado de 8.000.000 (oito milhões) de turistas na fantasia gerada pelos gestores atuais, acabamos descobrindo que temos um população superior de Escherichia coli e Enterococcus faecalis.

   Se nossas autoridades queriam tratar os turistas como reis e rainhas, conseguiram fazer pela via inversa, nunca se viu uma correria tão grande para o “trono”. Na falta de alternativas, as soluções emergenciais e criação de um “comitê de crise” são o engodo maior do que as línguas de esgoto lançadas nas praias catarinenses.

   Finalmente, a catástrofe anunciada e o estrago feito, o que nossa mídia e gestores trataram de veicular? Uma visão parcial e otimista das condições gerais sobre a balneabilidade em Santa Catarina. Em menos de um dia astronômico, secretários e responsáveis, apresentaram ações emergenciais e transformaram locais impróprios em próprios para banho e frequência dos ansiosos turistas. Um legado da gestão do turismo catarinense, na curta e degradante temporada de 2016.

   Essa é famosa província de “casos e ocasos raros”, onde “coliforme fecal se transforma em vil metal”!!!

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