quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O próximo grande conflito

   Tudo indica que a próxima década vai vivenciar uma espécie diferenciada de conflito de gerações: refiro-me ao conflito de gerações por má herança!
   Sim, os atuais jovens, muito mais instruídos e conectados do que de outras gerações, defrontarão um conjunto muito robusto de razões para se revoltar contra nós, “das antigas”.
   Essas razões compreendem as seguintes mudanças que seus pais lhe legarão:

1.
um ecossistema abalado, mal falado e mais “zangado” com os humanos, ensejando desastres ambientais naturais cada vez mais frequentes e ruinosos;

2. proliferação de acidentes decorrentes de projetos inadequadamente elaborados, conservados e executados em obras públicas e de interesse público (especialmente barragens);

3. queda da qualidade de oportunidades e de empregos em função da redução dos índices de crescimento econômico no mundo, especialmente nos países mais ricos. Estes verão a distância que os separa dos emergentes reduzir inapelavelmente;

4. governos insolventes e previdência onerosa. Esta vai impor a esses jovens o preço da velhice prolongada de seus pais e avós, alguns deles aposentados há mais de 50 anos!;

5. pilares da sociedade “corroídos”. Sistemas políticos desmoralizados, sistemas judiciários sob grave desconfiança e de fraca eficácia, além de sistema econômico (capitalismo) cada vez mais submetido à especulação. Além disso, imprensa confrontada por mídias informais que “brotam” de forma imprevista; ou seja, formadores de opinião (e de manifestações) surgem de uma hora para outra, arrasadoramente.

   Esses ingredientes geram, explicam e, mais, justificam a revolta da geração emergente.
   Vale a pena refletir sobre essa perspectiva, ensaiando cenários e atitudes para fazer face a essa realidade que poderá ser mais ou menos sombria, mas não muito diversa da acima resumida..
Esperidião Amin, em 9/2/2016

5 comentários:

Anônimo disse...

Canga,

Mas ele não foi político a vida inteira?
E o que fez para evitar essa coisarada toda?

sds, Maria Amélia

Anônimo disse...

Lendo o texto, lembrei do assustador livro: Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, publicado em 1932. Entretanto, independente de romances distópicos, realmente, a percepção de futuro nunca foi tecnicamente tão sombria e pessimista especialmente para os que necessariamente nunca desfrutarão de qualquer forma de inclusão.

A elitização de importantes e fundamentais formas de inclusão, como o acesso ao trabalho com salários economicamente significativos por exemplo, é e sempre foi o mais fundamental prelúdio do caos social. Sociedades mais socialmente maduras já percebiam tal processo no início do século XX.

Mas, o mais interessante é que desde que nossa civilização iniciou, o poder sempre foi muito eficaz em encontrar 'formas muitíssimo criativas' para 'acalmar' as mentes mais revoltadas. E, tais 'formas muitíssimo criativas' parecem teremsido sempre muito mais sombrias e assustadoras do que o próprio futuro em si.

Obrigado por compartilhar o texto.

Andre d'Aquino

bonaster, o causídico. disse...

Eu só fico imaginando o conflito que um político tem consigo mesmo, ao discorrer sobre um assunto que, invariavelmente, ele também foi responsável por deixar acontecer. Esse conflito deve pesar na sua consciência, como cidadão, já na condição de político, nem tanto.
Imagino essa situação, quando um político acha que pode fazer alguma coisa, mas chega no poder e dá de cara com outra realidade. Que é obrigado a entrar no esquema para sobreviver no cenário político, tendo que seguir a correnteza, pois não tem qualquer expressão no cenário nacional. Pisa em ovos o tempo inteiro, e quando, eis que surge a luz, tem esse despertar de consciência que não condiz com o que estamos acostumados a ver na mídia sobre o político Amim.
Esse seu manifesto deve ter sido motivado por alguma situação que experimentou nesses últimos tempos.

Anônimo disse...

Canga,

o Dão é muito inteligente, porém soberbo em demasia.
se fosse mais humilde, chegaria mais longe.
usa dos amigos quando precisa, depois chuta.

mas, é um bom católico.

sds, maria rosa da cruz.

Anônimo disse...

Amin ou a mim? Discursivo, mas é do PP (Partido de Penetras) que se aliou ao PT (Partido dos Trambiqueiros)... que, nos últimos treze anos, destruiu duas gerações inteiras. Cansei desses discursos eleitoreiros!