sexta-feira, 4 de março de 2016

Ferreira Gullar

Populismo deslavado chega ao fim
 Poeta acusa Lula de usar estado para fortalecer o PT com propina
   Aos 85 anos, o poeta Ferreira Gullar, membro da Academia Brasileira de Letras e observador atento da política brasileira, acredita que o aprofundamento da crise, que teve na condução coercitiva do ex-presidente Lula a depor pela Polícia Federal um combustível, deve levar ao sepultamento do populismo no País. "O passado do Lula é impossível de negar ou apagar. Mas os fatos apurados demonstram que ele não era a figura que ele fez questão de mostrar que era. Ele usou o Estado, ajudou no fortalecimento de seu partido com propina. O populismo deslavado está chegando ao fim. Chegou na Argentina, está chegando à Bolívia, à Venezuela."

   Ele viu arrogância na reação de Lula à ação da PF. "Ele não foi preso, agredido. Ele se julga acima da lei. A carta que escreveu diz que prestaria depoimento a quem fosse digno de recebê-lo. Então é ele que escolhe? Não tem sentido." Para o escritor, as investigações estão revelando de forma objetiva malfeitos de Lula durante o exercício da Presidência da República - o que não significa que o governo Dilma Rousseff vá se tornar insustentável, tampouco que o Brasil tenha uma alternativa viável para substituí-la.

   Leia matéria completa. Beba na fonte.

Um comentário:

Anônimo disse...

O populismo jamais acabará na América Latina. Sim, haverão ciclos de pragmatismo intenso, mas sempre haverá o retorno da “dramatização do poder.”

O populismo é a projeção de nossos dramas individuais no âmbito do poder. Não queremos heróis... ou melhor, nossos heróis devem ser homens mansos, pacíficos, pouco pragmáticos e que fazem discursos inflamados por emoções simples. Nossos heróis choram muito porque são sensíveis e emocionalmente vulneráveis e nós adoramos ver poderosos chorando exatamente como nós choramos.

O populismo não nos traz uma identificação de valores morais mas sim, uma indentificação pela entrega ao emocional, o drama.

Estamos sempre procurando um mártir, um redentor que represente não a nós mesmos, mas nossos mais profundos dramas existenciais e nosso crônico sentimento de inferioridade que, ironica e paradoxalmente, nos parece revestir de uma aura de superioridade moral. É a doutrina do “coitadinho.”

Nós, na América Latina, ainda desfrutamos de uma certa inocência política e, assim, acreditamos que o poder pode seguir a mesma moralidade dramática do homem comum. Por isso o populismo torna-se então, a projeção distorcida dessa moralidade do homem comum no poder. Os populistas chegam ao poder porque traduzem dramas ao invés de consistência moral e força. Sim, aqui estou me referindo à filosofia de Friedrich Nietzsche.

Obrigado por publicar o texto.

Andre d'Aquino